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Edição n.º 1012
15/11 a 18/11/2013
 
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ACTIVIDADES

29.11.13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

30.11.13 - DESCOBRINDO O SOL 15:30 – 16:30 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 15/11: 319.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1738, nascia William Herschel.

Foi o primeiro astrónomo a fazer observações sistemáticas do espaço para além do nosso Sistema Solar. Descobriu Urano (1781), o movimento do Sol na Via Láctea (1785), a companheira do binário de Castor (1804, e de acordo com as leis de Kepler), e a radiação infravermelha. Herschel também descobriu muitos enxames, nebulosas e galáxias enquanto observava o céu nocturno e compilou catálogos cujos dados básicos são ainda hoje utilizados.
Em 1966, a Gemini 12 regressa à Terra caindo no Atlântico em segurança.
Em 1988, a União Soviética lança o seu primeiro e último vaivém espacial, o Buran.
Em 1990, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-38.
Observações: A estrela brilhando alta a Oeste-Noroeste após o anoitecer é Vega, muitas vezes associada com o Verão. A estrela brilhante ainda mais para cima é Deneb. Para a esquerda de Vega está Altair, mais fraca mas mais brilhante que Deneb. Estas três estrelas formam o Triângulo de Verão, que mergulha cada vez mais à medida que a estação quente se torna numa memória distante.
Trânsito de Calisto, entre as 01:00 e as 04:46.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 02:14 e as 05:32.

Dia 16/11: 320.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852, o astrónomo inglês John Russell Hind descobre o asteróide 22 Kalliope.
Em 1965, lançamento da sonda soviética Venera 3, cujo objectivo era estudar a atmosfera de Vénus. As comunicações falharam mesmo antes da entrada na atmosfera. Colidiu com Vénus.
Em 1973, a NASA lança o Skylab 4 com uma tripulação de 3 astronautas, numa missão com a duração de 84 dias.

Em 1974, a nova superfície do rádio-telescópio gigante de 1000 pés em Arecibo, Porto Rico, dedica-se ao envio de uma breve mensagem na direcção do enxame globular M13
Observações: A Lua está quase Cheia esta noite e amanhã. Procure por cima da Lua em busca das estrelas mais brilhante da constelação de Carneiro. Ao dobro da distância, mas para a esquerda da Lua, brilha a estrela Capella.

Dia 17/11: 321.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a União Soviética aterra o Lunokhod 1 em Mare Imbrium, na Lua. É o primeiro robot controlado remotamente a aterrar noutro mundo, tranportado pela Luna 17.

Observações: Lua Cheia, pelas 15:16.
Pico da chuva de meteoros das Leónidas. Infelizmente a Lua Cheia este ano marca presença, o que dificulta a observação dos rastos das estrelas cadentes.

Dia 18/11: 322.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).

Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de Dezembro de 1993. A partir de Janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de teste. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Observações: Maior elongação Oeste de Mercúrio, pelas 03:00.
A Lua esta noite encontra-se para a esquerda das estrelas das Híades.

 
CURIOSIDADES


O enxame aberto das Híades (Melotte 25 ou Collinder 50 ou Caldwell 41) é o mais próximo da Terra. Está a uma distância de 151 anos-luz e contém entre 300 a 400 estrelas. Está situado na constelação de Touro, perto da gigante vermelha Aldebarã, embora esta não faça parte do enxame.

 
COMETAS AO LONGO DA HISTÓRIA

A aparição de um cometa brilhante tem, ao longo dos tempos, fascinado a humanidade. Mas, o que está por trás destes espectáculos espaciais? Foi só nos tempos modernos que os cientistas ficaram a conhecer o fenómeno - até então, os cometas já tinham uma longa carreira como arautos de notícias más ou mensageiros celestiais.

As primeiras observações de cometas surgem no terceiro milénio antes de Cristo. Nas culturas antigas, o seu súbito aparecimento era considerado um sinal dos deuses. E porque perturbavam a harmonia do céu estrelado, foram rapidamente considerados como um mau presságio. Na Grécia antiga, os filósofos naturais tentaram encontrar uma explicação para o fenómeno. Aristóteles (384-322 AC), cujos pontos de vista dominariam a visão astronómica e física do mundo no Ocidente durante mais de milénio e meio, acreditava que eram emanações da atmosfera da Terra.

