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NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 98
8 de Fevereiro de 2005
arrow A "VARINHA DE CONDÃO" DA MARS EXPRESS thingy

Uma "varinha de condão" com o objectivo de procurar água subterrânea em Marte irá ser ligada na sonda europeia Mars Express no começo da Primavera, depois de um ano de atraso. A nova data para a antena de radar - a ser anunciada nos próximos dias - será provavelmente em Abril.

A "Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionosphere Sounding" - ou MARSIS - consiste de fios esticados dentro de três longos tudos de fibra de vidro. Estes irão procurar água - que por seu lado podem ser "oásis" de vida - até alguns quilómetros por baixo da superfície de Marte.

Os tubos, actualmente dobrados e guardados a bordo da Mars Express, eram para ser ligados originalmente em Abril de 2004. Mas os gestores da missão adiaram a data quando as simulações computacionais mostraram que uma antena similar planeada para lançamento mais tarde em 2005 poderia virar-se para trás e danificar a sonda após a ligação. Por isso a equipa da MARSIS levou alguns meses no passado Outono a fazer testes ao material da antena em câmaras de vácuo e modelando o lançamento em computadores.


Ilustração de artista da sonda Marsis já com a experiência MARSIS.
Crédito: ESA

(clique na imagem para ver versão maior)

A pesquisa revela agora que existe de facto uma "alta probabilidade" que um dos três tubos "se vire e atinja a sonda", diz o cientista da MARSIS William Johnson do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Mas a antena é muito leve e flexível - com o diâmetro e força de um rolo de papel higiénico," acrescenta. "Por isso, o impacto é provável que não cause nenhum dano."

Mais preocupante que um golpe directo é a pequena hipótese que um tubo possa ser apanhado pela sonda ou ficar enrolado sobre si próprio. Nesse caso, a MARSIS não irá funcionar e poderá deixar a sonda com um novo e não antecipado centro de gravidade, forçando os cientistas da missão a alterar a maneira como controlam a sonda. "Existe algum risco", disse Johnson.

Mas a equipa da ESA que comanda a Mars Express aparentemente decidiu que vale a pena correr esse risco e irá proximamente anunciar uma nova data - provavelmente em Abril. Já tinham anteriormente resolvido esperar até Março de 2005, quando a sonda demorasse menos tempo a passar pela sombra do planeta durante cada órbita. Tal "eclipse" requer que a Mars Express dependa apenas das suas baterias, que podem muito bem falhar.

Os próprios requisitos da experiência MARSIS também afectam o seu lançamento. Estas "varinhas" de radar devem estar perto do planeta para funcionarem - limitando o seu uso a apenas 28 minutos em cada órbita elíptica de 6 horas. E funcionam melhor no lado nocturno de Marte. A janela operacional de meia-hora será maximizada em Abril, Maio e Junho, quando os voos rasantes da sonda ocorrerão por cima das latitudes Norte da parte não iluminada do planeta.

As três secções da antena - duas das quais têm 20 metros de comprimento, enquanto a terceira mede 7m - irão ser desdobradas separadamente durante cerca de duas semanas. Os membros da equipa da MARSIS terã então duas semanas para organizar a sua experiência numa fase "comissionada", com prioridade sobre os outros seis instrumentos da sonda ao enviar os seus dados para a Terra.


Analisando o funcionamento da MARSIS.

Mas o êxito da experiência é tudo menos certo. A MARSIS funciona enviando pulsos de ondas-rádio e analisando o atraso e força das ondas que regressam. A teoria é que algumas das ondas com um comprimento de onda maior poderão penetrar no solo poroso e rochoso de Marte e depois ressaltar quando encontrarem uma transição entre dois materiais com propriedades eléctricas diferentes, tais como uma camada subterrânea de água.

Experiências de radar semelhantes já têm sido feitas na Terra, mas sobre gelo, onde "regularmente sabemos o que esperar," diz Johnson. Este não é o caso com Marte. "Nós nem sabemos se iremos ter um eco da sub-superfície," diz. Johnson acrescenta que qualquer sinal que a equipa receba será difícil de interpretar, dado que as ondas que regressam da superfície a largos ângulos podem "imitar" aquelas que vêm debaixo da superfície.

"Pode ser um falhanço. Pode nem sequer lá estar nada," diz Johnson. "Mas a MARSIS tem um fantástico potencial. Poderá dizer-nos mais do que qualquer outra combinação de instrumentos que já tenhamos enviado para Marte."

Links:

MARSIS:
http://www.marsis.com/
http://www.esa.int/SPECIALS/Mars_Express/SEMUC75V9ED_0.html#subhead7

Mars Express:
http://www.esa.int/SPECIALS/Mars_Express/

Marte:
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_(planet)
http://www.nineplanets.org/mars.html

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arrow ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS thingy
     
Foto  
Cratera Pitágoras pela SMART-1 - Crédito: ESA / Space-X, AMIE Team
O contraste produzido pelas sombras realçam todo o brilho dos picos centrais e as paredes na forma de terraços da Cratera Pitágoras, de 120 quilómetros de largura, neste mosaico de imagens da sonda SMART-1 da ESA (Agência Espacial Europeia). Característica das grandes e complexas crateras de impacto na Lua, a elevação central foi produzida por uma reacção da crosta lunar repentinamente derretida durante o evento de impacto violento. Impelida por um eficiente motor de iões, a inovadora sonda SMART-1 entrou na órbita lunar em Novembro do ano passado, depois de uma longa viagem de 13 meses a partir do planeta Terra. Agora, vendo a superfície lunar entre uma altitude de 1,000 a 5,000 quilómetros, a SMART-1 irá espiralar mais perto da Lua no final deste mês.
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Observação astronómica, dia 12 de Fevereiro, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 08/02: 39º dia do  calendário gregoriano.
História: 
Em 1986 regressava o cometa Halley.
Em 1994, voo inicial do CZ-3A (China).
Observações: Lua Nova, 22:28. Sem a sua presença aproveite para observar as constelações de Inverno.

Dia 09/02: 40º dia do calendário gregoriano.
Observações: Aproveite a noite para observar os enxames abertos: M35 (Gémeos), M41 (Cão Maior) e NNGC 2264 (em Unicórnio, o famoso enxame da Árvore de Natal, que foi uma das fotografias que inserimos no Astroboletim da véspera de Natal, n.º 86).

Dia 10/02: 41º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1974, voo rasante da sonda soviética Mars 4 por Marte.
Observações: Por volta das 01:30, se tiver um telescópio experimente observar Júpiter e seus satélites galileanos. Os quatro fazem um pequeno grupo: para a direita de Júpiter, Calisto, Io, Ganimedes e Europa).

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Vega, na constelação de Lira, é a quinta estrela mais brilhante do céu nocturno.
 
 
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