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Edição n.º 1508
21/08 a 23/08/2018
 
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ASTRONOMIA NO VERÃO DO CCVAlg

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de agosto:

22/08 - Observar o Sol, Ilha Deserta - Faro, junto ao restaurante Estaminé, a partir das 10:45

24/08 - Observação astronómica noturna, Olhão, na Marina (Jardim dos Pescadores), a partir das 21:00

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis)

 
EFEMÉRIDES

Dia 21/08: 233.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento da Gemini 5.
Em 1993, a NASA perdia o contacto com a sonda Mars Observer três dias antes da entrada planeada na atmosfera de Marte.

Em 2017, um eclipse solar atravessa os EUA continental.
Observações: Saturno brilha para a direita da Lua ao lusco-fusco. E Marte brilha para baixo e para a esquerda da lua.

Dia 22/08: 234.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 era descoberto, definitivamente, o primeiro anel de Neptuno, graças à Voyager 2.

Observações: A Lua, quase Cheia, brilha para cima e para a direita de Marte. Ao contrário do Planeta Vermelho, a Lua situa-se ao longo de uma linha quase direita com Saturno, Júpiter e Vénus (desde a direita da Lua até bem para oeste). Para ver quão direita é esta linha, utilize uma régua ou um fio bem esticado. Porque é que estão tão bem alinhados? A Lua está esta noite quase na eclíptica, mas Marte está a uns bons 6,1º sul da eclíptica.

Dia 23/08: 235.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 estreia a série televisiva, "The Jetsons", uma produção da Hanna-Barbara que introduziu a uma geração um futuro com base na tecnologia. 
Em 1966, a Lunar Orbiter 1 tira a primeira fotografia da Terra a partir de órbita lunar. 
Em 1993, a sonda Galileu descobre uma lua, mais tarde chamada Dactyl, em torno de 243 Ida, a primeira lua conhecida em torno de um asteroide.

Observações: Marte está esta noite para baixo e para a direita da Lua.

 
CURIOSIDADES

O termo "Aurora Boreal" deriva da deusa romana do amanhecer, "Aurora" e do nome grego de um dos titãs, que representa o vento norte, com o nome de Boreas.
 
PRIMEIRA CIÊNCIA COM AS CAPACIDADES DE FREQUÊNCIAS MAIS ALTAS DO ALMA
Ilustração que salienta as capacidades de observação nas mais altas frequências do ALMA.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello
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Uma equipa de cientistas que usa as capacidades de maior frequência do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) descobriu jatos de vapor de água quente saindo de uma estrela recém-formada. Os investigadores também detetaram as "impressões digitais" de uma surpreendente variedade de moléculas próximas desse berçário estelar.

O telescópio ALMA no Chile transformou a forma como vemos o Universo, mostrando-nos partes do cosmos que de outro seriam invisíveis. Este conjunto de antenas incrivelmente precisas estuda uma faixa de rádio comparativamente de alta frequência: ondas que variam de algumas décimas de milímetro até vários milímetros em amplitude. Recentemente, os cientistas empurraram o ALMA aos seus limites, aproveitando as capacidades de maior frequência (menor comprimento de onda), que espiam parte do espectro eletromagnético que cruza a linha entre o infravermelho e o rádio.

"As observações de rádio de alta frequência como estas normalmente não são possíveis no solo," comenta Brett McGuire, químico do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Charlottesville, no estado norte-americano de Virginia, autor principal de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. "Elas exigem a extrema precisão e sensibilidade do ALMA, juntamente com algumas das condições atmosféricas mais secas e estáveis que podem ser encontradas na Terra."

Sob condições atmosféricas ideais, que ocorreram na noite de 5 de abril de 2018, os astrónomos treinaram a visão submilimétrica de frequência mais alta do ALMA numa região curiosa da Nebulosa Pata de Gato (também conhecida como NGC 6334I), uma região de formação estelar localizada a cerca de 4300 anos-luz da Terra na direção da constelação de Escorpião.

As observações anteriores do ALMA desta região, em frequências mais baixas, revelaram a formação turbulenta de estrelas, um ambiente altamente dinâmico e uma riqueza de moléculas no interior da nebulosa.

