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Edição n.º 1448
23/01 a 25/01/2018
 
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27/01/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 23/01: 23.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1840 nascia Ernst Abbe, físico e optometrista alemão que, juntamente com Otto Schott e Carl Zeiss, lançou as bases da ótica moderna. Abbe também desenvolveu instrumentos óticos, e foi coproprietário da Carl Zeiss AG, fabricante alemã de telescópios, planetários e outros sistemas ópticos.
Em 1999, astrónomos lutam contra o tempo para obter as primeiras imagens óticas de uma das mais podersosas explosões do Universo - GRB 990123, uma explosão de raios-gama. Uma típica explosão de raios-gama é um milhão de vezes mais brilhante do que uma supernova normal.
Em 2003 tinham lugar as últimas comunicações com a Pioneer 10.

Observações: Olhe para este depois do anoitecer e procure, bem alto, a brilhante estrela Capella. Para a sua direita, a um par de dedos à distância do braço esticado, está um pequeno e estreito triângulo de estrelas de magnitude 3 e 4 conhecido como as "Crianças". Apesar de não serem exatamente notáveis, formam um inesquecível asterismo com Capella. Por volta das 21:30 passam perto do zénite.

Dia 24/01: 24.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882, nascia Harold Babcock, astrónomo americano que propôs que o ciclo das manchas solares era o resultado da rotação diferencial e do campo magnético do Sol.
Em 1947 nasce Michio Kaku, físico teórico americano, futurista, comunicador e divulgador de ciência.
Em 1978, um satélite soviético chamado Kosmos 954, com um reator nuclear a bordo, é destruído na atmosfera da Terra, espalhando detritos radioativos por cima dos Territórios Noroeste do Canadá. Apenas 1% foi recuperado.
Em 1986, a Voyager 2 passa a 81.500 km de Úrano
Em 1990, o Japão lança a Hiten, a primeira sonda lunar deste país, a primeira sonda lunar desde a soviética Luna 24 em 1976 e a primeira sonda lunar lançada por um país sem ser a União Soviética ou os Estados Unidos.

Observações: A Lua brilha perto da cabeça de Baleia; procure Alpha Ceti (Menkar), de magnitude 2,5 e tom laranja, cerca de 10º para a esquerda da Lua pouco depois do anoitecer.
A uma distância semelhante, mas para baixo da Lua, e um pouco para a esquerda, encontra-se Mira, Omicron Ceti, o protótipo de uma estrela vermelha e variável de longo período. Mira está esta semana no seu brilho máximo, mais ou menos magnitude 3,5.
Lua em Quarto Crescente, pelas 22:20.

Dia 25/01: 25.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1736 nascia Joseph-Louis Lagrange, matemático e astrónomo italiano. Fez contribuições importantes para todos os campos da análise, teoria de números e mecânica celeste e clássica.
Em 1994, lançamento da sonda Clementine.
Em 2004, o rover Opportunity (MER-B) aterra na superfície de Marte.

Em 2006, três campanhas independentes anunciam a descoberta de OGLE-2005-BLG-390LB através de microlentes gravitacionais, o primeiro planeta extrassolar rochoso/gelado em torno de uma estrela de sequência principal.
Observações: Menkar brilha agora cerca de 10º para baixo da Lua. E encontrará as Plêiades para cima do nosso satélite natural, a mais do dobro da distância mencionada anteriormente.

 
CURIOSIDADES


Apesar de ser uma galáxia satélite da Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães é ainda a quarta maior galáxia do Grupo Local, depois da Galáxia de Andrómeda (M31), da Via Láctea e da Galáxia do Triângulo (M33).

 
FUSÃO DE ESTRELAS DE NEUTRÕES OFERECE UM NOVO PUZZLE AOS ASTROFÍSICOS
A imagem mostra a fonte de ondas gravitacionais GW170817 em raios-X, produzida pela fusão de duas estrelas de neutrões. A imagem da esquerda é a soma das observações com o Observatório de raios-X Chandra da NASA, obtidas no final de agosto e início de setembro, e a imagem da direita é a soma das observações do Chandra obtidas no início de dezembro. Tornou-se cerca de 4 vezes mais brilhante ao longo de três meses. O evento teve lugar na galáxia NGC 4993, cujo centro também pode ser visto nas imagens. GW170817 foi observado pela primeira vez no dia 17 de agosto de 2017.
Crédito: NASA/CXC/McGill/J. Ruan et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O brilho de uma distante fusão de estrelas de neutrões, detetada no passado mês de agosto, continuou a aumentar - para a surpresa dos astrofísicos que estudam as consequências da gigantesca colisão que ocorreu a aproximadamente 138 milhões de anos-luz de distância e atirou ondas gravitacionais pelo Universo.

Novas observações com o Observatório de raios-X Chandra da NASA, divulgadas na revista Astrophysical Journal Letters, indicam que a explosão de raios-gama desencadeada pela colisão é mais complexa do que os cientistas imaginaram inicialmente.

