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Edição n.º 1483
25/05 a 28/05/2018
 
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25/05/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
21:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 25/05: 145.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 AC, primeira passagem registada do Cometa Halley pelo seu periélio.
Em 1961, o presidente americano John F. Kennedy anuncia perante uma sessão do Congresso o seu objetivo de "colocar um homem na Lua" antes do fim da década. 
Em 1966, lançamento do Explorer 32.

Em 1997, a sonda Galileu passa pela lua joviana Calisto a uma distância de apenas 415 km!
Em 2008, o "lander" Phoenix aterra na região Vastitas Borealis de Marte para procurar ambientes favoráveis à água e à vida microbiana. 
Em 2012, a nave Dragon torna-se na primeira nave comercial a atracar com a Estação Espacial Internacional
Observações: Trânsito de Io, entre as 20:17 e as 22:28.
Trânsito da sombra de Io, entre as 20:39 e as 22:53.
A Lua Crescente atravessa o céu esta noite na companhia de Espiga, que se encontra por baixo do nosso satélite natural.

Dia 26/05: 146.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1951, nascia Sally Ride, a primeira mulher americana no espaço.
Em 1969, a Apollo 10 regressa à Terra após oito dias, durante os quais foram testados todos os componentes necessários para a primeira aterragem lunar.

Observações: Esta noite a Lua forma um triângulo achatado com Espiga e com o planeta Júpiter, que se encontram mais ou menos nos lados opostos do nosso satélite.

Dia 27/05: 147.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, lançamento da missão STS-96 do vaivém Discovery.

Observações: O ponto brilhante logo para a direita da Lua, quase Cheia, é o planeta Júpiter. Aproveite para observar com binóculos estes dois astros.

Dia 28/05: 148.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 585 AC, ocorre um eclipse solar, como previsto pelo filósofo e cientista grego Tales de Mileto, durante o qual Aliates II enfrenta Cyaxares na Batalha de Halys ou Batalha do Eclipse, o que leva a uma trégua. Esta é uma das datas mais importantes, a partir da qual outras datas podem ser calculadas.
Em 1879, nascia Milutin Milankovitch, astrónomo, matemático, climatólogo, geofísico, engenheiro civil e doutor de tecnologia sérvio, que fez duas importantes contribuições para a Ciência. A primeira é a caracterização dos climas de todos os planetas do Sistema Solar e a segunda é a explicação dos ciclos climáticos da Terra a longo termo, provocados pela posição do nosso planeta em relação ao Sol, agora conhecidos como Ciclos de Milankovitch
Em 1912, nascia Ruby Payne-Scott, australiana, a primeira radioastronónoma. 
Em 1959, lançamento dos dois macacos Able & Baker. Passaram 16 minutos a viajar a uma altitude de 480 km. 
Em 1971 era lançada a Mars 3(USSR).

A 2 de dezembro do mesmo ano, alcançou Marte mas o "lander" enviou apenas 20 segundos de dados.
Em 1998, o asteroide 1998 KY26 era descoberto por Tom Gehrels. Usando observações por radar, a velocidade de rotação deste asteroide foi estimada em 10,7 minutos!
Em 2002, a Mars Odyssey descobre sinais de imensos depósitos de gelo no planeta Marte.
Observações: As constelações parecem girar deprssa quando passam pelo zénite - se as estiver a comparar com a direção "baixo", isto é, diretamente na direção oposta à do zénite. Agora, à medida que as estrelas aparecem, a Ursa Maior ainda flutua quase na horizontal praticamente por cima das nossas cabeças a norte. Mas daqui a duas ou três semanas, à mesma altura do anoitecer, a "frigideira" parecerá apoiar-se para baixo da sua "pega"!
A Lua forma hoje outro triângulo achatado, mas desta vez com Júpiter (para a sua direita) e com Antares (para baixo).

 
CURIOSIDADES

Este é o cartão de memória que foi instalado na Parker Solar Probe. O cartão transporta 1.137.202 nomes submetidos pelo público. A sonda será lançada no dia 31 de julho de 2018.
 