Para observar em frequências mais altas, as antenas do ALMA estão desenhadas para acomodar uma série de "bandas" - numeradas de 1 a 10 - e cada uma estuda uma parte específica do espectro. Os recetores de Banda 10 observam as frequências mais altas (comprimentos de onda mais curtos) de qualquer um dos instrumentos ALMA, abrangendo comprimentos de onda de 0,3 a 0,4 milímetros (787 a 950 gigahertz), também considerados radiação infravermelha de comprimento de onda longo.

Imagem de um dos cartuchos frios do recetor de Banda 10, que dá ao ALMA as suas capacidades de frequências mais altas.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
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As primeiras observações deste tipo para o ALMA, com a Banda 10, produziram resultados emocionantes.

Jatos de Vapor de Protoestrela

Um dos primeiros resultados da Banda 10 do ALMA foi também um dos mais desafiadores, a observação direta de jatos de vapor de água libertados por uma das maiores protoestrelas da região. O ALMA foi capaz de detetar a luz de comprimento de onda submilimétrico naturalmente emitida pela água pesada (moléculas de água formadas por átomos de oxigénio, hidrogénio e deutério, que são átomos de hidrogénio com um protão e um neutrão no seu núcleo).

"Normalmente, não poderíamos ver diretamente este sinal em particular a partir do solo," realça Crystal Brogan, astrónoma do NRAO e coautora do artigo. "A atmosfera da Terra, mesmo em lugares notavelmente áridos, ainda contém bastante vapor de água para suprimir completamente este sinal de qualquer fonte cósmica. No entanto, durante condições excecionalmente pristinas no alto Deserto de Atacama, o ALMA pode, de facto, detetar esse sinal. Isto é algo que nenhum outro telescópio na Terra consegue fazer."

A porção azul superior deste gráfico mostra as linhas espectrais que o ALMA detetou numa região de formação estelar da Nebulosa Pata de Gato. A porção inferior mostra as linhas detetadas pelo Observatório Espacial Herschel da ESA. As observações do ALMA detetaram mais de dez vezes mais linhas espectrais. Note que os dados do Herschel foram invertidos para comparação. Estão legendadas duas linhas moleculares para fins de referência.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, B. McGuire et al.
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À medida que as estrelas começam a se formar a partir de nuvens massivas de poeira e gás, o material em redor da estrela cai para a massa no centro. Uma porção deste material, no entanto, é expelido da protoestrela em crescimento como um par de jatos, que transportam gás e moléculas, incluindo água.

A água pesada que os cientistas observaram flui ou de uma única protoestrela ou de um pequeno enxame de protoestrelas. Estes jatos estão orientados de modo diferente do que parecem ser jatos muito maiores e potencialmente mais maduros emanados da mesma região. Os astrónomos especulam que os jatos de água pesada vistos pelo ALMA são características relativamente recentes que começam agora a mover-se para a nebulosa em redor.

Estas observações também mostram que nas regiões onde esta água bate no gás circundante, masers de água de baixa frequência - versões naturais de lasers de micro-ondas - entram em erupção. Os masers foram detetados em observações complementares pelo VLA (Very Large Array) do NSF (National Science Foundation).

Composição do ALMA de NGC 6334I, uma região de formação estelar na Nebulosa Pata de Gato, obtida com recetores de Banda 10, a visão de mais alta frequência do ALMA. O componente azul é a água pesada (HDO) que flui para longe de ou uma única protoestrela ou de um pequeno enxame de protoestrelas. A região cor-de-laranja é a "emissão continuada" na mesma região, que os cientistas descobriram ser extraordinariamente rica em impressões digitais moleculares, incluindo glicoaldeído, a molécula mais simples relacionada com o açúcar.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO): NRAO/AUI/NSF, B. Saxton
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ALMA Observa Moléculas em Abundância

Além de produzir imagens marcantes de objetos no espaço, o ALMA também é um sensor cosmo-químico extremamente sensível. À medida que as moléculas dão trambolhões e vibram no espaço, naturalmente emitem luz em comprimentos de onda específicos, que aparecem como picos e quedas num espectro. Todas as bandas recetoras do ALMA podem detetar essas impressões digitais únicas, mas as linhas das frequências mais altas fornecem uma visão única sobre substâncias químicas mais leves e importantes, como a água pesada. Também fornecem a capacidade de observar estes sinais de moléculas complexas e quentes, que possuem linhas espectrais mais fracas em frequências mais baixas.

Usando a Banda 10, os investigadores foram capazes de observar uma região do espectro que é extraordinariamente rica em impressões digitais moleculares, incluindo a do glicoaldeído, a molécula mais simples relacionada com o açúcar.