Na Idade Média, o medo dessa "mão pesada de Deus" chegou ao seu auge; pensava-se que os cometas pressagiavam fenómenos naturais terríveis, como inundações ou terramotos. No século XVI e início do século XVII, tornaram-se dos assuntos favoritos dos antecessores dos jornais de hoje em dia. Um poema do século XV fornece uma descrição impressionante da natureza dos cometas: "Eles trazem a febre, a doença, a pestilência e a morte, tempos difíceis, a escassez e tempos de grande fome."

Estas "estrelas com cauda" também encontraram lugar na arte e foram descritos, por exemplo, na famosa tapeçaria de Bayeux, que mostra a conquista da Inglaterra por Guilherme da Normandia em 1066. Ou num fresco pelo pintor italiano renascentista Giotto di Bondone na Cappella degli Scrovegni em Pádua (1304). Ambas as representações foram inspiradas pelo aparecimento do famoso Cometa Halley, e o fresco de Giotto "Adoração dos Magos" deu origem à crença generalizada de que a Estrela de Belém foi na realidade um cometa.

Mau augúrio: a Tapeçaria de Bayeux mostra eventos da Batalha de Hastings em 1066. Visto aqui em detalhe, o Cometa Halley aparece por cima do trono do Rei Haroldo II, que morre na batalha.
Crédito: Wikipedia
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O modelo do Presépio: no seu fresco "Adoração dos Magos", o pintor renascentista Giotto di Bondone aparentemente imortaliza a aparência do Cometa Halley em 1301 na Capela Scrovegni em Pádua.
Crédito: Scienceblogs, Wikipedia
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A "febre de cometa" impera ainda hoje: quando o Cometa Halley apareceu no céu em 1910, como esperado, muitos temeram que a civilização seria envenenada por ácido cianídrico, que recentemente se tinha descoberto ser um componente da cauda. Os vendedores ambulantes da altura venderam "comprimidos cometa" para afastar essa eventualidade. E quando o Cometa Hale-Bopp deu um desempenho impressionante no céu da Terra em 1997, 39 membros da seita americana Porta do Céu cometeram suicídio porque acreditavam que isso permitiria com que saíssem da Terra e viajassem até uma nave espacial alienígena, que supostamente acompanhava o Hale-Bopp.

A pesquisa astronómica dos cometas foi lenta ao início. No entanto, o alemão Peter Apianus de Ingolstadt (na realidade, Peter Bienewitz, 1495-1522) foi o primeiro astrónomo dos tempos modernos a observar que as caudas dos cometas sempre apontavam para longe do Sol. Apian descreve isso no seu livro "Astronomicum Caesareum", publicado em 1540 e dedicado ao imperador Carlos V.

Algumas décadas mais tarde, o astrónomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601) reconheceu que os cometas eram corpos celestes independentes: mediu a paralaxe do brilhante cometa de 1577 e assim determinou a sua distância em aproximadamente 230 raios terrestres, o que corresponde a 1,5 milhões de quilómetros. Ele havia refutado conclusivamente os ensinamentos de Aristóteles de que os cometas eram fenómenos dentro da atmosfera da Terra. Os cometas até acabaram por ser objectos translunares, o que significa estarem para lá da Lua.

Mas em que trajectória viajavam os cometas pelo espaço? Isto também manteve os investigadores intrigados durante muito tempo. Tycho Brahe foi o primeiro a acreditar que os cometas regressavam periodicamente. O famoso astrónomo Johannes Kepler (1571-1630), por outro lado, pensava que as trajectórias eram linhas rectas - e por isso contradisse as suas próprias leis que atribuíam órbitas elípticas aos planetas!

Johannes Hevelius (1611-1687), vereador de Danzig e astrónomo, acreditava - correctamente, como sabemos agora - em parábolas e hipérboles elongadas. A disputa acerca da forma correcta da trajectória é bem saliente no capa da obra "Cometographia" de Hevelius. O livro foi publicado em 1665 e também discutia a aparência e forma dos cometas, e tentava classificar as suas caudas.

A busca da forma correcta: na capa do livro "Cometographia" por Johannes Hevelius, Aristóteles (esquerda), Johannes Kepler (direita) e o autor discutem as trajectórias dos cometas.
Crédito: OU - History of Science Collections
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Em 1680, Edmond Halley (1656-1742), na altura com 24 anos, observou um grande cometa. O amigo de Isaac Newton, que mais tarde se tornou Astrónomo Real, tentou colocar desesperadamente um cometa numa trajectória recta, como Kepler havia exigido seis décadas antes. Em vão! Durante uma reunião com Newton, Halley explicou que o cometa de 1680 tinha provavelmente uma trajectória "acentuadamente curva".

