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MUNDO INFERNAL COM CÉU DE TITÂNIO
15 de setembro de 2017

 


Esta imagem artística mostra o exoplaneta WASP-19b, em cuja atmosfera os astrónomos detetaram pela primeira vez óxido de titânio. Em quantidades suficientemente elevadas, o óxido de titânio pode impedir o calor de entrar ou escapar duma atmosfera, levando a uma inversão térmica — a temperatura apresenta-se mais elevada na atmosfera superior e mais baixa na inferior, ou seja, o contrário do que acontece numa situação normal.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Os astrónomos usaram o VLT (Very Large Telescope) do ESO para detetar pela primeira vez óxido de titânio na atmosfera de um exoplaneta. Esta descoberta feita em torno do planeta do tipo Júpiter quente chamado WASP-19b fez uso do poder do instrumento FORS2, tendo-nos fornecido informação única sobre a composição química e a estrutura de temperatura e pressão na atmosfera deste mundo quente e invulgar. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Uma equipa de astrónomos liderada por Elyar Sedaghati, um bolseiro do ESO recentemente graduado pela TU Berlin, examinou a atmosfera do exoplaneta WASP-19b com o maior detalhe conseguido até à data. Este planeta notável tem aproximadamente a mesma massa de Júpiter, mas encontra-se tão perto da sua estrela progenitora que completa uma órbita em apenas 19 horas e estima-se que a sua atmosfera tenha uma temperatura de cerca de 2000 graus Celsius.

Quando WASP-19b passa em frente da sua estrela progenitora, parte da radiação estelar atravessa a atmosfera do planeta, deixando assinaturas subtis na radiação que chega eventualmente à Terra. Ao usar o instrumento FORS2 montado no VLT, a equipa conseguiu analisar cuidadosamente esta radiação e deduzir que a atmosfera contém pequenas quantidades de óxido de titânio, água e vestígios de sódio, para além de uma forte neblina global de dispersão.

"A deteção de tais moléculas não é de todo fácil," explica Elyar Sedaghati, que passou dois anos como estudante do ESO a trabalhar neste projeto. "Para além de dados de qualidade excecional, precisamos ainda de realizar uma análise muito sofisticada. Usámos um algoritmo que explora muitos milhões de espectros, que cobrem uma grande variedade de composições químicas, temperaturas e propriedades de nuvens ou neblinas, de modo a podermos tirar as nossas conclusões."

O óxido de titânio é raramente visto na Terra. Sabe-se que existe em atmosferas de estrelas frias. Nas atmosferas de planetas quentes como WASP-19b, esta molécula atua como um absorvedor de calor. Se estiverem presentes em grandes quantidades, estas moléculas impedem o calor de entrar ou escapar da atmosfera, levando a uma inversão térmica — a temperatura apresenta-se mais elevada na atmosfera superior e mais baixa na inferior, ou seja, o contrário do que acontece numa situação normal. O ozono desempenha um papel semelhante na atmosfera terrestre, causando uma inversão na estratosfera.

"A presença de óxido de titânio na atmosfera de WASP-19b tem efeitos substanciais na estrutura da temperatura atmosférica e na circulação," explica Ryan MacDonald, outro membro da equipa e astrónomo da Universidade de Cambridge, Reino Unido. "Conseguir estudar exoplanetas com este nível de detalhe é muito promissor e excitante," acrescenta Nikku Madhusudhan da Universidade de Cambridge, que supervisionou a interpretação teórica das observações.

Os astrónomos recolheram observações de WASP-19b durante um período de mais de um ano. Ao medir as variações relativas do raio do planeta em diferentes comprimentos de onda da radiação que passa através da atmosfera do exoplaneta e comparando-as aos modelos atmosféricos, os investigadores puderam extrapolar diferentes propriedades, tais como o conteúdo químico da atmosfera do exoplaneta.

Esta nova informação sobre a presença de óxidos de metal, tais como o óxido de titânio e outras substâncias, permitirá uma modelização muito melhor das atmosferas de exoplanetas. Olhando para o futuro, quando os astrónomos conseguirem observar atmosferas de planetas possivelmente habitáveis, estes modelos melhorados dar-nos-ão uma ideia muito melhor de como interpretar tais observações.

"Esta importante descoberta é o resultado de uma renovação do instrumento FORS2, feita exatamente para este efeito," acrescenta o membro da equipa Henri Boffin do ESO, que liderou o projeto de renovação. "Desde essa altura, o FORS2 tornou-se o melhor instrumento para realizar este tipo de estudos a partir do solo."

 


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Quando WASP-19b passa em frente da sua estrela progenitora, parte da radiação estelar atravessa a atmosfera do planeta, deixando assinaturas subtis na radiação que chega eventualmente à Terra. Ao usar o instrumento FORS2 montado no Very Large Telescope, a equipa conseguiu analisar cuidadosamente esta radiação e deduzir que a atmosfera contém pequenas quantidades de óxido de titânio, água e vestígios de sódio, para além de uma forte neblina global de dispersão.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
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Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Nature
PHYSORG
SPACE.com
Popular Mechanics
COSMOS
Gizmodo
Diário de Notícias
Público

WASP-19b:
Exoplanet.eu
NASA Exoplanets
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
NASA Exoplanet Arquive
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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