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Edição n.º 1468
03/04 a 05/04/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 03/04: 93.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, o Luna 10, o primeiro orbitador lunar da União Soviética, foi colocado numa órbita selenocêntrica e torna-se no primeiro satélite artifical da Lua. Lançado no dia 31 de março de 1966, concluiu a sua missão e enviou dados valiosos sobre emissões de raios-gama da superfície lunar.
Em 1984, o líder de esquadrão Rakesh Sharma é lançado a bordo de um Soyuz T-11, e torna-se o primeiro indiano no espaço.

Observações: Capella é a estrela mais brilhante alta a oeste-noroeste durante e após o anoitecer. A sua pálida cor amarelada coincide com a do Sol, o que signfica que têm mais ou menos a mesma temperatura. Mas, a não ser isso, Capella é muito diferente. São duas estrelas gigantes amarelas que se orbitam uma à outra a cada 104 dias. Além do mais, para observadores telescópicos, Capella está acompanhada por um par íntimo de anãs vermelhas: Capella H e L, magnitudes 10 e 13.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 23:21 e as 01:48 (já de dia 4).

Dia 04/04: 94.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, era lançada a Apollo 6
Em 1983, o vaivém espacial Challenger fazia o seu voo inaugural no espaço (STS-6).

Em 1996, o cometa Hyakutake é observado pela NEAR.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 00:58 e as 03:18.
Por estas noites, bem acima da Ursa Maior, passando quase pelo zénite para observadores a latitudes médias norte, estão três pares de ténues estrelas visíveis a olho nu, todas de 3.ª ou 4.ª magnitude, que assinalam o pé da Grande Ursa. São também conhecidas como os Três Saltos da Gazela, da antiga mitologia árabe. Formam uma linha longa mais ou menos a meio entre a "frigideira" da Ursa Maior e "foice" de Leão.
Segundo a mitologia árabe, a gazela bebia num lago - o grande mas ténue enxame estelar de Cabeleira de Berenice - e fugiu rapidamente quando assustada pela cauda de Leão, Denébola. Leão, no entanto, parece não ter notado, pois está virado na outra direção.

Dia 05/04: 95.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1804 é registada a primeira queda de um meteorito na Escócia, em Possil.
Em 1935 nascia Donald Lynden-Bell, astrofísico inglês conhecido pelas suas teorias de que as galáxias albergam buracos negros gigantes nos seus centros, e que estes buracos negros são a fonte principal de energia nos quasares
Em 1979 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações diretas de Saturno e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer viaja na direção da constelação de Escudo.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton.

O objetivo desta missão era obter medições de raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e reentrou na atmosfera da Terra no dia 4 de junho do ano 2000.
Em 2009, a Coreia do Norte lança o seu polémico satélite Kwangmyŏngsŏng-2. Passou por cima do Japão, o que despoletou de imediato reações da ONU e de vários países.
Observações: A "foice" de Leão encontra-se na vertical a sul por estas noites. A sua estrela mais abaixo, Régulo, é a mais brilhante da constelação. Leão, propriamente dito, está a andar horizontalmente para oeste. A "foice" perfaz a sua pata da frente, peito, juba e parte da sua cabeça.

 
CURIOSIDADES

A detentora anterior do recorde de estrela individual mais distante conhecida, agora ultrapassada pela estrela Ícaro da primeira notícia, é SDSS J1229+1122. Também é uma supergigante azul e está situada na cauda da galáxia anã irregular IC 3418. Encontra-se a 55 milhões de anos-luz de distância.
 
HUBBLE USA LENTE GRAVITACIONAL PARA DESCOBRIR A ESTRELA MAIS DISTANTE JÁ OBSERVADA

A mais de metade da distância do Universo, uma enorme estrela azul apelidada de Ícaro é a estrela individual mais distante alguma vez já vista. Normalmente, seria muito fraca para observar, mesmo com os maiores telescópios do mundo. Mas graças a uma ocorrência fortuita da natureza que amplificou tremendamente o brilho fraco da estrela, e usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos foram capazes de identificar esta estrela remota e estabelecer um novo recorde de distância. Também usaram Ícaro para testar uma teoria da matéria escura e para investigar a composição de um enxame galáctico em primeiro plano.

A estrela, abrigada numa galáxia espiral muito distante, está tão longe que a sua luz levou 9 mil milhões de anos para chegar à Terra. A luz estelar recebida foi libertada quando o Universo tinha cerca de 30% da sua idade atual.

