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Edição n.º 1426
07/11 a 09/11/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 07/11: 311.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492, o Meteorito Ensisheim, o meteorito mais antigo com uma data de impacto conhecida, atinge a Terra por volta do meio-dia, num campo de trigo nos arredores da vila de Ensisheim, Alsácia, França.
Em 1867 nascia Marie Curie, física e química polaca, naturalizada francesa, que levou a cabo estudos pioneiros sobre a radioatividade. Foi a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel e a primeira pessoa a ganhá-lo duas vezes. 
Em 1996 era lançada a sonda Mars Global Surveyor.

Observações: Por volta das 21 horas, esta semana, o Grande Quadrado de Pégaso está na horizontal muito alto a sul. O seu lado direito (oeste) aponta bem baixo para Fomalhaut. O seu lado este aponta, menos diretamente e a uma distância menor, para Beta Cei.

Dia 08/11: 312.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de outubro).

Halley foi um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (SiriusAldebarãBetelgeuse
 e Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1895, enquanto fazia experiências com eletricidade, Wilhelm Röntgen descobre os raios-X
Em 1984, lançamento da missão STS-51-A, do vaivém Discovery.
Em 2011, o asteróide potencialmente perigoso 2005 YU55 passa a 0,85 distâncias lunares da Terra (cerca de 324.600 km), a maior aproximação conhecida de um asteróide do seu brilho desde 2010 XC15 em 1976. 
Observações: Agora que a Lua está fora do céu às primeiras horas da noite, a grande galáxia NGC 253, em Escultor, espera por si. Está a cerca de 7º S da estrela de segunda magnitude, Beta Ceti. Localize esta estrela usando a observação de ontem. Sete graus é pouco mais que o campo de visão de uns típicos binóculos. A galáxia é grande e difusa, de modo que um céu bem escuro ajuda bastante. Sob condições muito boas é facilmente visível com binóculos.

Dia 09/11: 313.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1934 nascia Carl Sagan.

Carl Sagan começou a sua carreira na ciência da vida no Universo como assistente do prémio Nobel da medicina H. J. Muller nos anos 50. Conhecedor, tanto de Astronomia como de Biologia, as suas contribuições para o estudo da ciência planetária são a fundação da pesquisa atual. "Cosmos", a série televisiva, ganhou vários prémios Emmy e Peabody. O livro, foi o livro científico mais vendido de sempre. O seu romance "Contacto" foi trazido para o cinema através da Warner Bros. Teve um papel fundamental nas sondas MarinerViking e Voyager, pelas quais recebeu a medalha de Feito Científico Excecional da NASA (duas vezes) e a medalha de Notável Seviço Público. Cofundador da Sociedade Planetária. Dr. Sagan recebeu o prémio Pulitzer, a medalha Oersted e muitos outros prémios - incluindo dezoito graduações de colégios e Universidades americanas - pelas suas contribuições à Ciência, literatura, educação e conservação do ambiente. Sagan teve o título de Professor David Duncan de Astronomia e Ciências Espaciais e foi diretor do Laboratório de Estudos Planetários na Universidade de Cornell. O prémio Masursky da Sociedade Astronómica Americana cita "as suas extraordinárias contribuições no desenvolvimento da ciência planetária". Morreu a 20 de dezembro de 1996. Hoje faria 83 anos.
Em 1967, a NASA lança a nave não-tripulada Apollo 4, no topo do primeiro foguetão Saturno V.
Em 2005, lançamento da missão europeia Venus Express
Observações: Muito alto a norte, na Via Láctea de outono, está o ténue Cefeu, o marido da mais brilhante Cassiopeia na mitologia. A sua constelação contém duas estrelas variáveis de interesse, Delta e Mu Cephei, para binóculos ou até mesmo à vista desarmada. Delta é o protótipo de uma cefeida. Mu é uma das maiores estrelas conhecidas.

 
CURIOSIDADES


As Nuvens de Magalhães são conhecidas desde a Antiguidade. A primeira menção preservada da Grande Nuvem de Magalhães foi feita pelo astrónomo persa Al Sufi em 964, no seu "Livro de Estrelas Fixas".