NOVO ESTUDO DESCREVE PROCESSO GEOLÓGICO POR TRÁS DAS DUNAS DE TITÃ

De acordo com um novo estudo, as dunas varridas pelo vento, em Titã, espalham-se por milhões de quilómetros a mais do que se pensava anteriormente e provavelmente foram formadas por processos geológicos semelhantes àqueles na Terra. As novas descobertas podem ajudar os cientistas a procurar vida ou os seus percursores moleculares na maior lua de Saturno.

O estudo, publicado na revista Journal of Geophysical Research - Planets, uma publicação da União Geofísica Americana, usa novos mapas de Titã para explorar duas questões sobre a maior lua de Saturno: como são formadas as dunas de Titã, e de que são feitas?

A atmosfera de Titã é incrivelmente densa, com espessas camadas de compostos orgânicos flutuando por toda a parte. No entanto, ao penetrarmos por essa atmosfera, vemos uma paisagem gelada não muito diferentes dos desertos áridos da Terra.

A superfície de Titã possui vales, desfiladeiros, lagos, montanhas e dunas. Muitas destas características semelhantes às da Terra existem em parte por causa do sistema meteorológico de Titã, onde os hidrocarbonetos líquidos, como o metano, chovem do céu.

Segundo a nova investigação, o processo geológico por trás destas dunas pode ser semelhante àqueles que esculpem desfiladeiros e canais de rios na Terra. Assim como as chuvas lentamente cortam desfiladeiros e canais na Terra, as chuvas de hidrocarbonetos de Titã iniciam um processo que começa no topo das cordilheiras equatoriais da lua e termina nas suas extensas planícies de dunas e tempestades de areia.

Ao analisarem as imagens mais detalhadas, até à data, do equador de Titã, os autores do estudo também sugerem que as dunas cobrem muito mais área do que se pensava anteriormente. As dunas estendem-se por três milhões de quilómetros quadrados mais do que as estimativas anteriores, o equivalente a dez desertos do Namibe.

Como Titã tem uma atmosfera rica em azoto, um sistema climático ativo e compostos orgânicos, a sua superfície pode ser hospitaleira à vida ou aos seus constituintes pré-bióticos. A compreensão dos processos geológicos que aí acontecem pode ajudar os cientistas a descobrir onde a vida poderia estar, comenta Jeremy Brossier do Instituto de Investigação Planetária em Berlim, na Alemanha, autor principal do novo estudo.

Brossier disse que a nova pesquisa reforça algumas hipóteses iniciais sobre a superfície de Titã e fornece "evidências muito fortes" de que a água gelada está exposta em Titã e presente durante todo o processo de formação das dunas.

Tanto a imagem como a ilustração da secção este de Xanadu, uma região equatorial de Titã, revela uma paisagem alienígena complexa de montanhas, canais de rios e planícies. Os autores sugerem que as áreas brancas são terras altas, áreas elevadas onde finos revestimentos de material orgânico mascaram a camada gelada por baixo. As áreas azuis denotam regiões onde se acumulam materiais gelados.
Crédito: Jeremy Bossier
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Vislumbres precoces

Os cientistas examinaram pela primeira vez a superfície de Titã, em detalhe, com o Telescópio Espacial Hubble em 1994. Os investigadores pensavam que as grandes regiões escuras perto do equador de Titã eram lagos de hidrocarbonetos líquidos.

Anos mais tarde, os cientistas sabem agora que estas regiões grandes e escuras espiadas pelo Hubble não eram lagos, mas sim planícies expansivas cobertas por dunas. Essa observação foi cortesia da sonda Cassini, lançada em 1997, que ardeu na atmosfera superior de Saturno em 2017 e que transportava instrumentos para observar de perto a superfície da lua gelada.

Um desses instrumentos era o instrumento de radar da Cassini, SAR, que mostrou aos investigadores a forma da superfície de Titã graças às ondas de rádio que eram refletidas pela lua. Com o SAR ligado, montanhas, vales e desfiladeiros saltaram à vista.

O mapeamento da superfície de Titã é um primeiro passo crucial na compreensão dos processos geológicos que ocorrem na sua paisagem gelada. Mas descobrir a composição destas características superfícies - seja ela gelo, rocha, areia ou outro material - é totalmente diferente.

