Top thingy left
 
NASA CONFIRMA EVIDÊNCIAS DE FLUXOS DE ÁGUA LÍQUIDA NO PLANETA MARTE DO PRESENTE
29 de setembro de 2015

 


Estas listras longas, estreitas e escuras com 100 metros de comprimento chamadas RSL (em inglês, recurring slope lineae) que correm monte abaixo em Marte são formadas por fluxos contemporâneos de água. Recentemente, os cientistas planetários detetaram sais hidratados nestas encostas da cratera Hale, corroborando a sua hipótese inicial de que as estrias são, na verdade, formadas por água líquida. Pensa-se que a cor azul vista mais acima nos montes sejam estrias escuras não relacionadas com a sua formação, ao invés relacionadas com a presença do mineral piroxena. A imagem foi produzida graças a uma imagem a cores falsas IRB (infravermelho-vermelho-azul) ortorretificada num modelo digital do terreno produzido pelo HiRISE a bordo da MRO. O exagero vertical é de 1,5.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Novas descobertas da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA forneceram as evidências mais fortes, até agora, de que água líquida corre de forma intermitente no planeta Marte.

Usando um espectrómetro de imagem a bordo da MRO, os investigadores detetaram assinaturas de minerais hidratados em encostas onde misteriosas listras são vistas no Planeta Vermelho. Estas estrias escuras parecem aparecer e desaparecer ao longo do tempo. Escurecem e parecem correr encostas íngremes durante as estações mais quentes e, em seguida, desaparecem nas estações mais frias. Foram avistadas em vários locais de Marte quando as temperaturas estão acima dos -23º C, e desapareceram em épocas mais frias.

"A nossa missão em Marte tem sido a de 'seguir a água', na nossa busca por vida no Universo, e agora temos ciência convincente que valida o que há muito suspeitávamos," afirma John Grunsfeld, astronauta e administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington, EUA. "Este é um desenvolvimento significativo, pois parece confirmar que a água - embora salgada - corre, atualmente, à superfície de Marte."

Estes fluxos monte abaixo, conhecidos como RSL (em inglês, recurring slope lineae), têm sido muitas vezes descritos como estando possivelmente relacionados com água líquida. Os novos achados de sais hidratados nas encostas apontam para qual será a relação com essas características escuras. Os sais hidratados baixam o ponto de solidificação de uma solução salina líquida, tal como o sal nas estradas cá na Terra faz com que o gelo e a neve derretam mais rapidamente. Os cientistas dizem que é provavelmente a existência de um fluxo raso à subsuperfície, com água suficiente para subir à superfície e assim explicar o escurecimento.

"Nós descobrimos os sais hidratados apenas quando as características sazonais eram mais vastas, o que sugere que ou as próprias listras escuras ou um processo que as forma será a fonte da hidratação. Em ambos os casos, a deteção de sais hidratados nestas encostas significa que a água desempenha um papel vital na formação das estrias," afirma Lujendra Ojha do Instituto de Tecnologia da Georgia em Atlanta, autor principal do artigo sobre as descobertas, publicado ontem na revista Nature Geoscience.

Ojha notou pela primeira vez estas características intrigantes enquanto estudante da Universidade do Arizona em 2010, usando imagens do instrumento HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) da MRO. As observações do HiRISE documentaram agora RSL em dúzias de locais em Marte. O novo estudo junta observações do HiRISE com mapeamento mineral do CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars), também do mesmo orbitador.

As observações do espectrómetro mostram assinaturas de sais hidratados em vários locais de RSL, mas apenas quando as características escuras são relativamente largas. Quando os investigadores observaram os mesmos locais e os RSL não eram tão extensos, não detetaram sais hidratados.

Ojha e coautores interpretam as assinaturas espectrais como provocadas por minerais hidratados chamados percloratos. Os sais hidratados mais consistentes com as assinaturas químicas são provavelmente uma mistura de perclorato de magnésio, clorato de magnésio e perclorato de sódio. Sabe-se que alguns percloratos impedem líquidos de congelar mesmo em condições tão frias quanto -70º C. Na Terra, os percloratos produzidos naturalmente estão concentrados em desertos, e alguns tipos de percloratos podem ser usados como combustível para foguetões.