 
ALMA DESCOBRE POEIRA FRIA EM TORNO DA ESTRELA MAIS PRÓXIMA

O observatório ALMA no Chile detetou poeira em torno da estrela mais próxima do Sistema Solar, Proxima Centauri. Estas novas observações revelam o brilho emitido pela poeira fria numa região situada a uma distância de Proxima Centauri entre uma a quatro vezes a distância entre a Terra e o Sol. Os dados apontam também para a presença de uma cintura de poeira mais exterior e ainda mais fria, o que poderá indicar a presença de um sistema planetário elaborado. Estas estruturas são semelhantes às cinturas maiores do Sistema Solar, estimando-se que sejam igualmente constituídas por partículas de rocha e gelo que não conseguiram formar planetas.

Proxima Centauri é a estrela mais próxima do Sol. Trata-se de uma anã vermelha situada a apenas 4 anos-luz de distância na constelação austral de Centauro. Em órbita encontra-se um planeta temperado do tipo terrestre, Proxima b, descoberto em 2016, o planeta mais próximo do Sistema Solar. No entanto, este sistema revela-se agora muito mais complexo. As novas observações ALMA mostram radiação emitida pelas nuvens de poeira cósmica fria que rodeiam a estrela.

Esta imagem artística mostra como podem ser as recentemente descobertas cinturas de poeira em torno da estrela mais próxima do Sistema Solar, Proxima Centauri. Observações ALMA revelaram o brilho emitido pela poeira fria numa região situada a uma distância de Proxima Centauri entre uma a quatro vezes a distância entre a Terra e o Sol. Os dados apontam também para a presença de uma cintura de poeira mais exterior e ainda mais fria, o que poderá indicar a presença de um sistema planetário elaborado. Estas estruturas são semelhantes às cinturas maiores do Sistema Solar, estimando-se que sejam igualmente constituídas por partículas de rocha e gelo que não conseguiram formar planetas.
Note que esta imagem não se encontra à escala — para vermos claramente Proxima b, mostramo-lo mais afastado da estrela e maior do que é na realidade.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O autor principal deste novo estudo, Guillem Anglada, do Instituto de Astrofísica de Andalucía (CSIC), Granada, Espanha, explica a importância desta descoberta: "A poeira que rodeia Proxima Centauri é importante porque, no seguimento da descoberta do planeta terrestre Proxima b, trata-se da primeira indicação da presença de um sistema planetário elaborado, e não apenas de um único planeta, em torno da estrela mais próxima do nosso Sol."

As cinturas de poeira são restos de material que não formou corpos maiores, tais como planetas. As partículas de rocha e gelo nestas cinturas variam em tamanho, desde os mais minúsculos grãos de poeira, menores que um milímetro, até a corpos do tipo de asteroides com muitos quilómetros de diâmetro.

A poeira parece situar-se numa cintura que se estende ao longo de algumas centenas de quilómetros para lá de Proxima Centauri e tem uma massa total de cerca de uma centésima da da Terra. Estima-se que esta cintura tenha uma temperatura de cerca de —230 graus Celsius, ou seja, tão fria quanto a Cintura de Kuiper no Sistema Solar exterior.

Esta imagem combina uma vista do céu austral sobre o telescópio de 3,6 metros do ESO, instalado no Observatório de La Silla, no Chile, com imagens das estrelas Proxima Centauri (em baixo à direita) e da estrela dupla Alfa Centauri AB (em baixo à esquerda) obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. Proxima Centauri é a estrela mais próxima do Sistema Solar e possui em órbita o planeta Proxima b, o qual foi descoberto com o auxílio do instrumento HARPS montado no telescópio de 3,6 metros do ESO.
Crédito: Y. Beletsky (LCO)/ESO/ESA/NASA/M. Zamani
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os dados ALMA parecem também indicar a existência de outra cintura de poeira ainda mais fria e situada cerca de dez vezes mais longe. Se confirmada, a natureza desta cintura mais exterior é intrigante, dado o meio muito frio onde se encontra, isto é, situa-se muito afastada de uma estrela mais fria e mais ténue que o Sol. Ambas as cinturas se encontram muito mais longe de Proxima Centauri do que o planeta Proxima b, o qual orbita a apenas 4 milhões de km de distância da sua estrela progenitora.

