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Edição n.º 1512
04/09 a 06/09/2018
 
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ASTRONOMIA NO VERÃO DO CCVAlg

Atividades astronómicas planeadas para o mês de setembro:

12/09 - Observação astronómica noturna - Castelo de Paderne, Albufeira, junto ao Castelo, a partir das 20:30

15/09 - Observação astronómica noturna - Alto da Fóia, Monchique, a partir das 21:30

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis)

 
EFEMÉRIDES

Dia 04/09: 247.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, nascia Jacqueline Hewitt, astrofísica e primeira descobridora dos anéis de Einstein - a deformação da luz a partir de uma fonte, como por exemplo uma galáxia, num anel conhecido como lente gravitacional.

Observações: Esta semana vamos ter boas oportunidades para observar a Via Láctea, dado que a Lua nasce tarde. Quando Deneb atravessar o zénite, pouco depois das 23 horas, também o faz a Via Láctea - percorrendo desde o horizonte a sudoeste, passando por Deneb e descendo até ao horizonte a nordeste.

Dia 05/09: 248.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, era lançada a sonda Voyager 1.

Com um custo de 860 milhões de dólares (até à passagem por Neptuno), a missão foi uma "ninharia" considerando o vasto retorno científico de dados e conhecimento do Sistema Solar exterior.
Em 1984, o vaivém espacial Discovery completava o seu voo inaugural.
Observações: À medida que amanhece, use binóculos ou um telescópio com um grande campo de visão para avistar Régulo piscando cerca de 1,5º para baixo do mais brilhante planeta Mercúrio. Estão muito baixos a este-nordeste.

Dia 06/09: 249.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1892, nascia Edward Victor Appleton, físico inglês que em 1947 ganhou o Prémio Nobel da Física ao provar a existência da ionosfera em 1924.
Em 1899, era fundada a Sociedade Astronómica e Astrofísica da América, agora com o nome Sociedade Astronómica Americana.
Em 1997 era descoberta a primeira lua irregular de ÚranoCaliban, por Brett J. Galdman (Instituto Canadiano para a Astrofísica Teórica), Philip D. Nicholson (Universidade de Cornell), Joseph A. Burns (Universidade de Cornell) e JJ Kavelaars (Universidade McMaster). 

Estavam usando o telescópio Hale de 5 metros do monte PalomarÚrano tem 27 luas conhecidas.
Observações: Hoje, Régulo e Mercúrio estão ainda mais próximos, Régulo estando a 1,1º para a direita de Mercúrio.
Ao anoitecer, Arcturo brilha a oeste. Está cada vez mais baixo com o passar das semanas. Para a sua direita, a noroeste, encontra-se a Ursa Maior - a sua "frigideira" aproxima-se do horizonte.

 
CURIOSIDADES

R136a1 é uma hipergigante azul, atualmente detentora do recorde da mais massiva estrela conhecida. Com uma massa estimada em 315 Sóis, é também a mais luminosa, com 8.700.000 vezes o brilho do Sol. Faz parte do superenxame R136, perto do centro de 30 Dourado (a Nebulosa da Tarântula) na Grande Nuvem de Magalhães. Curiosamente, R136a1 não é a maior estrela em termos de volume; este prémio pertence a VY Canis Majoris, que tem entre 1800 e 2100 raios solares.
 
ESTRELAS VERSUS POEIRA NA NEBULOSA CARINA
Esta imagem da Nebulosa Carina revela esta nuvem dinâmica de matéria interstelar e gás e poeira dispersos como nunca tinha sido observada antes. As estrelas massivas no interior desta bolha cósmica emitem radiação intensa que faz brilhar o gás circundante. Em contraste, outras regiões da nebulosa contêm pilares escuros de poeira que escondem estrelas recém nascidas.
Crédito: ESO/J. Emerson/M. Irwin/J. Lewis
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Nebulosa Carina, uma das maiores e mais brilhantes nebulosas do céu noturno, foi observada pelo telescópio VISTA do ESO, que obteve belas imagens deste objeto a partir do Observatório do Paranal, no Chile. Ao observar no infravermelho, o VISTA conseguiu ver para além do gás quente e poeira escura que rodeiam a nebulosa, mostrando-nos uma miríade de estrelas, tanto recém-nascidas como nos estertores da morte.

Na constelação da Quilha, a cerca de 7500 anos-luz de distância, localiza-se uma nebulosa no seio da qual as estrelas nascem e morrem lado a lado. Moldada por estes eventos dramáticos, a Nebulosa Carina é uma nuvem dinâmica e em evolução, de gás e poeira bastante dispersos.

As estrelas massivas no interior desta bolha cósmica emitem radiação intensa que faz brilhar o gás circundante. Em contraste, outras regiões da nebulosa contêm pilares escuros de poeira que escondem estrelas recém-nascidas. Existe como que uma batalha entre as estrelas e a poeira na Nebulosa Carina, sendo que as estrelas recém-formadas estão a ganhar — produzem radiação altamente energética e ventos estelares que fazem evaporar e dispersar as maternidades estelares poeirentas nas quais se formaram.

