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Edição n.º 1471
13/04 a 16/04/2018
 
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27/04/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
21:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 13/04: 103.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, os EUA lançam o Transit 1-B, o primeiro satélite de navegação do mundo.
Em 1970, "Houston, we have a problem". Foram estas as palavras que o astronauta Jack Swigert disse ao controlo da missão em Houston depois do tanque de oxigénio n.º 2 do módulo de serviço da nave Apollo 13 ter explodido.

Os astronautas Swigert, Jim Lovell e Fred Haise movem-se então para o módulo lunar, que permaneceu sem danos. O voo continuou até e em volta da Lua e de novo até à Terra. Todo o mundo observava com atenção à medida que a equipa terrestre e a tripulação da Apollo 13 ultrapassavam todos os obstáculos para salvar os astronautas. Estes conseguiram regressar em segurança à Terra.
Em 1974, a Western Union (em cooperação com a NASA e a Hughes Aircraft) lança o primeiro satélite comercial de comunicações geosíncrono, o Westar 1.
Observações: Esta é a altura do ano em que, à medida que anoitece, a "frigideira" da pequena Ursa Menor estende-se logo para a direita da Polar. Bem para cima das estrelas do fim da "frigideira" da Ursa Menor, encontra as estrelas do fim da "frigideira" da Ursa Maior.

Dia 14/04: 104.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1629 nascia Christian Huygens, físico holandês e astrónomo, um dos cientistas mais proeminentes do século XVII.

Descobriu o anel e o quarto satélite (Titã) de Saturno (1655), e patenteou o primeiro relógio de pêndulo (1656). Na ótica propôs a teoria ondulatória da luz e descobriu a polarização. A sonda que há alguns anos atrás aterrou em Titã tem o seu nome.
Em 1958, o satélite soviético Sputnik 2 cai de órbita após uma missão com a duração de 162 dias. 
Em 1981, missão STS-1. O vaivém espacial Columbia completa o seu primeiro voo de testes. 
Em 2000, astrónomos detetam as primeiras provas observacionais dos restos de uma hipernova, explosões cem vezes mais energéticas que as supernovas e uma possível fonte dos poderosos GRB's (explosões de raios-gama), os eventos mais energéticos de todo o Universo conhecido, além do Big-Bang.
Observações: Depois do anoitecer, Leão caminha horizontalmente pelo meridiano alto a sul. A sua estrela mais brilhante é Régulo, a estrela da parte de baixo da "foice" de Leão. A "foice" forma a sua perna da frente, peito, juba e parte da sua cabeça.

Dia 15/04: 105.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1707 nascia Leonhard Euler, matemático e físico suiço.

Fez importantes descobertas em vários campos como o cálculo infinitesimal e teoria dos grafos. Também introduziu muita da terminologia matemática moderna e da notação, particularmente da análise matemática, como por exemplo a noção de função matemática. Também trabalhou na mecânica, dinâmica de fluidos, ótica, astronomia e teoria musical. Relativamente à astronomia, os seus feitos incluem a determinação, com uma grande precisão, da órbita de cometas e de outros corpos celestes, a compreensão da natureza dos cometas e o cálculo da paralaxe do Sol.
Em 1793 nascia Friedrich Georg Wilhelm von Struve, astrónomo báltico-alemão. Struve é conhecido pelo seu enorme estudo das estrelas duplas e foi um dos primeiros astrónomos a identificar os efeitos da extinção interestelar.
Em 1800, James Ross descobre o polo magnético norte.
Em 1961, Yuri Gagarin, o primeiro ser humano no espaço, é galardoado com a Ordem de Lenine
Em 1999, lançamento do Landsat 7.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 03:44 e as 05:58.
Trânsito de Io, entre as 04:19 e as 06:31.

Dia 16/04: 106.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1495 nascia Petrus Apianus, humanista alemão, conhecido pelos seus trabalhos na matemática, astronomia e cartografia.
Em 1972, os Estados Unidos lançavam a Apollo 16 para a Lua, a décima missão tripulada do programa Apollo, a quinta e a penúltima a aterrar no nosso satélite natural.

