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JACTOS DE ENCELADO - MOLHADOS OU APENAS SELVAGENS?
29 de Novembro de 2008

 

Os cientistas continuam a procurar a causa dos geysers da lua de Saturno, Encelado. Estes são visíveis como uma grande pluma de vapor de água e partículas de gelo que escapam à lua. Dentro da pluma estão jactos de poeira e de gás. O que provoca e controla os jactos é ainda um mistério. A sonda Cassini continua a recolher novos dados em busca de pistas.

No coração da pesquisa está a questão se os jactos são originários de uma fonte subterrânea de água líquida. Algumas teorias oferecem modelos onde os jactos são provocados por mecanismos que não necessitam de água líquida. O árduo trabalho de detective dos cientistas da Cassini tem o objectivo de testar as possibilidades de modo a se aproximarem de uma resposta.

O que gera os jactos de Encelado é uma questão importantíssima da ciência planetária, porque se a água líquida está envolvida, Encelado teria tudo o que precisa, em teoria, para providenciar um ambiente habitável.

Um modelo recente proporcionou a hipótese que os jactos pudessem ser explosões violentas de gelos voláteis recém-expostos ao espaço quando as forças das marés de Saturno abrem fissuras dentro da região de "listas de tigre" no pólo sul da Lua.

As novas descobertas anunciadas na edição de 27 de Novembro da revista Nature, no entanto, duvidam dessa hipótese. Quando Encelado está mais longe de Saturno, de acordo com a teoria, estes respiradouros comprimem-se, reduzindo ou desligando os jactos.

"As nossas observações não concordam com os 'timings' previstos da abertura ou fecho das falhas devido à tensão e compressão das marés," afirma Candice Hansen, cientista do JPL que faz parte da equipa do espectómetro de imagem ultravioleta da Cassini.

Ao mesmo tempo, disse Hansen, os novos achados suportam pelo menos uma teoria que atribui os jactos a uma fonte de água líquida dentro de Encelado.

Hansen e a sua equipa conduziram experiências em 2005 e 2007 para observações da luz estelar passando através das plumas de Encelado. Durante esta chamada "ocultação estelar," o espectómetro mediu a concentração de vapor de água e densidade dos jactos. A experiência testou a previsão que uma maior quantidade de material seria libertado de maiores aberturas em 2005, e menos material em 2007 quando as fissuras estariam mais fechadas.

Ao invés, anunciou Hansen, descobriu-se que a realidade é exactamente o oposto. As observações mostraram que a pluma era quase duas vezes mais densa em 2007 que em 2005, contradizendo o modelo que diz que a compressão das marés controla as plumas. "Nós não a excluímos completamente devido às diferentes geometrias das nossas duas ocultações, mas nós definitivamente também não comprovámos esta hipótese," disse Hansen.

Hansen disse que as novas observações da Cassini, no entanto, suportam um modelo matemático desenvolvido em 2007, que trata os respiradouros como tubos que canalizam o vapor de água a partir de uma fonte quente, provavelmente líquida, até à superfície a velocidades supersónicas.

Os autores desse modelo teorizam que apenas altas temperatuas perto do ponto de fusão da água gelada podem explicar o grande número de partículas de gelo presentes num estado estável nos jactos de Encelado. Uma fonte de água líquida dentro de Encelado, disseram, pode ser semelhante ao Lago Vostok da Terra, por baixo da Antártida, onde água líquida existe por baixo do gelo. No caso de Encelado, os grãos de gelo aí condensariam a partir do vapor que escapa da fonte de água e percorrem as fissuras na crosta gelada até à superfície e para o espaço.

O que provoca e controla os jactos, e se existe água líquida, é ainda uma incerteza, mas novas pistas poderão ser descobertas em breve, porque Encelado é um importante alvo de estudo para a Cassini na sua missão prolongada. A presença de água líquida dentro de Encelado teria grandes implicações nos futuros estudos astrobiológicos sobre a possibilidade de vida dentro de corpos gelados no Sistema Solar exterior.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Revista Nature (requer subscrição)
SPACE.com
New Scientist
Science Daily
Universe Today
PHYSORG.com
National Geographic
Reuters
Associated Press

Encelado:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 


Nesta impressão de artista, a sonda Cassini faz um voo rasante pela lua de Saturno, Encelado, com o objectivo de estudar as plumas dos geysers que são libertados a partir de gigantes fissuras na região polar sul do satélite.
Crédito: NASA, Karl Kofoed
(clique na imagem para ver versão maior)


Os investigadores pensam que os geysers em Encelado são formados a partir de água líquida por baixo da superfície, perto do pólo sul da lua. O vapor viajar por pequenos canais no gelo e condensa para formar cristais de gelo que também se movem na direcção da superfície da lua. Isto resulta em jactos de vapor de água e grãos de gelo, expelidos pela superfície.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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