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Astrónomos conseguiram produzir a
primeira imagem verdadeiramente útil de algo no espaço que
utiliza raios gama. É uma fotografia que só um astrónomo pode
apreciar, mas parece ajudar a resolver um problema com cerca
de um século.

A imagem em raios gama do resto de supernova RX J1713.7−3946.
Crédito: Colaboração
HESS - courtesia de Werner Hofmann (MPI)
Os raios cósmicos são partículas extremamente energéticas
que bombardeiam continuamente a Terra. Os cientistas não sabem
exactamente de onde vêm, mas há uma suspeita forte de que
resultem das explosões nas estrelas.
Esta imagem é de um resto de supernova e a produção de
radiação gama na onda de choque indica que a onda de choque
está a actuar como um gigantesco acelerador de partículas no
espaço e consequentemente uma enorme fonte de raios cósmicos
da nossa galáxia.
"Esta imagem é de facto um grande passo em
frente para a astronomia de raios gama e o remanescente de
supernova é de facto um objecto fascinante" declarou Paula
Chadwick da Universidade de Durham. "Se tivéssemos olhos para
ver raios gama no Hemisfério Sul, poderíamos observar um
grande anel brilhante no céu todas as noites".
Os raios gama são a forma mais energética
de radiação conhecida, cerca de mil milhões de vezes
mais energética que os raios X produzidos por uma máquina de
raios X hospitalar. Dado que atravessam praticamente tudo, é
difícil capturá-los para construir uma imagem, do género que é
costume fazer com a luz visível e outras formas de radiação.
Mas os raios gama dos objectos do espaço
exterior são detidos pelas inúmeras partículas da atmosfera;
quando tal acontece, é produzido um flash ténue de luz azul
que dura bilionésimos de segundo. Os astrónomos usaram imagens
destes flashes de luz azul (chamada radiação de Cherenkov)
para produzir a sua imagem de raios gama.
A investigação foi detalhadamente
apresentada na revista Nature. Foi efectuada usando o
HESS (High Energy Stereoscopic System), um interferómetro de
quatro telescópios localizado na Namíbia, no sudoeste
africano.

As quatro antenas do interferómetro HESS.
Crédito:
Durham Physics
O estudo foi liderado por David Berge do MPI fur Kernphysik,
localizado em
Heidelberg, na Alemanha.
Pode-se dizer que se trata de uma grande
vitória, mas é apenas o princípio: os raios gama são muito
menos energéticos que os misteriosos raios cósmicos de energia
ultra elevada, em que cada partícula infinitesimal transporta
tanta energia como uma bola de futebol rematada num livre pelo
pé canhão do Roberto Carlos do Real Madrid.
Links:
Press Releases:
http://www.pparc.ac.uk/Nw/Md/Artcl/SNR_HESS.asp
http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/ap041105.html
Artigo na revista Nature:
http://www.nature.com/cgi-taf/DynaPage.taf?file=/nature/journal/v432/n7013/abs/nature02960_fs.html
HESS:
http://www.mpi-hd.mpg.de/hfm/HESS/HESS.html
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