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Edição n.º 1476
01/05 a 03/05/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 01/05: 121.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1006, a mais brilhante supernova é observada pelos Chineses e Egípcios na constelação de Lobo (Lupus).

Em 1930, o planeta anão Plutão recebe o seu nome oficial.
Em 1949, Gerard Kuiper descobria Nereida. É o segundo satélite de Neptuno a ser descoberto, e o terceiro maior dos satélites conhecidos deste planeta. 
Observações: Maio já começou mas a estrela Sirius, mais representativa de inverno, ainda brilha baixa a oeste-sudoeste lá para o final do lusco-fusco - bem para a esquerda do mais brilhante planeta Vénus. Durante quanto mais tempo, esta estação, consegue continuar a ver Sirius? Por outras palavras, qual será a sua data de "pôr heliacal", na posição do observador?
Eclipse de Io, entre as 23:08 e as 01:22 (já de dia 2).
Ocultação de Io, entre as 23:17 e as 03:32 (já de dia 2).

Dia 02/05: 122.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 20:30 e as 22:41.
Arcturo é a estrela mais brilhante alta a este por estas noites. Espiga brilha cerca três punhos à distância do braço esticado para baixo e para a direita. Para a direita de Espiga, a mais ou menos metade dessa distância, está o padrão bem distintivo da constelação de Corvo.
Bem para baixo de Arcturo e Espiga encontra-se o planeta Júpiter.

Dia 03/05: 123.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1715, durante um eclipse na Inglaterra, Edmond Halley é o primeiro a registar o fenómeno mais tarde conhecido por Contas de Baily (há quem diga que Francis Baily foi o primeiro a notar estes efeitos mais tarde em 1836, daí o seu nome).

Também observa proeminências vermelhas e brilhantes e a assimetria este-oeste na coroa, que atribui a uma atmosfera na Lua ou no Sol. Este eclipse tinha sido previsto por Halley com uma precisão de 4 minutos.
Observações: Durante estas noites de primavera, a longa mas ténue serpente marinha, Hidra, desliza pelo céu a sul. Encontre a sua cabeça, um asterismo bem fraco com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado, para sudoeste (está para baixo e para a direita de Régulo, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Também, uma linha de Castor, passando por Pollux, aponta para lá a cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado). Para baixo e para a esquerda está o coração de Hidra, a alaranjada Alphard. A cauda de Hidra estica-se até Balança a sudeste. O padrão atual de Hidra, desde a cabeça até à ponta da cauda, mede 95º.

 
CURIOSIDADES

Desde 2016 que o chinês FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical radio Telescope), ultrapassou o radiotelescópio de Arecibo como o maior do mundo.
 
ESA E NASA EM AVERIGUAÇÕES PARA TRAZER SOLO MARCIANO PARA A TERRA
O nosso planeta vizinho, Marte, em 2016. Algumas características proeminentes do planeta são claramente visíveis: o antigo e inativo vulcão Syrtis Major; a brilhante e oval bacia Hellas Planitia; a região Arabia Terra no centro; as características escuras de Sinus Sabaeous e Sinus Meridiani ao longo do equador; e a pequena calote polar sul.
Crédito: NASA, ESA e Equipa de Legado do Hubble (STScI/AURA), J. Bell (ASU) e M. Wolf (SSI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A ESA e a NASA assinaram no passado dia 27 de abril uma declaração de intenções para explorar conceitos para missões, de modo a trazer amostras de solo marciano para a Terra.

As naves espaciais em órbita e na superfície de Marte fizeram muitas descobertas emocionantes, transformando a nossa compreensão do planeta e revelando pistas para a formação do nosso Sistema Solar, bem como nos ajudam a compreender o nosso planeta natal. O próximo passo é trazer amostras para a Terra para análises detalhadas em laboratórios sofisticados, onde os resultados podem ser verificados de forma independente, e as amostras podem ser reanalisadas, à medida que as técnicas de laboratório continuam a melhorar.

Marte na Terra

Trazer Marte à Terra não é um empreendimento simples - seria necessário, pelo menos, três missões a partir da Terra e uma, nunca-antes realizada, para o lançamento de um foguetão a partir de Marte.

Uma primeira missão, a Mars Rover 2020 da NASA, deverá recolher amostras da superfície em latas do tamanho de uma caneta, enquanto explora o Planeta Vermelho. Até 31 caixas serão preenchidas e preparadas para uma coleta posterior - geocaching interplanetário.

No mesmo período, o ExoMars da ESA, que também deverá aterrar em Marte em 2021, irá perfurar até dois metros abaixo da superfície, para procurar evidências de vida.

Uma segunda missão, com um pequeno rover, aterraria nas proximidades e recuperaria as amostras numa operação marciana de busca-e-resgate. Este rover traria as amostras de volta ao seu módulo e as colocá-las-ia num MAV (Mars Ascent Vehicle, Veículo de subida de Marte em português) - um pequeno foguetão para lançar um contentor do tamanho de uma bola de futebol para a órbita de Marte.