A forma aparente da cintura exterior muito ténue, se confirmada, daria aos astrónomos uma maneira de estimar a inclinação do sistema planetário de Proxima Centauri. Esta forma pareceria elíptica devido à inclinação do que é na realidade um anel circular. Esta estimativa permitiria por seu lado determinar melhor a massa do planeta Proxima b, da qual atualmente se conhece apenas o limite inferior.

Guillem Anglada explica as implicações desta descoberta: "Este resultado sugere que Proxima Centauri possa ter um sistema planetário múltiplo com uma história rica de interações que terão resultado na formação de uma cintura de poeira. Estudos adicionais poderão dar-nos informação sobre as localizações destes planetas adicionais ainda não identificados.”

Esta imagem do céu em torno da brilhante estrela dupla Alfa Centauri AB mostra a muito mais ténue anã vermelha, Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sistema Solar. Esta imagem foi criada a partir de dados do Digitized Sky Survey 2. O halo azul em torno de Alfa Centauri AB é um artefacto do processo fotográfico, apresentando-se a estrela de uma cor amarela pálida, como o Sol.
Crédito: Digitized Sky Survey 2 Acknowledgement: Davide De Martin/Mahdi Zamani
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O sistema planetário de Proxima Centauri é também particularmente interessante porque existem planos — o projeto Starshot — para a futura exploração direta do sistema por meio de microssondas ligadas a velas impulsionadas a laser. Um conhecimento mais aprofundado da poeira em torno desta estrela torna-se essencial para planear uma tal missão.

O coautor Pedro Amado, também do Instituto de Astrofísica de Andalucía, explica que estas observações são apenas o início: "Estes primeiros resultados mostram que o ALMA consegue detetar estruturas de poeira em órbita de Proxima Centauri. Observações adicionais dar-nos-ão uma imagem mais detalhada do sistema planetário desta estrela. Combinando estas observações com o estudo de discos protoplanetários situados em torno de estrelas jovens, muitos dos detalhes dos processos que levaram à formação da Terra e do Sistema Solar, há cerca de 4600 milhões de anos atrás, serão desvendados. O que estamos agora a ver é apenas o 'aperitivo' comparado com o que ainda está para vir!"

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
Instituto de Astrofísica de Andalucía (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
ESOcast 136 (ESO via YouTube)
Astronomy
Sky & Telescope
Discover
astrobiology web
PHYSORG
spaceref
The Verge
Gizmodo
Popular Mechanics
UPI

Proxima Centauri:
Wikipedia

Proxima b:
Wikipedia 
Exoplanet.eu

Anãs vermelhas:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
"FARÓIS ATMOSFÉRICOS" GUIAM CIENTISTAS EM BUSCA DA VIDA

Alguns exoplanetas são mais importantes do que outros na procura por vida para lá do Sistema Solar. Uma investigação da NASA propõe uma nova abordagem para estudar atmosferas exoplanetárias. Aproveita as frequentes tempestades estelares - que lançam enormes nuvens de material estelar e radiação para o espaço - de estrelas anãs jovens e frias para destacar sinais de exoplanetas habitáveis.

Tradicionalmente, os investigadores procuram potenciais bioassinaturas como formas de identificar mundos habitados: subprodutos da vida tal como a conhecemos, como oxigénio ou metano que, ao longo do tempo, acumulam-se na atmosfera em quantidades detetáveis. Mas com a tecnologia atual, de acordo com Vladimir Airapetian, autor principal de um estudo publicado na edição de 2 de novembro da revista Nature Scientific Reports, a identificação destes gases em distantes exoplanetas terrestres é demorada, exigindo dias de tempo de observação. O novo estudo sugere a procura de assinaturas mais "brutas" de mundos potencialmente habitáveis, mais fáceis de detetar com os recursos atuais e em menos tempo.

"Estamos à procura de moléculas formadas a partir dos pré-requisitos fundamentais da vida - especialmente o azoto molecular, que corresponde a 78% da nossa atmosfera," afirma Airapetian, cientista solar do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, e da Universidade Americana em Washington, D.C. "Estas moléculas básicas são biologicamente amigáveis e possuem um poder de emissão infravermelha forte, melhorando as hipóteses de deteção."

