Top thingy left
 
OS MUITOS MISTÉRIOS DOS ANÉIS DE SATURNO
26 de Agosto de 2009

 

Os anéis de Saturno fascinam os cientistas desde que o astrónomo italiano Galileu Galilei o observou pela primeira vez através de um dos seus telescópios no século XVII. Mas a origem dos anéis gelados permanece ainda um mistério que só se tem revelado cada vez mais inexplicável com cada nova descoberta científica.

Os astrónomos sabem agora que o planeta alberga múltiplos anéis que consistem de aproximadamente 35x10^24 toneladas de gelo, poeira e rocha. A sonda Cassini e as suas antecessoras, as Voyager, também avistaram padrões anulares em mutação, arcos anulares parcialmente formados e até mesmo uma lua que liberta partículas geladas para formar um novo anel. Tudo isto sugere que os anéis evoluem constantemente com o tempo.

A Cassini também observou um evento mais recente, perto do equinócio de Saturno, quando um objecto aparentemente perfurou um dos anéis e deixou um rasto de detritos, o que novamente aponta para um sistema de anéis sempre em alteração.

E mesmo ainda hoje, o como e quando da formação dos anéis permanece um mistério.

Os cientistas aprenderam muito desde que o matemático Christiaan Huygens seguiu as pisadas de Galileu e descobriu o que os anéis de Saturno representavam em 1655. Os anéis consistem de aglomerados gelados, argilas, rochas e mesmo pequenos luas que provocam o caos gravitacional ao entrar e saír dos anéis.

Júpiter, Urano e Neptuno também têm anéis. Mas nada comparados com a espectacular colecção de Saturno, que os cientistas fraccionaram segundo as seguintes divisões (do mais interior para o exterior): D, C, B, A, F, G e E.

Uma teoria sugere que os anéis resultaram de detritos de uma lua fracturada há cerca de 4 mil milhões de anos atrás, durante um período de grandes bombardeamentos meteóricos. Uma grande colisão de um cometa ou asteróide também pode explicar o enxame de detritos.

Outra teoria propõe que os anéis representam "fósseis" primordiais de um antigo disco de detritos de uma lua falhada, com base na influência gravitacional de Saturno.

Existem estruturas estranhas e intervalos dentro dos anéis. A Voyager avistou pela primeira vez padrões fantasmagóricos que cortavam os anéis como raios numa roda, e a Cassini registou-os fotograficamente. Não há nenhum consenso, se os raios nasceram de impactos de meteoróides sobre os anéis ou se são derivados do campo magnético de Saturno. Os cientistas até apontaram tempestades em Saturno ou relâmpagos como os possíveis culpados por trás deste fenómeno.

Outros hiatos, na forma de hélices de um avião, também se podem ter formado nos anéis quando pequenas luas com o tamanho de um estádio de futebol desbravaram pelas partículas anulares em órbita. A presença de milhares destas pequenas luas dá mais peso à teoria da colisão para a formação dos anéis de Saturno.

A idade dos anéis de Saturno também está em aberto. Observações terrestres anteriores inclinavam-se na direcção dos anéis datarem de há milhares de milhões de anos, para o começo da história de 4,6 mil milhões de anos do Sistema Solar. Por contraste, os voos rasantes da Voyager sugeriram uma idade mais jovem de talvez 200 milhões de anos, quando os dinossauros começaram a vaguear pela Terra.

O estudo actual do sistema planetário pela Cassini complicou a situação ao indicar que cada anel poderá ter-se formado em diferentes alturas e de modos diferentes. A sonda da NASA descobriu plumas geladas na lua Encelado, que constantemente alimentam o anel E com novo material. Luas mais pequenas e interiores orbitam dentro de anéis parciais e completos formados a partir das suas próprias partículas, provavelmente devido a impactos de micrometeoróides, que expulsam o material das suas superfícies.

Alguns anéis aparentemente também se auto-renovam de uma maneira que poderá explicar a sua discrepância de idades. O material do anel-B pode ser antigo mas vocacionado a episódios de reciclagem, continuamente agregando e fragmentando o material para expôr água gelada fresca (e mais jovem). Evidentemente, tudo o que é antigo passa a ser novo, e antigo novamente.

Os cientistas também tiveram boas oportunidades nos últimos anos para melhor compreender os anéis de Saturno. A Cassini conseguiu fotografar todos os anéis de uma só vez em 2006, quando o Sol passou directamente por trás de Saturno e permaneceu bloqueado pelo planeta durante 12 horas.

Outro raro evento este mês de Agosto permitiu à Cassini examinar a profundidade vertical dos anéis durante o Equinócio de Saturno, um evento que apenas acontece uma vez a cada 15 anos. É quando os anéis alinham-se perfeitamente com o Sol e não reflectem praticamente nenhuma luz solar.

Até agora, no entanto, mesmo o poder da Cassini - que recebeu o nome de Giovanni Domenico Cassini, que descobriu luas de Saturno e foi o primeiro a avistar a grande divisão nos anéis que agora também tem o seu nome - não conseguiu revelar todos os segredos de Saturno.

A missão prolongada da Cassini até 2017 permitirá à sonda continuar a perseguir os muitos mistérios embebidos dos seus anéis. Os objectivos científicos incluem uma melhor datação da idade dos anéis ao examinar a velocidade de contaminação por impactos de meteoróides, uma melhor determinação da massa anular, a observação da formação de características tipo-hélice, e a descoberta de como os estreitos intervalos nos anéis ficam relativamente limpos de detritos.

Links:

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 


Os anéis de Saturno apenas parecem sólidos. São na realidade massas de detritos forçados pela gravidade a formar anéis.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)


Esta maravilhosa vista panorâmica de Saturno foi obtida pela câmara de campo-largo da Cassini ao longo de quase 3 horas no dia 15 de Setembro de 2006. Com o gigante Saturno a proteger os olhos da Cassini do brilho do Sol, a sonda observou os anéis como nunca antes, revelando ténues anéis previamente desconhecidos.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

 
Top Thingy Right