Ícaro, cujo nome oficial é MACS J1149+2223 Lensed Star 1, é a estrela individual mais distante já observada. Só é visível porque está a ser ampliada pela gravidade de um gigantesco enxame galáctico, localizado a cerca de 5 mil milhões de anos-luz da Terra. Chamado MACS J1149+2223, este enxame, visto à esquerda, situa-se entre a Terra e a galáxia que contém a estrela distante. Os painéis à direita mostram a área da estrela em 2011, sem Ícaro estar visível, em comparação com o aumento de brilho da estrela em 2016.
Crédito: NASA, ESA e P. Kelly (Universidade de Minnesota)
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A descoberta de Ícaro através do fenómeno de lente gravitacional deu início a um novo modo dos astrónomos estudarem estrelas individuais em galáxias distantes. Estas observações fornecem uma visão rara e detalhada de como as estrelas evoluem, especialmente as estrelas mais luminosas.

"Esta é a primeira vez que vemos uma estrela individual ampliada," explicou o líder do estudo Patrick Kelly, ex-postdoc da Universidade da Califórnia em Berkeley e agora da Universidade de Minnesota, em Twin Cities. "Podemos ver galáxias individuais, mas esta estrela está pelo menos 100 vezes mais distante do que a próxima estrela individual que podemos estudar, exceto explosões de supernovas."

Gravidade Como Uma Lente Cósmica Natural

O acaso cósmico que torna esta estrela visível é um fenómeno chamado "lente gravitacional". A gravidade de um gigantesco enxame galáctico de primeiro plano atua como uma lente natural no espaço, curvando e ampliando a luz. Às vezes, a luz de um único objeto de fundo aparece como várias imagens. A luz pode ser altamente ampliada, tornando objetos extremamente ténues e distantes suficientemente brilhantes para poderem ser observados.

No caso de Ícaro, uma "lupa" natural é criada por um aglomerado de galáxias chamado MACS J1149+2223. Localizado a aproximadamente 5 mil milhões de anos-luz da Terra, este massivo enxame galáctico situa-se entre a Terra e a galáxia que contém a estrela distante. Combinando a força desta lente gravitacional com a excelente resolução e sensibilidade do Hubble, os astrónomos podem ver e estudar Ícaro.

Esta imagem mostra o enorme enxame de galáxias MACS J1149.5+223, cuja luz demorou 5 mil milhões de anos até chegar à Terra.
Em destaque está a posição da estrela LS1 - a sua imagem foi ampliada por um fator de 2000 graças à lente gravitacional. A galáxia a que a estrela pertence pode ser vista três vezes no céu - multiplicada pela forte lente gravitacional.
Crédito: NASA, ESA, S. Rodney (Universidade John Hopkins, EUA) e equipa FrontierSN; T. Treu (Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA), P. Kelly (Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA) e equipa GLASS; J. Lotz (STScI) e equipa Frontier Fields; M. Postman (STScI) e equipa CLASH; e Z. Levay (STScI)
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A equipa - que inclui Jose Diego do Instituto de Física de Cantábria, na Espanha, e Steven Rodney da Universidade da Carolina do Sul, Columbia - apelidou a estrela de "Ícaro", em homenagem ao personagem da mitologia grega que voou demasiado perto do Sol graças a asas de cera e que depois derreteram (o seu nome oficial é "MACS J1149+2223 Lensed Star 1"). Tal como Ícaro, a estrela de fundo teve apenas glória passageira a partir da perspetiva da Terra: disparou momentaneamente para 2000 vezes o seu brilho verdadeiro quando foi temporariamente ampliada.

Os modelos sugerem que o tremendo aumento de brilho se deveu provavelmente à ampliação gravitacional de uma estrela, semelhante em massa ao Sol, no aglomerado de galáxias em primeiro plano, quando a estrela se movia em frente de Ícaro. A luz da estrela é geralmente ampliada cerca de 600 vezes devido à massa do enxame em primeiro plano.

Caracterizando Ícaro

A equipa estava a utilizar o Hubble para monitorizar uma supernova na distante galáxia espiral quando, em 2016, avistaram um novo ponto de luz não muito longe da supernova ampliada. A partir da posição da nova fonte, inferiram que devia estar muito mais ampliada do que a supernova.

Quando analisaram as cores da luz proveniente deste objeto, descobriram que era uma estrela supergigante azul. Este tipo de estrela é muito maior, mais massiva, quente e possivelmente centenas de milhares de vezes intrinsecamente mais brilhante que o nosso Sol. Mas a esta distância ainda estaria longe demais para observar sem a ampliação da lente gravitacional, mesmo para o Hubble.

