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Edição n.º 1346
31/01 a 02/02/2017
 
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24/02/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 31/01: 31.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1862, Alvan Graham Clark Jr. descobre a ténue companheira de Sirius, de nome Sirius B, durante testes de um refrator de 18 polegadas que estava a ser construído para o Observatório Dearborn pelo seu pai, irmão, e por ele próprio. Friedrich Bessel propôs a existência de uma companheira invisível em 1844.
Em 1961, era lançada a Mercury-Redstone 2 - com o chimpanzé Ham a bordo.

Foi o primeiro hominídeo no espaço.
Em 1966, lançamento da soviética Luna 9. Realizou a primeira aterragem com sucesso noutro corpo planetário.
Em 1971, lançamento da Apollo 14, a terceira aterragem tripulada na Lua. 
Em 1996, era descoberto o cometa Hyakutake pelo astrónomo amador japonês, Yuji Hiakutake.
Observações: A Lua Crescente, Vénus e o distante planeta Marte formam um triângulo a oeste-sudoeste durante e após o lusco-fusco.

Dia 01/02: 32.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, era lançado o Explorer I, o primeiro satélite artificial americano. Transmitiu dados sobre micrometeoritos e radiação cósmica durante 105 dias. A missão resultou na descoberta das cinturas de radiação Van Allen por James Van Allen.
Em 1999, voo rasante n.º 19 da sonda Galileu por Europa.
Em 2003, o vaivém espacial Columbia desintegra-se durante a sua reentrada na atmosfera terrestre, matando os sete astronautas a bordo: Rick D. Husband, William C. McCool, Michael P. Anderson, Ilan Ramon, Kalpana Chawla, David M. Brown e Laurel Clark. 

Observações: Eclipse de Io, entre as 02:05 e as 04:22.
Ao anoitecer, aviste o equilátero Triângulo de Inverno a sudeste. Sirius é a estrela mais brilhante e baixa do triângulo. Betelgeuse está para cima de Sirius, cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Para a esquerda do seu ponto médio encontra-se Procyon. E, diretamente para cimam de Procyon (mas dependendo da latitude do observador), está Gomeisa, Beta Canis Minoris, a única outra estrela facilmente observável a olho nu de Cão Menor.
Trânsito da sombra de Io, entre as 23:27 e as 01:42 (já de dia 02).

Dia 02/02: 33.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a sonda norte-americana Ranger 6 chegava à Lua. 
Em 2004 é detetado pela primeira vez oxigénio e carbono na atmosfera de um exoplaneta, HD 209458b.
No mesmo dia, os picos de Columbia Hills em Marte recebem os nomes dos sete astronautas que morreram no desastre do Columbia (STS-107) de 1 de fevereiro de 2003.

O rover Spirit passou vários anos a explorar Columbia Hills até deixar de funcionar em 2010.
Observações: Trânsito de Io, entre as 00:35 e as 02:52.
Depois de jantar, esta semana, olhe para este e quase para perto do zénite. A estrela brilhante, aí, é Capella. Para a sua direita, a dois dedos à distância do braço esticado, está um par de estrelas de magnitude 3 e 4 conhecido como "As Crianças" (Zeta e Eta Aurigae). Apesar de não serem propriamente dignas de renome, formam um bonito asterismo triangular com Capella.

 
CURIOSIDADES


O Sol/Sistema Solar completa uma volta em torno do Centro Galáctico a cada 225-250 milhões de anos - uma viagem com uma distância estimada entre 157.000 e 176.000 anos-luz [tendo em conta o intervalo de distâncias estimadas ao Centro, 25.000-28.000 anos-luz].

