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Edição n.º 1365
07/04 a 10/04/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 07/04: 97.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem o primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era ativado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objetivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação. 

Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de fevereiro de 2002.
Em 2010, imagens obtidas pela sonda Cassini confirmam a existência de uma exosfera em redor da lua Dione.
Observações: Júpiter em oposição, isto é, está na direção oposta à do Sol, a partir do ponto de vista da Terra. Sobe a sudeste com o passar da noite, um pouco para cima da mais azulada Espiga.
No entanto, esta é a oposição mais distante de Júpiter desde 2005; tem magnitude -2,5 e 44,2 segundos de arco através de um telescópio (no equador). Júpiter atinge quase 50 segundos de arco no máximo do seu ciclo de oposição. A última oposição mais próxima ocorreu em 2010 e a seguinte terá lugar em 2022.

Dia 08/04: 98.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento da nave não-tripulada Gemini 1.

A missão terminou depois de 3 órbitas. A nave desintegra-se 3,5 dias a seguir ao lançamento. Todos os objetivos primários e secundários foram atingidos.
Em 2008, Yi So-Yeon torna-se a primeira coreana e a segunda mulher asiática a ir ao espaço.
Observações: Vega, a brilhante "Estrela de Verão", nasce a nordeste algum tempo depois do anoitecer. Para onde deve olhar exatamente? Aviste a Ursa Maior, bem alta a nordeste. Procure Mizar, na curva da "pega da frigideira". Se conseguir avistar a ténue e pequena companheira de Mizar, Alcor (binóculos ajudam), desenhe uma linha a partir de Mizar, passando por Alcor, até ao horizonte. É aí que Vega faz a sua aparição.

Dia 09/04: 99.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a NASA anuncia a seleção dos primeiros sete astronautas dos Estados Unidos, a quem a comunicação social rapidamente apelida de "Mercury Seven".

Em 1994, lançamento da missão STS-59 do vaivém Endeavour.
Observações: Plutão na sua quadratura oeste, pelas 01:30.
A Lua, quase Cheia, encontra-se entre Denébola (pertencente a Leão, para cima) e Espiga (pertencente a Virgem, para baixo). O planeta Júpiter está entre Espiga e a Lua.

Dia 10/04: 100.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 837, maior aproximação do Cometa Halley à Terra, cerca de 0,0342 UA (5,1 milhões de quilómetros).
Em 1981, primeira tentativa de lançamento da missão STS-1 (a primeira missão de um vaivém espacial).

Este falhou no último momento quando os computadores "crasharam". Os astronautas Crippen e Young finalmente levantaram voo a 12 de abril. À volta de 100 milhões de pessoas viram este evento.
Em 2013, o orçamento para a NASA de 2014 inclui um plano para capturar roboticamente um asteroide próximo da Terra e redirecioná-lo para uma órbita estável no sistema Terra-Lua, que os astronautas possam visitar e estudar.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 00:43 e as 03:16.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 00:48 e as 03:26.
A Lua, praticamente Cheia, está menos de 2º para a esquerda do planeta Júpiter. Ambos os astros cabem no campo de visão de uns binóculos!

 
CURIOSIDADES


A mais produtiva sonda marciana, em termos de dados, a Mars Reconnaissance Orbiter, atingiu a semana passada a sua 50.000 órbita. Continua a compilar a cobertura mais detalhada de sempre de Marte.

 
DETETADA ATMOSFERA EM REDOR DE EXOPLANETA PARECIDO COM A TERRA

Astrónomos detetaram uma atmosfera em redor da super-Terra GJ 1132b. Este achado marca a primeira deteção de uma atmosfera em redor de um exoplaneta parecido com a Terra e, portanto, é um passo importante no caminho para a deteção de vida para lá do nosso Sistema Solar. A equipa que fez a descoberta, liderada pelo Dr. John Southworth da Universidade Keele, usou o telescópio de 2,2 metros do ESO/MPG no Chile para obter imagens da estrela-mãe GJ 1132. Foram capazes de medir a ligeira diminuição de brilho à medida que o planeta e a sua atmosfera absorvem luz estelar enquanto transita (passa em frente) da estrela.