Como é que Kelly e a sua equipa souberam que Ícaro não era outra supernova? "A fonte não está a ficar mais quente; não está a explodir. A luz está apenas a ser ampliada," comenta Kelly. "E é isso que esperamos das lentes gravitacionais."

Os cientistas descobriram que os dados de MACS J1149+2223 Lensed Star 1 (Ícaro), obtidos pelo Hubble, coincidem com o modelo para uma supergigante azul. É uma concordância bastante boa e indica que Ícaro tem aproximadamente o dobro da temperatura do Sol. A linha azul sólida mostra o modelo do espectro da supergigante azul, ajustada para a distância da galáxia-mãe da estrela altamente ampliada. Os diamantes vermelhos são dados reais medidos para Ícaro. O comprimento de onda medido da descontinuidade de Balmer, em relação ao seu comprimento de onda intrínseco (cerca de 365 nm), é um indicador da distância da estrela. A força da descontinuidade de Balmer depende da força da gravidade da estrela à superfície e da sua temperatura.
Crédito: NASA, ESA e A. Feild (STScI)
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À Procura de Matéria Escura

A deteção da ampliação de uma única estrela de fundo, pontual, forneceu uma oportunidade única para testar a natureza da matéria escura no enxame. A matéria escura é um material invisível que compõe a maior parte da massa do Universo.

Ao investigar o que está a flutuar em torno do enxame em primeiro plano, os cientistas foram capazes de testar uma teoria de que a matéria escura pode ser composta principalmente por um grande número de buracos negros primordiais formados no nascimento do Universo com massas dezenas de vezes maiores que o Sol. Os resultados deste teste único desfavorecem esta hipótese, porque as flutuações de luz da estrela de fundo, monitorizadas com o Hubble durante 13 anos, pareceriam diferentes se houvesse um enxame de buracos negros intervenientes.

Quando o Telescópio Espacial James Webb da NASA for lançado, os astrónomos esperam encontrar muitas mais estrelas como Ícaro. A extraordinária sensibilidade do Webb vai permitir a medição de ainda mais detalhes, incluindo se essas estrelas distantes giram. Pode até vir a descobrir-se que as estrelas ampliadas são bastante comuns.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
Universidade de Minnesota (comunicado de imprensa)
Universidade da Califórnia em Berkeley (comunicado de imprensa)
Artigo científico - S. Rodney et al. (arXiv.org)
Artigo científico - S. Rodney et al. (Nature Astronomy)
Artigo científico - P. Kelly et al. (arXiv.org)
Artigo científico - P. Kelly et al. (Nature Astronomy)
Artigo científico - J. Diego et al. (arXiv.org)
Hubblecast 108: Hubble descobre a estrela mais distante (HubbleESA via YouTube)
Hubblesite
SPACE.com
EurekAlert!
ScienceDaily
Inverse
ZME Science
PHYSORG
Popular Mechanics
UPI
Engadget

Estrela supergigante azul:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia
Lente gravitacional forte (Wikipedia)
Lente gravitacional fraca (Wikipedia)

Matéria escura:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
NASA PRONTA PARA ESTUDAR O CORAÇÃO DE MARTE
Impressão de artista do lançamento do foguetão que contém a plataforma InSight no próximo mês de maio.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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A NASA está prestes a embarcar numa jornada para estudar o interior de Marte. A agência espacial realizou uma conferência de imprensa no JPL (Jet Propulsion Laboratory) em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, detalhando a próxima missão ao Planeta Vermelho.

Com lançamento previsto para 5 de maio, o "lander" estacionário InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA será a primeira missão dedicada a explorar o interior profundo de Marte. Também será a primeira missão da NASA, desde as aterragens lunares Apollo, a possuir um sismógrafo, um dispositivo que mede sismos, no solo de outro planeta.

Para Bruce Banerdt, do JPL e investigador principal da InSight, é também um trabalho de amor. Banerdt trabalhou mais de 25 anos para tornar a missão uma realidade.

"De certa forma, a InSight é como uma máquina do tempo que trará de volta informações sobre os primeiros estágios da formação de Marte há 4,5 mil milhões de anos," comenta Banerdt. "Ajudar-nos-á a aprender como é que os corpos rochosos se formam, incluindo a Terra, a sua Lua e até mesmo planetas noutros sistemas solares."