 
FERMI DESCOBRE OS BLAZARES MAIS EXTREMOS ATÉ AGORA
Galáxias alimentadas por buracos negros, chamadas blazares, são das fontes mais comuns detetadas pelo Fermi da NASA. À medida que a matéria cai na direção do buraco negro supermassivo no centro da galáxia, parte é acelerada para fora quase à velocidade da luz ao longo de jatos apontados em direções opostas. Quando um dos jatos está, por acaso, orientado na direção da Terra, como mostra a ilustração, aparece especialmente brilhante e é classificado como um blazar.
Crédito: M. Weiss/CfA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA identificou os blazares de raios-gama mais distantes, um tipo de galáxia cujas emissões intensas são alimentadas por buracos negros superdimensionados. A luz destes objetos distantes começou a sua viagem até nós quando o Universo tinha 1,4 mil milhões de anos, ou quase 10% da sua idade atual.

"Apesar da sua juventude, estes blazares longínquos hospedam alguns dos buracos negros mais massivos que se conhecem," afirma Roopesh Ojha, astrónomo do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "O facto de se terem desenvolvido tão cedo na história cósmica desafia as ideias atuais de como os buracos negros supermassivos se formam e crescem, e queremos encontrar mais destes objetos para nos ajudarem a entender melhor o processo."

Ojha apresentou os seus achados ontem, dia 30 de janeiro, na reunião da Sociedade Americana de Física em Washington e o artigo científico que descreve os resultados foi submetido à revista The Astrophysical Journal Letters.

Os blazares constituem aproximadamente metade das fontes de raios-gama detetadas pelo instrumento LAT (Large Area Telescope) do Fermi. Os astrónomos pensam que as suas emissões altamente energéticas são alimentadas por matéria aquecida e rasgada à medida que cai de um disco de acreção em direção a um buraco negro supermassivo com um milhão (ou mais) de vezes a massa do Sol. Uma pequena parte deste material em queda é redirecionado para um par de jatos de partículas, que explodem para fora em direções opostas quase à velocidade da luz. Os blazares são bastante brilhantes em todas as formas de luz, incluindo raios-gama, a radiação mais energética, quando por acaso um dos jatos aponta quase diretamente na nossa direção.

Anteriormente, os blazares mais distantes detetados pelo Fermi emitiram a sua luz quando o Universo tinha cerca de 2,1 mil milhões de anos. Observações prévias mostraram que os blazares mais distantes produzem a maior parte da sua luz em energias bem entre a gama detetada pelo LAT e pelos satélites de raios-X atuais, o que tornou a sua descoberta extremamente difícil.

Então, em 2015, a equipa do Fermi divulgou um reprocessamento completo de todos os dados do LAT, a que chamou Passagem 8, o que inaugurou tantas melhorias que os astrónomos disseram que era como ter um novo instrumento. A sensibilidade melhorada do LAT, a energias mais baixas, aumentou as hipóteses de descobrir blazares mais distantes.

A equipa de pesquisa foi liderada por Vaidehi Paliya e Marco Ajello da Universidade de Clemson, no estado norte-americano da Carolina do Sul, e incluiu Dario Gasparrini do Centro de Dados Científicos da Agência Espacial Italiana em Roma bem como Ojha. Eles começaram a procurar as fontes mais distantes num catálogo de 1,4 milhões de quasares, uma classe de galáxias intimamente relacionada com blazares. Dado que somente as fontes mais brilhantes podem ser detetadas a grandes distâncias cósmicas, eliminaram então todos menos os objetos mais brilhantes no rádio da lista. Com uma amostra final de aproximadamente 1100 objetos, os cientistas examinaram então os dados do LAT, resultando na deteção de cinco novos blazares de raios-gama.

Em termos de desvio para o vermelho, a medida preferida dos astrónomos para o cosmos profundo, os novos blazares variam de "redshift" 3,3 para 4,31, o que significa que a luz que agora detetamos começou a sua viagem até nós quando o Universo tinha entre 1,9 e 1,4 mil milhões de anos, respetivamente.

"Assim que descobrimos estas fontes, recolhemos todos os dados de comprimento de onda disponíveis e derivámos propriedades como a massa do buraco negro, a luminosidade do disco de acreção e o poder dos jatos," realça Paliya.

Dois dos blazares possuem buracos negros com mil milhões de massas solares ou mais. Todos os objetos possuem discos de acreção extremamente luminosos que emitem mais de 2 biliões de vezes a energia libertada pelo nosso Sol. Isto significa que a matéria está continuamente a cair para o buraco negro, encurralada num disco e aquecida antes de fazer o mergulho final.