Os "faróis" que podem ajudar os investigadores a identificar mundos potencialmente habitáveis.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Mary Pat Hrybyk
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A vida atual na Terra informa Airapetian e a sua equipa de cientistas que devem procurar atmosferas ricas em vapor de água, azoto e oxigénio, o produto da vida. O oxigénio e o azoto "flutuam" de forma estável na sua forma molecular - isto é, dois átomos de oxigénio ou azoto unidos numa única molécula. Mas, na proximidade de uma estrela anã ativa, o clima espacial extremo provoca reações químicas distintas que os investigadores podem usar como indicadores da composição atmosférica.

Estrelas como o nosso Sol são turbulentas na sua adolescência e frequentemente produzem erupções poderosas que lançam partículas estelares a velocidades próximas da luz. Ao contrário do Sol, algumas estrelas amarelas e a maioria das estrelas mais alaranjadas - que são um pouco mais frias do que o Sol - podem continuar a produzir essas fortes tempestades estelares durante milhares de milhões de anos, produzindo enxames frequentes de partículas altamente energéticas.

Quando estas partículas atingem um exoplaneta, inundam a sua atmosfera com energia suficiente para quebrar o azoto e o oxigénio molecular em átomos individuais, e as moléculas de água em hidroxilo - um átomo de oxigénio e um átomo de hidrogénio, unidos. A partir daí, os átomos reativos de azoto e de oxigénio provocam uma cascata de reações químicas que, em última análise, produzem o que os cientistas apelidam de "faróis atmosféricos": hidroxilo, mais oxigénio molecular e óxido nítrico - uma molécula constituída por um átomo de azoto e um átomo de oxigénio.

Airapetian e colegas usaram um modelo para calcular a quantidade formada de óxido nítrico e de hidroxilo e a quantidade de ozono destruído numa atmosfera parecida com a da Terra em torno de uma estrela ativa. Os cientistas que estudam a Terra já usam este modelo há décadas para estudar como o ozono - que se forma naturalmente quando a luz atinge o oxigénio - na atmosfera superior responde às tempestades solares, mas tem uma nova aplicação neste estudo; a Terra é, afinal de contas, o melhor estudo de caso disponível na busca por vida.

Usando uma simulação de computador, os investigadores expuseram o modelo atmosférico ao clima espacial que esperariam de uma estrela fria e ativa. Descobriram que o ozono cai para o mínimo e alimenta a produção de faróis atmosféricos.

Para os investigadores, estas reações químicas são muito úteis. Quando a luz estelar atinge a atmosfera, ligações parecidas com "molas" dentro das moléculas de farol absorvem a energia e vibram, enviando essa energia de volta para o espaço sob a forma de calor, ou radiação infravermelha. Os cientistas sabem quais os gases que emitem radiação em determinados comprimentos de onda da luz, de modo que ao observarem toda a radiação proveniente da atmosfera, é possível ter uma ideia do que está na própria atmosfera.

A formação de uma quantidade detetável destes faróis requer uma grande quantidade de oxigénio e azoto molecular. Assim, se forem detetados, estes compostos podem indicar uma atmosfera cheia de substâncias químicas biologicamente amigáveis, bem como uma pressão atmosférica parecida com a da Terra - e, portanto, a possibilidade de um mundo habitável, uma agulha num enorme palheiro de exoplanetas.

Esta ilustração mostra a luz de uma estrela a iluminar a atmosfera de um exoplaneta. Quando a luz estelar atinge a atmosfera, as moléculas "farol" absorvem essa energia e enviam-na de volta para o espaço sob a forma de fortes sinais de radiação infravermelha.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta abordagem também tem o intuito de eliminar exoplanetas sem um campo magnético parecido com o da Terra. "Um planeta precisa de um campo magnético, que protege a atmosfera e protege o planeta das tempestades solares e da radiação," comenta Airapetian. "Se os ventos estelares não são tão extremos para comprimir o campo magnético de um exoplaneta perto da sua superfície, o campo magnético evita o escape atmosférico, de modo que existem mais partículas na atmosfera e um sinal infravermelho resultante mais forte."

Airapetian e colegas usaram dados da missão TIMED (Thermosphere Ionosphere Mesophere Energetics Dynamics) da NASA, que estuda a Terra, para simular como as observações infravermelhas destes faróis podem aparecer. Os dados vieram do instrumento de espectroscopia do TIMED, chamado SABER (Sounding of the Atmosphere using Broadband Emission Radiometry), que estuda a mesma química que produz os faróis atmosféricos, pois ocorre na atmosfera superior da Terra em resposta à atividade solar.

