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Edição n.º 1460
06/03 a 08/03/2018
 
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29/03/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 06/03: 65.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espectroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espectro do Sol receberam o seu nome.
Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante de um cometa, pela sonda Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Em 2015, depois de orbitar Vesta durante 14 meses em 2011 e 2012, a sonda Dawn da NASA chega a Ceres.

Observações: Depois do anoitecer, a Cintura de Orionte, quase na vertical, aponta para a direita na direção da alaranjada Aldebarã a oeste e, mais distante, na direção do enxame aberto das Plêiades.
Daqui a sete semanas, as Plêiades vão encontrar-se, ao lusco-fusco, com Vénus. Vão passar um pelo outro nas noites que rondam o dia 23 de abril.

Dia 07/03: 66.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1792 nascia John Herschel, astrónomo, matemático, químico e inventor/fotógrafo experimental, que deu nome a sete luas de Saturno e a quatro de Úrano.
Em 1837 nascia Henry Draper, o primeiro a fotografar o espectro estelar. Um importante catálogo de espectros estelares tem o seu nome.
Em 1958 nascia Alan Hale, astrónomo americano, co-descobridor do Cometa Hale-Bopp
Em 2009, é lançado o observatório espacial Kepler, desenhado para descobrir planetas parecidos com a Terra em órbita de outras estrelas.

Em 2012, a LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) captura imagens do local de aterragem da Apollo 11. São visíveis as experiências, o equipamento e as pegadas de Buzz Aldrin e de Neil Armstrong
Observações: Júpiter e a Lua nascem acompanhados um do outro mais ou menos a meio da noite. Estão bem altos a sul antes do amanhecer.
Ocultação de Ganimedes, entre as 04:08 e as 06:06.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 04:19 e as 06:33.
Trânsito de Io, entre as 05:28 e as 07:43.
Orionte começa agora a inclinar-se para oeste depois do anoitecer. Com o passar da noite, e mais tarde no mês, inclina-se ainda mais para baixo, colocando as três estrelas da sua cintura na sua horizontal posição primaveril.

Dia 08/03: 67.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1618, Johannes Kepler descobre a terceira lei do movimento planetário.
Em 1977, eram descobertos os anéis de Úrano durante observações aéreas de ocultações da NASA.

Em 1999, começa a primeira fase da missão de mapeamento de Marte pela sonda Mars Global Surveyor.
Em 2002, o asteroide 2002 EM7, com um tamanho entre 300 e 400 metros, passa a 450.000 quilómetros da Terra. Observadores só o descobriram quatro dias depois, a 12 de março.
Observações: Com a Lua fora do céu noturno (pelo menos até de madrugada), esta é uma boa semana para tentar observar a luz zodiacal caso viva a latitudes médias norte - agora que a eclíptica está bem inclinada para cima do horizonte a oeste ao cair da noite. A partir de um local escuro e limpo, olhe para oeste ao final do lusco-fusco à procura de uma grande, alta mas difusa pirâmide de luz nacarada. Está inclinada para a esquerda, alinhando-se ao longo das constelações do zodíaco.
O que está a ver é poeira interplanetária iluminada pelo Sol, que orbita a nossa estrela perto do plano da eclíptica. Acredite ou não, vista a partir de distâncias interestelares, esta característica seria, após o próprio Sol, a característica mais brilhante do Sistema Solar. As "luzes zodiacais" de poeira em torno de outras estrelas podem ser, um dia, um obstáculo real para poder ver pequenos exoplanetas terrestres.

 
CURIOSIDADES

Última contagem de exoplanetas descobertos: 3741 planetas em 2794 sistemas planetários, 625 são sistemas multiplanetários.
 
ESTRELA DADORA DÁ SOPRO DE VIDA A COMPANHEIRA ZOMBIE
Impressão de artista que ilustra ventos de uma gigante vermelha a impactar numa estrela de neutrões, produzindo uma emissão de raios-X prolongada. Um tal sistema é raro: não conhecemos mais que 10. O satélite INTEGRAL da ESA detetou um destes pares a "ativar-se" em agosto de 2017.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O observatório espacial INTEGRAL da ESA testemunhou um evento raro: o momento em que os ventos emitidos por uma estrela gigante vermelha expandida reavivaram a sua companheira em rotação lenta, o núcleo de uma estrela morta, trazendo-a de volta à vida num flash de raios-X.

A emissão de raios-X foi detetada pelo INTEGRAL, pela primeira vez, a 13 de agosto de 2017, oriundo de uma fonte desconhecida na direção do centro lotado da nossa Via Láctea. A deteção repentina desencadeou uma série de observações de seguimento nas semanas seguintes a fim de identificar o culpado.

