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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 672
De 13/08 a 16/08/2010
 
 
 
 

Dia 13/08: 225.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1596 era descoberta a primeira estrela variável, Mira, por David Fabricius.

Em 1814 nascia Anders Ângström, físico sueco e um dos pioneiros da espectroscopia.
Em 1998 tinha lugar a Convenção de Fundação da Sociedade de Marte, entre 13 e 16 de Agosto, na Universidade do Colorado em Boulder, Colorado, EUA.
Observações: Baixa a Oeste ao anoitecer, a Lua Crescente encontra-se a cerca de 7º para a esquerda da Vénus.

Dia 14/08: 226.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846, um meteorito com 2,3 kg, do tipo condrito, colide com a superfície da Terra perto da cidade de Cape Girardeau, no Missouri, EUA.

Observações: Arcturo é a estrela mais brilhante a Oeste após o anoitecer (bem para cima do local onde Vénus se põe). À mesma altura e para a sua direita a Noroeste, procure a Ursa Maior. Quase à mesma altura mas a Nordeste, encontra-se a constelação de Cassiopeia com a sua forma de W.

Dia 15/08: 227.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, o Big Ear, um rádio-telescópio operado pela Universidada Estatal do Ohio, como parte do projecto SETI, recebe um sinal de rádio do espaço profundo; o evento é denominado de "sinal Wow!", a partir de uma anotação feita por um voluntário do projecto.

Observações: O mês de Agosto é quando a brilhante Vega atravessa o zénite a meio da noite (para observadores a latitudes médias norte). Quando Vega se encontra quase por cima das nossas cabeças, sabemos que o Bule de Chá de Sagitário, rico em objectos de céu profundo, está o mais alto a Sul.

Dia 16/08: 228.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a detecção de vapor de água no espaço interestelar.

"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas." David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade John Hopkins.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 19:14.

 
 
 
Parece que o Sol está a crescer em actividade. No início do mês houve uma gigantesca tempestade solar, e esta semana podem-se observar várias manchas solares na sua atmosfera.
 
 
 
  DESCOBERTO NOVO TIPO DE EXPLOSÃO ESTELAR  
 

Um inesperado e poderoso novo tipo de explosão estelar foi descoberto nos céus - uma denominada nova de raios-gama que irradia a mais energética forma de luz no Universo.

Uma nova é uma massiva explosão termonuclear de uma anã branca alimentada pela massa de uma estrela companheira. Ao contrário das supernovas, as novas não resultam na destruição das suas estrelas. Os investigadores esperavam e já tinham visto raios-X das ondas resultantes do gás em expansão em novas anteriores. Mas ao contrário das supernovas, não tinham visto raios-X emitidos por novas.

Agora os cientistas descobriram uma nova que expele raios-gama, ainda mais poderosos que os raios-X, ao usar o Telescópio Fermi em órbita da Terra, o mais sensível telescópio espacial raios-gama já construído.

"Esta é a primeira nova de raios-gama já observada," afirma o investigador Teddy Cheung, astrofísico do Laboratório Naval de Pesquisa em Washington.

O Telescópio Fermi não viu nenhum sinal da nova nos 19 dias anteriores a 10 de Março (esquerda), mas a erupção nos 19 dias seguintes é óbvia (direita). A imagem mostra os raios-gama, com uma energia de 100 milhões de electrões-volt (100 MeV); as cores mais brilhantes indicam energias maiores.
Crédito: NASA/DOE/Colaboração LAT Fermi
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os raios-gama em questão emergiram do sistema binário conhecido como V407 Cygni, a uns 8800 anos-luz de distância, que consiste numa anã branca e numa gigante vermelha pulsante. Foram expelidos após uma nova avistada por astrónomos amadores japoneses em Março, que no seu pico estava mesmo abaixo do nível de visibilidade do olho nu, mais brilhante do que qualquer outro ponto nos quase 75 anos que os cientistas observam o sistema.

Os investigadores sugeriram que os raios-gama foram gerados quando as ondas de choque da nova colidiram com os ventos muito densos da gigante vermelha.

Astrónomos amadores japoneses descobriram a nova Cygni 2010 numa imagem obtida dia 10 de Março. A estrela em erupção era 10 vezes mais brilhante que numa imagem obtida vários dias antes. A nova alcançou um brilho máximo de magnitude 6,9, mesmo abaixo da visibilidade a olho nu.
Crédito: K. Nishiyama e F. Kabashima/H. Maehara, Universidade de Quioto
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"À medida que a onda de choque se propaga para fora, age como um limpa-neves, varrendo material do vento estelar, e forma-se uma frente de choque," explica o investigador Adam Hill, astrofísico da Universidade de Joseph Fourier-Grenoble em França.

Protões e electrões são acelerados até energias muito altas nesta frente de choque. Por sua vez, eles produzem raios-gama.

Em muitas novas, a companheira da anã branca é uma estrela normal de sequência principal, e como tal tem um vento estelar muito menos denso quando comparada com a gigante vermelha em V407 Cygni, com menos material para gerar raios-gama. Prevê-se que muito poucos sistemas binários combinem o tipo de anãs brancas e gigantes vermelhas que explodem como novas, e como tal os investigadores esperam que as novas raios-gama sejam muito raras.

"É sempre excitante descobrir algo novo e inesperado," afirma Hill. Os investigadores do Fermi detalham os seus achados na edição de 13 de Agosto da revista Science.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
SPACE.com
PHYSORG.com
UPI
MSNBC.com

Nova:
Wikipedia

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Fábrica Estelar M17 - Crédito: Ignacio de la Cueva Torregrosa  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Esculpida por ventos estelares e radiação, a fábrica estelar conhecida como Messier 17 situa-se a uns 5500 anos-luz de distância na constelação rica em nebulosas de Sagitário. Àquela distância, este campo de visão com 30 minutos de arco cobre quase 50 anos-luz. Ventos estelares e luz energética de estrelas quentes e massivas formadas no stock de gás cósmico de M17 esculpiram lentamente o material interestelar que resta produzido pela sua aparência cavernosa e formas ondulantes. As cores nesta espectacular imagem foram seleccionadas para realçar a luz emitida por elementos específicos na nebulosa excitada pela luz estelar energética. O vermelho indica emissão de enxofre, o verde hidrogénio e o azul oxigénio. M17 é também conhecida como Nebulosa Omega ou Nebulosa do Cisne.

 


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