"Levando o que sabemos sobre a radiação infravermelha emitida pela atmosfera da Terra em consideração, a ideia é observar os exoplanetas e ver que tipo de sinais podemos detetar," acrescenta Martin Mlynczak, coautor do artigo e investigador principal associado do SABER no Centro de Investigação Langley da NASA em Hampton, Virginia, EUA. "Se encontrarmos sinais exoplanetários quase à mesma proporção dos da Terra, podemos dizer que esse planeta é um bom candidato a hospedar vida."

Visto aqui nesta impressão de artista, a nave TIMED da NASA tem vindo a observar a atmosfera superior da Terra há já 15 anos, levando a novas informações sobre como esta região interage com a atmosfera inferior [por baixo] e com o espaço [para cima] - e agora, como essa mesma química pode existir em exoplanetas.
Crédito: NASA/JHU-APL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os dados do SABER mostraram que a frequência de tempestades estelares intensas está diretamente relacionada com a intensidade dos sinais de calor dos faróis atmosféricos. Com mais tempestades, são formados mais faróis moleculares e o sinal infravermelho seria suficientemente forte, estimam os cientistas, para ser observado em exoplanetas próximos com um telescópio espacial com seis a dez metros em apenas duas horas de tempo de observação.

"Esta é uma nova e emocionante forma de procurar vida," comenta Shawn Domagal-Goldman, astrobiólogo de Goddard que não esteve ligado ao estudo. "Mas, tal como todos os sinais de vida, a comunidade exoplanetária precisa pensar muito sobre o contexto. Quais são as formas pelas quais os processos não-biológicos podem imitar essa assinatura?"

Com o tipo certo de estrelas, este trabalho pode levar a novas estratégias na procura por vida que identificam não apenas planetas potencialmente habitáveis, mas sistemas planetários, dado que a forma pela qual a atmosfera do planeta interage com a estrela-mãe também tem um efeito chave na sua habitabilidade. Se forem detetados sinais promissores, os cientistas podem coordenar observações com um observatório espacial futuro, como o Telescópio Espacial James Webb da NASA, aumentando a probabilidade de encontrar esse potencial sistema.

"As novas informações sobre o potencial para a vida nos exoplanetas dependem criticamente de investigações interdisciplinares em que os dados, modelos e técnicas são utilizados pelas quatro divisões científicas do Goddard da NASA: heliofísica, astrofísica, ciências planetárias e da Terra," realça William Danchi, astrofísico sénior de Goddard e coautor do estudo. "Esta mistura produz novos e poderosos caminhos para a pesquisa exoplanetária."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature Scientific Reports
Astrobiology magazine
Universe Today
PHYSORG

Planetas extrasolares:
Wikipedia
NASA Exoplanet Arquive
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

TIMED:
NASA
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M5 pelo Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: HSTESANASA
 
"Linda nebulosa descoberta entre Balança e Serpente..." Assim começa a descrição da 5.ª entrada do famoso catálogo de nebulosas e enxames estelares do astrónomo do século XVIII, Charles Messier. Embora lhe parecesse difuso, redondo e sem estrelas, Messier 5 (M5) é agora conhecido como um enxame globular, com mais ou menos 100.000 estrelas, ligadas pela gravidade e agrupadas numa região com cerca de 165 anos-luz em diâmetro. Está situado a aproximadamente 25.000 anos-luz de distância. Vagueando o halo da nossa Galáxia, os enxames globulares são membros muito antigos da Via Láctea. M5 é um dos enxames globulares mais antigos - as suas estrelas têm uma idade estimada em quase 13 mil milhões de anos. Este bonito enxame é um alvo popular para telescópios terrestres. Claro, colocado em órbita da Terra no dia 25 de abril de 1990, o Telescópio Espacial Hubble também capturou esta deslumbrante imagem que se estende por 20 anos-luz perto da região central de M5. Perto do núcleo denso são visíveis estrelas gigantes antigas, vermelhas e azuis, e estrelas "stragglers" azuis e rejuvenescidas que sobressaem em tons de amarelo e azul na imagem nítida e a cores.
 

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