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Edição n.º 1264
19/04 a 21/04/2016
 
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22/04/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 - 22:00 - Apresentação às estrelas inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 19/04: 110.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.
Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.

Em 1966 nascia Brett J. Gladman, astrónomo canadiano, conhecido pelo seu trabalho na astronomia dinâmica do Sistema Solar. Estudou o transporte de meteoritos entre planetas, a entrega de meteoróides desde a cintura principal de asteroides e a possibilidade do transporte da vida via o mecanismo conhecido como panspérmia. Descobridor e co-descobridor de muitos corpos astronómicos do Sistema Solar, asteroides, cometas da cintura de Kuiper e muitas luas dos planetas gigantes.
Observações: Arcturo sobe alto a este por estas noites. A igualmente brilhante Capella desce a noroeste. Estão praticamente à mesma altura acima do horizonte algures entre as 21:30 e as 22:30. Consegue determinar a hora exata?

Dia 20/04: 111.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1535, o fenómeno de parélio é observado por cima de Estocolmo e representado no quadro Vädersolstavlan.
Em 1865, o astrónomo Pietro Angelo Secchi demonstra o disco de Sechi, que mede a claridade da água, a bordo do iate do Papa Pio IX, o L'Imaculata Concezione.
Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso.

John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras-altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares.
Observações: Trânsito de Calisto, entre as 01:21 e as 04:46.
A Lua, quase Cheia, está a cerca de 6º por cima de Espiga a este-sudeste ao lusco-fusco.

Dia 21/04: 112.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento. À medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioativo da sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelo astrónomos Alexander WolszczanDale Frail. Descobiram dois planetas em órbita do pulsar PSR 1257+12
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHOTRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de CMEs (ejeção de massa coronal).

Observações: Estamos quase em maio, mas Sirius, a estrela de inverno, ainda pisca baixa a sudoeste ao anoitecer. Durante quanto tempo mais a conseguiremos observar?

 
CURIOSIDADES


A fase de Lua Cheia é nove vezes mais brilhante que o Quarto Crescente ou Minguante.

 
POEIRA INTERESTELAR INTERCETADA EM SATURNO
Dos milhões de grãos de poeira que a Cassini "provou" em Saturno, umas poucas dúzias parecem ser oriundas do exterior do nosso Sistema Solar. Os cientistas pensam que estes grãos especiais têm origens interestelares porque movem-se muito mais depressa e em direções diferentes em comparação com o material poeirento nativo de Saturno.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Cassini detetou a fraca, mas distinta, assinatura de poeira oriunda de fora do nosso Sistema Solar.

A Cassini voa em redor do sistema de Saturno há já 12 anos, estudando o gigante gasoso e os seus anéis e satélites. Também encontrou milhões de grãos de poeira ricos em gelo com o seu instrumento CDA (Cosmic Dust Analyser), a vasta maioria dos quais são do satélite gelado, Encelado, e constituem um dos anéis exteriores de Saturno.

Entre os grãos detetados, 36 destacam-se - e os cientistas concluem que vieram de fora do nosso Sistema Solar.

Este tipo de poeira não é, de todo, inesperado. Na década de 1990, a missão Ulisses da ESA/NASA fez a primeira descoberta, "in-situ", de poeira interestelar, mais tarde confirmada pela sonda Galileu da NASA.

A poeira foi rastreada até à nuvem interestelar local: uma bolha quase vazia de gás e poeira pela qual estamos a viajar com uma velocidade e direção distintas.

"A partir dessa descoberta, mantivemos sempre a confiança em detetar estes 'intrusos' interestelares em Saturno com a Cassini: nós sabíamos que se olhássemos na direção certa, os encontraríamos," afirma Nicolas Altobelli, cientista do projeto Cassini da ESA e autor principal do estudo que apresenta os resultados na revista Science.

