Um décimo planeta de grandes dimensões, para além de Neptuno e
Plutão, ainda não foi descoberto apesar de anos à procura do
Planeta X. No entanto, os astrónomos que trabalham na busca de
novos planetas começam a especular que o Planeta X será
descoberto em breve bem como o Y e o Z.

Estrutura do sistema solar actualmente aceite
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/R. Hurt
De facto o alfabeto inteiro poderá não ser suficiente para
apelidar todos os novos planetas a ser descobertos em torno do
Sol. Uma nova perspectiva teórica sobre o nosso cantinho da
Galáxia indica que vários planetas de dimensões superiores às
de Plutão e talvez tão grandes como Marte poderão encontrar-se
nas regiões mais exteriores do sistema solar. Em busca do Planeta X Há vários anos que os
astrónomos têm procurado a Cintura de Kuiper, uma vasta região
para além de Neptuno onde existe uma segunda cintura de
asteróides e objectos cometários. A Cintura de Kuiper estende-se até uma distância de cerca
de 8 mil milhões de quilómetros de distância do Sol, isto é ,
até mais de cinquenta vezes a distância da terra ao Sol (50
UA.). Desde 1992, forma descobertos mais de 800 Objectos da
Cintura de Kuiper (Kuiper Belt Objects (KBOs)). Uma mão cheia
deles têm aproximadamente metade do diâmetro de Plutão. Até
recentemente, os KBOs alimentaram a especulação de que seria
descoberto mais do que um corpo do tamanho de Plutão. "Dado que o nosso varrimento cobriu já a maior parte da
Cintura de Kuiper, estou agora disposto a apostar que nada
maior que Plutão será descoberto na Cintura de Kuiper", diz
Mike Brown,
astrónomo da
Caltech .
À medida que a esperança se dissipa, um estudo publicado no
início do mês mostra que alguns KBOs são ainda mais pequenos
do que fora inicialmente assumido.
A dimensão de um objecto distante é muitas vezes calculado
assumindo-se uma dado valor da sua reflectividade chamada
albedo. Durante muitos anos foi assumido que os KBOs eram
muito escuros reflectindo apenas 4% da radiação incidente. No
entanto dados obtidos por John Stanberry da Universidade do
Arizona usando o telescópio espacial Spitzer vêm mostrar que o
albedo dos KBOs se encontra entre os 6% e os 18% pelo que é
necessária uma superfície planetária substancialmente menor
para obter os brilhos que eram detectados. Assim, as dimensões
dos KBOs terão de ser recalculadas e serão menores que o
inicialmente estimado. Pensava-se que um destes objectos, catalogado como 2002
AW197, teria cerca de dois terços do diâmetro de Plutão. Com
os novos dados esse diâmetro foi agora reduzido a um terço. Perspectivando a nova realidade Apesar dos novos dados, há alguns KBOs cuja medida não foi
alterada pois o seu albedo era bem conhecido. Um deles está
bastante para lá de Plutão e é considerado um elo perdido no
espaço para lá da Cintura de Kuiper.
Em Novembro de 2003, a equipa
de Mike Brown descobriu um planeta com metade da dimensão de
Plutão. Chamaram-lhe Sedna em homenagem à deusa Inuit do mar.
A órbita excêntrica de Sedna prolonga-se para fora da Cintura
de Kuiper indo de um periélio a 76 UA a um afélio a cerca de
1,000 UA. Sedna apenas foi descoberto pois encontra-se agora
nas proximidades do periélio. Muito para lá da órbita de
Sedna, os teóricos acreditam que se encontra um resto da
formação do sistema solar. A nuvem de Oort é uma esfera
hipotética de objectos gelados que começa a 10,000 UA e se
estende até 100,000 UA ou seja, 1.5 anos-luz do Sol.
Ninguém esperava encontrar um objecto como o Sedna na
região onde foi encontrado, pelo que os teóricos estão à
procura de uma explicação para a sua existência. "Sedna pode ser um membro de
uma grande população de objectos apanhados entre as Cintura de
Kuiper e a Nuvem de Oort" diz David Jewitt da
Universidade do Hawai, que
fez a primeira determinação rigorosa do albedo de KBOs em
2001. Mike Brown, que agora aposta que se encontrará o planeta X,
pensa que descoberta que o seu grupo fez do Sedna traz um
cenário ainda mais drástico.
Na última semana afirmou: "Apostaria agora que existem
objectos maiores que Plutão na região onde orbita o Sedna. Até
cerca de 1,000 UA podem existir 10 a 20 objectos da
dimensão de Plutão".
Diria ainda: "Alguns destes objectos podem ser tão grandes
como Mercúrio ou até mesmo Marte".
À espera de tecnologia Serão necessários novos telescópios para identificar os
pontos minúsculos nos limites do sistema solar. "Planetas do tamanho de Plutão em órbitas quasi-circulares
a estas distâncias estão para lá do actualmente possível"
afirmou Bob Millis do Observatório Lowell, cuja equipa
descobriu já mais de 400 KBOs. Contrariamente a Mike Brown,
Millis pensa que poderemos ainda ter uma surpresa na Cintura
de Kuiper. "Cerca dos 70 UA", prognostica,"é uma advinha tão boa como
qualquer outra".

Dimensões relativas de alguns transneptunianos comparados
com a Terra e a Lua
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/R.
Hurt
Links:
Press Release:
http://www.esa.int/SPECIALS/Mars_Express/SEM3GDWJD1E_0.html
Mars Express:
http://www.esa.int/SPECIALS/Mars_Express/SEMFU55V9ED_0.html
Marte:
http://www.ccvalg.pt/astronomia/astronline/marte.htm
http://www.solarviews.com/span/mars.htm
http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/aprendendo-basico/sistema-solar/marte.html
http://www.if.ufrgs.br/ast/solar/portug/mars.htm
http://planetario.online.pt/Astronomia/astronomia-sistemasolar-marte.html
Valles Marineris:
http://astrogeology.usgs.gov/Projects/VallesMarineris/
http://mars.jpl.nasa.gov/mep/science/vm.html
http://www.solarviews.com/cap/mars/me07s078.htm
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