NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 73
9 de Novembro de 2004
DESCOBERTO O MAIOR CAMPO DE CRATERAS DE IMPACTO DO MUNDO


Vista interior da cratera GKCF13 com 950 metros de diâmetro.
Crédito: CRAS/ELsevier

A descoberta do maior campo de crateras de impacto na Terra é a primeira prova de que o planeta sofreu impactos de meteoros simultâneos num passado recente. O campo não foi detectado até agora porque está parcialmente enterrado nas areias do deserto do Sahara, na parte Sudoeste do Egipto.

Philippe Paillou do Observatório da Universidade de Bordeaux em Floirac, França, notou estruturas geológicas circulares no Sahara o ano passado, enquanto analisava imagens por satélite de radar da área.

As estruturas são parte de um gigantesco campo de 100 crateras espalhadas por mais de 5000 quilómetros quadrados perto do planalto de Gilf Kebir. Estas variam em diâmetro, entre 20 metros a 2 quilómetros. O maior campo de crateras anteriormente descoberto cobre uns meros 60 quilómetros quadrados na Argentina.


Localização do campo de crateras de impacto Gilf Kebir.

Em Fevereiro, Paillou dirigiu uma missão Egípcia e Francesa com o objectivo de encontrar este local e examinou 13 das crateras, confirmando que são de facto o resultado de impactos simultâneos. Mas a determinação da sua data tem sido uma tarefa árdua. Paillou estima que tenha aproximadamente 50 milhões de anos, relativamente jovem em termos geológicos.

O tamanho do campo sugere que possa ser o resultado de dois ou mais meteoros que se desintegraram ao entrar na atmosfera da Terra, segundo diz, a primeira prova de um impacto múltiplo.


Imagem do satélite Landsat-7 do campo de crateras de impacto.
Crédito: CRAS/ELsevier
(clique na imagem para ver versão maior)

"Devido ao grande tamanho do campo, não pode ter sido feito apenas por um meteoro," diz Paillou. Mas mais estudos serão necessários para perceber o evento e os seus efeitos, e Paillou planeia regressar à área no próximo mês.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.webindia123.com/news/showdetails.asp?id=51957&cat=World

Base de dados de impactos terrestres:
http://www.unb.ca/passc/ImpactDatabase/index.html

Observatório de Bordeaux:
http://www.webindia123.com/news/showdetails.asp?id=51957&cat=World

 
SUPERNOVA POSSIVELMENTE AFECTOU EVOLUÇÃO HUMANA

Um estudo sugere que uma estrela que explodiu há cerca de 3 milhões de anos atrás deixou vestígios de detritos na Terra, o que pode ter afectado o curso da evolução humana.

Quando partículas da explosão bombardearam a atmosfera da Terra ao longo de um grande período de tempo, mudanças climáticas poderão ter forçado os primeiros humanos a procurar comida.


Cada supernova espalha um «cocktail» de elementos exóticos pelo cosmos.
Crédito: Greg Martin

A prova existe na forma de quantidades extra de ferro-60, um isótopo radioactivo de ferro que normalmente existe na Terra em quantidades menores. Os cientistas encontraram os detritos da supernova em camadas de solo datadas de há 2.8 milhões de anos, suportando uma teoria já com cinco anos mas que tinha poucos dados concretos.

A estrela que explodiu teria algumas vezes a massa do nosso Sol.

"Durante um curto período de tempo esta explosão libertou tanta luz como uma galáxia inteira," explicou o líder do estudo Gunther Korschinek da Unversidade Técnica de Munique, na Alemanha. Muitos destes detritos -- elementos recém-formados -- foram absorvidos pelo pó e gás interestelar. Mas outros foram espalhados pelo nosso sistema solar.

O mesmo grupo de pesquisa encontrou ferro-60 em abundância há cinco anos atrás, mas estas novas provas encontram-se a mais de 4,500 quilómetros de distância e em camadas que podem ser datadas com muito mais precisão. Os resultados são explicados na edição de 22 de Outubro do jornal Physical Review Letters.