As observações revelaram uma estrela de neutrões fortemente magnetizada e de rotação lenta que provavelmente apenas começou a alimentar-se de material proveniente de uma estrela gigante vermelha vizinha.

Estrelas com a massa do nosso Sol, e até oito vezes mais massivas, evoluem para gigantes vermelhas no final das suas vidas. As suas camadas exteriores dilatam e expandem-se milhões de quilómetros, as suas conchas poeirentas e gasosas são sopradas para longe da estrela central em ventos relativamente lentos de até algumas centenas de quilómetros por segundo.

Estrelas ainda maiores, até 25-30 vezes a massa do Sol, esgotam o seu combustível e explodem como supernovas, às vezes deixando para trás cadáveres estelares giratórios com um forte campo magnético conhecidos como estrelas de neutrões. Estes núcleos minúsculos contêm a massa de quase um Sol e meio numa esfera com apenas 10 km de diâmetro, tornando-se nalguns dos objetos celestes mais densos conhecidos.

Não é incomum encontrar estrelas aos pares, mas o novo sistema composto por uma estrela de neutrões e por uma gigante vermelha é um caso particularmente raro chamado "binário simbiótico de raios-X", dos quais se conhecem apenas 10.

Impressão de artista de alguns possíveis percursos evolucionários para estrelas de diferentes massas iniciais.
Algumas protoestrelas, as anãs castanhas, na realidade nunca conseguem atingir temperaturas suficientes para despoletar a ignição em estrelas de pleno direito, e simplesmente arrefecem e desvanecem.
As anãs vermelhas - o tipo estelar mais comum - continuam a queimar combustível até que transformam todo o seu hidrogénio em hélio, tornando-se anãs brancas.
As estrelas do tipo solar incham para gigantes vermelhas antes de expelirem as suas camadas exteriores em nebulosas coloridas enquanto os seus núcleos colapsam para formar anãs brancas.
As estrelas mais massivas colapsam abruptamente assim que gastam todo o seu combustível nuclear, desencadeando uma explosão de supernova ou explosão de raios-gama e deixando para trás uma estrela de neutrões ou um buraco negro.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O INTEGRAL captou um momento único no nascimento de um raro sistema binário," comenta Enricco Bozzo da Universidade de Genebra e autor principal do artigo que descreve a descoberta. A gigante vermelha libertou um vento lento e suficientemente denso que veio alimentar a sua estrela de neutrões companheira, dando pela primeira vez origem à emissão altamente energética do núcleo estelar morto."

O par é certamente peculiar. Os telescópios espaciais XMM-Newton da ESA e NuSTAR da NASA mostraram que a estrela de neutrões completa uma rotação quase a cada duas horas - bastante lenta em comparação com outras estrelas de neutrões, que podem girar até muitas vezes por segundo. Posteriormente, a primeira medição do campo magnético de tal estrela de neutrões revelou-se surpreendentemente forte.

Um campo magnético forte geralmente aponta para uma estrela de neutrões jovem - pensa-se que o campo magnético desapareça com o passar do tempo - enquanto uma gigante vermelha é muito mais antiga; é um par demasiado bizarro para terem crescido juntas.

"Estes objetos são intrigantes," comenta Enrico. "Pode ser que o campo magnético da estrela de neutrões afinal não se desintegre substancialmente com o passar do tempo como pensávamos, ou que a estrela de neutrões se tenha formado mais tarde na história deste sistema binário. Isto significaria que colapsou de uma anã branca para uma estrela de neutrões como resultado da alimentação da gigante vermelha durante um longo período de tempo, em vez de se tornar uma estrela de neutrões como resultado de uma explosão de supernova mais tradicional de uma estrela massiva de curta duração."

Com uma jovem estrela de neutrões e uma velha gigante vermelha, nalgum momento, os ventos que viajam da gigante inchada começarão a cair sobre a estrela menor, diminuindo a sua rotação e emitindo-raios-X.