Para atingir este objetivo, os cientistas tiveram que usar um instrumento diferente: VIMS. O VIMS é como uma câmara. Mas, ao contrário da maioria das câmaras, o VIMS grava imagens em 352 cores diferentes e regista comprimentos de onda entre 300 e 5100 nanómetros. O olho humano, em comparação, regista apenas entre 380 e 620 nanómetros.

A análise destes comprimentos de onda permite que os cientistas deduzam a composição da superfície de Titã. Cada composto reflete luz de maneira diferente, criando uma assinatura de luz. Cientistas como Brossier usam estas assinaturas de luz para restringir a composição da camada superior de uma característica à superfície - a única camada que o VIMS pode ver.

No laboratório, Brossier e colegas modelaram diferentes misturas de substâncias provavelmente à superfície de Titã e avaliaram as suas propriedades espectrais ou assinaturas de luz. Usaram essa informação para construir um modelo que mais tarde os guiou através das diferentes assinaturas de luz que surgiram quando o VIMS obteve imagens do equador de Titã.

Esta ilustração revela o processo geológico que pode estar por trás da formação das dunas de Titã. Começa no topo das montanhas de Titã, onde a água gelada e o material orgânico conhecido como tolinas descem por canais de rios até às bacias das terras baixas, e os pedaços mais pequenos destas misturas é, em última análise, soprado até às dunas geladas da lua.
Crédito: Jeremy Bossier
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Como é que as dunas de Titã se formaram?

Usando as novas imagens do VIMS, os autores do estudo propuseram um processo geológico de formação de dunas que começa no topo das cadeias montanhosas equatoriais de Titã. Aí, a densa atmosfera deposita continuamente uma camada fina de material orgânico, como uma camada pulverulenta de neve recém-caída.

Esse revestimento fino é rico em pequenas moléculas orgânicas conhecidas como tolinas, registadas como altamente refletivas pelos instrumentos da Cassini. Brossier e colegas usaram as assinaturas de luz dessas tolinas, juntamente com água gelada, para desvendar o processo geológico que produz as dunas de Titã.

O novo estudo sugere que as chuvas de metano corroem os picos das montanhas de Titã cortando canais no terreno. Essa erosão lava as tolinas e os pedaços de gelo do topo das montanhas até bacias nas terras baixas, onde se acumulam.

Os ventos de Titã sopram então os grãos mais pequenos dessa mistura para longe das bacias e para as suas planícies de dunas equatoriais. Estes grãos pequenos acumulam-se para formar as dunas de Titã.

Este processo é semelhante ao modo como as dunas se formam na Terra, explica Brossier, exceto que os materiais que compõem as dunas de Titã vêm da sua atmosfera. Essas nuvens densas e espessas de aerossóis orgânicos alimentam camada após camada de material orgânico nos picos das montanhas de Titã, que as chuvas de metano transportam para as planícies das dunas.

De acordo com Brossier, o estudo fornece fortes evidências de água gelada exposta em algumas áreas pequenas e do seu papel geológico na formação das dunas de Titã.

"Um dos tópicos mais debatidos tem sido o arranjo da água gelada no equador de Titã," salienta Brossier, que acrescentou que alguns investigadores pensavam que não havia água gelada exposta à superfície de Titã. "Nós não só encontrámos assinaturas compatíveis com água gelada em algumas áreas neste estudo, como também mostrámos que temos agora as técnicas necessárias para compreender a superfície de Titã."

Links:

Notícias relacionadas:
União Geofísica Americana (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Journal of Geophysical Research - Planets
PHYSORG

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ESTUDO EXAMINA A HISTÓRIA DAS PEQUENAS LUAS DE SATURNO
A formação de Atlas, uma das pequenas luas interiores de Saturno. A sua forma achatada, em forma de ravioli, é o resultado de uma colisão e fusão entre dois corpos de tamanho idêntico. A imagem é uma instantâneo da colisão, antes da reorientação da lua, devido às marés, ficar completa.
Crédito: A. Verdier
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As pequenas luas interiores de Saturno parecem-se com ravioli e com "spaetzle" (massa alemã) gigantes. A sua forma espetacular foi revelada pela sonda Cassini. Pela primeira vez, investigadores da Universidade de Berna mostram como essas luas foram formadas. As formas peculiares são um resultado natural das colisões e fusões entre pequenas luas de tamanho semelhante, como demonstram simulações em computador.