Com este achado, Edmond Halley fez novos cálculos e chegou ao resultado de que o cometa aparentemente viajava numa elipse elongada e que deveria voltar em 1758. Halley morreu em 1742 e não viveu para ver o seu triunfo da mecânica celeste: porque na noite de 25 de Dezembro de 1758, o agricultor saxão e astrónomo amador Johann Georg Palitzsch (1723-1788) descobriu um fraco ponto de luz na constelação de Peixes... O cometa, conhecido como Cometa Halley, regressa ao Sistema Solar interior (e, assim sendo, perto da Terra) a cada 76 anos. A última passagem ocorreu em 1985/86.

Isto clarificou a forma da trajectória dos cometas. Mas de onde vêm? E o que provoca estes fenómenos ocasionalmente magníficos? Em 1950, o astrónomo holandês Jan Hendrik Oort (1900-1992) suspeitava que os cometas de longo período tinham origem num reservatório que envolve o nosso sistema planetário como uma concha a uma distância de até 1,6 anos-luz. Além desta Nuvem de Oort, que ainda não foi confirmada por observação - o astrónomo Ernst Öpik da Estónia já tinha imaginado algo semelhante em 1932. E obviamente existe ainda outro local de origem para os cometas de período intermédio - a Cintura de Kuiper.

À deriva, nos confins do Sistema Solar, existem possivelmente 100 mil milhões de fragmentos de gelo e rocha com diâmetros que variam entre poucos metros e cerca de 100 km. Estes são os núcleos dos cometas. A sonda europeia Giotto foi a primeira a obter a primeira foto de um núcleo cometário de perto, quando passou a menos de 600 quilómetros do Cometa Halley.

As fotos mostravam um amendoim cósmico que media aproximadamente 15 por 6 km, extremamente escuro e coberto por uma camada de poeira com baixo albedo. Plumas de gelo em evaporação eram evidentes apenas em locais separados. O material, misturado com poeira, tem uma alta proporção de compostos orgânicos - incluindo aminoácidos, um componente essencial para a vida na Terra. Em adição, o Halley perdia cerca de 60 toneladas de vapor de água por segundo.

O núcleo do Cometa Halley, capturado pela sonda Giotto em 1986. Pode ser observada a coloração escura do núcleo, bem como os jactos de poeira e gás libertados da superfície.
Crédito: ESA
 

As missões seguintes a outros cometas - o Wild 2, por exemplo - confirmaram esta impressão: as imagens mostram sempre "batatas espaciais" cobertas por crateras cujo material à superfície é expelido para o espaço. Este material data do nascimento do sistema planetário há 4,5 mil milhões de anos atrás e permaneceu praticamente inalterado graças ao congelamento. Os cometas são, portanto, mensageiros do passado.

Acompanhemos uma destas "bolas de neve" sujas que foi catapultada para fora da Nuvem de Oort na sua viagem em direcção ao Sol. À medida que a distância diminui, a temperatura aumenta. Os gases do cometa vaporizam e formam uma atmosfera fina e estendida: a cabeleira. A cabeleira atinge um diâmetro de várias centenas de milhares de quilómetros. O cometa está agora quase ao nível da órbita de Saturno e pode ser descoberto a partir da Terra.

Finalmente, forma-se a cauda - o atributo característico de um cometa. A causa é o vento solar - um fluxo de partículas electricamente carregadas - que o Sol permanentemente sopra para o espaço a uma velocidade média de 400 km/s. A cauda vibra no espaço como uma manga de vento e por isso aponta sempre na direcção contrária à do Sol. Os cometas podem ter caudas com comprimentos de várias dezenas de milhões de quilómetros.

As fotos de cometas brilhantes, como o Hale-Bopp, mostram que basicamente existem dois tipos diferentes de cauda: a cauda recta de gás ou plasma com um brilho azulado, e a frequentemente espalhada cauda de poeira com um brilho amarelado; esta última é provocada principalmente pela pressão de luz da radiação solar. Ocasionalmente, alguns cometas têm também uma anti-cauda, escombros espaciais iluminados que o cometa deposita ao longo da sua trajectória e que aparece durante um curto período de tempo como uma linha brilhante sob condições com luz e projecção favoráveis.