"Nós nunca vimos este objeto nos 15 anos de observações com o INTEGRAL, de modo que pensamos que os raios-X foram ativados pela primeira vez," comenta Erik Kuulkers, cientista do projeto INTEGRAL. "Vamos continuar a observar como se comporta, no caso de ser apenas uma longa 'eructação' de ventos, mas até agora não vimos mudanças significativas."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Astronomy & Astrophysics
PHYSORG

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Gigante vermelha:
Wikipedia
Diagrama Hertzsprung-Russell (Wikipedia)

INTEGRAL:
ESA
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

 
BRILHANDO COM A LUZ DE MILHÕES DE SÓIS
A ULX detetada em M51, assinalada no círculo.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/Caltech/M. Brightman et al.; ótico - NASA/STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Na década de 1980, os cientistas começaram a descobrir uma nova classe de fontes extremamente brilhantes de raios-X em galáxias. Estas fontes foram uma surpresa, pois estavam claramente localizadas longe dos buracos negros supermassivos situados no centro das galáxias. Ao início, os investigadores acharam que muitas destas fontes ultraluminosas de raios-X, ou ULXs ("ultraluminous X-ray sources" em inglês), eram buracos negros que continham massas entre 100 e 100.000 vezes a do Sol. Trabalhos posteriores mostraram que algumas delas podiam ser buracos negros de massa estelar, contendo até algumas dezenas de vezes a massa do Sol.

Em 2014, observações com o NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) e com o Observatório de raios-X Chandra da NASA mostraram que algumas ULXs, que em raios-X tinham uma luminosidade equivalente à produzida por vários milhões de sóis em todos os comprimentos de onda, eram objetos ainda menos massivos chamados estrelas de neutrões. Estas são os núcleos gastos de estrelas massivas que explodiram. As estrelas de neutrões normalmente contêm apenas cerca de 1,5 vezes a massa do Sol. Três destas ULXs foram identificadas como estrelas de neutrões nos últimos anos. Os cientistas descobriram variações regulares, ou "pulsações", na emissão de raios-X das ULXs, um comportamento que é exibido por estrelas de neutrões, mas não por buracos negros.

Agora, cientistas usando dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA identificaram uma quarta ULX como sendo uma estrela de neutrões e encontraram novas pistas sobre como estes objetos podem brilhar tão intensamente. Esta recém-caracterizada ULX está localizada na Galáxia do Redemoinho, também conhecida como M51. A imagem composta de M51 contém raios-X do Chandra (roxo) e dados óticos do Telescópio Espacial hubble (vermelho, verde e azul). A ULX está assinalada no círculo.

As estrelas de neutrões são objetos extremamente densos - uma colher de chá do seu material teria uma massa superior a mil milhões de toneladas, tanto quanto uma montanha. A intensa gravidade das estrelas de neutrões retira material a estrelas companheiras e enquanto este material cai em direção à estrela de neutrões, aquece e brilha em raios-X. À medida que mais e mais matéria cai sobre a estrela de neutrões, chega um ponto em que a pressão dos raios-X resultantes se torna tão intensa que afasta a matéria. Os astrónomos chamam a este ponto - quando os objetos tipicamente não conseguem acumular matéria mais depressa e libertar ainda mais raios-X - limite de Eddington. O novo resultado mostra que esta ULX está a ultrapassar o limite de Eddington para uma estrela de neutrões.

Os cientistas analisaram dados de arquivo recolhidos pelo Chandra e descobriram uma queda invulgar no espectro de raios-X da ULX, que é a intensidade de raios-X medidos em diferentes comprimentos de onda. Depois de excluírem outras possibilidades, concluíram que a queda foi provavelmente de um processo chamado dispersão de ressonância do ciclotrão, que ocorre quando as partículas carregadas - ou protões carregados positivamente ou eletrões carregados negativamente - circulam num campo magnético. O tamanho da queda no espectro de raios-X, chamado linha do ciclotrão, implica forças de campo magnético que são pelo menos 10.000 vezes maiores do que as associadas com a matéria que espirala para um buraco negro de massa estelar, mas estão dentro do intervalo observado para as estrelas de neutrões. Isto fornece fortes evidências de que esta ULX é uma estrela de neutrões em vez de um buraco negro e é a primeira identificação do género que não envolveu a deteção de pulsações de raios-X.

A determinação precisa da intensidade do campo magnético depende do conhecimento da causa da linha do ciclotrão, protões ou eletrões. Se a linha for da circulação de protões, então os campos magnéticos em torno da estrela de neutrões são extremamente fortes, comparáveis aos campos magnéticos mais fortes produzidos pelas estrelas de neutrões e podem de facto ajudar a quebrar o limite de Eddington. Estes fortes campos magnéticos podem reduzir a pressão dos raios-X de uma ULX - a pressão que normalmente afasta a matéria - permitindo que a estrela de neutrões consuma mais matéria do que o esperado.