Observações: Eclipse de Io, entre as 00:51 e as 03:08.
Ocultação de Io, entre as 01:24 e as 03:38.
Lua Nova, pelas 02:57.
Vega, a brilhante "Estrela de Verão", nasce por volta das 22 horas a nordeste. Exatamente onde no horizonte é que a pode observar? Aviste a Ursa Maior muito alta a nordeste. Procure Mizar na curva da sua "pega". Se conseguir ver a pequena e ténue companheira de Mizar, Alcor (binóculos ajudam), siga uma linha de Mizar, através de Alcor, até ao horizonte. É aí que Vega aparece.
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:13 e as 00:28 (já de dia 17).
Trânsito de Io, entre as 22:43 e as 00:57 (já de dia 17).

 
CURIOSIDADES

O website Stuff in Space mostra todos os objetos artificais atualmente em torno da Terra.
 
CARONTE RECEBE OS PRIMEIROS NOMES OFICIAIS DE CARACTERÍSTICAS À SUPERFÍCIE
Mapa de Caronte com as recém-nomeadas características.
Crédito: União Astronómica Internacional
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Exploradores e visionários lendários, reais e fictícios, estão entre os imortalizados pela UAI (União Astronómica Internacional) no primeiro conjunto de nomes oficiais de características à superfície da maior lua de Plutão, Caronte. Os nomes foram propostos pela equipa da New Horizons e aprovados pelo Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários.

A UAI, a autoridade internacionalmente reconhecida para dar o nome a corpos celestes e outras características superficiais, aprovou recentemente uma dúzia de designações propostas pela equipa da New Horizons da NASA, que liderou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas em 2015 com a sonda New Horizons. A equipa da New Horizons tinha vindo a usar muitos dos nomes escolhidos, informalmente, para descrever os vários vales, fendas e crateras descobertas durante o primeiro olhar de perto da superfície de Caronte.

Caronte é um dos maiores corpos da Cintura de Kuiper e é muito rico em características geológicas, bem como crateras parecidas àquelas vistas na maioria das outras luas. Estas características e algumas das crateras de Caronte receberam agora nomes oficiais da UAI.

A equipa da New Horizons foi instrumental na passagem dos novos nomes pela aprovação e incluiu o líder das missões da New Horizons, o Dr. Alan Stern, e os membros da equipa Mark Showalter - o presidente do grupo e contacto da UAI - Ross Beyer, Will Grundy, William McKinnon, Jeff Moore, Cathy Olkin, Paul Schenk e Amanda Zangari. A equipa reuniu a maioria das suas ideias durante a campanha de nomenclatura pública online "Our Pluto" em 2015.

Os nomes aprovados pela UAI abrangem a diversidade de recomendações que a equipa recebeu de todo o mundo durante a campanha "Our Pluto". Juntamente com os esforços da equipa da New Horizons, os membros do público em todo o mundo ajudaram a dar nomes às características de Caronte, contribuindo com sugestões para os nomes das características desta lua distante.

Honrando a exploração épica de Plutão que a New Horizons alcançou, muitos dos nomes no sistema de Plutão prestam homenagem ao espírito de exploração humana, agraciando viajantes, exploradores e cientistas, viagens pioneiras e destinos misteriosos. Rita Schulz, presidente do Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários, comentou: "Estou satisfeita que as características de Caronte tenham recebido nomes com espírito internacional."

Os nomes aprovados para características em Caronte focam-se na literatura e na mitologia da exploração. Estes são:

  • Argo Chasma tem o nome do navio utilizado por Jasão e pelos Argonautas, no épico poema Argonautica, durante a sua busca pelo Tosão de Ouro;
  • Butler Mons homenageia Octavia E. Butler, a primeira escritora de ficção científica a ganhar a bolsa MacArthur e cuja trilogia "Xenogenesis" descreve a saída da Humanidade da Terra e o seu posterior regresso;
  • Caleuche Chasma tem o nome do mitológico navio fantasma que percorre os mares em redor da pequena ilha de Chiloé, na costa do Chile; de acordo com a lenda, Caleuche explora a costa recolhendo os mortos, que passam a viver para sempre a bordo;
  • Clarke Montes homenageia Sir Arthur C. Clarke, o prolífico escritor de ficção científica e futurista cujos romances e pequenas histórias (incluindo 2001: Uma Odisseia no Espaço) são representações imaginativas da exploração espacial;
  • Dorothy Crater reconhece a protagonista da série de livros infantis escritos por L. Frank Baum, que segue as viagens de Dorothy Gale no mundo mágico de Oz;
  • Kubrick Mons homenageia o diretor de cinema Stanley Kubrick, cujo icónico "2001: A Space Odyssey" conta a história da evolução da humanidade desde a utilização das ferramentas até à exploração espacial e além;
  • Mandjet Chasma tem o nome de um dos barcos da mitologia egípcia que transportava o deus do Sol, Ra (Re) através do céu cada dia - tornando-se um dos primeiros exemplos mitológicos de um navio que viaja pelo espaço;
  • Nasreddin Crater tem o nome do protagonista de milhares de contos humorísticos contados em todo o Médio Oriente, Europa do Sul e partes da Ásia;
  • Nemo Crater tem o nome do capitão do Nautilus, o submarino dos livros "Vinte Mil Léguas Submarinas" (1870) e "A Ilha Misteriosa" (1874) de Júlio Verne;
  • Pirx Crater tem o nome do personagem principal da série de contos de Stanislaw Lem, que viaja entre a Terra, Lua e Marte;
  • Revati Crater tem o nome do personagem principal da narrativa épica hindu Mahabharata - amplamente considerada como a primeira da história (cerca de 400 AC) a incluir o conceito de viagem no tempo;
  • Sadko Crater reconhece o aventureiro que viajou até ao fundo do mar no épico medieval russo Bylina.

Links:

Notícias relacionadas:
União Astronómica Internacional (comunicado de imprensa)
EarthSky
spaceref
PHYSORG

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

 
SPHERE REVELA GRANDE VARIEDADE DE DISCOS EM TORNO DE ESTRELAS JOVENS
Esta imagem, obtida pelo instrumento SPHERE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, mostra o disco poeirento situado em torno da estrela jovem IM Lupi, com mais detalhe do que o conseguido até à data.
Crédito: ESO/H. Avenhaus et al./colaboração DARTT-S
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Novas imagens obtidas pelo instrumento SPHERE, montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, revelaram discos poeirentos em torno de estrelas jovens próximas, com muito mais detalhe do que o conseguido até agora. As imagens mostram uma grande variedade de formas, tamanhos e estruturas, incluindo os efeitos prováveis de planetas ainda no processo de formação.

O instrumento SPHERE montado no VLT do ESO, no Chile, permitiu aos astrónomos suprimir a luz brilhante de estrelas próximas de modo a conseguirem obter imagens melhores das regiões que rodeiam estas estrelas. Esta coleção de novas imagens SPHERE é apenas uma amostra da enorme variedade de discos poeirentos que estão a ser descobertos em torno de estrelas jovens.

Estes discos são bastante diferentes em termos de forma e tamanho — alguns contêm anéis brilhantes, outros mostram anéis escuros e alguns até se parecem com hamburgueres. Os discos diferem ainda em aparência, dependendo da sua orientação no céu — observamos desde discos circulares vistos de face até discos muito estreitos vistos praticamente de perfil.

A tarefa principal do SPHERE é descobrir e estudar exoplanetas gigantes situados em órbita de estrelas próximas, usando imagens diretas. Mas o instrumento é também uma das melhores ferramentas que existem para obter imagens de discos em torno de estrelas jovens — regiões onde se podem estar a formar planetas. O estudo destes discos é crucial para a investigação da ligação entre as propriedades dos discos e a formação e presença de planetas.

Novas imagens obtidas pelo instrumento SPHERE, montado no VLT do ESO, revelaram discos poeirentos em torno de estrelas jovens próximas, com muito mais detalhe do que o conseguido até agora. As imagens mostram uma grande variedade de formas, tamanhos e estruturas, incluindo os efeitos prováveis de planetas ainda no processo de formação.
Crédito: ESO/H. Avenhaus et al./E. Sissa et al./colaborações DARTT-S e SHINE
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Muitas das estrelas jovens que aqui mostramos foram obtidas no âmbito de um novo estudo de estrelas T-Tauri, uma classe de estrelas muito jovens (com menos de 10 milhões de anos de idade) que variam em brilho. Os discos em torno destas estrelas contêm gás, poeira e planetesimais — os blocos constituintes dos planetas e os progenitores dos sistemas planetários.