O Cometa Lulin e a sua cauda de iões para a direita, e a anti-cauda à esquerda.
Crédito: Joseph Brimacombe, Wikipedia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os detritos espaciais são compostos por partículas muito finas, e também rochas maiores, que o vento solar continuamente sopra do cometa. Como mencionado, o material libertado do cometa é espalhado como uma espécie de "pista de terra" no espaço. Se a Terra passa por tal campo de detritos, as partículas penetram na atmosfera e riscam o céu como estrelas cadentes.

Estes meteoros podem ser maiores, e simplesmente não arder totalmente durante a sua entrada pela atmosfera da Terra, caindo para o nosso planeta como meteoritos. E é aí que os cometas entram em jogo como reais "arautos de más notícias": o nosso planeta é bombardeado continuamente por balas cósmicas. As crateras de impacto são o testemunho destas perigosas bombas. O impacto de uma rocha espacial com 1 km de diâmetro - um núcleo cometário ou asteróide - teria consequências desastrosas. No entanto, o Cometa ISON, actualmente a aproximar-se do Sol e a aumentar de brilho, não representa perigo. No final de Dezembro, passará pela Terra a uma distância de 64 milhões de quilómetros.

Links:

Cometas:
Wikipedia
Cometa Halley (Wikipedia)
Cometa Hale-Bopp (Wikipedia)
Cometa Wild 2 (Wikipedia)
Sonda Giotto (Wikipedia)
NASA

Wikipedia:
Aristóteles

Tapeçaria de Bayeux
Giotto di Bondone
Peter Apianus
Tycho Brahe
Johannes Kepler
Johannes Hevelius
Edmond Halley
Johann Georg Palitzsch
Jan Hendrik Oort
Ernst Öpik
Nuvem de Oort
Cintura de Kuiper

 
MAVEN VAI INVESTIGAR O QUE ACONTECEU EM MARTE

A próxima missão da NASA a Marte, com o objectivo de explorar a atmosfera do Planeta Vermelho, vai descolar na Segunda-feira (dia 18). A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) irá investigar como o antigo Planeta Vermelho passou de um mundo quente e molhado para o deserto frio que é hoje.

"Chamamos 'maven' a um especialista de confiança que acumula conhecimento e que tenta passar esse conhecimento aos outros," afirma John Grunsfeld, administrador associado para o Directorado de Missões Científicas da NASA, durante uma conferência de imprensa no passado dia 28 de Outubro. "A MAVEN, tal como a sua origem etimológica, estabelecerá o conhecimento a partir do qual os cientistas podem construir uma história da atmosfera marciana e ajudar os exploradores humanos do futuro que viajam até Marte e até à superfície."

A sonda MAVEN, dentro da carga do foguetão Atlas V.
Crédito: NASA/Kim Shiflett
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Há milhares de milhões de anos atrás, quando os planetas do nosso Sistema Solar ainda eram jovens, Marte era mundo muito diferente. A água líquida percorria a superfície e formava rios e lagos. Uma atmosfera espessa cobria o planeta e mantinha-o quente. Neste ambiente acolhedor, os micróbios podem ter encontrado um lar e Marte pode ter-se tornado no segundo planeta habitado, mesmo ao lado do nosso. Mas não foi isso que aconteceu.

Hoje, Marte é frio e desértico. A fina atmosfera oferece uma escassa cobertura para a superfície marcada por leitos secos de rios e lagos vazios. Se existirem micróbios marcianos, vivem provavelmente uma existência miserável algures por baixo do empoeirado solo marciano.

A sonda será lançada com a ajuda de um foguetão Atlas 5 a partir da Base da Força Aérea de Cabo Canaveral, no estado americano da Flórida. A janela de lançamento desse dia tem a duração de duas horas, começa às 18:28 (GMT) e a NASA vai transmitir o lançamento em directo. Levará cerca de 10 meses até chegar a Marte. A sonda de 2454 kg vai inserir-se numa órbita elíptica em torno do Planeta Vermelho em Setembro de 2014.

Enquanto em órbita, a missão MAVEN de 671 milhões de dólares vai investigar a atmosfera superior de Marte. Os cientistas esperam usar a MAVEN para desvendar o como e o porquê de Marte ter perdido a sua atmosfera, que tem agora 1% da densidade da da Terra.

