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CASSINI REVELA NOVAS CARACTERÍSTICAS ANULARES DURANTE EQUINÓCIO DE SATURNO
23 de Setembro de 2009

 

Os cientistas da NASA estão espantados com o número de ondas e nuvens de poeira reveladas nos anéis de Saturno durante o equinócio do planeta que teve lugar o mês passado. Os cientistas pensavam que os anéis eram quase completamente lisos, mas as novas imagens revelam as alturas de algumas zonas recém-descobertas nos anéis, tão altas quanto os Alpes. A NASA anunciou as imagens na passada Segunda-feira.

"É como colocar óculos 3-D e observar pela primeira vez a terceira dimensão," disse Bob Pappalardo, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Este está entre os eventos mais importantes que a Cassini já nos mostrou."

A 11 de Agosto, a luz solar atingiu os anéis de Saturno exactamente de lado, desenrolando um celestial truque de magia que os fez praticamente desaparecer. O espectáculo ocorre duas vezes a cada órbita de Saturno em torno do Sol, que demora aproximadamente 10.759 dias terrestres, ou cerca de 29,7 anos. A Terra atravessa um fenómeno de equinócio similar duas vezes por ano; o equinócio de Outono ocorreu ontem (dia 22 de Setembro), quando o Sol brilhou directamente por cima do equador da Terra.

Durante cerca de uma semana, os cientistas usaram a sonda Cassini para observar partes mais espessas dos anéis de Saturno, apanhadas no brilho de baixo-ângulo. Os cientistas já sabiam da existência destes altos verticais que cresciam em vários locais nos anéis, mas não podiam medir directamente a altura e a largura das ondulações e arestas até que o equinócio de Saturno revelasse as suas sombras.

"A maior surpresa foi ver tantos locais com relevo vertical por cima e por baixo dos finíssimos anéis," disse Linda Spilker, também ela cientista da Cassini no JPL. "Vai demorar algum tempo para compreender o que observámos, mas as imagens e os dados irão ajudar-nos a desenvolver um conhecimento mais completo de quão velhos poderão ser os anéis e de como estão a evoluír."

Os aglomerados de gelo que compõem os anéis principais espalham-se por 140.000 km desde o centro de Saturno, mas esperava-se que tivessem apenas por volta de 10 metros de espessura nos anéis principais, conhecidos como A, B, C e D.

Nas novas imagens, as partículas parecem agrupar-se em formações verticais em cada dos anéis. Anéis paralelos -- previamente observados pela Cassini e que alcançavam aproximadamente 804 km no anel mais interior, D -- parecem ondular para fora até um total de 17.000 quilómetros através dos vizinhos anéis C e B.

As alturas de alguns dos recém-descobertos aglomerados são comparáveis às elevações dos Alpes. Um sulco particular de partículas geladas anulares, criado pela atracção gravitacional da lua de Saturno, Dafne, à medida que viaja pelo plano anular, sobe até aos 4 km. É a mais alta parede vertical observada nos anéis.

"Nós pensámos que o plano dos anéis não era muito mais alto que um prédio com dois andares, e ao invés descobrimos paredes com mais de 3 km de altura," disse Carolyn Porco, líder da equipa de imagem da Cassini, do Instituto de Ciência Espacial em Boulder, Colorado, EUA. "É realmente como algo tirado da ficção científica."

Os cientistas também ficaram intrigados com brilhantes correntes em dois anéis diferentes, que parecem ser nuvens de poeira libertadas por colisões entre pequenos detritos espaciais e partículas anulares. Compreender melhor a velocidade e os locais dos impactos permite a construção de melhores modelos de contaminação e erosão nos anéis e refinar estimativas da sua idade. As nuvens de colisão foram mais fáceis de observar em condições de pouca-luz do equinócio do que em condições normais.

Ao mesmo tempo que a Cassini capturava fotografias dos anéis de Saturno no visível, o instrumento CIS (Composite Infrared Spectrometer) media as temperaturas nos anéis. Durante o equinócio, os anéis atingiram a sua temperatura mais baixa já registada. O anel A desceu até aos 43 Kelvin (-230,15º C). O estudo da temperatura dos anéis durante o equinócio irá ajudar os cientistas a melhor compreender os tamanhos e outras características das partículas anulares.

A sonda Cassini já observa Saturno, as suas luas e anéis desde que atingiu órbita em 2004. Os intrumentos da sonda descobriram novos anéis e luas, e melhoraram o nosso conhecimento do sistema de anéis de Saturno.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
JPL (comunicado de imprensa)
CICLOPS
PHYSORG.com
Universe Today
The Planetary Society
Discover
SPACE.com
Wired
MSNBC

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Vídeo sobre o equinócio (vários formatos)

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 


Nesta espectacular imagem está Saturno, os seus anéis e algumas das suas luas, um dia e meio depois do que é chamado de equinócio de Saturno, quando o Sol brilha directamente por cima do equador do planeta.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)


Material anular, puxado até grandes alturas - tão alto quanto os Alpes, por cima do plano anular pela gravidade da lua Dafne, provocando longas sombras no anel A de Saturno, nesta imagem obtida durante o equinócio de Saturno de Agosto passado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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