Quando Martin Rubin, astrofísico da Universidade de Berna, viu as imagens das luas de Saturno, Pã e Atlas, na internet, ficou intrigado. As imagens obtidas pela sonda Cassini em abril de 2017 mostravam objetos que a NASA descreveu no seu comunicado de imprensa como discos voadores com diâmetros de aproximadamente 30 km. Com os seus grandes cumes e centros bulbosos, Pã e Atlas também se assemelham com raviolis gigantes. Martin Rubin queria saber como é que estes objetos peculiares se formaram e perguntou ao colega Martin Jutzi se poderiam ser o resultado de colisões, semelhantes àquela que formou o cometa Chury, como Jutzi havia demonstrado anteriormente com simulações em computador.

Martin Jutzi e Adrien Leleu, ambos membros do NCCR PlanetS, aceitaram o desafio de calcular o processo de formação das pequenas luas interiores de Saturno. Os primeiros testes simples funcionaram bem. "Mas depois levámos em consideração as forças de maré e os problemas acumularam-se," recorda Adrien Leleu. "As condições perto de Saturno são muito especiais," confirma Martin Jutzi. Dado que Saturno tem 95 vezes mais massa do que a Terra e as luas interiores orbitam o planeta a uma distância menos de metade da distância Terra-Lua, as marés são enormes e separam quase tudo. Portanto, as luas interiores de Saturno não poderiam ter-se formado com estas formas peculiares através da acreção gradual de material em torno de um único núcleo. Um modelo alternativo chamado regime piramidal sugere que estas luas foram formadas por uma série de fusões de pequenas luas de tamanho similar.

A linha no topo mostra 3 pequenas luas de Saturno, fotografadas pela sonda Cassini. Em baixo estão os resultados dos modelos. As simulações não só reproduzem as formas, como também explicam porque é que as cristas de Pã e Atlas são tão diferentes do restos dos seus corpos: são feitas de material mais macio que foi comprimido durante o processo de fusão. Fissuras no corpo principal podem ser o resultado de stresses provocado pela deformação dos objetos em fusão. O modelo da lua Prometeu mostra as mesmas pontas em ambas as extremidades, tal como visto nas imagens da Cassini.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI/Universidade de Berna
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Tendo resolvido os seus problemas iniciais, os investigadores puderam verificar o regime piramidal, mas ainda mais: mostraram que as colisões das pequenas luas resultaram, exatamente, nas formas fotografadas pela Cassini. Fusões de frente (ou quase de frente) levaram a objetos achatados com grandes cristas equatoriais, como observado em Atlas e Pã. Com ângulos de impacto um pouco mais oblíquos, as colisões resultaram em formas mais alongadas parecidas com massa da Alemanha ("spaetzle"), como na lua Prometeu, de 90 km de comprimento, fotografada pela Cassini.

Colisões frontais têm uma alta probabilidade

Com base na órbita atual das luas e no seu ambiente orbital, os cientistas foram capazes de estimar que as velocidades de impacto foram da ordem das dezenas de metros por segundo. Simulando colisões nesta gama para vários ângulos de impacto, obtiveram várias formas estáveis parecidas com raviolis e com "spaetzle", mas apenas para ângulos de impacto baixos. "Se o ângulo de impacto for maior do que dez graus, as formas resultantes já não são estáveis," comenta Adrien Leleu. Qualquer objeto em forma de "patinho de borracha", como o Cometa Chury, desmoronaria por causa das marés de Saturno. "É por isso que as pequenas luas de Saturno parecem muito diferentes dos cometas que geralmente têm formas bilobadas," explica Martin Jutzi.