O único modo de Marte ter sido molhado e quente há 4 mil milhões de anos, é se também tivesse uma espessa atmosfera. O dióxido de carbono na atmosfera marciana é um gás de efeito estufa, tal como na nossa. Um espesso manto de CO2 e outros gases teriam fornecido as temperaturas ideais e pressão atmosférica para impedir que a água líquida congelasse ou entrasse em ebulição. Algo fez com que Marte perdesse esse manto protector.

"A atmosfera só pode ir para dois lugares," afirma Bruce Jakosky, investigador principal da MAVEN. "Pode ir para dentro da crosta ou para o topo da atmosfera e perder-se para o espaço. Acho que estas questões 'para onde foi a água? Para onde foi o CO2 (dióxido de carbono) da atmosfera primitiva' estão a impulsionar a nossa exploração de Marte."

É possível que o vento solar seja responsável pela destruição parcial da atmosfera marciana, embora este papel possa ter sido desempenhado por muitos tipos de mecanismos, realça Jakosky. Ao contrário da Terra, Marte não está protegido por um campo magnético global. Em vez disso, tem uma espécie de "guarda-chuvas" magnéticos espalhados pelo planeta, que abrigam apenas partes da atmosfera. A erosão pelo vento solar nas áreas expostas pode ter lentamente arrancado a atmosfera ao longo de milhares de milhões de anos. Medições recentes de isótopos na atmosfera marciana pelo rover Curiosity apoiam esta ideia: isótopos mais leves de hidrogénio e árgon estão esgotados em comparação com os seus homólogos mais pesados, o que sugere que escaparam para o espaço.

Os cientistas também especulam que a superfície do planeta pode ter absorvido e trancado o CO2 em minerais como o carbonato. No entanto, esta teoria tem vindo a desvanecer nos últimos anos pois os rovers e sondas em órbita não descobriram carbonatos suficientes para explicar o gás em falta.

A fim de investigar as causas por trás da perda de atmosfera de Marte, a MAVEN vai transportar uma série de instrumentos para órbita. A carga científica da sonda inclui instrumentos desenhados para investigar as partículas solares, os iões do vento solar e os electrões do vento solar. Outros instrumentos vão examinar a estrutura da atmosfera superior e "como responde à energia solar que a atinge nestes diferentes formatos," acrescenta Jakosky. Assim que Jakosky e colegas saibam o ritmo de perda de CO2, podem extrapolar para o passado e estimar a quantidade total durante os últimos quatro mil milhões de anos. "A MAVEN irá determinar se a perda para o espaço foi a principal causa da mudança climática de Marte".

Impressão de artista da sonda MAVEN com o planeta Marte como fundo.
Crédito: NASA/Goddard
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A MAVEN orbitará Marte durante pelo menos um ano terrestre. No ponto mais baixo da sua órbita elíptica, encontrar-se-á a apenas 125 km da superfície; no seu ponto mais alto, a mais de 6000 km do planeta.

Segundo Jakosky, a janela de lançamento da MAVEN vai desde 18 de Novembro até 7 de Dezembro, embora possa ser lançada no máximo até dia 15. No entanto, se a sonda falha esta janela de oportunidade, a missão terá que esperar mais dois anos até que a Terra e Marte estejam novamente alinhados favoravelmente.

Links:

Notícias relacionadas:
SPACE.com
PHYSORG
redOrbit
Scientific American
BBC News

MAVEN:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Na Sombra de Saturno
(clique na imagem para ver versão maior e legendada)
Crédito: Equipa de Imagem da CassiniSSIJPLESANASA
 
Na sombra de Saturno aparecem maravilhas inesperadas. A sonda robótica Cassini, actualmente em órbita de Saturno, moveu-se na sombra do planeta no início deste ano e observou na direcção do Sol eclipsado. A Cassini viu algo único. Em primeiro lugar, o lado nocturno de Saturno está parcialmente iluminado por luz reflectida do seu próprio sistema de anéis. Seguidamente, o grande sistema de anéis aparece majestoso como sempre, até mesmo neste invulgar ângulo. As partículas nos anéis, muitas brilhando apenas como crescentes irregulares, dispersam ligeiramente a luz solar na direcção da Cassini nesta imagem a cores naturais. São também discerníveis algumas luas e características nos anéis. O anel-E de Saturno aparece em grande destaque, que é o anel criado pelas fontes geladas da lua Encelado e o mais exterior na imagem. Em cima e à esquerda, ao longe, estão os planetas Marte e Vénus. Em baixo e à direita, no entanto, está o espectáculo mais maravilhoso: o quase invisível e pálido ponto azul da Terra.
 

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