"A questão principal agora é saber como é que estes buracos negros gigantescos se formaram num Universo tão jovem," comenta Gasparrini. "Não sabemos quais os mecanismos que desencadearam o seu rápido desenvolvimento."

Entretanto, a equipa planeia continuar a busca profunda por exemplos adicionais.

"Pensamos que o Fermi detetou apenas a ponta do iceberg, os primeiros exemplos de uma população de galáxias que anteriormente não foi detetada em raios-gama," conclui Ajello.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Fermi Encontra os Blazares Mais Distantes (NASA Goddard via YouTube)
SPACE.com
PHYSORG
engadget
UPI

Blazar:
Wikipedia

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

 
IMAGENS MOSTRAM ANÉIS DE SATURNO EM DETALHE SEM PRECEDENTES
Esta imagem da Cassini mostra uma onda de densidade no anel A (esquerda) situada a cerca de 134.500 km de Saturno. As ondas de densidade são acumulações de partículas a certas distâncias do planeta. Esta característica está recheada de perturbações irregulares, que os investigadores informalmente chamam "palha". A onda, propriamente dita, é criada pela gravidade das luas Jano e Epimeteu, que partilham a mesma órbita em redor de Saturno. Noutro lados, a cena é dominada por sulcos de uma passagem recente da lua Pan.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Imagens recém-divulgadas mostram a incrível proximidade com que a nave Cassini da NASA, agora na sua fase de "pastoreio dos anéis", está a observar os deslumbrantes anéis gelados de Saturno.

As vistas são algumas das imagens mais próximas das partes externas dos anéis principais, dando aos cientistas uma oportunidade ansiosamente aguardada de observar características com nomes como "palha" e "hélices". Embora a Cassini já tenha visto estas características antes, as órbitas atuais e especiais estão a fornecer oportunidades para as observar em maior detalhe. As novas imagens resolvem detalhes tão pequenos quanto 550 metros, à escala dos maiores edifícios da Terra.

A Cassini está agora a meio da sua penúltima fase da missão - 20 órbitas que mergulham para lá da orla externa do sistema principal de anéis. Estas órbitas rasantes começaram no passado mês de novembro e vão continuar até ao final de abril, quando a Cassini começar o seu Grande Final. Durante as 22 órbitas finais, a Cassini mergulhará repetidamente através do espaço entre os anéis e Saturno. O primeiro mergulho final está agendado para 26 de abril.

Esta imagem mostra uma região no anel exterior B de Saturno. A Cassini observou esta área ao dobro do nível de detalhe daquele atingido anteriormente.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Por agora, a sonda veterana está a passar além das fronteiras externas dos anéis a cada semana, reunindo algumas das melhores imagens dos anéis e das luas. A Cassini já enviou as melhores imagens das pequenas luas Dafne e Pandora.

Algumas das estruturas vistas nas imagens recentes da Cassini não foram observáveis com este nível de detalhe desde que a sonda chegou a Cassini em meados de 2004. Nessa altura, os detalhes finos das palhas e hélices - provocados por partículas anulares aglomeradas e pequenas quási-luas, respetivamente - nunca tinham sido vistos antes (embora as hélices estivessem presentes em imagens da chegada da Cassini, foram só descobertas numa análise posterior levada a cabo no ano seguinte).

A Cassini aproximou-se um pouco mais dos anéis durante a sua chegada a Saturno, mas a qualidade dessas imagens não era tão alta quanto nas imagens novas. Essas observações preciosas apenas olhavam para o lado retroiluminado dos anéis e a equipa decidiu períodos curtos de exposição para minimizar manchas devido ao rápido movimento da Cassini enquanto saltava sobre o plano dos anéis. Isto resultou em imagens cientificamente deslumbrantes, mas um pouco escuras e com ruído.