A imagem de cima mostra a grande lua de Saturno, Jápeto, como observado pela Cassini. Tem uma forma esferoidal oblata e uma crista equatorial. Em baixo: o resultado da simulação da colisão frontal e fusão de dois corpos do mesmo tamanho com metade da massa de Jápeto.
Crédito: NASA/JPL/SSI/Universidade de Berna
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Curiosamente, as colisões frontais não são tão raras quanto se poderia achar. Pensa-se que as pequenas luas interiores tenham origem nos anéis de Saturno, um disco fino localizado no plano equatorial do planeta. Como Saturno não é uma esfera perfeita, mas sim oblata, torna difícil que qualquer objeto deixe esse plano estreito. Assim, colisões quase de frente são frequentes e o ângulo de impacto tende a diminuir ainda mais em encontros subsequentes. "Uma fração significativa de tais colisões ocorre no primeiro encontro ou após um ou dois eventos 'toca-e-foge'," concluem os autores no seu artigo publicado na revista Nature Astronomy. "A este respeito, Saturno é um local quase perfeito para estudar estes processos," realça Martin Rubin.

Embora os investigadores se tivessem concentrado principalmente nas pequenas luas interiores de Saturno, também descobriram uma possível explicação para um mistério de longa data a respeito da terceira maior lua de Saturno, Jápeto. Porque é que Jápeto tem uma forma oblata e uma crista equatorial distinta? "Os nossos resultados de modelagem sugerem que essas características podem ser o resultado de uma fusão entre luas de tamanho idêntico que ocorrem a um ângulo próximo do frontal, semelhante às luas mais pequenas," resumem os investigadores.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Berna (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature Astronomy
SPACE.com
Space Daily
New Scientist
Scientific American
Astronomy Now
PHYSORG
ZME science
COSMOS

Pã:
Wikipedia

Atlas:
Wikipedia

Prometeu:
Wikipedia

Jápeto:
SEDS.org
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia
Luas de Saturno (Wikipedia) 
Anéis de Saturno (Wikipedia)

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
E0102-72.3: ASTRÓNOMOS AVISTAM UMA ESTRELA DE NEUTRÕES DISTANTE E SOLITÁRIA

Os astrónomos descobriram um tipo especial de estrela de neutrões pela primeira vez fora da Via Láctea, usando dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA e do VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile.

As estrelas de neutrões são os núcleos ultradensos de estrelas massivas que colapsam e explodem como supernovas. Esta estrela de neutrões recém-identificada é de uma variedade rara pois tem um campo magnético fraco e não tem uma companheira estelar.

A estrela de neutrões está localizada no remanescente de uma supernova - conhecida como 1E 0102.2-7219 (abreviada E0102) - na Pequena Nuvem de Magalhães, a 200.000 anos-luz da Terra.

Composição de E0101, no ótico e em raios-X.
Crédito: raios-X (NASA/CXC/ESO/F. Vogt et al.); ótico (ESO/VLT/MUSE & NASA/STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A nova composição de E0102 permite que os astrónomos aprendam novos detalhes sobre este objeto que foi descoberto há mais de três décadas atrás. Nesta imagem, os raios-X do Chandra têm tons azuis e roxos, enquanto os dados óticos do instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) do VLT têm um tom vermelho brilhante. Os dados adicionais do Telescópio Espacial Hubble têm tons vermelhos escuros e verdes.

Remanescentes de supernova ricos em oxigénio, como E0102, são importantes para compreender como as estrelas massivas fundem os elementos mais leves nos mais pesados antes de explodirem. Vistos até alguns milhares de anos após a explosão original, os remanescentes ricos em oxigénio contêm os detritos expelidos do interior da estrela moribunda. Estes detritos (visíveis como a estrutura filamentar verde na imagem combinada) são observados hoje a passar pelo espaço depois de expulsos a milhões de quilómetros por hora.

As observações de E0102 pelo Chandra mostram que o remanescente de supernova é dominado por uma grande estrutura em forma de anel em raios-X, associada à onda de choque da supernova. Os novos dados MUSE revelaram um anel mais pequeno de gás (em vermelho brilhante) que está a expandir-se mais lentamente do que a onda de choque. No centro deste anel está uma fonte de raios-X semelhante a um ponto azul. Juntos, o pequeno anel e a fonte pontual agem como um alvo celeste.

