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Edição n.º 1183
10/07 a 13/07/2015
 
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10/07/15 - OBSERVAÇÃO NOTURNA
20:30 – 22:30 - Observação noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável)
Local: Hotel Vila Galé Albacora - Tavira

31/07/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 10/07: 191.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 era lançado o Telstar, o primeiro satélite de comunicações a ser colocado em órbita.

Observações: Caso tenha acesso a um céu escuro, a Via Láctea forma agora um magnífico arco alto a este depois do anoitecer. Percorre desde Cassiopeia a norte-nordeste, passando por Cisne e pelo Triângulo de Verão a este, e descendo pelo "Bule de Chá" de Sagitário a sul.

Dia 11/07: 192.º dia do calendário gregoriano.
História: Cálculos matemáticos sugerem que neste dia, em 1735, Plutão moveu-se para dentro da órbita de Neptuno pela última vez antes de 1979.
Em 1801, o astrónomo francês Jean-Louis Pons faz a sua primeira descoberta cometária. Durante os 27 anos seguintes, descobre outros 36 cometas, mais do que qualquer outra pessoa na História. 
Em 1962 o cosmonauta Micolaev fica em órbita quatro dias, um recorde naquela época. No mesmo ano, é feita a primeira transmissão transatlântica de televisão por satélite.
Em 1979, a Skylab regressa à Terra.

A área de detritos situa-se entre o Oceano Índico Sudeste e uma secção pouco populada do oeste da Austrália.
Em 2012, astrónomos anunciam a descoberta de Estige, a quinta lua de Plutão
Observações: A Via Láctea encontra-se já alta ao início da noite, o que significa que chegou a altura de observar muitas nebulosas e enxames, especialmente nas constelações de Escorpião e Sagitário.

Dia 12/07: 193.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a sonda soviética Phobos 2.

Após o envio de dados da sonda, esta perdeu-se em janeiro de 1989.
Em 1999, maior aproximação do cometa Tempel 2 pela Terra (0,654 UA).
Observações: À medida que amanhece, olhe para este à procura da Lua, que não está muito longe de Aldebarã. Observadores no Japão, nordeste da Sibéria e nas partes mais a norte da América do Norte conseguirão ver a ocultação da estrela pelo nosso satélite natural.

Dia 13/07: 194.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da Luna 15, que colidiu com a Lua no dia 21 de julho do mesmo ano.

Observações: Urano na sua quadratura oeste, pelas 03:00.
Trânsito de Europa, entre as 20:27 e as 23:22.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 21:49 e as 00:46.

 
CURIOSIDADES


A Grande Nuvem de Magalhães (em inglês, Large Magellanic Cloud (LMC)) e a Pequena Nuvem de Magalhães (em inglês, Small Magellanic Cloud (SMC)) têm o seu nome atribuído em homenagem ao português Fernão de Magalhães que as terá observado pela primeira vez no século XVI. Além disso, também dá nome a duas crateras na Lua, a uma cratera em Marte e a sonda Magalhães mapeou Vénus entre 1990 e 1994.

 
NOVO RASTREIO ENORME IRÁ AJUDAR A COMPREENDER A MATÉRIA ESCURA
Foram divulgados os primeiros resultados de um novo rastreio importante de matéria escura no céu austral, levado a cabo pelo VST (VLT Survey Telescope) do ESO, montado no Observatório do Paranal, no Chile.
O projeto, chamado KiDS (Kilo-Degree Survey), faz uso de imagens do VST e da sua enorme câmara, a OmegaCAM, para analisar mais de dois milhões de galáxias. A equipa KiDS estudou a distorção da radiação emitida por estas galáxias, a qual se curva quando passa através de enormes nodos de matéria escura no seu percurso até à Terra. Os resultados obtidos através do efeito de lente gravitacional mostram que estas galáxias contêm cerca de 30 vezes mais matéria escura que matéria visível.
Na imagem à esquerda podemos ver um grupo de galáxias mapeado pelo KiDS. À direita vemos a mesma área do céu, mas com a matéria escura invisível mostrada a cor de rosa.
Crédito: Colaboração KiDS/A. Tudorica & C. Heymans/ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Foram divulgados os primeiros resultados de um novo rastreio importante de matéria escura no céu austral, levado a cabo pelo VST (VLT Survey Telescope) do ESO, montado no Observatório do Paranal, no Chile. O rastreio KiDS do VST permitirá aos astrónomos fazer medições precisas de matéria escura, da estrutura de halos de galáxias e da evolução de galáxias e enxames. Os primeiros resultados KiDS (Kilo-Degree Survey) mostram como é que as características das galáxias observadas são determinadas pelos enormes nodos de matéria escura invisível que as rodeiam.

Cerca de 85% da matéria do Universo é escura e de um tipo que não é compreendido pelos físicos. Embora esta matéria não brilhe nem absorva radiação, os astrónomos conseguem detetá-la através do efeito que tem sobre estrelas e galáxias, particularmente devido à sua atração gravitacional. Um projeto importante que utiliza os telescópios de rastreio do ESO acaba de mostrar de modo extremamente claro a ligação entre esta misteriosa matéria escura e as galáxias brilhantes que observamos de forma direta.