As imagens mostram também como é que o nosso Sistema Solar poderá ter sido nas primeiras fases da sua formação, há mais de 4 mil milhões de anos atrás.

A maioria das imagens que aqui apresentamos foram obtidas no âmbito do rastreio DARTTS-S (Discs ARound T Tauri Stars with SPHERE). As distâncias aos alvos variam entre 230 e 550 anos-luz. Em termos de comparação, a Via Láctea tem aproximadamente uma dimensão de 100.000 anos-luz, por isso estas estrelas encontram-se, em termos relativos, muito próximas da Terra. Mas, mesmo a esta distância, é um desafio tremendo obter boas imagens da ténue luz refletida pelos discos, uma vez que estes são ofuscados pela brilhante radiação emitida pelas suas estrelas progenitoras.

Esta observação SPHERE levou à descoberta de um disco de perfil situado em torno da estrela GSC 07396-00759, membro de um sistema estelar múltiplo incluído na amostra DARTTS-S. Curiosamente, este novo disco parece ser mais evoluído do que o disco rico em gás que rodeia a estrela T-Tauri do mesmo sistema, apesar de ambas terem a mesma idade.
Créditos: ESO/E. Sissa et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Outra observação nova do SPHERE levou à descoberta de um disco de perfil situado em torno da estrela GSC 07396-00759, membro de um sistema estelar múltiplo incluído na amostra DARTTS-S. Curiosamente, este novo disco parece ser mais evoluído do que o disco rico em gás que rodeia a estrela T Tauri do mesmo sistema, apesar de ambas terem a mesma idade. Esta intrigante diferença nas escalas de tempo evolutivas de discos em torno de duas estrelas com a mesma idade, é outra das razões pela qual os astrónomos pretendem descobrir mais sobre este tipo de discos e suas características.

Os astrónomos utilizaram o SPHERE para obter muitas outras imagens, assim como para outros estudos, incluindo a interação de um planeta com um disco, os movimentos orbitais no interior de um sistema e a evolução temporal de um disco.

Os novos resultados do SPHERE, juntamente com dados obtidos por outros telescópios, como o ALMA, estão a revolucionar a maneira como compreendemos o meio que rodeia as estrelas jovens e os complexos mecanismos da formação planetária.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
ETHzürich (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Avenhaus et al. (arXiv.org)
Artigo científico - Sissa et al. (arXiv.org)
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG
Forbes
AstroPT

Discos protoplanetários:
Wikipedia

Estrela T Tauri:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia
Instrumento SPHERE

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ENXAMES GLOBULARES PODEM HOSPEDAR MEGAFUSÕES DE BURACOS NEGROS

Quando os detetores gémeos do LIGO captaram pela primeira vez ténues oscilações nos seus respetivos espelhos idênticos, o sinal não apenas forneceu a primeira deteção direta de ondas gravitacionais - também confirmou a existência de buracos negros binários estelares, que deram origem ao sinal em primeiro lugar.

Os buracos negros binários estelares são formados quando dois buracos negros, produzidos a partir dos restos de estrelas massivas, começam a orbitar-se um ao outro. Eventualmente, os buracos negros fundem-se numa colisão espetacular que, de acordo com a teoria da relatividade geral de Einstein, deve libertar uma enorme quantidade de energia na forma de ondas gravitacionais.

Agora, uma equipa internacional liderada pelo astrofísico Carl Rodriguez do MIT (Massachusetts Institute of Technology) sugere que os buracos negros podem unir-se e fundir-se várias vezes, produzindo buracos negros mais massivos do que aqueles formados a partir de estrelas individuais. Estas "fusões de segunda geração" devem vir de enxames globulares - pequenas regiões do espaço, geralmente nos arredores de uma galáxia, que estão repletas de centenas de milhares a milhões de estrelas.