Os dados combinados do Chandra e do MUSE sugerem que esta fonte é uma estrela de neutrões isolada, criada na explosão de supernova há cerca de dois milénios. A assinatura de energia de raios-X desta fonte, ou "espectro", é muito semelhante à das estrelas de neutrões localizadas no centro de outros dois famosos remanescentes de supernova: Cassiopeia A (Cas A) e Puppis A. Estas duas estrelas de neutrões também não têm estrelas companheiras.

A ausência de evidências de emissão de rádio estendida ou de radiação de raios-X pulsada, tipicamente associadas com estrelas de neutrões altamente magnetizadas e de rotação veloz, indica que os astrónomos detetaram os raios-X da superfície quente de uma estrela de neutrões isolada com campos magnéticos fracos. Foram detetados, na Via Láctea, cerca de 10 objetos deste tipo, mas este é o primeiro detetado fora da nossa Galáxia.

Mas como é que esta estrela de neutrões acabou na sua posição atual, aparentemente deslocada do centro da chamada concha circular de emissão de raios-X produzida pela onda de choque da supernova? Uma possibilidade é que a explosão de supernova ocorreu perto do meio do remanescente, mas a estrela de neutrões foi expulsa do local por uma explosão assimétrica, a uma velocidade alta de aproximadamente 3,2 milhões de quilómetros por hora. No entanto, neste cenário, é difícil explicar por que a estrela de neutrões está hoje tão bem cercada pelo recém-descoberto anel de gás visto nos comprimentos de onda visíveis.

Outra explicação possível é que a estrela de neutrões está a mover-se lentamente e a sua posição atual é aproximadamente onde a explosão de supernova teve lugar. Neste caso, o material no anel ótico pode ter sido expelido ou durante a explosão de supernova, ou pela progenitora condenada até alguns milhares de anos antes.

Um desafio deste segundo cenário é que o local da explosão estaria localizado bem longe do centro do remanescente, conforme determinado pela emissão prolongada de raios-X. Isto implicaria um conjunto especial de circunstâncias para os arredores de E0102: por exemplo, uma cavidade esculpida pelos ventos da estrela progenitora antes da explosão de supernova e variações na densidade do gás e poeira interestelar em torno do remanescente.

As futuras observações de E0102 em comprimentos de onda de raios-X, óticos e de rádio devem ajudar os astrónomos a resolver este novo e empolgante mistério apresentado pela solitária estrela de neutrões.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de abril da Nature Astronomy e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
PHYSORG
ScienceDaily
Astronomy Now
COSMOS
spaceref
UPI
Gizmodo

E0102:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Pequena Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Galáxia Espiral NGC 4038 em Colisão
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubbleHLA; Processamento e Direitos de Autor: Domingo Pestana
 
Esta galáxia está a ter um mau milénio. De facto, os últimos 100 milhões de anos não têm sido muito bons, e provavelmente os próximos mil milhões vão ser também muito tumultuosos. Visível para baixo e para a direita, NGC 4038 era uma galáxia espiral normal, nunca se metia nos assuntos das outras, até que NGC 4039, para cima e para a esquerda, colidiu com ela. O desastre daí resultante, conhecido popularmente como as Antenas, é visto na imagem. À medida que a gravidade restrutura cada galáxia, nuvens de gás colidem umas com as outras, formando brilhantes nós azulados de formação estelar, estrelas massivas nascem e explodem, e os filamentos castanhos de poeira são espalhados. Eventualmente, as duas galáxias convergem numa única grande galáxia espiral. Este tipo de colisão não é incomum, até mesmo a nossa própria Via Láctea sofreu algumas no passado e prevê-se que vá colidir com a vizinha Galáxia de Andrómeda daqui a uns milhares de milhões de anos. As exposições que compõem a imagem foram obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble com o intuito de melhor compreender as colisões galácticas. Estas imagens -- e muitas outras imagens de céu profundo do Hubble -- foram tornadas públicas, permitindo com que qualquer interessado possa fazer download e as processe, por exemplo, neste mosaico visualmente espantoso.
 

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