Este gráfico sumariza a localização de Saturno e do Sistema Solar, em relação à nuvem interestelar local, e à nossa posição na Via Láctea.
Na imagem mais à direita, está uma impressão de artista da sonda Cassini (não à escala) juntamente com o planeta Saturno. O grão de poeira aí visto não é uma representação verdadeira do que o CDA deteta, pois os grãos de poeira interestelar são destruídos durante o impacto; o que é mostrado aqui é uma partícula de poeira interplanetária, provavelmente oriunda de um cometa ou asteroide, recolhido na atmosfera da Terra, aqui colocado com propósitos ilustrativos.
Crédito: ESA; inserção do grão de poeira: NASA/JPL; imagem de Saturno: NASA/JPL/Space Science Instituto
(clique na imagem para ver versão maior; cada elemento da imagem pode ser consultado individualmente: Via Láctea; nuvem interestelar local; heliosfera do Sistema Solar; CDA da Cassini)
 

"E, de facto, em média, capturámos alguns grãos por ano, viajando a uma velocidade alta e com um percurso específico bem diferente dos grãos de gelo normais que recolhemos em torno de Saturno."

Os minúsculos grãos de poeira viajavam a mais de 72.000 km/h, rápidos o suficiente para evitar ficarem presos dentro do Sistema Solar pela gravidade de Saturno - ou mesmo pela do Sol.

Ao contrário da Ulisses e da Galileu, a Cassini analisou pela primeira vez a composição da poeira, mostrando que são constituídos por uma mistura muito específica de minerais, não gelo.

Todos tinham uma composição química surpreendentemente similar, contendo elementos principais da formação de rochas, como magnésio, silício, ferro e cálcio em proporções cósmicas médias. Por outro lado, os elementos mais reativos como enxofre e carbono, eram menos abundantes em comparação com a média.

"A poeira cósmica é produzida quando as estrelas morrem, mas com a vasta gama de estrelas no Universo, nós naturalmente esperávamos encontrar uma enorme variedade de tipos de poeira durante o longo período do nosso estudo," afirma Frank Postberg, coautor do artigo e coinvestigador do instrumento da Cassini, da Universidade de Heidelberg.

A nuvem interestelar local é uma bolha quase vazia de gás e poeira pela qual estamos a viajar com uma velocidade e direção distintas.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Surpreendentemente, os grãos que já detetámos não são velhos, pristinos e de composição diversificada como os grãos de poeira estelar que encontramos nos meteoritos antigos," afirma Mario Trieloff, coautor também da Universidade de Heidelberg. "Aparentemente, foram produzidos de forma bastante uniforme através de algum processo repetitivo no meio interestelar."

A equipa especula que a poeira numa região de formação estelar pode ser destruída e recondensar-se várias vezes à medida que as ondas de choque de estrelas moribundas passam por ela, antes dos grãos similares resultantes acabarem a viajar na direção do nosso Sistema Solar.

"A longa duração da missão Cassini permitiu-nos usar a sonda como um observatório de micrometeoritos, fornecendo-nos acesso privilegiado à contribuição de poeira oriunda do exterior do Sistema Solar que não podia ter sido obtida de outra forma," acrescenta Nicolas.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Heidelberg (comunicado de imprensa)
Science
Astronomy Now
redOrbit
COSMOS
ScienceDaily
New Scientist
PHYSORG
Gizmodo
CNN

Poeira interestelar:
Wikipedia

Nuvem interestelar local:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Ulisses:
ESA
NASA
Wikipedia

Galileu:
NASA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Fermi prestes a avistar fontes de ondas gravitacionais (via NASA)
No passado dia 14 de setembro, ondas de energia que viajaram durante mais de mil milhões de anos gentilmente agitaram o espaço-tempo na vizinhança da Terra. A perturbação, produzida por um par de buracos negros em fusão, foi capturada pelo LIGO. Este evento marcou a primeira deteção, de sempre, de ondas gravitacionais e abre uma nova janela científica sobre o funcionamento do Universo. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Estação Espacial Internacional Sobre a Terra
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tripulação da STS-132, Tripulação da Expedition 23NASA
 
A Estação Espacial Internacional é o maior objeto já construído no espaço pelo Homem. O perímetro da estação é superior ao de um campo de futebol, apesar de apenas uma pequena fração ser composta por módulos habitáveis. A estação é tão grande que não pôde ser lançada toda de uma só vez - continua a ser construída aos poucos. Para funcionar, a ISS precisa de suportes metálicos, alguns com 15 metros de comprimento e com massas superiores a 10.000 quilogramas, a fim de manter a estação rígida e para redirecionar eletricidade e líquidos refrigerantes. A fotografia mostra a imensa estação espacial, captada pelo agora aposentado vaivém espacial Atlantis depois de uma estadia de uma semana em 2010. Na parte superior da imagem está o brilhante planeta Terra, em contraste com a escuridão do espaço interestelar na parte inferior.
 

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