O veículo de aterragem InSight transporta um conjunto de instrumentos sensíveis para recolher dados e, ao contrário de uma missão móvel como as dos rovers, esses instrumentos requerem um módulo estacionário a partir do qual podem ser cuidadosamente colocados sobre e por baixo da superfície marciana.

De certo modo, Marte é o "exoplaneta mais próximo" - um exemplo vizinho de como o gás, a poeira e o calor se combinam e se organizam para formar um planeta. Ao observarem o interior profundo de Marte, os cientistas poderão compreender quão diferentes da Terra são a sua crosta, manto e núcleo.

A NASA não é a única agência animada com a missão InSight. Vários parceiros europeus contribuíram com instrumentos ou componentes de instrumentos. O Centro Nacional de Estudos Espaciais, na França, liderou uma equipa multinacional que construiu um sismómetro ultrassensível para detetar sismos marcianos. O Centro Aeroespacial Alemão desenvolveu uma sonda térmica que vai enterrar-se de forma autónoma até 5 metros no subsolo e medir o calor que flui de dentro do planeta.

"A InSight é uma verdadeira missão espacial internacional," realça Tom Hoffman, gestor de projetos no JPL. "Os nossos parceiros forneceram-nos instrumentos incrivelmente capazes que tornarão possível a recolha de dados científicos únicos depois de pousarmos."

Atualmente, o "lander" Insight está na Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia, em fase de preparação final antes do lançamento. Na quarta-feira passada completou o que é conhecido como teste de rotação: toda a nave gira a alta velocidade para confirmar o seu centro de gravidade.

Isto é crucial para a sua entrada, descida e aterragem em Marte em novembro, explica Hoffman. Durante este mês, a plataforma científica será acoplada ao seu foguetão, as ligações entre os dois serão verificadas e a equipa de lançamento passará por um treino final.

"Este mês será emocionante," disse Banerdt. "Temos ainda algum trabalho final por fazer, mas estamos quase prontos para ir a Marte."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Visão Geral da missão InSight (NASA JPL via YouTube)
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG

InSight:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
SISMOS MARCIANOS PODEM REVOLUCIONAR CIÊNCIA PLANETÁRIA

A partir do ano que vem, os cientistas terão o seu primeiro olhar das profundezas do interior de Marte.

É quando a NASA planeia fazer pousar o primeiro veículo de aterragem robótico dedicado a explorar o subsolo do planeta. A missão InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) vai estudar os sismos marcianos para aprender mais sobre a crosta, manto e núcleo marciano.

E poderá ajudar a responder a uma grande questão: como nascem os planetas?

A sismologia, o estudo dos tremores de terra, já revelou algumas das respostas aqui na Terra, afirma Bruce Banerdt, investigador principal da Insight no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Mas a Terra tem vindo a "misturar" o seu registo geológico durante milhares de milhões de anos, escondendo a sua história mais antiga. Marte, com metade do tamanho da Terra, é muito menos ativo: é um planeta fóssil, preservando a história do seu nascimento.

"Durante a formação, esta bola de rocha sem características transformou-se num planeta diverso e fascinante, quase como uma lagarta numa borboleta," comenta Banerdt. "Queremos usar a sismologia para descobrir por que Marte se formou desta maneira, e como os planetas tomam forma em termos gerais."

Impressão de artista que mostra a estrutura interior de Marte. A camada mais externa é conhecida como crosta, por baixo encontra-se o manto, que descansa por cima de um núcleo interno.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma Tomografia Computorizada Planetária

Quando as rochas se quebram ou se movem, emitem ondas sísmicas que saltam por todo o planeta. Estas ondas, mais conhecidas como sismos, viajam a velocidades diferentes dependendo do material geológico pelo qual passam.

Os sismógrafos, como o instrumento SEIS da InSight, medem o tamanho, frequência e velocidade destes terremotos, fornecendo aos cientistas um instantâneo do material pelo qual passam.

"Um sismógrafo é como uma câmara que capta uma imagem do interior de um planeta," explica Banerdt. "É um pouco como obter uma tomografia computorizada de um planeta."

O registo geológico de Marte inclui rochas e minerais mais leves - que subiram do interior do planeta para formar a crosta marciana - e rochas e minerais mais pesados que afundaram para formar o manto e o núcleo. Ao aprender mais sobre as camadas destes materiais, os cientistas podem explicar porque alguns planetas rochosos se transformam em "Terras" em vez de "Martes" ou "Vénus" - um fator essencial para entender onda a vida pode aparecer no Universo.