De acordo com um artigo no site da revista Britânica Nature, a descoberta "representa um triunfo experimental e um marco neste campo," diz o astrofísico Brian Fields da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. Fields diz que o resultado marca o nascimento da "arqueologia de supernovas".

Os cientistas estimaram que entre uma e três estrelas transformam-se em supernovas na nossa galáxia a cada 100 anos. Uma provavelmente perto do nosso sistema solar entre 5 e 10 milhões de anos.


A supernovas são processos violentos do final da vida de uma estrela, que podem ter um brilho equivalente ao de uma galáxia inteira.
Crédito: Greg Martin

"A nossa descoberta mostra pela primeira vez traços de uma supernova perto da Terra," disse Korschinek. "Pode ter sido tão brilhante, que seria facilmente visível durante o dia."

A estrela entrou na sua fase de supernova numa distância entre 30 e 300 anos-luz da Terra, o estudo conclui. Esta estimativa deve-se ao facto da massa exacta da estrela não ser conhecida, e devido à extensão do ferro-60 ainda permanecer parcialmente desconhecida. Há, no entanto, uma prova bastante sólida que ajuda a fornecer uma distância mínima: os nossos antepassados sobreviveram e até prosperaram. Se a supernova tivesse explodido muito perto, não poderíamos estar aqui agora. Os astrónomos não podem enumerar com precisão os efeitos locais de uma supernova. Mas pelo menos podemos especular.

Ernst Dorfi, da Universidade de Vienna, calcula que a supernova no estudo de Korschinek teria gerado um aumento significativo na percentagem de radiação cósmica que atingia a Terra durante algumas centenas de milhares de anos.

Outros cientistas acreditam que estes raios cósmicos extras levariam à formação de um maior número de nuvens e a uma descida na temperatura, embora a ideia necessite de mais estudo, diz Korschinek.

"Curiosamente, um decréscimo da temperatura naquela época pode ser visto nos registos geológicos," aponta Korschinek, adicionando que existem outras explicações teóricas para a mudança. Qualquer que seja a causa, os teóricos evolucionistas pensam que a mudança climática da altura forçou os primeiros humanos a adaptarem-se, e a saír da seca África em busca de melhores climas.

Por isso, talvez -- ainda por provar -- esta supernova seja uma razão para a nossa existência.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.nature.com/news/2004/041101/full/041101-5.html
http://www.rednova.com/news/display/?id=100458
http://dsc.discovery.com/news/briefs/20041101/supernova.html
http://www.dailytimes.com.pk/default.asp?page=story_1-11-2004_pg6_6
http://www.infoaboutnetwork.com/view/news/596/
http://www.psrd.hawaii.edu/May03/SolarSystemTrigger.html
http://arxiv.org/abs/astro-ph/0410525

Ferro-60:
http://www.site.uottawa.ca:4321/astronomy/index.html#iron60

Universidade Técnica de Munique:
http://www.tu-muenchen.de/jshpchooser.tupl

Evolução humana:
http://en.wikipedia.org/wiki/Human_evolution

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     
 
Vénus e Júpiter ao nascer-do-Sol - Crédito: Tunç Tezel
O que são aqueles brilhantes objectos no céu da manhã? As pessoas madrugadoras, entre muitas outras no Hemisfério Norte, provavelmente já notaram o tremendamente brilhante Vénus no céu a Este mesmo antes do nascer-do-Sol. A semana passada, o impressionante mas menos brilhante Júpiter apareceu a 1 grau do planeta Vénus, criando um espectacular evento celeste. Este "show" irá mudar um bocado durante esta semana, com os planetas a afastarem-se entre si, Marte a entrar em cena, estrelas como Espiga a cintilar no fundo, e até uma Lua Crescente de visita. A foto foi tirada na cidade de Bursa, Turquia.
Ver imagem em alta-resolução
     
 
  ACAMPAR COM AS ESTRELAS  
 

CENTRO MULTIMEIOS DE ESPINHO: Nova Sessão de Planetário

Desde o dia 16 de Outubro que o Centro Multimeios de Espinho tem uma nova sessão de planetário com o nome "Acampar com as estrelas ".