Um instantâneo de uma simulação que mostra a formação de um buraco negro binário no centro de um denso enxame estelar.
Crédito: Northwestern Visualization/Carl Rodriguez
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Achamos que estes enxames se formaram com centenas a milhares de buracos negros que rapidamente 'afundaram' para o centro," comenta Carl Rodriguez, do Departamento de Física do MIT e do Instituto Kavli para Astrofísica e Investigação Espacial. "Estes tipos de enxames são essencialmente fábricas de buracos negros binários, onde temos tantos buracos negros numa pequena região do espaço que dois se podem fundir e produzir um buraco negro mais massivo. Esse novo buraco negro pode então encontrar outro companheiro e fundir-se novamente."

Se o LIGO detetar um binário com um buraco negro como componente cuja massa é maior do que aproximadamente 50 massas solares, então, de acordo com os resultados do grupo, há uma boa chance de que o objeto não seja de estrelas individuais, mas de um denso aglomerado estelar.

"Se esperarmos tempo suficiente, eventualmente o LIGO verá algo que só poderá ter vindo desses aglomerados estelares, porque será maior do que qualquer coisa que possa vir de uma única estrela," observa Rodriguez.

Ele e os seus colegas divulgaram os seus resultados num artigo publicado na revista Physical Review Letters.

Estrelas fugitivas

Nos últimos anos, Rodriguez tem investigado o comportamento dos buracos negros dentro de enxames globulares e se as suas interações diferem das dos buracos negros que ocupam regiões menos povoadas do espaço.

Os enxames globulares podem ser encontrados na maioria das galáxias e os seus números escalam com o tamanho de uma galáxia. As grandes galáxias elípticas, por exemplo, hospedam dezenas de milhares destes aglomerados estelares, enquanto a nossa Via Láctea possui cerca de 200, estando o mais próximo a cerca de 7000 anos-luz da Terra.

No seu novo trabalho, Rodriguez e colegas relatam o uso de um supercomputador chamado Quest, na Universidade Northwestern, para simular as interações complexas e dinâmicas no interior de 24 enxames estelares, variando de tamanho entre 200.000 a 2 milhões de estrelas e cobrindo uma gama de diferentes densidades e composições metálicas. As simulações modelam a evolução das estrelas individuais no interior destes enxames ao longo de 12 mil milhões de anos, seguindo as suas interações com outras estrelas e, por fim, a formação e evolução dos buracos negros. As simulações também modelam as trajetórias dos buracos negros quando se formam.

"O interessante é que, como os buracos negros são os objetos mais massivos nestes enxames, 'afundam-se' para o centro, onde temos uma densidade suficientemente alta de buracos negros para formar binários," explica Rodriguez. "Os buracos negros binários são basicamente alvos gigantescos no enxame e, à medida que são 'atingidos' por outros buracos negros ou estrelas, sofrem encontros loucos e caóticos."

Simulação que mostra o encontro entre um buraco negro binário (laranja) com um buraco negro estelar (azul) com efeitos relativistas. Eventualmente os dois buracos negros emitem um surto de ondas gravitacionais e fundem-se, produzindo um novo buraco negro (vermelho).
Crédito: Carl Rodriguez
(clique na imagem para ver versão maior)
 

É tudo relativo

Ao executarem as suas simulações, os cientistas adicionaram um ingrediente-chave que faltava nos esforços anteriores para simular enxames globulares.

"O que fizeram no passado foi tratar este problema como puramente Newtoniano," realça Rodriguez. "A teoria da gravidade de Newton funciona em 99,9% dos casos. Os poucos casos em que não funciona podem ser quando temos dois buracos negros que passam muito perto um do outro, o que normalmente não acontece na maioria das galáxias."

As teorias de Newton assumem que, se os buracos negros não tivessem ligação ao início, um não afetaria o outro e simplesmente passariam um pelo outro, inalterados. Esta linha de raciocínio decorre do facto de que Newton não reconheceu a existência de ondas gravitacionais - que Einstein muito mais tarde previu que surgiriam a partir de objetos massivos em órbita, como dois buracos negros em íntima proximidade.

"Na teoria geral da relatividade de Einstein, onde posso emitir ondas gravitacionais, então quando um buraco negro passa perto de outro, eu posso emitir um pequeno pulso de ondas gravitacionais," explica Rodriguez. "Isto pode retirar energia suficiente do sistema para que os dois buracos negros se liguem, fundindo-se rapidamente."

