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DRAGÃO

À medida que se enrola à volta do Hemisfério Norte, Dragão torna-se circumpolar, não muito longe do Pólo Norte. De facto, Thuban (alpha Draconis) já foi a Estrela Polar, mais ou menos na mesma altura em que estas histórias estavam a ser contadas pela primeira vez. Uma muito antiga e extensa constelação, Dragão antigamente ainda tinha mais estrelas. Bem encaixado, Hércules fica a Este de Dragão. Na realidade, alguns cartógrafos desenham a figura de Hércules com um pé em cima da cabeça de Dragão.

Thuban é o nome árabe para Dragão. Para encontrar Thuban descubra o tamanho da Ursa Menor e desloque-se até à ponta da Ursa Maior. No meio encontra-se uma estrela ténue, que é Thuban. Pensa-se que a estrela era consideravelmente mais brilhante há alguns milhares de anos atrás. Esta estrela era a estrela polar por volta de 2700 AC. A mesma altura em que os Egípcios estavam construindo as pirâmides! Facto que não escapou aos arqueólogos... Devido aos efeitos da precessão, irá ser novamente a estrela polar por volta do ano 21.000.

O objecto principal no estudo dos arqueólogos é a Grande Pirâmide de Khufu. Diz-se que uma certa passagem na pirâmide foi construída para apontar a Thuban. No entanto, se este argumento está certo, então a pirâmide deve ter sido construída por volta de 2200 AC. O problema é que Khufu é cerca de 500 anos mais velho. Existem muitos livros e artigos sobre o assunto (e sem dúvidas algumas páginas na Internet) para quem deseja aprofundar o problema ou estudar o alinhamento de outras estrelas com os artefactos antigos.

Dependendo da altura do ano em que se estuda a constelação, a sua cabeça (formada por theta, gamma nu e por xi) desenvolve um aspecto diferente. Quando beta e gamma estão "no topo", parecem dois olhos, ou talvez a testa. Noutras alturas do ano a face não é muito distinta. Existem algumas estrelas de Bayer na constelação. Com muito poucos objectos de interesse (e apenas um Messier), a constelação no entanto tem uma grande variedade de binários a investigar, que estão listados abaixo.


Mapa da constelação de Dragão.
Crédito: UAI, Sky & Telescope
(ver formato PDF)
 

Foto astronómica da constelação de Dragão.
Crédito: Naoyuki Kurita

ESTRELAS DUPLAS

Dragão tem dezenas de binários interessantes. Em baixo estão os melhores sistemas duplos:

  • Mu Draconis é um dos binários mais pequenos, com uma lenta órbita de 482 anos.
  • Nu Draconis é um esplêndido binário fixo, que se encontra na cabeça do dragão: 4.9, 4.9.
  • Psi Draconis: 4.9, 6.1.
  • Omicron Draconis tem um bom contraste de cor laranja e azul: 4.7, 7.5.
  • 17 Draconis forma um esplêndido triplo fixo com 16 Draconis: 5.5, 6.4, ...
  • 26 Draconis é um pequeno binário com uma órbita de 76 anos. Existe um terceiro membro muito ténue (10.ª magnitude).
  • 41 e 40 Draconis (Struve 2308) formam um agradável, grande binário de cor-de-creme: 5.7, 6.0.
  • Struve 2398 é um binário extremamente pequeno a apenas 11.3 anos-luz. Consiste em duas anãs vermelhas: 8.0, 8.5. Pensa-se que a companheira tenha uma órbita de aproximadamente 360 anos. Encontra-se entre omicron Draconis (que fica a este) e 39 Draconis.
 

ESTRELAS VARIÁVEIS

  • R Draconis é uma variável tipo Mira com um período de 245.6 dias; flutua entre 6.7 e 13.2.

