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Edição n.º 1432
28/11 a 30/11/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 28/11: 332.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a NASA lança a sonda Mariner 4.

Foi a primeira sonda a fazer um voo rasante pelo Planeta Vermelho e a primeira a enviar imagens da superfície de outro mundo a partir do espaço profundo.
Em 2000, é descoberto 20000 Varuna, um objeto da Cintura de Kuiper. É provavelmente um planeta anão.
Observações: Após o anoitecer, procure por baixo da Lua a estrela Beta Ceti e por cima da Lua o Grande Quadrado de Pégaso.

Dia 29/11: 333.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1803, nascia Christian Doppler, matemático e físico austríaco, famoso pela sua descoberta do que é agora denominado efeito Doppler.

Em 1961, Enos, um chimpanzé, é lançado para o espaço a bordo da missão Mercury-Atlas 5. A nave orbitou a Terra duas vezes e aterrou no mar perto da costa de Porto Rico.
Em 1965, a agência espacial canadiana lança o satélite Alouette 2.
Em 1967, lançamento de primeiro satélite australiano, o WRESAT
Observações: As estrelas mais brilhantes de Cassiopeia formam o bem conhecido "W", mas a constelação vira-se agora para formar um "M", bem alto a norte com o passar da noite.

Dia 30/11: 334.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1756 nascia Ernst Chladni, físico e músico alemão, conhecido como o "pai dos meteoritos". Também calculou a velocidade do som para gases diferentes.
Em 1954, Ann Elizabeth Hodges é atingida por um meteorito de 5 kg no estado norte-americano do Alabama. É o único caso documentado de um meteorito ter atingido uma pessoa.

Observações: Vega ainda brilha razoavelmente alta a oeste-noroeste após o cair da noite. A estrela mais brilhante para cima é Deneb, a cauda da constelação de Cisne. Pelas 23-24 horas, a cruz desta constelação forma um "T" "implantado" no horizonte.

 
CURIOSIDADES


A Via Láctea tem várias galáxias mais pequenas ligadas gravitacionalmente a ela. Existem 57 galáxias pequenas confirmadas até 1,4 milhões de anos-luz da Via Láctea, mas nem todas estão necessariamente em órbita, algumas podem orbitar outras galáxias satélite. As únicas visíveis a olho são a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães.

 
MEDIDOS OS PRIMEIROS MOVIMENTOS PRÓPRIOS DE ESTRELAS FORA DA VIA LÁCTEA
A Galáxia Anã do Escultor é uma galáxia vizinha e satélite da Via Láctea. Está situada a cerca de 290.000 anos-luz de distância.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Graças à combinação de dados do Telescópio Espacial Hubble e da missão Gaia, astrónomos da Universidade de Groninga conseguiram medir o movimento próprio de quinze estrelas da Galáxia Anã do Escultor, a primeira medição do género para uma galáxia pequena para lá da Via Láctea. Os resultados mostram uma preferência inesperada na direção do movimento, o que sugere que o modelo teórico padrão usado para descrever o movimento das estrelas e do halo de matéria escura noutras galáxias pode ser inválido. Os resultados foram publicados ontem na Nature Astronomy.

Há muito que os astrónomos são capazes de medir o movimento das estrelas na nossa "linha de visão" (ou seja, o movimento na nossa direção ou para longe de nós) através do desvio para o vermelho, provocado pelo efeito Doppler. No entanto, a medição do movimento no plano do céu, chamado "movimento próprio", é muito mais difícil. Para detetar este movimento são necessárias múltiplas medições muito precisas da posição de uma estrela ao longo de vários anos. Devido à imensa distância que nos separa, muitas estrelas da nossa Galáxia têm movimentos extremamente pequenos a partir do ponto de vista do céu da Terra. Para estrelas fora da nossa Galáxia, esse movimento é ainda menor.