A equipa decidiu acrescentar os efeitos relativistas de Einstein nas suas simulações dos enxames globulares. Depois de correrem as simulações, observaram a fusão de buracos negros para criarem novos buracos negros, dentro dos próprios enxames estelares. Sem os efeitos relativistas, a gravidade Newtoniana prevê que a maioria dos buracos negros binários sejam expulsos do enxame por outros buracos negros antes que possam fundir-se. Mas ao levar em conta os efeitos relativistas, Rodriguez e colegas descobriram que quase metade dos buracos negros binários se fundiram no interior dos seus enxames estelares, produzindo uma nova geração de buracos negros mais massivos que aqueles formados a partir de estrelas. O que acontece a estes novos buracos negros dentro do enxame é uma questão de rotação.

"Se os dois buracos negros estão a girar quando se fundem, o buraco negro resultante irá emitir ondas gravitacionais numa única direção preferida, como um foguetão, criando um novo buraco negro que pode ser disparado até 5000 km/s - uma velocidade incrivelmente rápida," comenta Rodriguez. "Só precisa de um empurrão de talvez algumas dezenas a centenas de quilómetros por segundo para escapar de um destes enxames."

Devido a este efeito, os cientistas concluíram que o produto de qualquer fusão entre buracos negros seria expulso do enxame, uma vez que se supunha que a maioria dos buracos negros gira muito depressa.

No entanto, esta suposição parece contradizer as medições do LIGO, que até agora só detetou buracos negros com rotações baixas. Para testar tais implicações, Rodriguez reduziu as rotações dos buracos negros nas suas simulações e descobriu que, neste cenário, quase 20% dos buracos negros binários nos enxames tinham, pelo menos, um buraco negro formado numa fusão anterior. Dado que se formaram a partir de outros buracos negros, alguns destes buracos negros de segunda geração podem encontrar-se na faixa das 50 a 130 massas solares. Os cientistas pensam que buracos negros com esta massa não se podem formar a partir de uma única estrela.

Rodriguez diz que se os telescópios de ondas gravitacionais, como o LIGO, detetarem um objeto com uma massa dentro desta gama, há boas probabilidades de que não tenha vindo de uma única estrela em colapso, mas de um denso enxame estelar.

"Eu e os meus coautores temos uma aposta contra algumas pessoas que estudam a formação de buracos negros binários que, até às primeiras 100 deteções do LIGO, este detetará algo dentro desta faixa superior de massa," diz Rodriguez. "Eu recebo uma boa garrafa de vinho se isso for verdade."

Links:

Notícias relacionadas:
MIT News (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Physical Review Letters
Simulação da dinâmica de buracos negros num enxame (Northwestern/Rodriguez)
Astronomy Now
PHYSORG

Buraco negro:
Wikipedia
Buraco negro de massa intermédia (Wikipedia)

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M22 e os Errantes
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Damian Peach
 
Vagueando pela constelação de Sagitário, os brilhantes planetas Marte e Saturno apareceram juntos no céu antes do amanhecer ao longo das últimas semanas. Foram fotografados neste campo de visão com 3 graus de largura obtido dia 31 de março, formando um íntimo triângulo celeste com o grande enxame globular Messier 22. M22 (em baixo, para a esquerda) é uma esfera massiva com mais de 100.000 estrelas muito mais velhas que o Sol e está a aproximadamente 10.000 anos-luz de distância. De tom amarelado e pálido e brilhando graças à luz solar refletida, Saturno (topo) está mais ou menos a 82 minutos-luz de distância. Olhe com cuidado e conseguirá avistar a grande lua Titã como um ponto de luz na posição das 5 horas por entre o brilho do disco superexposto de Saturno. Ligeiramente mais brilhante e avermelhado, Marte está a 9 minutos-luz de distância. Embora ambos os planetas se movam em direção a futuras oposições, até julho Marte tornar-se-á muito mais brilhante, com boas visões telescópicas perto da sua oposição de 2018 a uns meros 3,2 minutos-luz do planeta Terra.
 

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