OBJECTOS DE CÉU PROFUNDO

Dragão oferece apenas um objecto de Messier: M102 (embora este não seja universalmente reconhecido como Messier). Com mais ou menos uma dúzia de outras galáxias, e uma brilhante nebulosa planetária, existem muitos objectos para se estudar. Em baixo encontram-se várias sugestões:

  • M102 (NGC 5866) é uma galáxia vista de perfil com filamentos de pó e um centro brilhante. Encontra-se a 4º Sudoeste de Iota Draconis.
  • NGC 5907 encontra-se na mesma região 1º Este de M102. É outra galáxia vista de perfil (quase espalmada) com filamentos de pó interestelar.
  • NGC 5985 é uma espiral inclinada, muito ténue sem condições ideais. Está localizada entre iota e theta Draconis (NGC 5982 está no mesmo campo a Oeste. Esta galáxia elíptica é mais pequena mas tem a mesma magnitude, por volta de 12).
  • NGC 6543 é uma nebulosa planetária que aparece como um minúsculo disco azul-esverdeado. Por causa da sua cor, é por vezes chamada "Nebulosa Olho de Gato". Encontra-se entre delta e zeta Draconis. A sua distância exacta não é conhecida; estima-se que esteja a 3300 anos-luz
 

MITOLOGIA DA CONSTELAÇÃO

Entre os mais antigos registos históricos da Humanidade, encontra-se esta constelação, definida pelos Egípcios como Tawaret, a deusa do céu Norte no seu panteão de divindades. Considerada como sempre-vigilante devido à constelação ser circumpolar, era vista como uma deusa protectora cujo corpo era uma mistura de crocodilo, leoa e partes de hipopótamo.

A mitologia grega que rodeia Dragão diz respeito às Maçãs Douradas das Hesperides e ao 11.º Trabalho de Héracles. O 11.º trabalho de Héracles (alguns dizem que foi o 12º) era roubar as maçãs douradas da macieira que Gaia (Mãe Terra) havia dado a Hera, Rainha dos Céus, no seu casamento com Zeus.
Hera tinha escolhido Ladon, um monstruoso dragão com 100 cabeças, para guardar a sua preciosa árvore. Ladon ficaria no seu jardim, enrolado à volta da árvore, e Hera não teria preocupações em relação ao roubo das maçãs.
Héracles pesquisou informação sobre o dragão, descobrindo como enganá-lo e assim roubar as maçãs. Uma sugestão era a de ser acompanhado por Atlas, que poderia ajudá-lo. Por se ter oposto a Zeus, Atlas foi punido em ter de carregar o mundo nos seus ombros.


Figura da constelação de Dragão.
Crédito: Johann Bayer
 

Héracles pensou no plano perfeito; oferecia-se para aliviar Atlas do terrível fardo por mais ou menos uma hora, o suficiente para Atlas realizar um favor: ir buscar as maçãs ao jardim de Hesperides. Atlas concordou - tudo por um pequeno descanso. Mas havia um problema: o terrível dragão. Héracles disse para não se preocupar. Disparou uma flecha através do muro do jardim, matando Ladon instantaneamente.
Enquanto Héracles segurava o globo, Atlas foi buscar três maçãs douradas. No seu regresso Atlas descobriu que poderia continuar a viver feliz sem o peso do mundo nos seus ombros, e disse a Héracles: "Só mais uns meses, e eu regresso", planeando deixar Héracles a carregar o globo.
Héracles concordou mas perguntou a Atlas se podia ficar mais confortável. Pediu a Atlas para carregar o globo uns momentos enquanto acolchoava as suas costas e cabeça. Atlas pôs as maçãs no chão e pegou no globo. Héracles agradeceu-lhe muito e foi-se embora com as maçãs.
Quando a Ladon, Hera sentiu-se triste pela sua perda e pô-lo nos céus, perto do pólo norte.

Outra lenda grega conta que a constelação representa o dragão morto por Cadmus antes de fundar a cidade de Tebas na Grécia. Numa terceira lenda, representa o dragão que guardava o Tosão de Ouro e que foi morto por Jasão. O facto das estrelas desta constelação nunca se pôrem (a latitudes mediterrânicas) desempenha um papel importante nas suas mitologias.

 
 
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