O Dr. John Southworth explica: "embora esta não seja a deteção de vida noutro planeta, é um passo importante na direção certa: esta deteção de uma atmosfera em redor da super-Terra GJ 1132b marca a primeira vez que foi descoberta uma atmosfera em redor de um exoplaneta parecido com a Terra."

Impressão de artista do exoplaneta GJ 1132b.
Crédito: Instituto Max Planck para Astronomia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Existe vida lá fora?

A estratégia atual dos astrónomos, para encontrar vida noutro planeta, é detetar a composição química da atmosfera desse planeta, procurando desequilíbrios químicos que podem ser provocados por organismos vivos. No caso da nossa própria Terra, a presença de grandes quantidades de oxigénio é um sinal de vida.

Até estes achados pela equipa do Dr. Southworth, todas as deteções anteriores de atmosferas exoplanetárias envolviam gigantes gasosos e quentes parecidos com Júpiter.

O Dr. Southworth diz que apesar de estarmos ainda muito longe de detetar vida em exoplanetas, esta descoberta é o primeiro passo:

"Com esta investigação, demos o primeiro passo no estudo das atmosferas de planetas mais pequenos e parecidos com a Terra. Nós simulámos uma gama de atmosferas possíveis para este planeta, descobrindo que aquelas ricas em água e/ou metano explicariam as observações de GJ 1132b. O planeta é significativamente mais quente e um pouco maior do que a Terra, de modo que uma possibilidade é que poderá ser um 'mundo de água' com uma atmosfera de vapor quente."

Estudando atmosferas

O planeta em questão, GJ 1132b, orbita a estrela de massa muito baixa GJ 1132 na direção da constelação do hemisfério sul, Vela, a uma distância de 39 anos-luz da Terra. O sistema foi estudado por uma equipa liderada por John Southworth (Universidade Keele, Reino Unido) e por Luigi Mancini (atualmente na Universidade de Roma Tor Vergata), e inclui investigadores do Instituto Max Planck para Astronomia (Alemanha) e da Universidade de Cambridge.

A equipa utilizou o instrumento GROND acoplado ao telescópio de 2,2 metros do ESO/MPG no Chile para observar o planeta em sete diferentes bandas de comprimento de onda, simultaneamente, abrangendo o ótico e o infravermelho próximo. Dado que GJ 1132b é um planeta de trânsito, passa diretamente entre a Terra e a sua estrela hospedeira a cada 1,6 dias, bloqueando uma pequena fração da sua luz. A partir da quantidade de luz perdida, os astrónomos podem deduzir o tamanho do planeta - neste caso, tem apenas 1,4 vezes o tamanho da Terra.

Crucialmente, as novas observações mostraram que o planeta era maior numa das sete bandas de comprimento de onda. Isto sugere a presença de uma atmosfera opaca a esta radiação em particular (fazendo com que o planeta pareça maior), mas transparente a todos os outros.

A descoberta desta atmosfera é encorajadora. As estrelas de massa muito baixa são extremamente comuns (muito mais do que estrelas parecidas com o Sol), e são conhecidas por hospedar muitos planetas pequenos. Mas também mostram muita atividade magnética, produzindo níveis muito altos de raios-X e raios ultravioleta, que podem evaporar as atmosferas dos planetas. No entanto, as propriedades de GJ 1132b mostram que uma atmosfera pode suportar esta "atrocidade" durante milhares de milhões de anos sem ser destruída. Dado o grande número de estrelas de massa muito baixa e de planetas, isto pode significar que as condições adequadas para a vida são comuns no Universo.