Solo marciano recolhido pelo rover Curiosity da NASA numa área arenosa chamada Rocknest. Pensa-se que esta partícula brilhante perto centro da imagem, e outras parecidas na mesma área, seja material marciano nativo. A imagem foi obtida pela câmara MAHLI (Mars Hand Lens Imager) no braço do Curiosity durante o 69.º dia marciano, ou sol, da missão, 15 de outubro de 2012. A imagem cobre uma área com aproximadamente 4 cm de comprimento.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um terceiro lançamento, a partir da Terra, forneceria uma aeronave enviada para orbitar Marte e reunir-se com os contentores de amostras. Assim que as amostras estivessem recolhidas e carregadas de forma segura num veículo de entrada na Terra, a aeronave retornaria à Terra, libertando o veículo para aterrar nos Estados Unidos, onde as amostras seriam recuperadas e colocadas em quarentena para análise detalhada por uma equipa de cientistas internacionais.

Estudar os conceitos

O comunicado assinado no ILA Berlim pelo Diretor de Exploração Humana e Robótica da ESA, David Parker, e pelo Administrador Associado da NASA para a Diretoria da Missão Científica, Thomas Zurbuchen, descreve os potenciais papéis que cada agência espacial poderia executar e como podem oferecer apoio mútuo.

David diz: "Uma missão de retorno de amostras de Marte é uma visão tentadora, mas realizável, que se encontra na interseção de muitas boas razões para explorar o espaço.

"Não há dúvida de que, para um cientista planetário, a oportunidade de trazer amostras primitivas e cuidadosamente escolhidas do Planeta Vermelho de volta à Terra para examinar, utilizando as melhores instalações, é uma perspetiva de dar água na boca. Reconstruir a história de Marte e responder a perguntas do passado são apenas duas áreas de descoberta que avançarão dramaticamente devido esta missão.

"Os desafios de ir a Marte e voltar exigem que estes sejam abordados por uma parceria internacional e comercial - os melhores dos melhores. Na ESA, com os nossos 22 estados membros e outros parceiros colaboradores, a cooperação internacional faz parte do nosso ADN. "

"Missões anteriores a Marte revelaram antigos riachos e a química certa que poderia ter apoiado a vida microbiana no Planeta Vermelho, " disse Thomas, "uma amostra forneceria um salto crítico na nossa compreensão do potencial de Marte para albergar vida.

O orbitador TGO (Trace Gas Orbiter) e o seu módulo de entrada, descida e aterragem, Schiaparelli, em aproximação a Marte.
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)

 

"Estou ansioso para conectar e colaborar com parceiros internacionais e comerciais para enfrentar os excitantes desafios tecnológicos pela frente - que nos permitiriam levar para casa uma amostra de Marte. "

Os resultados dos estudos sobre a missão serão apresentados no conselho da ESA, a nível ministerial, em 2019, para uma decisão de continuar a desenvolver estas missões.

Infraestrutura em posição

A sonda ExoMars da ESA já está a circundar Marte para investigar a sua atmosfera. A semana passada transmitiu dados do rover Curiosity da NASA para a Terra, provando, também, o seu valor como um satélite de retransmissão. Esta colaboração demonstra uma boa cooperação com a NASA e fornece uma infraestrutura essencial de comunicação em torno do Planeta Vermelho.

As descobertas da missão ExoMars podem ajudar a decidir quais as amostras a armazenar e a trazer para a Terra durante a missão de retorno de amostras de Marte.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Visão 360º do rover ExoMars (ESA)
PHYSORG
BBC News
engadget

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

ExoMars TGO:
ESA
Wikipedia

ExoMars 2020:
ESA
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
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"LADROA" ESTELAR É COMPANHEIRA SOBREVIVENTE DE UMA SUPERNOVA

Há dezassete anos atrás, os astrónomos testemunharam uma supernova a 40 milhões de anos-luz de distância na galáxia NGC 7424, localizada na constelação do hemisfério sul de Gru (Grou). Agora, no brilho desvanecente dessa explosão, o Telescópio Espacial Hubble da NASA capturou a primeira imagem de uma companheira sobrevivente de uma supernova. A fotografia é a evidência mais convincente de que algumas supernovas têm origem em sistemas duplos.

"Sabemos que a maioria das estrelas massivas se encontra em binários," comenta Stuart Ryder do Observatório Astronómico Australiano em Sydney, Austrália, e autor principal do estudo. "Muitos desses pares binários interagem e transferem gás de uma estrela para a outra quando as suas órbitas as aproximam."

Há dezassete anos atrás, os astrónomos testemunharam a supernova 2001ig a cerca de 40 milhões de anos-luz de distânci na galáxia NGC 7424, na direção da constelação do hemisfério sul de Gru (Grou). Pouco depois, os cientistas fotografaram a supernova com o VLT do ESO em 2002. Dois anos mais tarde, fizeram observações de acompanhamento com o Observatório Gemini Sul, que indicou a presença de uma companheira binária sobrevivente. À medida que o brilho da supernova desaparecia, os cientistas focaram o Hubble nessa posição em 2016. Localizaram e fotografaram a companheira sobrevivente, que só foi possível graças à incrível resolução do Hubble e à sua sensibilidade ultravioleta. As observações de SN 2001ig pelo Hubble fornecem a melhor evidência, até agora, de que algumas supernovas têm origem em sistemas estelares duplos.
Crédito: NASA, ESA, S. Ryder (Observatório Astronómico Australiano), e O. Fox (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A companheira da estrela progenitora da supernova não foi uma inocente espetadora da explosão. Desviou quase todo o hidrogénio do invólucro estelar do astro condenado, a região que transporta energia do núcleo da estrela até à sua atmosfera. Milhões de anos antes da estrela primária se tornar numa supernova, o roubo da companheira criou uma instabilidade na estrela primária, fazendo com que ela expelisse episodicamente um casulo e conchas de hidrogénio gasoso antes da catástrofe.