Se a linha do ciclotrão for da circulação de eletrões, em contraste, então a força do campo magnético em torno da estrela de neutrões será aproximadamente 10.000 vezes mais fraco e, portanto, não é suficientemente poderosa para o fluxo sobre esta estrela de neutrões superar o limite de Eddington.

Atualmente, os cientistas não têm um espectro da nova ULX com detalhes suficientes para determinar a origem da linha do ciclotrão. Para resolver este mistério, os investigadores planeiam obter mais dados de raios-X da ULX em M51 e procurar linhas do ciclotrão noutras ULXs.

O artigo científico que descreve esta investigação, liderado por Murray Brightman do Instituto de Tecnologia da Califórnia, foi publicado na edição mais recente da revista Nature Astronomy.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório Chandra (comunicado de imprensa)
Nature Astronomy
Um Olhar Rápido Sobre uma ULX em M51 (Observatório Chandra via YouTube)
Sky & Telescope
ScienceDaily
COSMOS
spaceref
ZME Science

Fontes Ultraluminosas de raios-X (ULX, "ultraluminous X-ray sources"):
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Buracos negros:
Wikipedia

Limite de Eddington:
Wikipedia

Radiação de ciclotrão:
Wikipedia

Galáxia do Redemoinho (M51):
SEDS
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

 
HUBBLE OBSERVA ATMOSFERA EXOPLANETÁRIA EM DETALHE INÉDITO

Uma equipa internacional de cientistas usou o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para estudar a atmosfera do exoplaneta quente WASP-39b. Ao combinar estes novos dados com dados mais antigos, criaram o estudo mais completo até agora de uma atmosfera exoplanetária. A composição atmosférica de WASP-39b sugere que os processos de formação de exoplanetas podem ser muito diferentes daqueles dos nossos próprios gigantes do Sistema Solar.

A investigação das atmosferas de exoplanetas pode fornecer novas informações sobre como e onde os planetas se formam em torno de uma estrela. "Precisamos olhar para fora para compreender o nosso próprio Sistema Solar," explica a investigadora Hannah Wakeford da Universidade de Exeter no Reino Unido e do STScI (Space Telescope Science Institute) nos EUA.

Portanto, a equipa britânico-americana combinou as capacidades do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA com as de outros telescópios terrestres e espaciais para um estudo detalhado do exoplaneta WASP-39b. Produziram o espectro mais completo da atmosfera de um exoplaneta possível com a tecnologia atual.

Uma equipa de astrónomos americanos e britânicos usou dados de vários telescópios terrestres e espaciais - entre eles o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA - para estudar a atmosfera do exoplaneta inchado, quente e com a massa de Saturno chamado WASP-39b, a cerca de 700 anos-luz da Terra. A análise do espectro mostrou uma grande quantidade de água na atmosfera exoplanetária - três vezes mais do que na atmosfera de Saturno.
WASP-39b está oito vezes mais próximo da estrela-mãe, WASP-39, do que Mercúrio está do Sol e completa uma órbita em apenas 4 dias.
Crédito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

WASP-39b orbita uma estrela parecida com o Sol a cerca de 700 anos-luz da Terra. O exoplaneta está classificado como um "Saturno quente", refletindo a parecença com o planeta Saturno do nosso Sistema Solar tanto em termos de massa como em termos de distância à sua estrela hospedeira. Este estudo descobriu que os dois planetas, apesar de terem uma massa similar, são profundamente diferentes de várias maneiras. Não só se desconhece a existência de um sistema de anéis em WASP-39b, como também tem uma atmosfera inchada livre de nuvens a alta altitude. Esta característica permitiu com que o Hubble penetrasse nas profundezas da sua atmosfera.

Ao dissecar a luz estelar filtrada através da atmosfera do planeta, a equipa encontrou evidências claras de vapor de água atmosférico. De facto, WASP-39b tem três vezes o conteúdo de água de Saturno. Embora os investigadores tenham previsto a observação de vapor de água, ficaram surpreendidos com a quantidade encontrada. Esta surpresa permitiu inferir a presença de uma grande quantidade de elementos mais pesados na atmosfera. Isto, por sua vez, sugere que o planeta foi bombardeado por grandes quantidades de material gelado que se reuniu na atmosfera. Este tipo de bombardeamento só seria possível caso WASP-39b se formasse muito mais longe da sua estrela-mãe em comparação com a sua distância atual.

"WASP-39b mostra que os exoplanetas estão repletos de surpresas e que podem ter composições muito diferentes daquelas do nosso Sistema Solar," afirma o coautor David Sing da Universidade de Exeter no Reino Unido.

Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA bem como dados recolhidos por outros telescópios espaciais e terrestres, os astrónomos analisaram a atmosfera do exoplaneta WASP-39b. É o espectro mais completo de um exoplaneta possível com a tecnologia atual.
Ao dissecar a luz estelar filtrada através da atmosfera do planeta, a equipa encontrou evidências claras de vapor de água. Embora os investigadores tenham previsto a observação da água, ficaram surpreendidos pela quantidade - três vezes mais do que em Saturno. Isto sugere que o planeta foi formado mais longe da estrela, onde recebeu um bombardeamente de material gelado.
Crédito: NASA, ESA, G. Bacon e A. Feild (STScI), e H. Wakeford (STScI/Universidade de Exeter)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A análise da composição atmosférica e a posição atual do planeta indicam que WASP-39b provavelmente foi submetido a uma migração interna interessante, fazendo uma jornada épica pelo seu sistema planetário. "Os exoplanetas estão a mostrar-nos que a formação planetária é mais complicada e mais confusa do que pensávamos. E isso é fantástico," acrescenta Wakeford.

Tendo feito a sua incrível jornada para o interior, WASP-39b está agora 8 vezes mais próximo da sua estrela, WASP-39, do que Mercúrio está do Sol e demora apenas quatro dias para completar uma órbita. O planeta também tem bloqueio de marés, o que significa que mostra sempre o mesmo lado à sua estrela. Wakeford e a sua equipa determinaram que a temperatura de WASP-39b ronda os 750 graus Celsius. Embora apenas um lado esteja virado para a estrela hospedeira, poderosos ventos transportam calor do lado diurno em redor do planeta, mantendo o lado escuro quase tão quente.

"Esperançosamente, esta diversidade que vemos nos exoplanetas vai ajudar-nos a descobrir todas as diferentes formas que um planeta pode se formar e evoluir," explica David Sing.

Olhando em frente, a equipa quer usar o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA - com lançamento previsto para 2019 - para capturar um espectro ainda mais completo da atmosfera de WASP-39b. O James Webb será capaz de recolher dados sobre o carbono atmosférico do planeta, que absorve a luz em comprimentos de onda mais longos do que o Hubble pode ver. Wakeford conclui: "Ao calcular a quantidade de carbono e oxigénio na atmosfera, podemos aprender ainda mais sobre onde e como este planeta se formou."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astronomical Journal
Hubblesite
ScienceDaily
PHYSORG
Astrobiology web
ZME Science
Popular Mechanics

WASP-39b:
NASA Exoplanet Archive
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
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  Mapa da matéria escura amplo e sem precedentes (via NAOJ)
Uma equipa de investigação de vários institutos, incluindo do Observatório Astronómico Nacional do Japão e da Universidade de Tóquio, divulgou um mapa amplo, nítido e sem precedentes da matéria escura com base nos dados recém-obtidos pela Hyper Suprime-Cam acoplado ao Telescópio Subaru. A distribuição da matéria escura é estimada pela técnica de lente gravitacional fraca. Ler fonte
     
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Uma equipa de astrofísicos e cientistas planetários previu que planetas parecidos com Neptuno localizados perto do centro da Via Láctea foram transformados em planetas rochosos por surtos gerados pelo buraco negro supermassivo próximo. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 6946
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dados da composição - Telescópio Subaru (NAOJ) e Robert Gendler; Processamento - Robert Gendler
 
Do nosso ponto de vista na Via Láctea, vemos NGC 6946 de frente. A grande e bonita galáxia espiral está localizada a apenas 20 milhões de anos-luz de distância, por trás de um véu de estrelas e poeira de primeiro plano na direção da alta e distante constelação de Cefeu. Do núcleo para fora, as cores da galáxia mudam de tom amarelo-claro das velhas estrelas no centro para um tom azul dos jovens enxames estelares e vermelho das regiões de formação estelar ao longo dos braços espirais soltos e fragmentados. NGC 6946 também é bastante brilhante no infravermelho e rica em gás e poeira, exibindo uma alta taxa de nascimento e morte estelar. Na verdade, desde o início do século XX foram descobertas e confirmadas em NGC 6946 dez supernovas, a morte explosiva de estrelas gigantes. Com quase 40.000 anos-luz em diâmetro, NGC 6946 é também conhecida como a Galáxia do Fogo-de-Artifício. Este esplêndido retrato de NGC 6946 é uma composição que inclui dados do Telescópio Subaru de 8,2 metros em Mauna Kea.
 

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