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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 688
De 08/10 a 11/10/2010
 
 
 

Dia 08/10: 281.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de Outubro).

Halley era um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (Sirius, AldebarãBetelgeuse e Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1984, lançamento da missão STS-51A, voo inaugural do Vaivém Discovery.

Observações: Aviste Arcturo, a estrela mais brilhante da constelação do Boieiro, baixa a Oeste-Noroeste à medida que anoitece. Para a sua direita, a Norte-Noroeste, está a Ursa Maior.

Dia 09/10: 282.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1604 ocorre a supernova 1604, a supernova mais recente observada na Via Láctea.

Em 2009, primeiro impacto lunar das naves Centauro e LCROSS, como parte do Programa Robótico Lunar da NASA.
Observações: A partir das 21:30, conseguirá observar a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter.

Dia 10/10: 283.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967 entra em acção o Tratato Espacial, assinado a 27 de Janeiro por mais de sessenta nações.

Observações:  A Nebulosa do Anel (M57), é um dos objectos de Messier mais bonitos. Encontra-se na constelação de Lira, ainda bastante alta para boa observação.

Dia 11/10: 284.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, lançamento da sonda Pioneer 1 (a sonda caí para a Terra e é destruída).
Em 1968, lançamento da Apollo 7, a primeira missão tripulada do programa Apollo.
Em 1984, a astronauta Kathryn D. Sullivan, da missão STS-41G, torna-se na primeira mulher a fazer um passeio espacial.

Em 2000, lançamento da missão STS-92 do vaivém Discovery.
Observações: Aproveite a noite para tentar observar o Cometa Hartley, entre Girafa e Perseu (magnitude 4,84, requer pelo menos binóculos).

 
 
 
Das 50 estrelas mais próximas (até 17 anos-luz da Terra), o Sol é a quarta com maior massa.
 
 
 
  PROJECTO WMAP COMPLETA AS SUAS OPERAÇÕES OBSERVACIONAIS  
 

Após nove anos a estudar o céu, a sonda WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) concluiu as suas observações da radiação cósmica de fundo, a luz mais antiga do Universo. A sonda não só deu aos cientistas o seu melhor olhar sobre este brilho remanescente, como também estabeleceu o modelo científico que descreve a história e a estrutura do Universo.

"A WMAP abriu uma janela para o Universo antigo que só podíamos imaginar há uma geração atrás," afirma Gary Hishaw, astrofísico do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, que gere a missão. "A equipa ainda está ocupada a analisar os dados dos 9 anos, dados estes que a comunidade científica anseia."

A sonda foi desenhada para providenciar um olhar mais detalhado sobre as diferenças de temperatura na radiação cósmica de fundo, detectadas pela primeira vez em 1992 pela sonda COBE (Cosmic Background Explorer) da NASA. A equipa da WMAP respondeu a muitas questões acerca da idade e composição do Universo. Adquiriu os seus dados científicos finais a 20 de Agosto e a 8 de Setembro, o satélite ligou os seus motores, deixou a sua órbita de estudo, e entrou numa órbita permanente em torno do Sol.

Esta detalhada imagem de todo o céu mostra o jovem Universo a partir de sete anos de dados do WMAP. A imagem revela flutuações de temperatura com 13,7 mil milhões de anos (vistas entre as diferenças de cor) que correspondem às sementes que cresceram para se tornarem nas galáxias. O sinal da Via Láctea foi subtraído usando dados de várias frequências. A imagem mostra um intervalo de temperatura de +/- 200 microKelvin.
Crédito: NASA / Equipa científica da WMAP
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Lançámos esta missão em 2001, realizámos muito mais do que os nossos objectivos científicos iniciais, e agora é altura de uma conclusão responsável para as operações do satélite," afirma Charles Bennett, investigador principal da WMAP na Universidade Johns Hopkins em Baltimore.

A WMAP detecta um sinal do brilho remanescente do jovem e quente Universo, um padrão "congelado" de quando o Cosmos tinha apenas 380.000 anos. À medida que o Universo crescia durante os 13 mil milhões de anos seguintes, esta luz perdeu energia e esticou-se para comprimentos de onda cada vez mais longos. Hoje, é detectável no microondas.

O satélite está no Livro Guiness dos Recordes pela "mais precisa medição da idade do Universo." A missão estabeleceu que o cosmos tem 13,75 mil milhões de anos, com um erro de 1%.

A missão também mostrou que os átomos normais constituem apenas 4,6% do cosmos de hoje em dia, e verificou que a maioria do Universo consiste de duas entidades que os cientistas ainda não compreendem muito bem.

A matéria escura, que constitui 23% do Universo, é um material que ainda tem que ser detectado em laboratório. A energia escura é uma entidade gravitacionalmente repulsiva que pode ser uma característica do próprio vácuo. A WMAP confirmou a sua existência e determinou que corresponde a 72% do cosmos.

Outra descoberta importante da WMAP envolve uma hipótese cósmica de "explosão de crescimento" chamada de inflação. Durante décadas, os cosmólogos sugeriram que o Universo passou por uma fase de crescimento extremamente rápido no seu primeiro bilionésimo de segundo de existência. As observações da WMAP suportam a noção que a inflação realmente ocorreu, e as suas medições detalhadas agora excluem vários cenários bem-estudados de inflação enquanto providenciam suporte para outros.

"Surpreende-me sempre o facto de conseguirmos fazer uma medição que pode distinguir entre o que pode ou não ter acontecido no primeiro bilionésimo de segundo do Universo," afirma Bennett.

O WMAP foi o primeiro satélite a usar o ponto de balanço gravitacional conhecido como ponto L2 (Terra-Sol) como seu local de observação. Este ponto está a 1,5 milhões de quilómetros.

"A WMAP deu-nos medições definitivas dos parâmetros fundamentais do Universo," afirma Jaya Bapayee, executivo do programa WMAP na sede da NASA em Washington. "Os cientistas vão usar os dados durante anos, na sua busca de melhor compreender o Universo."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
PHYSORG.com
Spaceflight Now
Wired

WMAP:
NASA
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

 
     
 
 
     
  Pacman e Hartley - Crédito: Jaime Fernández  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Viajando pelo Sistema Solar com um período orbital de seis anos, o pequeno cometa Hartley 2 (103/P Hartley) fará a sua maior aproximação do planeta Terra a 20 de Outubro e a maior aproximação do Sol a 28 de Outubro. Poderá tornar-se num cometa visível a olho nu, observável apenas em céus escuros e limpos. Entretanto, o cometa tem sido um esplêndido alvo telescópico, visto na imagem com uma encantadora cabeleira verde enquanto partilhava o quadro com a nebulosa de emissão NGC 281 e as estrelas de Cassiopeia a 2 de Outubro. O perfil da nebulosa, definido pelas nuvens de poeira avermelhadas, sugere o seu nome mais popular de Nebulosa Pacman. O aparentemente pequeno risco brilhante mostra o movimento do cometa contra as estrelas de fundo ao longo do tempo de exposição da imagem - uma hora. Durante os próximos dias o Cometa Hartley 2 vai dirigir-se para perto do duplo enxame em Perseu. A 4 de Novembro, uma sonda terrestre irá passar a cerca de 700 km do núcleo cometário. Agora com o nome de EPOXI, a sonda era antes conhecida como Deep Impact.

 


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