Quando comparadas com as anteriores melhores observações do mundo, da mesma fonte, captadas pelo Observatório Espacial Herschel da ESA, as observações do ALMA detetaram mais de 10 vezes mais linhas espectrais.

"Nós detetámos um tesouro de moléculas orgânicas complexas em torno desta enorme região de formação estelar," acrescenta McGuire. "Estes resultados foram recebidos com entusiasmo pela comunidade astronómica e mostram mais uma vez como o ALMA vai remodelar a nossa compreensão do Universo."

Imagem pela Banda 10 do ALMA da água pesada (HDO) que flui para longe da região NGC 6334I da Nebulosa Pata de Gato. Esta imagem é o resultado das capacidades de observação das mais altas frequências pelo ALMA, que puxa os limites da astronomia no solo.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); NRAO/AUI/NSF, B, Saxton
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O ALMA é capaz de aproveitar estas raras janelas de oportunidade quando as condições atmosféricas são "perfeitas", usando agendamento dinâmico. Isto significa que os operadores do telescópio e os astrónomos monitorizam cuidadosamente a meteorologia e conduzem as observações planeadas que melhor se ajustam às condições predominantes.

"Há certamente algumas condições que precisam ser cumpridas para realizar uma observação bem-sucedida usando a Banda 10," conclui Brogan. "Mas estes novos resultados do ALMA demonstram o quão importante estas observações podem ser."

"Para permanecer na vanguarda da descoberta, os observatórios devem inovar continuamente para impulsionar o avanço do que a astronomia pode atingir," comenta Joe Pesce, diretor do programa do NRAO no NSF. "Este é um elemento central do NRAO do NSF, e do ALMA, e esta descoberta leva ao limite a astronomia feita a partir do solo."

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
PHYSORG
Astrobiology Magazine

NGC 6334:
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia

Água pesada:
Wikipedia

Glicoaldeído:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

 
HUBBLE PINTA RETRATO DO UNIVERSO EM EVOLUÇÃO

Os astrónomos que usam a visão ultravioleta do Telescópio Espacial Hubble da NASA capturaram uma das maiores imagens panorâmicas do fogo e da fúria do nascimento estelar no Universo distante. O campo apresenta aproximadamente 15.000 galáxias, das quais cerca de 12.000 estão a formar estrelas. A visão ultravioleta do Hubble abre uma nova janela no Universo em evolução, acompanhando o nascimento das estrelas ao longo dos últimos 11 mil milhões de anos, até ao mais movimentado período de formação estelar do cosmos, que teve lugar cerca de 3 mil milhões de anos após o Big Bang.

A radiação ultravioleta tem sido a peça que faltava no quebra-cabeças cósmico. Agora, combinada com dados infravermelhos e visíveis do Hubble e de outros telescópios espaciais e terrestres, os astrónomos divulgaram um dos retratos mais compreensivos, até agora, da história evolutiva do Universo.

Os astrónomos "pintaram" um dos retratos mais abrangentes da história evolutiva do Universo, baseado num amplo espectro de observações pelo Telescópio Espacial Hubble e por outros telescópios espaciais e terrestres. Em particular, a visão ultravioleta do Hubble abre uma nova janela no Universo em evolução, acompanhando o nascimento de estrela ao longo dos últimos 11 mil milhões de anos até ao mais movimentado período de formação estelar do cosmos, cerca de 3 mil milhões de anos após o Big Bang. Esta imagem engloba um mar de aproximadamente 15.000 galáxias - 12.000 das quais estão a formar estrelas - amplamente distribuídas no tempo e no espaço. Este mosaico tem 14 vezes a área do Hubble Ultra Violeta Ultra Deep Field, divulgado em 2014.
Crédito: NASA, ESA, P. Oesch (Universidade de Genebra) e M. Montes (Universidade de Nova Gales do Sul)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A imagem atravessa a lacuna entre as galáxias muito distantes, que só podem ser vistas no infravermelho, e as galáxias mais próximas, que podem ser vistas através de um amplo espectro. A luz de distantes regiões de formação estelar em galáxias remotas começou por ser ultravioleta. No entanto, a expansão do Universo desviou a luz até comprimentos de onda infravermelhos. Ao comparar imagens da formação estelar no Universo distante e próximo, os astrónomos obtêm uma melhor compreensão de como as galáxias vizinhas cresceram a partir de pequenos aglomerados de estrelas jovens e quentes há muito tempo atrás.