A missão Gaia da ESA, atualmente em andamento, está concebida para medir a posição exata de mais de mil milhões de estrelas, principalmente na nossa própria Via Láctea. "Mas o Gaia também mede posições estelares em galáxias próximas," explica o astrónomo Davide Massair da Universidade de Groninga. "E para algumas destas estrelas, também temos a localização medida pelo Telescópio Espacial Hubble, há cerca de 12 anos."

Massari e colegas do Instituto Astronómico Kapteyn propuseram combinar ambos os conjuntos de dados. Esta não é uma tarefa fácil, pois ambas as missões medem a posição de maneiras diferentes. Ao usar galáxias de fundo que não mudaram de posição nos doze anos, a equipa foi capaz de combinar os dados. "Tivemos que ter muito cuidado para excluir quaisquer erros sistemáticos," comenta Massari. Mas foram bem-sucedidos e das 120 estrelas medidas, tanto pelo Hubble como pelo Gaia na Galáxia Anã do Escultor, descobriram quinze observações emparelhadas extremamente precisas.

"De seguida, determinámos como as estrelas se movem nesta galáxia pequena, que é quantificado pelo parâmetro de anisotropia. Se alto, as estrelas têm trajetórias muito alongadas, se muito pequeno, têm órbitas circulares. Com este conhecimento conseguimos determinar as propriedades do halo de matéria escura no qual a galáxia está embebida. Mas o nosso valor medido foi muito surpreendente, não é permitido pelos modelos padrão. Isto significa que alguns dos pressupostos em que esses modelos se baseiam devem estar errados."

"Até agora, só podíamos testar modelos usando o movimento na linha de visão. Parecia correr bem, mas agora, com o movimento próprio, os modelos padrão têm quebras," realça Massari. "Uma possível explicação é que o modelo assume que todas as estrelas pertencem a uma única população. Mas nós sabemos que a Anã do Escultor é uma galáxia complexa e tem pelo menos dois componentes estelares (um mais compacto e outro mais estendido). Na verdade, existe um modelo que inclui este parâmetro e a anisotropia que Massari e colegas observaram é, de facto, por ele prevista, caso a maioria das estrelas medidas pertençam ao componente mais compacto.

O movimento das estrelas depende principalmente do halo invisível de matéria escura em torno de uma galáxia. É por isso que é tão importante determinar o parâmetro de anisotropia, pois pode ser usado para determinar a distribuição da matéria escura nesta galáxia, que por sua vez depende da natureza da própria matéria escura. "Os nossos resultados mostram que, por meio dos dados do Gaia, combinados com outros conjuntos de dados, podemos medir o movimento próprio de estrelas fora da Via Láctea e assim melhorar os modelos que descrevem a forma como a matéria escura está distribuída nestas outras galáxias."

Um segundo resultado importante é uma medição mais precisa da órbita da Galáxia Anã do Escultor em torno da Via Láctea. "Esta órbita é muito maior do que o esperado. Anteriormente, pensava-se que a atual forma esferoidal era, em parte, o resultado de algumas passagens próximas, mas as nossas medições mostram que não é o caso." Massari e a equipa do Instituto Kapteyn estão ansiosos por ampliar a sua amostra de estrelas fora da Via Láctea com movimento próprio conhecido após o novo lançamento de dados do Gaia, no início do próximo ano.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Groninga (comunicado de imprensa)
ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature Astronomy
EurekAlert!
PHYSORG

Galáxia Anã do Escultor:
Wikipedia

Movimento próprio:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
NOVO MÉTODO PARA MEDIR O TAMANHO DAS ESTRELAS DE NEUTRÕES

As estrelas de neutrões são feitas de matéria ultradensa. O modo como esta matéria se comporta é um dos maiores mistérios da física nuclear moderna. Investigadores desenvolveram um novo método para medir o raio das estrelas de neutrões, o que os ajuda a entender o que acontece com a matéria dentro da estrela sob pressão extrema.

