NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 78
26 de Novembro de 2004
NOVIDADES SOBRE O SISTEMA SOLAR

Um décimo planeta de grandes dimensões, para além de Neptuno e Plutão, ainda não foi descoberto apesar de anos à procura do Planeta X. No entanto, os astrónomos que trabalham na busca de novos planetas começam a especular que o Planeta X será descoberto em breve bem como o Y e o Z.

 

Estrutura do sistema solar actualmente aceite

Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt 

De facto o alfabeto inteiro poderá não ser suficiente para apelidar todos os novos planetas a ser descobertos em torno do Sol.

Uma nova perspectiva teórica sobre o nosso cantinho da Galáxia indica que vários planetas de dimensões superiores às de Plutão e talvez tão grandes como Marte poderão encontrar-se nas regiões mais exteriores do sistema solar.

Em busca do Planeta X

Há vários anos que os astrónomos têm procurado a Cintura de Kuiper, uma vasta região para além de Neptuno onde existe uma segunda cintura de asteróides e objectos cometários.

A Cintura de Kuiper estende-se até uma distância de cerca de 8 mil milhões de quilómetros de distância do Sol, isto é , até mais de cinquenta vezes a distância da terra ao Sol (50 UA.).

Desde 1992, forma descobertos mais de 800 Objectos da Cintura de Kuiper (Kuiper Belt Objects (KBOs)). Uma mão cheia deles têm aproximadamente metade do diâmetro de Plutão. Até recentemente, os KBOs alimentaram a especulação de que seria descoberto mais do que um corpo do tamanho de Plutão.

"Dado que o nosso varrimento cobriu já a maior parte da Cintura de Kuiper, estou agora disposto a apostar que nada maior que Plutão será descoberto na Cintura de Kuiper", diz Mike Brown, astrónomo da Caltech .

À medida que a esperança se dissipa, um estudo publicado no início do mês mostra que alguns KBOs são ainda mais pequenos do que fora inicialmente assumido.

A dimensão de um objecto distante é muitas vezes calculado assumindo-se uma dado valor da sua reflectividade chamada albedo. Durante muitos anos foi assumido que os KBOs eram muito escuros reflectindo apenas 4% da radiação incidente. No entanto dados obtidos por John Stanberry da Universidade do Arizona usando o telescópio espacial Spitzer vêm mostrar que o albedo dos KBOs se encontra entre os 6% e os 18% pelo que é necessária uma superfície planetária substancialmente menor para obter os brilhos que eram detectados. Assim, as dimensões dos KBOs terão de ser recalculadas e serão menores que o inicialmente estimado.

Pensava-se que um destes objectos, catalogado como 2002 AW197, teria cerca de dois terços do diâmetro de Plutão. Com os novos dados esse diâmetro foi agora reduzido a um terço.

Perspectivando a nova realidade

Apesar dos novos dados, há alguns KBOs cuja medida não foi alterada pois o seu albedo era bem conhecido. Um deles está bastante para lá de Plutão e é considerado um elo perdido no espaço para lá da Cintura de Kuiper.

Em Novembro de 2003, a equipa de Mike Brown descobriu um planeta com metade da dimensão de Plutão. Chamaram-lhe Sedna em homenagem à deusa Inuit do mar. A órbita excêntrica de Sedna prolonga-se para fora da Cintura de Kuiper indo de um periélio a 76 UA a um afélio a cerca de 1,000 UA. Sedna apenas foi descoberto pois encontra-se agora nas proximidades do periélio. Muito para lá da órbita de Sedna, os teóricos acreditam que se encontra um resto da formação do sistema solar. A nuvem de Oort é uma esfera hipotética de objectos gelados que começa a 10,000 UA e se estende até 100,000 UA ou seja, 1.5 anos-luz do Sol.

Ninguém esperava encontrar um objecto como o Sedna na região onde foi encontrado, pelo que os teóricos estão à procura de uma explicação para a sua existência.

"Sedna pode ser um membro de uma grande população de objectos apanhados entre as Cintura de Kuiper e a Nuvem de Oort" diz David Jewitt da Universidade do Hawai, que fez a primeira determinação rigorosa do albedo de KBOs em 2001.