Dado que a atmosfera da Terra filtra a maior parte da radiação ultravioleta, o Hubble pode fornecer algumas das observações ultravioletas mais sensíveis baseadas em observações espaciais.

O programa, de nome Levantamento de Legado HDUV (Hubble Deep UV), amplia e apoia-se em dados anteriores de vários comprimentos de onda com o Hubble nos campos CANDELS-Deep (Cosmic Assembly Near-infrared Deep Extragalactic Legacy Survey) dentro da região central dos campos GOODS (Great Observatories Origins Deep Survey). O mosaico tem 14 vezes a área do Hubble Ultra Violet Ultra Deep Field, anunciado em 2014.

Esta imagem é uma porção do campo GOODS-Norte, localizado na constelação de Ursa Maior.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (PDF)
Hubblesite
SPACE.com
Science alert
PHYSORG
Newsweek

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Levantamento de Legado HDUV, v1.0

 
OS ESFORÇOS DE RECUPERAÇÃO DO OPPORTUNITY

O rover Opportunity da NASA está em silêncio desde o dia 10 de junho, quando uma tempestade de poeira que envolveu o planeta Marte cortou a energia solar do veículo com quase 15 anos. Agora que os cientistas pensam que a tempestade global está a "decair" - o que significa que está a cair mais poeira da atmosfera do que está sendo elevada - os céus podem ficar claros o suficiente para que o rover movido a energia solar recarregue as suas baterias e tente "telefonar" para casa.

Ninguém saberá o estado do rover até que este fale. Mas a equipa realça que há motivos para estar otimista: realizaram vários estudos sobre o estado das suas baterias antes da tempestade e das temperaturas no seu local à superfície de Marte. Dado que as baterias estavam relativamente de boa saúde antes da tempestade, não é provável que exista muita degradação. E como as tempestades de poeira tendem a aquecer o ambiente - e a tempestade de 2018 ocorreu quando o local do Opportunity em Marte entrava no verão - o rover deverá ter ficado quente o suficiente para sobreviver.

Animações, lado a lado, que mostram como a poeira pode envolver o Planeta Vermelho, cortesia da câmara MARCI (Mars Color Imager) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Quais são os sinais que os engenheiros do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, estão a procurar - e o que é que significam para os esforços de recuperação?

Um tau abaixo de 2

As tempestades marcianas de poeira impedem que a luz solar alcance a superfície, elevando o nível de uma medida chamada "tau". Quanto mais alto o tau, menos luz solar está disponível; o último tau medido pelo Opportunity foi de 10,8 no dia 10 de junho. Em comparação, um tau médio para a sua localização em Marte é geralmente de 0,5.

Os engenheiros do JPL preveem que o Opportunity precise de um tau inferior a 2,0 para que o rover movido a energia solar possa recarregar as suas baterias. Uma câmara de grande angular a bordo da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA observará as características da superfície tornando-se visíveis à medida que os céus ficam mais limpos. Isso ajudará os cientistas a estimar o tau.

Duas maneiras de ouvir o Opportunity

Várias vezes por semana, os engenheiros usam a DSN (Deep Space Network) da NASA, que comunica entre as sondas planetárias e a Terra, para tentar conversar com o Opportunity. As enormes antenas da DSN "sondam" o rover durante horários agendados para este "acordar" e, em seguida, procuram sinais enviados em resposta pelo Opportunity.

Além disso, o grupo de ciências de rádio do JPL usa equipamentos especiais nas antenas da DSN que podem detetar uma gama mais ampla de frequências. Cada dia, registam qualquer sinal de rádio de Marte durante a maior parte das horas diurnas do rover, e pesquisam os dados em busca da "voz" do Opportunity.

Quando o rover falha

Quando o Opportunity sofre um problema, pode entrar nos denominados "modos de falha", onde automaticamente toma medidas para manter a sua saúde. Os engenheiros estão a preparar-se para 3 modos de falha, caso ouçam o Opportunity de volta.