"Geralmente, quando vemos uma pequena explosão de raios-gama, a emissão de jatos aqui gerada fica mais brilhante durante um curto período de tempo enquanto colide com o meio circundante - e depois desaparece quando o sistema para de injetar energia no fluxo," comenta Daryl Haggard, astrofísico da Universidade McGill, cujo grupo de investigação liderou o novo estudo. "Esta é diferente; definitivamente não é um jato simples e estreito."

Teoria do casulo

Os novos dados podem ser explicados usando modelos mais complicados para os remanescentes da fusão de estrelas de neutrões. Uma possibilidade: a fusão lançou um jato que chocou e aqueceu os detritos gasosos circundantes, criando um "casulo" quente em redor do jato que brilhou em raios-X e rádio durante meses.

As observações de raios-X encaixam com os dados de ondas rádio divulgados o mês passado por outra equipa de cientistas que descobriu que essas emissões da colisão também continuaram a aumentar de brilho ao longo do tempo.

Enquanto os radiotelescópios foram capazes de monitorizar o pós-brilho ao longo do outono, os observatórios óticos e de raios-X não conseguiram observar durante cerca de três meses porque durante esse período o local do evento, no céu, estava demasiado perto do Sol.

"Quando a fonte surgiu daquele ponto cego no céu no início de dezembro, a nossa equipa do Chandra aproveitou logo a oportunidade para ver o que estava a acontecer," comenta John Ruan, investigador pós-doutorado do Instituto Espacial McGill e autor principal do novo artigo. "E, com certeza, o brilho estava mais intenso em raios-X, tal como estava no rádio."

Puzzle de física

Esse padrão inesperado desencadeou uma corrida, entre os astrónomos, para entender a física que alimenta a emissão. "Esta fusão entre duas estrelas de neutrões é diferente de tudo o que já vimos," afirma Melania Nynka, outra investigadora pós-doutoral de McGill. "Para os astrofísicos, é um presente que continua a dar frutos." Nynka também é coautora do artigo, juntamente com astrónomos da Universidade Northwestern e da Universidade de Leicester.

A fusão entre as duas estrelas de neutrões foi detetada pela primeira vez no dia 17 de agosto pela experiência LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory). O detetor europeu, Virgo, e cerca de 70 observatórios terrestres e espaciais ajudaram a confirmar a descoberta.

A descoberta abriu uma nova era na astronomia. Assinala a primeira vez que os cientistas foram capazes de observar um evento cósmico tanto no espectro eletromagnético - a base da astronomia tradicional - como em ondas gravitacionais, ondulações no espaço-tempo previstas há um século pela teoria geral da relatividade de Albert Einstein. Pensa-se que as fusões das estrelas de neutrões, que estão entre os objetos mais densos do Universo, sejam responsáveis por produzir elementos pesados, como ouro, platina e prata.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
19/01/2018 - Quão massivas podem ser as estrelas de neutrões?
09/01/2018 - Ondas gravitacionais medem o Universo
22/12/2017 - Observações rádio apontam para explicação provável de fenómenos de fusão de estrelas de neutrões
28/11/2017 - Novo método para medir o tamanho das estrelas de neutrões 
17/10/2017 - Telescópios do ESO observam primeira luz de uma fonte de ondas gravitacionais

Notícias relacionadas:
Universidade McGill (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astrophysical Journal Letters
Universe Today
Astronomy Now
Science alert
PHYSORG
Inverse
Newsweek

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

GW170817:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Quilonova:
Wikipedia

NGC 4993:
SIMBAD
DSO Browser
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Virgo:
EGO
Wikipedia

 
NASA ESTUDA SOL ATRAVÉS DO MOVIMENTO DE MERCÚRIO

As órbitas dos planetas no nosso Sistema Solar estão a alargar. Isto acontece porque o aperto gravitacional do Sol vai gradualmente enfraquecendo à medida que envelhece e perde massa. Agora, uma equipa de cientistas da NASA e do MIT (Massachusetts Institute of Technology) mediram indiretamente essa perda de massa e outros parâmetros solares, observando mudanças na órbita de Mercúrio.

Os novos valores melhoram as previsões anteriores, reduzindo a quantidade de incerteza. Isto é especialmente importante para o ritmo da perda de massa solar, porque está relacionado com a estabilidade de G, a constante gravitacional. Embora G seja considerado um número fixo, a questão de saber se é realmente constante é ainda fundamental na física.

"Mercúrio é o objeto de teste perfeito para as nossas experiências porque é tão sensível ao efeito gravitacional e à atividade do Sol," comenta Antonio Genova, autor principal do estudo publicado na Nature Communications e investigador do MIT que trabalha no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

A proximidade de Mercúrio ao Sol e o seu pequeno tamanho tornam-no especialmente sensível à dinâmica da estrela e à sua atração gravitacional.
Crédito: NASA/SDO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O estudo começou por melhorar as efemérides cartográficas de Mercúrio - o "mapa rodoviário" da posição do planeta no nosso céu ao longo do tempo. Para isso, a equipa baseou-se em dados de rastreamento de rádio que monitorizaram a localização da sonda MESSENGER (Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry, and Ranging) da NASA enquanto a missão estava ativa. A nave robótica fez três voos rasantes por Mercúrio em 2008 e 2009 e orbitou o planeta entre março de 2011 e abril de 2015. Os cientistas trabalharam para trás, analisando mudanças subtis no movimento de Mercúrio como forma de aprender mais sobre o Sol e como os seus parâmetros físicos influenciam a órbita do planeta.