Esta imagem mostra uma região no anel exterior B de Saturno. A Cassini observou esta área ao dobro do nível de detalhe daquele atingido anteriormente. E, ao que parece, é nítido que ainda existem mais detalhes finos por descobrir.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em contraste, as ampliações que a Cassini começou a capturar nas suas órbitas de pastoreio (e que também capturará na sua fase de "Grande Final") são obtidas tanto nos lados iluminados como retroiluminados dos anéis. Em vez de apenas uma breve passagem de algumas horas, a Cassini está a fazer várias dúzias de passagens durante estes meses finais.

"Como a pessoa que planeou aquelas primeiras imagens dos anéis durante a inserção orbital inicial - que permaneceram as nossas visões mais detalhadas dos anéis durante os últimos 13 anos - estou surpreso por quão melhores são os detalhes nesta nova coleção," afirma Carolyn Porco, a líder da equipa de imagem da Cassini, do Instituto de Ciência Espacial em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "Como é tão apropriado, acabarmos a missão com as melhores imagens dos anéis de Saturno já recolhidas."

Depois de quase 13 anos a estudar os anéis de Saturno, a equipa da Cassini tem uma compreensão mais profunda e rica do que vislumbram, mas ainda antecipam novas surpresas.

Esta imagem da missão Cassini da NASA mostra uma região do anel A de Saturno. Contém muitos riscos brilhantes e pequenos devido aos raios cósmicos e à radiação de partículas carregadas perto do planeta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Estas passagens íntimas representam a abertura de uma janela inteiramente nova nos anéis de Saturno e, ao longo dos próximos meses, esperamos dados ainda mais empolgantes à medida que treinamos as nossas câmaras noutras partes dos anéis mais próximas do planeta," comenta Matthew Tiscareno, cientista da Cassini que estuda os anéis de Saturno no Instituto SETI, em Mountain View, Califórnia. Tiscareno planeou as novas imagens para a equipa da câmara.

Lançada em 1997, a Cassini tem vindo a visitar o sistema saturniano desde que aí chegou em 2004 para um estudo do planeta, dos anéis, das luas e da sua vasta magnetosfera. A Cassini fez inúmeras descobertas dramáticas, incluindo um oceano global com indicações de atividade hidrotermal no interior da lua Encélado e mares de metano líquido na lua Titã.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
09/12/2016 - Cassini transmite primeiras imagens de nova órbita
25/11/2016 - Sonda Cassini prepara-se para as órbitas que vão "raspar" os anéis de Saturno
20/09/2016 - Cassini começa épico último ano em Saturno

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Astronomy
Universe Today
Science alert
PHYSORG
Forbes
Engadget
Gizmodo

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Fermi vê raios-gama de proeminências solares "escondidas" (via NASA)
Uma equipa internacional afirma que o Fermi observou luz altamente energética de erupções solares localizadas no outro lado do Sol, o que deveria bloquear a luz direta desses eventos. Este paradoxo aparente está a fornecer aos cientistas solares uma ferramenta única para explorar como as partículas carregadas são aceleradas até quase à velocidade da luz e se movem pelo Sol durante proeminências solares. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - N159 na Grande Nuvem de Magalhães
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESATelescópio Espacial Hubble
 
Este turbilhão cósmico de gás e poeira mede mais de 150 anos-luz de diâmetro e não está assim tão longe. Encontra-se a sul da Nebulosa da Tarântula, na nossa galáxia satélite, a Grande Nuvem de Magalhães, a uns meros 180.000 anos-luz de distância. Aqui dentro formaram-se estrelas gigantescas. A sua radiação energética e os poderosos ventos estelares esculpem o gás e a poeira e alimentam o brilho desta região HII, presente no catálogo Henize de estrelas e nebulosas de emissão das Nuvens de Magalhães com o nome N159. A nebulosa brilhante, compacta e em forma de borboleta para cima e para a esquerda do centro provavelmente contém estrelas massivas num estágio muito inicial de formação. Resolvida pela primeira vez em imagens do Hubble, a bolha compacta de gás ionizado passou a ser conhecida como Nebulosa Papillon.
 

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