A maior parte do conteúdo científico da cápsula espacial da Genesis, que caíu no Utah a 8 de Setembro, irá provavelmente ser salvo, de acordo com os cientistas da missão.
As primeiras inspecções iniciais da cápsula quebrada feitas numa base perto do local da queda sugeriam que muitos, se não todos os colectores hexagonais de partículas estivessem partidos. A contaminação de pó e humidade pode, no entanto, não ter sido tão alargada como se pensava originalmente.

A queda da Genesis ocorreu perto de Granite Peak numa porção remota do campo de teste e treino do Utah.
Crédito: NASA/JPL
A cápsula passou 27 meses no espaço, recolhendo partículas carregadas empurradas da camada superior do Sol pelo vento solar. Pensa-se que esta camada permaneça praticamente igual à nuvem de gás e pó da qual o sistema solar foi formado há cerca de 4.5 mil milhões de anos atrás.
A Genesis foi construída para melhorar as estimativas da composição dessa nuvem pelo menos 3 vezes em ordem a testar as teorias de evolução do sistema solar. O seu alvo mais importante era o oxigénio, que existe em planetas diferentes e em quantidades diferentes dos seus três isótopos mais comuns.
"Se compreendermos o estado inicial e o actual, podemos tentar perceber por que tipo de ambientes térmicos os planetas passaram," disse Benton Clark, um membro da equipa da Genesis da Lockheed Martin Space Systems.
O vento solar é constituído por 99% de iões de hidrogénio e hélio. Por isso os cientistas construíram o instrumento de modo a recolher oxigénio em concentrações pelo menos 20 vezes maiores que o que regularmente se encontra no vento solar.
Na Sexta-feira passada, os cientistas da missão disseram que conseguiam ver duas das quatro partes que continham estes iões de oxigenio quando espreitaram dentro do receptáculo científico com uma lanterna e um espelho.

O compartimento científico de recolha da Genesis dentro de uma sala de limpeza.
Crédito: NASA/JPL
"Estamos confiantes que conseguiremos atingir os nossos objectivos com um alto grau de sucesso de um ponto de vista científico," disse o membro da equipa Roger Wiens do Los Alamos National Laboratory em Novo México.
Os cientistas da Genesis também partilharam uma opinião mais resguardada sobre os outros alvos principais da missão, o nitrogénio e o carbono. A folha dourada usada para recolher os isótopos de nitrogénio, que poderia providenciar uma melhor visão da evolução de atmosferas planetárias, foi encontrada intacta.
Mas Don Burnett, o principal investigador da missão do California Institute of Technology em Pasadena, Califórnia, disse que uma experiência, que usa um dos receptáculos de silício para estudar os isótopos de carbono, será "muito difícil de estudar". Isto é devido à contaminação do carbono. "O pó está cheio dele, como também a atmosfera", disse.
A Genesis usou cinco receptáculos hexagonais para recolher iões dos ventos solares. Estes foram construídos de materiais ultra-puros - incluíndo silício, germânio, safira e diamante - que ajudavam a tornar mais fácil o estudo destes elementos em laboratórios.

Os especialistas da Genesis estão começando o processo de inventoriar o conteúdo do receptáculo científico da Genesis. Esta é uma tarefa metódica.
Crédito: NASA/JPL
Estes iões provavelmente foram unidos nestes receptáculos a mais ou menos 50 nanómetros. "Isto é muito perto da superfície", disse Wiens. As técnicas de limpeza afectariam a superfície nalguns nanómetros, diz, "por isso temos que ser extremamente cuidadosos".
Clark disse que água ultra-pura, pincéis ou até ar podem ser usados para limpar o pó, que era "um pouco pegajoso e difícil de remover" devido à cápsula ter aterrado nas planícies salgadas do Utah.
Burnett disse que a equipa poderá também consultar alguns especialistas na indústria semicondutora. Gabor Somorjai, um químico da Universidade da Califórnia, Berkeley, diz que uma técnica vulgar usada nos circuitos microelectrónicos dos chips de computador podem facilmente remover estes detritos com uma precisão de 1 nanómetro. Este procedimento envolve o disparo de iões de alta-energia num gás inerte, tal como árgon ou xénon, em ordem a remover a superfície de um material.
Somorjai também disse que a contaminação por oxigénio no ar não é provavelmente um problema, dado que os materiais dos receptáculos reagem com o oxigénio apenas a altas temperaturas, e os poucos minutos que a cápsula passou na atmosfera provavelmente não chegavam para os afectar.
Links:
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http://www.space.com/news/genesis_update_040910.html
http://www.nasa.gov/home/hqnews/2004/sep/HQ_04296_genesis_update.html
Genesis:
http://www.genesismission.org/
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