Esta descoberta torna GJ 1132b um dos alvos de maior prioridade para um estudo mais aprofundado pelas atuais instalações topo-de-gama, como o Telescópio Espacial Hubble e o VLT do ESO, bem como pelo Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para o ano que vem.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade Keele (comunicado de imprensa)
Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astronomical Journal
SPACE.com
PHYSORG
UPI
BBC News
Gizmodo

GJ 1132b:
Exoplanet.eu
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
MISSÃO CASSINI PREPARA-SE PARA O "GRANDE FINAL" EM SATURNO
Esta ilustração mostra a sonda Cassini por cima do hemisfério norte de Saturno, antes de um dos 22 "mergulhos" finais.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Cassini da NASA, em órbita de Saturno desde 2004, está prestes a começar o capítulo final da sua notável história. Dia 26 de abril, quarta-feira, a sonda fará o primeiro de uma série de mergulhos através da divisão com 2400 km entre Saturno e os seus anéis como parte do Grande Final da missão.

"Nenhuma nave espacial jamais atravessou a região ímpar que nós vamos ousadamente tentar atravessar 22 vezes," comenta Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington, EUA. "O que aprendermos das audaciosas órbitas finais da Cassini irá aprofundar a nossa compreensão de como os planetas gigantes, e os sistemas planetários em geral, se formam e evoluem. É verdadeiramente o conceito de descoberta em ação até ao fim."

Durante a sua estadia em Saturno, a Cassini fez inúmeras descobertas dramáticas, incluindo um oceano global que mostra indícios de atividade hidrotermal no interior da lua gelada Encélado e mares de metano líquido em Titã.

Agora, 20 anos após o seu lançamento, e após 13 anos em órbita do "Senhor dos Anéis", a Cassini está a ficar sem combustível. Em 2010, a NASA decidiu terminar a missão com um mergulho propositado em Saturno, este ano, a fim de proteger e preservar as luas do planeta para a exploração futura - especialmente a lua potencialmente habitável Encélado.

Mas o começo do fim para a Cassini é, em muitos aspetos, uma missão inteiramente nova. Usando a perícia obtida durante os muitos anos da missão, os engenheiros da Cassini projetaram um plano de voo que maximiza o valor científico de enviar uma sonda até ao seu fatídico mergulho no planeta no dia 15 de setembro. À medida que dá início às suas órbitas finais, durante os próximos cinco meses a missão vai acumular uma lista impressionante de feitos científicos.

Esta ilustração mostra a sonda Cassini da NASA prestes a fazer um dos seus mergulhos entre Saturno e os seus anéis interiores como parte do Grande Final da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Esta conclusão planeada da viagem da Cassini foi, de longe, a escolha preferida dos cientistas da missão," explica Linda Spilker, cientista do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "A Cassini fará algumas das suas mais extraordinárias observações no final da sua longa vida."

A equipa da missão espera obter informações importantes sobre a estrutura interna do planeta e sobre as origens dos anéis, recolhendo a primeira amostra, de sempre, da atmosfera de Saturno e de partículas oriundas dos anéis principais, além de captar as imagens mais próximas das nuvens de Saturno e dos seus anéis interiores. A equipa está atualmente a fazer os preparativos finais da lista de comandos que a sonda robótica irá receber para realizar as suas observações científicas, o que chamamos de sequência, à medida que começa o final. Essa sequência tem transmissão planeada para dia 11 de abril, terça-feira.

A Cassini vai fazer a transição para as órbitas do seu grande final, com um último "flyby" pela lua gigante de Saturno, Titã, no dia 22 de abril, sábado. Tal como o fez muitas vezes ao longo da missão, a gravidade de Titã vai curvar a rota de voo da Cassini. A órbita da Cassini irá então encolher até que em vez de fazer a sua maior aproximação de Saturno, mesmo para lá dos anéis, começará a passar entre o planeta e a orla interna dos seus anéis.