Os percloratos já foram anteriormente observados em Marte. O módulo de aterragem Phoenix da NASA e o rover Curiosity descobriram percloratos no solo do planeta e alguns cientistas acreditam que as missões Viking na década de 1970 mediram também assinaturas destes sais. No entanto, este estudo dos RLS detetou percloratos, agora na forma hidratada, em diferentes áreas daquelas exploradas a partir do solo. Esta é também a primeira vez que os percloratos foram identificados a partir de órbita.

A MRO estuda Marte desde 2006 com os seus seis instrumentos científicos.

"A capacidade da MRO em observar vários anos marcianos com uma carga útil capaz de ver os pequenos detalhes dessas características permitiu resultados como estes: primeiro, a identificação destas intrigantes listras sazonais, e agora um grande passo em frente no sentido de explicar o que são," afirma Rich Zurek, cientista do projeto MRO no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

Para Ojha, as novas descobertas são mais uma prova de que as linhas misteriosas que viu pela primeira vez escurecendo encostas marcianas há cinco atrás são, de facto, água.

"Quando a maioria das pessoas falam sobre água em Marte, geralmente falam de água no passado ou água gelada," explica. "Agora, sabemos que a história não termina aqui. Esta é a primeira deteção espectral que inequivocamente apoia as nossas hipóteses de formação de água líquida nos RSL."

Esta descoberta é a mais recente dos muitos avanços das missões marcianas da NASA.

"Foram precisas várias sondas, ao longo de vários anos, para resolver este mistério, e agora sabemos que há água líquida à superfície deste planeta desértico e frio," afirma Michael Meyer, cientista-chefe do Programa de Exploração de Marte da NASA na sede da agência em Washington. "Parece que quanto mais estudamos Marte, mais aprendemos sobre a vida e onde existem recursos para apoiar a vida no futuro."

 


comments powered by Disqus

 


Listras escuras e estreitas chamadas RSL (em inglês, recurring slope lineae) nas encostas da cratera Gani em Marte. Estas estrias escuras medem alguns metros de comprimento. Pensa-se que sejam formadas pelo fluxo de salmoura em Marte. A imagem foi produzida graças a uma imagem ortorretificada num modelo digital do terreno produzido pelo HiRISE a bordo da MRO. O exagero vertical é de 1,5.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)


Animação que demonstra a criação dos RSL num encosta de Marte, à medida que a temperatura aumenta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)


Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
17/04/2015 - Dados meteorológicos do Curiosity reforçam existência de salmoura
11/02/2014 - Sondas marcianas vêm pistas de possíveis fluxos de água
13/12/2013 - Sonda marciana revela um Planeta Vermelho mais dinâmico
08/07/2009 - Resultados da Phoenix apontam para ciclos climáticos em Marte
20/02/2009 - Água líquida poderá ter sido avistada em Marte
13/12/2006 - Imagens sugerem breves fluxos de água em Marte

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature Geoscience
Instituto SETI
The Planetary Society
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
Astronomy Now
Sky & Telescope
Discover
EarthSky
New Scientist
redOrbit
Popular Science
Scientific American
PHYSORG
National Geographic
TIME
BBC News
euronews
METRO
CNN
Forbes
UPI
Wired
engadget
ars technica
The Verge
Gizmodo
RTP
SIC Notícias
tvi24
SAPO
SOL
Observador
Jornal de Notícias
Diário de Notícias
Correio da Manhã
Público
Expresso
TSF
Rádio Renascença
Visão
ZAP.aeiou
OASA

Perclorato:
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Fluxos sazonais em encostas marcianas (Wikipedia)

MRO:
NASA 
JPL 
Wikipedia

Phoenix:
NASA
Página oficial da Universidade do Arizona
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Facebook
Twitter
Wikipedia

 
Top Thingy Right