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1755 - Terramoto no Algarve (2005)
SINOPSE
Ocorrendo numa altura em que se implantava o pensamento iluminista por toda a Europa, o Terramoto de 1755 constituiu um fenómeno ímpar, sobretudo mercê da projecção internacional que lhe foi dada. Todas as atenções sobre o terramoto estavam centradas em Lisboa, com excepção de alguns narradores nacionais que devido aos seus contactos noutras regiões do país tomaram conhecimento da verdadeira dimensão do fenómeno. Assim, para a Europa, o terramoto de 1755, tornou-se o Terramoto de Lisboa.
Internamente, um pouco por todo o país, houve narradores a relatarem os efeitos do sismo na sua região. Trezentos quilómetros ao Sul de Lisboa, um Algarve pobre, localizado geograficamente nas vizinhanças do epicentro, completamente devastado, tentava retomar a vida depois da ceifa de vida e total ruína da maioria dos edifícios que foi provocada pelo sismo e pelo maremoto que lhe seguiu. Chegaram até nós registos históricos como a Relaçam , uma relação anónima escrita em Faro em 1756, e os relatos de Damião Faria e Castro, que a par dos documentos magistrais que constituem as Memórias Paroquiais , nos permitem saber hoje, com alguma exaustão, o que sucedeu no Algarve, visto pelos olhos de quem viveu o evento. Mais tarde Silva Lopes com a sua Corografia de 1841, pesquisaria documentalmente os efeitos do Terramoto nas diversas localidades algarvias, complementando essa informação com relatos verbais e escritos de algarvios que mantinham memória do sucedido. Pereira de Sousa, em diversos trabalhos notáveis realizados na primeira metade do século XX, apoiar-se-ia documentalmente nas Memórias Paroquiais , para estabelecer os primeiros mapas de isossistas para o Terramoto a nível nacional, tendo consultado complementarmente os relatos de Silva Lopes no concerne a esta região. A associação da informação oriunda de todos estes registos permite-nos hoje descrever com alguma precisão, o que ocorreu no Algarve e tentar estabelecer as inevitáveis comparações com o que terá ocorrido em Lisboa.
Como diria a sabedoria popular, “onde a terra tremeu ela voltará a tremer”. Devemos por isso estar prevenidos para um próximo grande sismo no Algarve. Quando será ele? O conhecimento científico que temos hoje sobre a geração de terramotos e tsunami ainda não é capaz de nos prever com exactidão quando, onde e como será o próximo terramoto, no entanto sabemos que devemos estar preparados. Mesmo que um sismo como o de 1755 não ocorra na nossa geração, outros de menor dimensão poderão ocorrer. Além disso, num mercado turístico e de trabalho cada vez mais Global, não estamos livres de sofrer as consequências de terramotos destruidores, como mostrou a tragédia de Samatra, a 26 de Dezembro de 2004.
Para não nos intimidarmos com os sismos e tsunami, para não entrarmos em pânico na próxima vez que a Terra tremer, devemos saber melhor o que são este fenómenos, como são gerados e tentar compreender o que ocorreu a 1 de Novembro de 1755. Esta é a proposta da segunda parte deste livro onde a origem do terramoto que mais marcou o pensamento do século XVIII é analisado à luz da ciência. Começando com a apresentação do planeta vivo em que vivemos, é explicada a origem dos terramotos e tsunami e faz-se um balanço do estado actual do conhecimento relativamente às origens do grande terramoto e tsunami de 1755. Os tsunami destruidores deixam vestígios sedimentares cujo estudo nos permite detalhar o impacto deste fenómeno na costa assim como investigar eventos passados, procurando determinar a frequência da sua repetição.
ISBN: 972-99778-0-1
Autores: Alexandre Costa, César Andrade, Clara Seabra, Luis Matias, Maria Ana Baptista, Sara Nunes
Edição: Centro Ciência Viva do Algarve
Coordenação: Alexandre Costa e Maria da Conceição Abreu |