Foi desenvolvido um novo método para medir o tamanho das estrelas de neutrões num estudo liderado por um grupo de investigação de astrofísica de alta-energia na Universidade de Turku, Finlândia. O método baseia-se na modelagem de como as explosões termonucleares que ocorrem nas camadas mais altas da estrela emitem raios-X. Ao comparar os raios-X emitidos pelas estrelas de neutrões com os modelos teóricos topo-de-gama de radiação, os cientistas foram capazes de colocar restrições no tamanho da fonte emissora. Esta nova análise sugere que o raio da estrela de neutrões deve ser cerca de 12,4 km.

Impressão de artista de uma estrela de neutrões.
Crédito: Rodion Kutsaev
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"As medições anteriores mostraram que o raio de uma estrela de neutrões estava situado entre os 10 e os 16 km. Nós reduzimos este intervalo até cerca de 12 km com cerca de 400 metros de precisão, talvez 1000 metros se quisermos ter a certeza. Portanto, a nova medição é uma melhoria clara em relação à anterior," comenta Joonas Nättilä, candidato a doutoramento que desenvolveu o método.

As novas medições ajudam os investigadores a estudar o tipo de condições núcleo-físicas presentes no interior de estrelas de neutrões extremamente densas. Estão particularmente interessados em determinar a equação do estado de matéria de neutrões, que mostra quão comprimível é a matéria a densidades extremamente elevadas.

"A densidade da matéria nas estrelas de neutrões ronda os cerca de 100 milhões de toneladas por centímetro cúbico. De momento, as estrelas de neutrões são os únicos objetos naturais com os quais podemos estudar estes tipos extremos de matéria," acrescenta Juri Poutanen, líder do grupo de pesquisa.

Os novos resultados também ajudam a compreender as recém-descobertas ondas gravitacionais que tiveram origem na colisão de duas estrelas de neutrões. É por isso que o consórcio LIGO/Virgo, que descobriu estas ondas, foi rápido em comparar as suas observações recentes com as novas restrições obtidas pelos cientistas finlandeses.

"A forma específica do sinal de onda gravitacional é altamente dependente dos raios e da equação de estado das estrelas de neutrões. É muito emocionante como estas duas medições completamente diferentes contam a mesma história acerca da composição das estrelas de neutrões. O próximo passo lógico é combinar estes dois resultados. Já tivemos conversas com os nossos colegas sobre como proceder," conclui Nättilä.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Turku (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy & Astrophysics
PHYSORG
COSMOS

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Virgo:
EGO
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Recém-descobertos gémeos planetários podem resolver mistério dos planetas "inchados" (via Universidade do Hawaii)
Desde que os astrónomos começaram a medir o tamanho dos exoplanetas há 17 anos que têm dificuldade em responder à questão: como é que os maiores ficaram tão grandes? Uma equipa de pesquisa está perto de responder a esta pergunta. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Atravessando Horizontes
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Jean-Francois Graffand
 
Siga esta vista panorâmica vertical de horizonte a horizonte e o seu olhar vai "varrer" o zénite de um céu noturno sobre o observatório Pic du Midi. Para fazer a viagem acima de um mar de nuvens, foram captadas 19 exposições perto do final da noite de 31 de outubro e agrupadas numa projeção Mercator que torna os dois horizontes planos. Comece no topo e está a olhar para este, na direção da cúpula invertida do telescópio de 1 metro do observatório. É fácil seguir o plano da nossa Via Láctea pois parece emergir da cúpula e descer até ao horizonte do outro lado. Logo para a sua direita, o céu contém um brilho notável, mas difuso, brilho este que é a luz zodiacal no plano da eclíptica do Sistema Solar. A luz zodiacal e a Via Láctea, juntamente com enxames estelares, nuvens cósmicas de poeira e nebulosas ténues, atravessam o zénite. Ambas continuam a descer até ao brilho do ar a oeste. Desaparecem em baixo, perto do horizonte a oeste, por trás das cúpulas do observatório Pic du Midi e de uma antena de comunicações.
 

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