O projeto KiDS faz uso de imagens do VST e da sua enorme câmara, a OmegaCAM. Situado no Observatório do Paranal no Chile, este telescópio dedica-se a mapear o céu noturno no visível — sendo complementado pelo telescópio de rastreio infravermelho, o VISTA. Um dos objetivos principais do VST é mapear a matéria escura e utilizar estes mapas para compreender a misteriosa energia escura que faz com que a expansão do Universo esteja a acelerar.

Grupo de galáxias mapeado pelo KiDS.
Crédito: Colaboração KiDS/A. Tudorica & C. Heymans/ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A melhor maneira para descobrir onde é que se encontra a matéria escura é utilizar o efeito de lente gravitacional — a distorção do tecido do Universo devido à gravidade, a qual deflete a radiação emitida por galáxias distantes que se encontram muito para além da matéria escura. Ao estudar este efeito, é possível mapear os lugares onde a gravidade é mais forte e, portanto, descobrir onde é que a matéria, incluindo a matéria escura, se encontra.

Fazendo parte da primeira remessa de artigos científicos, a equipa internacional de investigadores KiDS, liderada por Koen Kuijken do Observatório de Leiden, na Holanda, utilizou este método para analisar imagens de mais de dois milhões de galáxias, a cerca de 5,5 mil milhões de anos-luz de distância. A equipa estudou a distorção da radiação emitida por estas galáxias, que se curva ao passar por enormes nodos de matéria escura no seu percurso até à Terra.

Os primeiros resultados vêm de apenas 7% da área total do rastreio e concentram-se em mapear a distribuição de matéria escura em grupos de galáxias. A maioria das galáxias vivem em grupos — incluindo a nossa própria Via Láctea que faz parte do Grupo Local — e compreender quanta matéria escura é que contêm é um teste crucial à teoria de formação de galáxias na rede cósmica. Os resultados obtidos através do efeito de lente gravitacional mostram que estes grupos contêm cerca de 30 vezes mais matéria escura que matéria visível.

Matéria escura invisível (cor-de-rosa) sobreposta à imagem no visível.
Crédito: Colaboração KiDS/A. Tudorica & C. Heymans/ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O mais interessante é que a galáxia mais brilhante encontra-se quase sempre no meio do nodo de matéria escura," diz Massimo Viola (Observatório de Leiden, Holanda), autor principal de um dos primeiros artigos científicos do KiDS.

"Esta previsão da teoria de formação de galáxias, que diz que as galáxias continuam a juntar-se em grupos e a concentrar-se nos seus centros, nunca tinha sido demonstrada anteriormente de modo observacional de forma tão clara," acrescenta Koen Kuijken.

Estes resultados são apenas o início de um programa principal que vai explorar bases de dados enormes obtidas pelos telescópios de rastreio, sendo que estes dados começam agora a ficar disponíveis a todos os cientistas do mundo através do arquivo do ESO.

O rastreio KiDS ajudará a aumentar o nosso conhecimento da matéria escura. Ser capaz de explicar a matéria escura e os seus efeitos representará um enorme avanço na física.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico - 2 (arXiv.org)
Artigo científico - 3 (arXiv.org)
Artigo científico - 4 (arXiv.org)
Artigo científico - 5 (arXiv.org)
Artigo científico - 6 (arXiv.org)
Artigo científico - 7 (arXiv.org)
Sociedade Astronómica Real
Astronomy
PHYSORG
AstroPT

Matéria escura:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

VST:
ESO
Wikipedia

KiDS (Kilo Degree Survey):
Página principal

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
AS MAIORES EXPLOSÕES NO UNIVERSO SÃO DESPOLETADAS PELOS ÍMANES MAIS POTENTES
Esta impressão artística mostra uma supernova e a explosão de raios-gama associada originadas por uma estrela de neutrões em rotação muito rápida com um campo magnético muito forte — um objeto exótico chamado estrela magnética. Observações obtidas nos Observatórios de La Silla e Paranal no Chile demonstraram pela primeira vez que existe uma ligação entre uma explosão de raios-gama de longa duração e uma explosão de supernova invulgarmente brilhante. Os resultados mostram que a supernova não teve origem em decaimento radioativo, como se esperava, mas sim em campos magnéticos muito fortes a decair em torno de uma estrela magnética.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Observações obtidas nos Observatórios de La Silla e Paranal no Chile demonstraram pela primeira vez que existe uma ligação entre uma explosão de raios-gama de longa duração e uma explosão de supernova invulgarmente brilhante. Os resultados mostram que a supernova não teve origem em decaimento radioativo, como se esperava, mas sim em campos magnéticos muito fortes a decair em torno de um objeto exótico conhecido por estrela magnética. Os resultados foram publicados ontem na revista Nature.