  • Falha de baixa energia: os engenheiros assumem que o rover entrou num modo de baixa energia logo após ter parado de comunicar no dia 10 de junho. Este modo faz com que o rover hiberne, supondo que vai acordar quando houver mais luz solar para recarregar as baterias;
  • Falha do relógio: o relógio "onboard" do rover é fundamental para operar em hibernação. Se o rover não souber que horas são, não sabe a que horas deve tentar comunicar. O rover pode usar pistas ambientais, como um aumento na luz solar, para fazer suposições sobre a hora;
  • Falha de "uploss": quando o rover não tem notícias da Terra há muito tempo, pode entrar no modo de falha "uploss" - um aviso de que o seu equipamento de comunicações pode não estar a funcionar. Quando passa por este modo de falha, começa a verificar o equipamento e tenta diferentes maneiras de comunicar com a Terra.

O que acontece se os engenheiros tiverem notícias do Opportunity?

Depois do primeiro sinal do Opportunity, recebido pelos engenheiros, poderá haver um desfasamento de várias semanas antes que tal torne a acontecer. É como se um paciente saísse de um coma: leva tempo para recuperar completamente. Talvez sejam necessárias várias sessões de comunicação antes que os engenheiros tenham informações suficientes para agir.

A primeira coisa a fazer é reunir mais informações sobre o estado do rover. A equipa do Opportunity vai solicitar um histórico das baterias, das células solares e solicitar a sua temperatura. Se o relógio tiver perdido a noção do tempo, será feito o seu "reset". O rover poderá tirar fotografias de si próprio para ver se a poeira está acumulada em partes sensíveis, e poderá testar os atuadores para ver se a poeira se infiltrou no interior, afetando as juntas.

Depois de reunirem todos estes dados, os operadores debatem se o rover está pronto para tentar uma recuperação completa.

Ainda não está livre de perigo

Mesmo que os engenheiros ouçam novamente o Opportunity, existe a possibilidade real de que o rover possa já não ser o mesmo.

As baterias do rover podem ter descarregado tanta energia - e ter ficado inativas durante tanto tempo - que a sua capacidade está reduzida. Se essas baterias não conseguirem guardar tanta energia como no passado, isso poderá afetar as operações continuadas do rover. Também poderá significar que o comportamento de drenagem energética, como por exemplo manter os aquecedores ligados durante o inverno, pode esgotar as baterias.

A poeira geralmente não é um grande problema. As tempestades anteriores espalharam poeira nas lentes das câmaras, mas a maior parte saiu com o tempo. Qualquer poeira restante pode ser calibrada.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Astronomy Now
PHYSORG
Newsweek
Popular Mechanics
Gizmodo

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Rover Opportunity:
NASA
Wikipedia

MRO:
NASA 
JPL 
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  A água é destruída e renasce em Júpiteres ultraquentes (via NASA)
Imagine um lugar onde a previsão meteorológica é sempre a mesma: temperaturas escaldantes, sol incessante e absolutamente zero de chuva. Este cenário infernal existe nos lados diurnos de um tipo de planeta encontrado para lá do Sistema Solar, chamado "ultra-Júpiteres". Estes mundos orbitam muito perto das suas estrelas, com um lado voltado permanentemente para a estrela. Ler fonte
     
  Ferro e titânio na atmosfera de um exoplaneta (via Universidade de Genebra)
Uma equipa de astrónomos anunciou a descoberta da presença de ferro e titânio na atmosfera do exoplaneta KELT-9b. A deteção destes metais pesados foi possível graças à temperatura do planeta, que ultrapassa os 4000º C. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Proeminências Ativas num Sol Calmo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Alan Friedman (Averted Imagination)
 
Porque é que o Sol está tão quieto? À medida que o Sol entra num período de tempo conhecido como Mínimo Solar, mostra, como esperado, menos manchas solares e regiões ativas do que o normal. No entanto, a quietude é um pouco inquietante, pois este ano até agora não temos tido quase manchas solares nenhumas. Em contraste, de 2011 a 2015, durante o Máximo Solar, o Sol exibia manchas quase todos os dias. O Máximo e o Mínimo ocorrem num ciclo de 11 anos, o último Mínimo Solar tendo sido o mais calmo dos últimos 100 anos. Será este Mínimo Solar atual ainda menos ativo? Embora a atividade do Sol afete a Terra e os seus arredores, ninguém sabe ao certo o que o Sol fará a seguir, e a física por trás dos processos continua a ser um tópico ativo de investigação. A imagem em destaque foi obtida há cerca de 3 semanas e mostra que o nosso Sol está ocupado mesmo num dia calmo. Proeminências de plasma quente, algumas maiores do que a Terra, dançam continuamente e são mais facilmente visíveis ao longo da orla.
 

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