A supernova, de nome SN 2001ig, está categorizada como uma supernova de invólucro despojado do Tipo IIb. Este tipo de supernova é invulgar porque grande parte, mas não todo, do hidrogénio desapareceu antes da explosão. Este tipo de explosão foi identificado pela primeira vez em 1987 pelo membro da equipa Alex Filippenko da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Não se sabe bem como as supernovas de invólucro despojado o perdem. Pensava-se originalmente que surgiam de estrelas isoladas com ventos muito rápidos que empurravam os invólucros exteriores. O problema foi que quando os astrónomos começaram a procurar as estrelas primárias das quais as supernovas eram produzidas, não conseguiram encontrá-las para muitas das supernovas de invólucro despojado.

"Isso foi especialmente bizarro, porque os astrónomos esperavam que fossem as mais massivas e brilhantes estrelas progenitoras," explicou o membro da equipa Ori Fox, do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore. "Além disso, o grande número de supernovas de invólucro despojado é maior do que o previsto." Esse facto levou os cientistas a teorizarem que muitas das estrelas primárias estavam em sistemas binários da baixa massa, e decidiram prová-lo.

Procurar uma companheira binária depois de uma explosão de supernova não é tarefa fácil. Primeiro, tem que estar a uma distância relativamente próxima da Terra para o Hubble ver uma estrela tão fraca. SN 2001ig e a sua companheira estão nesse limite. Dentro dessa distância, não ocorrem muitas supernovas. Ainda mais importante, os astrónomos precisam de saber a posição exata através de medições muito precisas.

Em 2002, logo após SN 2001ig explodir, os cientistas identificaram a localização precisa da supernova com o VLT (Very Large Telescope) do ESO em Cerro Paranal, Chile. Em 2004, fizeram estudos adicionais com o Observatório Gemini Sul em Cerro Pachón, Chile. Esta observação foi a primeira a sugerir a presença de uma companheira binária sobrevivente.

Sabendo as coordenadas exatas, Ryder e a sua equipa foram capazes de focar o Hubble naquela posição 12 anos mais tarde, quando o brilho da supernova desapareceu. Com a excelente resolução do Hubble e a sua capacidade ultravioleta, conseguiram encontrar e fotografar a companheira sobrevivente - algo que só o Hubble poderia fazer.

Antes da explosão de supernova, a órbita das duas estrelas em torno uma da outra tinha uma duração aproximada de um ano.

Quando a estrela primária explodiu, teve muito menos impacto na companheira sobrevivente do que se poderia pensar. Imagine o caroço de um abacate - que representa o núcleo denso da estrela companheira - embebida numa gelatina - representando o invólucro gasoso da estrela. À medida que passa uma onda de choque, a gelatina pode esticar e oscilar temporariamente, mas o caroço permanecerá intacto.

Em 2014, Fox e a sua equipa usaram o Hubble para detetar a companheira de outra supernova do Tipo IIb, SN 1993J. No entanto, só obtiveram um espectro, não uma imagem. O caso de SN 2001ig é a primeira vez que uma companheira sobrevivente foi fotografada. "Finalmente conseguimos captar a ladroa estelar, confirmando as nossas suspeitas de que era preciso estar lá uma," afirma Filippenko.

Talvez até metade de todas as supernovas de invólucro despojado têm companheiras - a outra metade perde os seus invólucros exteriores por meio de ventos estelares. Ryder e a sua equipa têm o objetivo final de determinar com precisão quantas supernovas com invólucros despojados têm companheiras.

O seu próximo esforço é observar supernovas com invólucro completamente despojado, ao contrário de SN 2001ig e SN 1993J, cujo invólucro está 90% despojado. Estas supernovas com invólucro completamente despojado não têm muita interação de choque com gás no ambiente estelar circundante, já que os seus invólucros externos foram perdidos muito antes da explosão. Sem interação de choque, desaparecem muito mais depressa. Isto significa que a equipa só terá que esperar dois ou três anos para procurar companheiras sobreviventes.

No futuro, também esperam usar o Telescópio Espacial James Webb para continuar a sua busca.

O artigo científico sobre o trabalho atual da equipa foi publicado na edição de 28 de março da revista The Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Hubblesite
Astronomy
PHYSORG
EurekAlert!
UPI

Supernova do Tipo IIb:
Wikipedia

SN 2001ig:
SIMBAD
Wikipedia

NGC 7424:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

VLT:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Gemini:
Página oficial
Wikipedia

 
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