As explosões de raios-gama constituem um dos eventos associados às maiores explosões que ocorreram desde o Big Bang. São detetadas por telescópios em órbita sensíveis a este tipo de radiação altamente energética, a qual não consegue penetrar a atmosfera terrestre, e são igualmente observadas a maiores comprimentos de onda por outros telescópios, situados tanto no espaço como no solo.

As explosões de raios-gama duram tipicamente alguns segundos, mas em casos muito raros podem ocorrer durante horas. Uma destas explosões de longa duração foi captada pelo satélite Swift a 9 de dezembro de 2011 e chamada GRB 111209A. Foi simultaneamente uma das mais longas e mais brilhantes explosões de raios-gama alguma vez observadas.

À medida que o brilho remanescente da explosão ia desaparecendo, o evento foi estudado pelo instrumento GROND montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros em La Silla e pelo instrumento X-shooter no VLT (Very Large Telescope) no Paranal. Foi encontrada uma assinatura clara de uma supernova, chamada mais tarde SN 2011kl. Esta é a primeira vez que uma supernova é descoberta associada a uma explosão de raios-gama de muito longa duração.

O autor principal do novo artigo científico que descreve estes resultados, Jochen Greiner do Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, Garching, Alemanha, explica: "Uma vez que apenas uma explosão de raios-gama de longa duração é produzida para cada 10.000 - 100.000 supernovas, a estrela que explodiu deve ser de algum modo muito especial. Os astrónomos pensavam que estas explosões de raios-gama tinham origem em estrelas muito massivas — cerca de 50 vezes a massa do Sol — e que assinalavam a formação de um buraco negro. No entanto, as nossas novas observações da supernova SN 2011kl, descoberta após GRB 111209A, estão a modificar este paradigma relativamente às explosões de raios-gama de muito longa duração."

Num cenário favorável do colapso de uma estrela massiva, espera-se que a intensa emissão ótica/infravermelha da supernova, com duração de cerca de uma semana, venha do decaimento do níquel-56 radioativo formado durante a explosão. No entanto, no caso de GRB 111209A as observações combinadas do GROND e do VLT mostraram sem ambiguidades, e pela primeira vez, que isto não era o que se passava. Outras sugestões foram igualmente postas de lado (outras fontes de energia sugeridas para explicar as supernovas superluminosas eram interações por choques com o material circundante — possivelmente ligadas a conchas estelares ejetadas antes da explosão — ou uma estrela progenitora supergigante azul. No caso de SN 2011kl as observações excluem de forma clara ambas estas hipóteses).

A única explicação que justifica as observações da supernova que segue GRB 111209A é que esta terá tido origem numa estrela magnética— uma estrela de neutrões minúscula que roda centenas de vezes por segundo e que possui um campo magnético muito mais potente que as estrelas de neutrões normais, as quais são também conhecidas por pulsares rádio. Pensa-se que as estrelas magnéticas são os objetos mais magnetizados no Universo conhecido. Esta é a primeira vez que uma ligação clara entre uma supernova e uma estrela magnética foi identificada.

Paolo Mazzali, coautor do estudo, reflete sobre o significado desta nova descoberta: "Estes resultados fornecem evidências de uma relação inesperada entre explosões de raios-gama, supernovas muito brilhantes e estrelas magnéticas. Já há alguns anos que suspeitávamos de algumas destas relações do ponto de vista teórico, mas conseguir ligar tudo isto é realmente um desenvolvimento muito interessante."

"O caso de SN 2011kl/GRB 111209A obriga-nos a considerar alternativas ao cenário de uma estrela em colapso. Estes resultados aproximam-nos de ideias novas e muito mais claras sobre o funcionamento das explosões de raios-gama," conclui Jochen Greiner.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico
Nature
SPACE.com
PHYSORG
(e) Science News
EarthSky
Astronomy
AstroPT

GRB 111209A:
Wikipedia

GRBs:
NASA
Wikipedia

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Um sistema estelar com cinco estrelas, duplamente eclipsante (via Sociedade Astronómica Real)
Astrónomos descobriram o primeiro sistema quintuplo que contém duas estrelas binárias eclipsantes. Este sistema invulgar foi originalmente detetado em dados de arquivo do SuperWASP. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A 8 Milhões de Quilómetros de Plutão
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAUniversidade Johns Hopkins/APLInstituto de Pesquisa do Sudoeste
 
Uma imagem capturada no dia 7 de julho pela sonda New Horizons enquanto estava a menos de 8 milhões de quilómetros de Plutão foi combinada com dados de cor para criar a melhor imagem, até agora, do mais famoso corpo do Sistema Solar prestes a ser explorado. A região fotografada inclui a ponta de uma área escura e alongada ao longo do equador de Plutão, já apelidada de "a baleia". Uma região brilhante e em forma de coração mede cerca de 2000 km em diâmetro, possivelmente coberta por uma geada de metano, azoto e/ou monóxido de carbono gelado. A imagem está centrada perto da área que será vista durante o muito aguardado "flyby" da sonda New Horizons pelo planeta anão, que terá lugar no próximo dia 14 de julho a uma distância de aproximadamente 12.500 quilómetros. 
 

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