"Com base nos nossos melhores modelos, esperamos que a divisão esteja limpa de partículas grandes o suficiente para danificar a nave espacial. Mas também estamos a ser cautelosos, usando a nossa antena grande como escudo na primeira passagem, a fim de determinarmos se é seguro expor os instrumentos científicos a esse ambiente nas passagens seguintes," explica Earl Maize, gestor do projeto Cassini no JPL. "Existem certamente algumas incógnitas, mas essa é uma das razões pelas quais estamos a fazer este tipo de ousada exploração no final da missão."

Impressão de artista do mergulho da Cassini pela atmosfera de Saturno, no dia 15 de setembro de 2017. Usando os seus motores, a sonda tentará a todo o custo manter a sua antena apontada para a Terra enquanto envia os seus dados finais, incluindo dados sobre a composição da atmosfera superior de Saturno. O binário atmosférico tornar-se-á rapidamente mais forte do que os motores conseguem compensar e, após esse ponto, a Cassini começará a rodar. Quando isto acontecer, a sua ligação com a Terra será cortada, terminando a missão. Após a perda de sinal, a nave vai desintegrar-se na atmosfera superior de Saturno como um meteoro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em meados de setembro, após um distante encontro com Titã, o percurso da nave será dobrado o suficiente para fazer com que mergulhe no planeta. Quando a Cassini fizer o seu mergulho final na atmosfera de saturno, no dia 15 de setembro, enviará dados de vários instrumentos - principalmente dados sobre a composição atmosférica - até que o seu sinal seja perdido.

"O Grande Final da Cassini é muito mais do que um último mergulho," comenta Spilker. "É o emocionante capítulo final da nossa intrépida nave, tão rico em termos científicos que foi a escolha clara e óbvia de como terminar a missão."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NASA em Saturno: O Grande Final da Cassini (NASA/JPL via YouTube)
Recursos da NASA sobre o Grande Final da missão Cassini
Sky & Telescope
SPACE.com
Universe Today
COSMOS
PHYSORG
reuters
UPI
Popular Mechanics
Gizmodo
engadget
Observador

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Encélado:
Solarviews
Wikipedia

Titã:
Solarviews
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Atmosfera temporária de Ceres ligada à atividade solar (via NASA)
Os cientistas há muito que suspeitavam que Ceres podia ter uma atmosfera ténue e transiente, mas os mistérios sobre a sua origem e do porquê de não estar sempre presente teimavam em persistir. Agora, investigadores sugerem que esta atmosfera temporária pode estar relacionada com o comportamento do Sol, em vez da proximidade de Ceres ao Sol. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Filamentos da Galáxia Ativa NGC 1275
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Arquivo de Dados do HubbleESANASA; Processamento e direitos de autor: Domingo Pestana
 
O que mantém estes filamentos ligados a esta galáxia? Os filamentos persistem em NGC 1275 apesar do tumulto de colisões galácticas ter força suficiente para os conseguir destruir. Em primeiro lugar, a galáxia ativa NGC 1275 é o membro central, dominante do grande e relativamente próximo Enxame de Galáxias de Perseu. Com um aspeto incrível no visível, a galáxia ativa é também uma fonte prodigiosa de raios-X e emissão rádio. NGC 1275 acreta matéria à medida que galáxias inteiras caem na sua direção, alimentando, em última instância, um buraco negro supermassivo no núcleo da galáxia. Esta composição, recriada a partir de dados de arquivo do Telescópio Hubble, realça os detritos galácticos resultantes e os filamentos de gás brilhante, alguns com 20.000 anos-luz de comprimento. As observações indicam que as estruturas, empurradas para fora do centro galáctico pela atividade do buraco negro, são mantidas juntas por campos magnéticos. Também conhecida como Perseus A, NGC 1275 mede mais de 100.000 anos-luz em diâmetro e fica a cerca de 230 milhões de anos-luz de distância.
 

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