NOTÍCIAS ASTRONÓMICAS - N.º 14
9 de Abril de 2004
BUSCA DE ASTERÓIDES PERIGOSOS QUASE COMPLETA
 

 


Impressão de artista de um impacto com a Terra.

Eles andam por aí, prontos a colidir com a Terra e extinguir a civilização humana, mas os astrónomos disseram esta Quarta-feira passada que estão prestes a descobrir todos os asteróides que são considerados uma ameaça ao nosso planeta.

A próxima tarefa é procurar objectos mais pequenos que podem destruir, digamos, uma cidade, disseram os especialistas à Subcomissão de Ciência, Tecnologia e Espaço do Senado dos EUA.

Aí foi dito que o calendário para encontrar qualquer objecto maior que 1 km em diâmetro que possa aproximar-se da Terra já foi organizado.

"O estudo começou oficialmente em 1998 e até à data mais de 700 objectos de entre uma população estimada de 1,100 foram já descobertos. Por isso o esforço pensa-se que já esteja mais de 70% concluído e no bom caminho para terminar o seu objectivo em 2008", de acordo com Lindley Johnson da NASA.

Já houveram uns quantos sustos.

Em Setembro passado, os cientistas avistaram o asteróide "2003 QQ47" e as primeiras medições sugeriam que iria atingir a Terra a 21 de Março de 2014, com uma explosão 20 milhões de vezes o tamanho das bombas atómicas de Hiroshima. Mas a previsão foi revista: afinal não iria colidir.

Sabe-se que objectos já colidiram com o nosso planeta. Um asteróide, ou vários asteróides, acredita-se que tenham lançado para a atmosfera tanto pó e iniciado tanta actividade vulcânica há 65 milhões de anos atrás, que o clima resultante eliminou os dinossauros.

Mas os cientistas acreditam que um evento destas proporções aconteça a uma média de cada 700,000 anos.

Um asteróide mais pequeno pensa-se que tenha nivelado aproximadamente 670 quilómetros quadrados duma floresta Siberiana em 1908 (impacto de Tunguska).


O impacto de Tunguska. Se tivesse atingido uma área habitada, teria sido uma catástrofe sem precedentes.
Crédito: desconhecido

"Embora a probabilidade da Terra ser atingida por um grande objecto ainda este século seja baixa, os efeitos de um impacto são tão catastróficos que é essencial preparar medidas de defesa contra tal ocorrência," disse Michael Griffin, director do Departamento Espacial do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.

Mas quando? "Com o nosso presente nível de conhecimento é possível que aconteça na próxima semana ou daqui a milhares de anos", disse Johnson.

Se um asteróide se vier a confirmar que está numa órbita de colisão com a Terra, os especialistas dizem que levariam cerca de 30 anos até poderem fazer alguma coisa contra. "Os motores principais do vaivém espacial e o combustível do seu tanque externo poderiam com sucesso mudar a rota de um objecto com um quilómetro, se fosse aplicado com 20 anos de antecedência".

Usando uma bomba nuclear ainda poderia piorar o caso porque os pedaços do asteróide permaneceriam na mesma órbita e eventualmente colidiriam à mesma com a Terra.

A próxima tarefa é encontrar objectos mais pequenos que não destruissem a Terra por completo, mas que fizessem danos consideráveis se a atingissem, disseram os cientistas.

Um único satélite orbitando o Sol dentro da órbita da Terra poderia encontrar 90% de todos os objectos próximos da Terra com 100 metros ou mais em diâmetro em 10 anos. Custaria cerca de 300 milhões de Euros e poderia estar preparado em cinco anos, disse Griffin.

Links:

Asteróides:
http://impact.arc.nasa.gov/
http://www.nineplanets.org/asteroids.html

Desmistificando os impactos:
http://www.ga-esec-pinheiro-rosa.rcts.pt/impacto.htm

Projecto de pesquisa de objectos próximo da Terra:
http://neat.jpl.nasa.gov/
http://neo.jpl.nasa.gov/

Impacto de Tunguska:
http://www.usm.maine.edu/~planet/tung.html
http://www.psi.edu/projects/siberia/siberia.html
http://www.tmeg.com/artifacts/tunguska/tunguska.htm

 
 
SOHO VÊ O SEU 750º COMETA
 

 


Cometa da SOHO n.º 750 visto pela LASCO C2.
Crédito: SOHO, ESA/NASA

A 22 de Março de 2004, o Observatório Solar Espacial da ESA/NASA, a SOHO, descobriu o seu 750º cometa desde o seu lançamento em Dezembro de 1995.