Uma Imagem Difusa

De cada vez que ocorre um sismo em Marte, a InSight obtém um "instantâneo" do interior do planeta. A equipa da missão estima que a plataforma estacionária registe entre duas dúzias até várias centenas de sismos durante a missão. Pequenos meteoritos, que passam pela fina atmosfera marciana regularmente, também servirão como "instantâneos" sísmicos.

"Ao início, será uma imagem desfocada, mas quantos mais sismos sentirmos, mais focada se torna," acrescenta Banerdt.

Um desafio será obter uma visão completa de Marte usando apenas um local. A maior parte da sismologia na Terra obtém medições em várias estações. A InSight terá o único sismógrafo do planeta, o que exige que os cientistas analisem os dados de maneiras criativas.

"Temos que ser inteligentes," salienta Banerdt. "Podemos medir como as várias ondas do mesmo sismo ressaltam e atingem a estação em momentos diferentes."

Sismos Lunares e Marcianos

A InSight não será a primeira missão da NASA a fazer sismologia.

As missões Apollo levaram quatro sismógrafos para a Lua. Os astronautas fizeram explodir morteiros para criar vibrações, fornecendo um vislumbre até mais ou menos 100 metros abaixo da superfície. Fizeram colidir estágios superiores de foguetões com a Lua, produzindo ondas que lhes permitiram estudar a crosta. Também detetaram milhares de sismos lunares genuínos e impactos de meteoritos.

Os "landers" Viking tentaram fazer sismologia em Marte no final da década de 1970. Mas esses sismómetros estavam localizados no topo das plataformas de aterragem, que balançavam ao sabor do vento apoiados em pernas equipadas com amortecedores.

"Foi uma experiência imperfeita," comenta Banerdt. "Costumo brincar e dizer que não fizemos sismologia em Marte - fizemo-la 60 centímetros acima de Marte."

A InSight medirá mais do que sismologia. O efeito Doppler do sinal de rádio do "lander" pode revelar se o núcleo do planeta está ainda fundido; uma sonda autoescavadora está desenhada para medir o calor do interior. Sensores de vento, pressão e temperatura vão permitir que os cientistas subtraiam o "ruído" vibracional provocado pelo clima. A combinação de todos estes dados dar-nos-á a imagem mais completa, até agora, de Marte.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Marte Num Minuto (NASA JPL via YouTube)
SPACE.com
Astrobiology Magazine
Seeker
PHYSORG
AstroPT

InSight:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Relíquias do Big Bang (via Instituto Max Planck)
Nas primeiras frações de segundo após o nascimento do Universo, foram produzidas não só partículas elementares e radiação, como também campos magnéticos. Uma equipa científica calculou o aspeto atual destes campos magnéticos - em grande detalhe e em 3D. Ler fonte
     
  Computador estuda dados telescópicos à procura de evidências de planetas distantes (via MIT News)
Como parte de um esforço para identificar planetas distantes hospitaleiros à vida, a NASA estabeleceu um projeto de "crowdsourcing" no qual voluntários procuram imagens telescópicas por evidências de discos de detritos em torno de estrelas, bons indiciadores de exoplanetas. Investigadores do MIT treinaram agora um sistema computacional para procurar, automaticamente, discos de detritos. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 247 e Amigas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa CHART32, Processamento - Johannes Schedler
 
Com cerca de 70.000 anos-luz de diâmetro, NGC 247 é uma galáxia espiral mais pequena que a nossa Via Láctea. A uma distância estimada em 11 milhões de anos-luz, ainda a consideramos próxima. Inclinada para quase de lado, a partir da nossa perspetiva, domina este campo de visão telescópico na direção da constelação do hemisfério sul de Baleia. O vazio pronunciado num dos lados do disco lembra, para alguns, o seu nome popular, a Galáxia do Olho da Agulha. Neste detalhado retrato cósmico são visíveis muitas galáxias de fundo, incluindo a esplêndida sequência de quatro galáxias logo abaixo e para a esquerda de NGC 247, conhecida como Corrente de Burbidge. As galáxias da Corrente de Burbidge situam-se a aproximadamente 300 milhões de anos-luz de distância. A imagem de céu profundo revela que as duas galáxias mais à esquerda estão, aparentemente, em interação, unidas por uma ténue ponte de material. NGC 247 propriamente dita faz parte do Grupo de Galáxias de Escultor, juntamente com a brilhante espiral NGC 253.
 

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