Durante séculos, os cientistas estudaram o movimento de Mercúrio, prestando especial atenção ao seu periélio (ponto orbital mais próximo do Sol). As observações há muito que revelaram que o periélio muda ao longo do tempo, movimento a que chamamos precessão. Embora os puxos gravitacionais de outros planetas representem a maior parte da precessão de Mercúrio, não contabilizam 100%.

A segunda maior contribuição vem da deformação do espaço-tempo em torno do Sol devido à própria gravidade da estrela, agora coberta pela teoria da relatividade geral de Einstein. O sucesso da relatividade geral em explicar a maior parte da precessão restante de Mercúrio ajudou a persuadir os cientistas de que a teoria de Einstein estava correta.

Outras contribuições, muito menores, são atribuídas à estrutura e à dinâmica do interior do Sol. Uma dessas é o achatamento do Sol, uma medida do seu bojo no meio - o seu "pneu na cintura", digamos - em vez de ser uma esfera perfeita. Os investigadores obtiveram uma estimativa melhorada do achatamento que é consistente com outros tipos de estudos.

Cientistas da NASA e do MIT analisaram alterações subtis no movimento de Mercúrio para aprender como o Sol e a sua dinâmica influenciam a órbita do planeta. A posição de Mercúrio, ao longo do tempo, foi determinada a partir de rastreamento de dados rádio enquanto a missão MESSENGER da NASA estava ativa.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas foram capazes de separar alguns dos parâmetros solares dos efeitos relativistas, algo não alcançado em estudos anteriores que se basearam em dados de efemérides. A equipa desenvolveu uma técnica inovadora que simultaneamente estimou e integrou as órbitas tanto da MESSENGER como de Mercúrio, levando a uma solução abrangente que inclui quantidades relacionadas com a evolução do interior do Sol e com efeitos relativistas.

"Estamos abordando questões de longa data e muito importantes tanto na física fundamental como na ciência solar," afirma Erwan Mazaricos, geofísico de Goddard. "Ao nos debruçarmos nestes problemas a partir de uma perspetiva diferente, podemos ganhar mais confiança nos números e podemos aprender mais sobre a interação entre o Sol e os planetas."

A nova estimativa da equipa, para a taxa de perda de massa solar, representa uma das primeiras vezes que este valor foi restringido com base em observações e não em cálculos teóricos. A partir do trabalho teórico, os cientistas previram anteriormente uma perda de um-décimo de 1% da massa do Sol ao longo de 10 mil milhões de anos; é o suficiente para reduzir a atração gravitacional de uma estrela e permitir com que as órbitas dos planetas aumentem cerca de 1,5 centímetros, por ano, por UA (unidade astronómica, a distância entre a Terra e o Sol aproximadamente 150 milhões de quilómetros).

O novo valor é ligeiramente inferior às previsões anteriores, mas tem menos incerteza. Isso tornou possível que a equipa melhorasse a estabilidade de G por um fator de 10, em comparação com os valores derivados de estudos do movimento da Lua.

"O estudo demonstra como as medições das alterações nas órbitas planetárias muda ao longo do Sistema Solar e abre a possibilidade de descobertas futuras sobre a natureza do Sol e dos planetas e, de facto, sobre o funcionamento básico do Universo," afirma a coautora Maria Zuber, vice-presidente de investigação no MIT.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature Communications
ScienceDaily
PHYSORG
Newsweek

Sol:
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve

Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Sonda MESSENGER:
NASA 
JHUAPL
Wikipedia

Constante gravitacional:
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nuvens na Grande Nuvem de Magalhães
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Josep DrudisDon Goldman
 
Uma visão fascinante nos céus do hemisfério sul, a Grande Nuvem de Magalhães (GNM) pode aqui ser vista neste mosaico telescópico profundo e detalhado. Registada com filtros de banda larga e banda estreita, a cena abrange cerca de 5 graus ou 10 luas cheias no céu. Os filtros de banda estreita estão desenhados para transmitir apenas a luz emitida pelos átomos de hidrogénio e oxigénio. Ionizados pela luz estelar energética, os átomos emitem a sua luz característica à medida que os eletrões são recapturados e os átomos transitam para um estado de energia mais baixo. Como resultado, nesta imagem a GNM parece estar coberta pelas suas próprias nuvens de gás ionizado em redor das suas estrelas jovens e massivas. Esculpidas por fortes ventos estelares e radiação ultravioleta, as nuvens brilhantes, dominadas pela emissão do hidrogénio, são conhecidas como regiões H II (hidrogénio ionizado). Ela própria composta por muitas regiões H II sobrepostas, a Nebulosa da Tarântula é a grande região de formação estelar à esquerda. A maior galáxia satélite da Via Láctea, a GNM mede aproximadamente 15.000 anos-luz em diâmetro e fica a uns meros 160.000 anos-luz de distância na direção da constelação de Dourado.
 

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