O cometa n.º 750 da SOHO foi descoberto pelo astrónomo amador alemão Sebastian Hönig, um dos mais famosos caçadores de cometas da SOHO. Este cometa faz parte da suicida família Kreutz, que regularmente se evapora na quente atmosfera solar.

O coronógrafo LASCO a bordo da SOHO, desenhado para observar explosões do Sol, usa uma máscara para bloquear os raios brilhantes da superfície visível. Vigia um grande volume do espaço circundante e, como resultado, tornou-se no mais prolífico "descobridor" de cometas na história da Astronomia. As suas imagens podem ser vistas na internet.
Mais de 75% das descobertas vieram de caçadores de cometas amadores de todo o mundo, observando estas imagens disponíveis pela SOHO gratuitamente na internet. Por isso, alguém com acesso à internet pode fazer parte da caça a cometas e tornar-se num "caçador de cometas"!


Impressão de artista da SOHO.
(clique na imagem para ver versão maior)

A SOHO é uma missão de co-operação internacional entre a ESA e a NASA, lançada em Dezembro de 1995. Todos os dias a SOHO envia imagens espectaculares, a partir das quais os cientistas pesquisam e aprendem acerca da natureza e comportamento do Sol. Especialistas de todo o mundo usam as imagens e dados da SOHO para preverem o "tempo espacial" que afecta o nosso planeta.

Links:

SOHO:
http://sohowww.estec.esa.nl/
http://www.esa.int/export/esaSC/120373_index_0_m.html

Como descobrir um cometa com as imagens da SOHO:
http://ares.nrl.navy.mil/sungrazer/

Tempo espacial:
http://www.spaceweather.com/

 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

A irregular galáxia espiral M66 - Crédito: Canada-France-Hawaii Telescope, J.-C. Cuillandre ( CFHT ), Coelum
Porque não é M66 simétrica? Regularmente, nuvens de gás, pó e jovens estrelas circulam o centro de uma galáxia espiral e criam uma galáxia quase simétrica. As diferenças entre os braços espirais de M66 e o deslocamento aparente do seu núcleo são provavelmente causadas pelo puxo gravitacional da galáxia vizinha M65. Com um tamanho de 100,000 anos-luz, situa-se a 35 mihões de anos-luz, e é a maior galáxia de um grupo que inclui M65 e NGC 3628, conhecidas como o Tripleto de Leão.
Ver imagem em alta-resolução

 
       
 
 
EFEMÉRIDES:
 

Dia 09/04: 101º dia do calendário gregoriano. Às 05:00, a Lua encontra-se a 2.1º Norte da estrela de 1.ª magnitude, Antares, da constelação de Escorpião.

Dia 10/04: 102º dia do calendário gregoriano. Aproveite a noite para observar a constelação de Leão, por agora o lar de Júpiter.

Dia 11/04: 103º dia do calendário gregoriano. Em 1960 Frank Drake fazia a primeira pesquisa de rádio em busca de civilizações extraterrestres (Projecto Ozma). Em 1986, a 65 milhões de quilómetros, o Cometa Halley encontrava-se na sua maior aproximação da Terra. Pode tentar observar a Lua em Quarto Minguante de manhã até às 11:00.

Dia 12/04: 104º dia do calendário gregoriano. Em 1961, o primeiro homem no espaço, Yuri Gagarin, faz uma órbita a bordo da Vostok 1. Em 1981, era lançado o primeiro vaivém espacial, o Columbia.

 
 
CURIOSIDADES:
 
A Lua afasta-se do nosso planeta cerca de 3cm por ano.
 
 
VIAGEM AO ASTRO-CIBERESPAÇO:

 
Deixa regularmente o seu computador ligado à net mas sem estar a fazer mais nada? Meta-o a procurar extraterrestres! O SETI@home é um programa que actua como um screensaver. Mas por trás está a analisar pacotes de dados que recebe do SETI, em que procura sinais que possam ter origens extraterrestres. Carregue aqui.
 
 
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Publicado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
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