Este programa produzido pela Fundação Navegar foi concebido para um público do 3.º Ciclo do Ensino Básico, mas poderá ser um bom programa para todos os tipos de públicos,  nomeadamente grupos familiares.

Com uma boa banda desenhada de suporte o programa abrange tópicos que vão desde a astronomia galáctica até ao sistema solar e à astrofísica rudimentar (gravitação newtoniana).

A não perder.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 09/11: 314º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1934 nascia Carl Sagan.

Carl Sagan começou a sua carreira na ciência da vida no Universo como assistente do prémio Nobel da medicina H. J. Muller nos anos 50. Conhecedor, tanto de Astronomia como de Biologia, as suas contribuições para o estudo da ciência planetária são a fundação da pesquisa actual. "Cosmos", a série televisiva, ganhou vários prémios Emmy e Peobody. O livro, foi o livro científico mais vendido de sempre. O seu romance "Contacto" foi trazido para o cinema através da Warner Bros. Teve um papel fundamental nas sondas Mariner, Viking e Voyager, pelas quais recebeu a medalha de Feito Científico Excepcional da NASA (duas vezes) e a medalha de Notável Seviço Público. Co-fundador da Sociedade Planetária. Dr. Sagan recebeu o prémio Pulitzer, a medalha Oersted e muitos outros prémios - incluíndo dezoito graduações de colégios e Universidades americanas - pelas suas contribuições à Ciência, literatura, educação e conservação do ambiente. Sagan teve o título de Professor David Duncan de Astronomia e Ciências Espaciais e foi director do Laboratório de Estudos Planetários na Universidade de Cornell. O prémio Masursky da Sociedade Astronómica Americana cita "as suas extraordinárias contribuições no desenvolvimento da ciência planetária". Morreu a 20 de Dezembro de 1996. Faria 70 anos.
Observações: Aproveite a noite para observar de binóculos a Galáxia de Andrómeda (M31). Recomenda-se que faça a observação numa posição confortável, pois o objecto encontra-se no zénite! Não há melhor altura para a sua observação!

Dia 10/11: 315º dia do calendário gregoriano.
Observações: Pelas cinco da manhã, observe a Lua, Júpiter e Vénus muito próximos entre si, baixos a Este.

Dia 11/11: 316º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1572 Tycho Brahe observa uma nova no céu. Isto é uma prova contra a teoria de Aristóteles que os céus são imutáveis. Escreveu na ocasião: "Não está na órbita de Saturno nem de Júpiter, nem da de Marte, nem das dos outros planetas, e por isso evidente, dado que ao fim de alguns meses não se moveu nem um minuto da sua posição incial; o que deveria ter acontecido se estivesse numa órbita planetária (...) Por isso, esta nova estrela não está localizada nem (...) por baixo da Lua, nem das órbitas das sete estrelas errantes, mas na oitava esfera, por entre as outras estrelas fixas".
Observações: A Lua encontra-se no nodo descendente (longitude eclíptica 212.2º).
Urano está estacionário em ascensão recta -- começa o movimento prógrado ou directo.
Às 03:00 de dia 12, pico da chuva de meteoros Taurídeas Norte. Não é uma chuva muito intensa, com cerca de 7 meteoros por hora.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Dado que a cintura de asteróides é muito grande e não existem milhões de asteróides, a distância média entre cada um é cerca de 100,000 quilómetros. Por isso não é um local muito "frequentado". As sondas Voyager 1 e 2, por exemplo, passaram pela cintura de asteróides sem qualquer problema.
 
 
 
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