Mike Brown, que agora aposta que se encontrará o planeta X, pensa que descoberta que o seu grupo fez do Sedna traz um cenário ainda mais drástico.

Na última semana afirmou: "Apostaria agora que existem objectos maiores que Plutão na região onde orbita o Sedna. Até cerca de  1,000 UA podem existir 10 a 20 objectos da dimensão de Plutão".

Diria ainda: "Alguns destes objectos podem ser tão grandes como Mercúrio ou até mesmo Marte".

À espera de tecnologia

Serão necessários novos telescópios para identificar os pontos minúsculos nos limites do sistema solar.

"Planetas do tamanho de Plutão em órbitas quasi-circulares a estas distâncias estão para lá do actualmente possível" afirmou Bob Millis do Observatório Lowell, cuja equipa descobriu já mais de 400 KBOs. Contrariamente a Mike Brown, Millis pensa que poderemos ainda ter uma surpresa na Cintura de Kuiper.

"Cerca dos 70 UA", prognostica,"é uma advinha tão boa como qualquer outra".


Dimensões relativas de alguns transneptunianos comparados com a Terra e a Lua
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/R. Hurt

Links:
Press Release:

http://www.esa.int/SPECIALS/Mars_Express/SEM3GDWJD1E_0.html

Mars Express:
http://www.esa.int/SPECIALS/Mars_Express/SEMFU55V9ED_0.html

Marte:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/marte.htm
http://www.solarviews.com/span/mars.htm
http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/aprendendo-basico/sistema-solar/marte.html
http://www.if.ufrgs.br/ast/solar/portug/mars.htm
http://planetario.online.pt/Astronomia/astronomia-sistemasolar-marte.html

Valles Marineris:
http://astrogeology.usgs.gov/Projects/VallesMarineris/
http://mars.jpl.nasa.gov/mep/science/vm.html
http://www.solarviews.com/cap/mars/me07s078.htm

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
     

 
Nebulosa da bolha - Crédito: Brad Ehrhoirn, Adam Block, NOAO,AURA,NSF, 
Esta misteriosa bola de gás encontra-se a 0,5º de M52 em Cassiopeia. No caso desta nebulosa toda a sua emissão vem da estrela no centro da bolha, que é uma estrela de Wolf-Rayet. As estrelas de Wolf-Rayet são estrelas extremamente quentes (25000K - 50.000K) e expelem as suas camadas mais externas a velocidades enormes (milhares de quilómetros por segundo). Esta estrela em particular vive a cerca de 10.000 anos-luz de distância de nós, numa região da galáxia que contem nuvens de gás interestelar.
     
 
 

ESPAÇO ABERTO

 
 
Observação astronómica, dia 11 de Dezembro, na açoteia do CCVA, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 26/11: 331º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1965, lançamento do primeiro satélite francês, o Astérix 1.
Observações:
Às 20h07 (hora local) atinge-se a Lua Cheia.
Às 13h00 (hora local) Urano encontra-se 4º a norte da Lua.

Dia 27/11: 332º dia do calendário gregoriano.
História:  Em1971, a sonda soviética Mars-2 torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a atingir Marte.
Observações: Aproveite para  observar M44, o presépio.

Dia 28/11: 333º dia do calendário gregoriano.
História: 
Em 1964, é lançada a Mariner 4. A 14 de Julho de 1965, passa a 9912 km de Marte. Envia 22 imagens para a Terra. A atmosfera marciana foi analisada e descobre-se ser muito mais fina do que se pensava.
Em 2000, descoberta de uma rocha tipo Plutão, um objecto transneptunianos, inicialmente de nome 2000 WR106.
Observações: Aproveite para  observar M42, a Grande Nebulosa de Orionte.

Dia 29/11: 334º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1967, lançamento do primeiro satélite australiano, o Wresat 1.
Observações:
Titã está norte de Saturno.
Às 17h00 (hora local) o Sol entra na constelação de Ofiúco à longitude ecliptica de 247.83°.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Ofiúco não é considerado uma constelação zodiacal pelos astrólogos, embora no seu trajecto aparente ao longo do ano o Sol passe por 13 constelações, sendo uma delas Ofiúco (o Serpentário).
 
 
 
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Compilado por:  Alexandre Costa e Miguel Montes
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