Com uma dimensão de 300 anos-luz, a Nebulosa Carina é uma das maiores regiões de formação estelar da Via Láctea, podendo ser facilmente observada a olho nu num céu escuro. Infelizmente, para as pessoas que vivem no hemisfério norte, este objeto situa-se 60º abaixo do equador celeste e por isso é apenas visível a partir do hemisfério sul.

No seio desta intrigante nebulosa, Eta Carinae ocupa um lugar de destaque como um sistema estelar muito peculiar. Este monstro estelar — uma forma interessante de binário estelar — é o sistema estelar mais energético da região e era um dos objetos mais brilhantes do céu na década de 1830. Desde essa altura desvaneceu dramaticamente, aproximando-se agora do final da sua vida, mas permanecendo um dos sistemas estelares mais massivos e luminosos da Via Láctea.

Eta Carinae pode ser vista nesta imagem no meio da área de luz brilhante circundada por uma forma em "V", formada por nuvens de poeira. Logo à direita de Eta Carinae encontra-se a relativamente pequena Nebulosa do Buraco de Fechadura — uma pequena nuvem densa de moléculas e gás frio situada no seio da Nebulosa Carina — que alberga várias estrelas massivas e cuja aparência mudou também drasticamente ao longo dos últimos séculos.

A Nebulosa Carina foi descoberta a partir do Cabo da Boa Esperança por Nicolas Louis de La Caille na década de 1750 e desde essa altura foi observada inúmeras vezes. O VISTA — Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy — acrescenta, no entanto, um detalhe sem precedentes à imagem de grande área; a sua visão infravermelha é perfeita no que diz respeito a revelar aglomerados de estrelas jovens escondidos no material poeirento que serpenteia ao longo da Nebulosa Carina. Em 2014, o VISTA foi utilizado para localizar quase cinco milhões de fontes individuais infravermelhas no seio desta nebulosa, revelando assim a vasta extensão deste campo de criação de estrelas. O VISTA é o maior telescópio infravermelho do mundo dedicado a rastreios e o seu grande espelho, enorme campo de visão e detetores extremamente sensíveis permitem aos astrónomos observar o céu austral de uma maneira completamente nova.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
ESOcast 175 (ESO via YouTube)
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
EurekAlert!
Discover
ScienceDaily
PHYSORG
Astronomy Now

Nebulosa Carina:
Wikipedia
SEDS.org

Eta Carinae:
Wikipedia
Solstation

VST:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
UAI PASSA A USAR NOVO REFERENCIAL PARA DIREÇÕES NO ESPAÇO
Radiotelescópio em Hobart, Austrália.
Crédito: Universidade de Tecnologia de Viena
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No futuro, quando as naves espaciais forem enviadas para outros planetas ou quando for estudada a rotação do planeta Terra, será usado um novo referencial. No dia 30 de agosto, na Assembleia Geral da União Astronómica Internacional (UAI) em Viena (Áustria), foi adotado o novo referencial celeste internacional ICRF3 (International Celestial Reference Frame), que permite especificações direcionais mais precisas no espaço. Baseia-se na medição precisa de mais de 4000 fontes de rádio extragaláticas.

Um sistema de coordenadas para o Universo

Da mesma forma que é necessário um sistema de referência para medir picos de montanhas (medindo a longitude e latitude da Terra e a altura acima do nível do mar, por exemplo), é essencial concordar num sistema de referência confiável para especificar direções no espaço. "Não é boa ideia usar as estrelas fixas que vemos no céu noturno," explica o professor Johannes Böhm do Departamento de Geodesia e Geoinformação da Universidade de Tecnologia de Viena. "Com o tempo, mudam um pouco relativamente umas às outras. Isto significa que seria necessário definir um novo sistema de referência a cada poucos anos para manter o nível de precisão exigido."

As fontes de rádio extragaláticas, por outro lado, são outra questão. "Hoje em dia, conhecemos centenas de milhares de objetos no espaço que emitem radiação extremamente intensa e de ondas longas," comenta Böhm. "Estes são buracos negros supermassivos no centro de galáxias longínquas, também conhecidos como quasares, por vezes localizados a milhares de milhões de anos-luz." Estas fontes de radiação parecem-se praticamente com pontos a partir da Terra e a sua enorme distância torna-as ideais para estabelecer um sistema de referência mundial. As mudanças relativamente pequenas entre os quasares não desempenham aqui um papel.

Comparando diferentes radiotelescópios uns contra os outros

No entanto, para alcançar o mais alto nível de precisão necessitamos algum esforço: não basta simplesmente tirar uma foto com um radiotelescópio e ler a direção da fonte de rádio a partir dela. Em vez disso, são comparados dados de diferentes radiotelescópios. "Cada fonte de rádio fornece um sinal com um certo ruído," explica David Mayer, assistente da equipa de Johannes Böhm. "Quando medimos este ruído em dois radiotelescópios diferentes ao mesmo tempo - idealmente separados por milhares de quilómetros - podemos determinar com muita precisão a diferença de tempo entre a chegada do sinal no primeiro e no segundo radiotelescópio. A partir daqui, podemos calcular a direção do sinal que recebemos com uma precisão extrema." Estes cálculos requerem computadores muito poderosos, como o VSC-3 (Vienna Scientific Cluster). Além da Universidade de Tecnologia de Viena, grupos de investigação de todo o mundo forneceram soluções para o referencial ICRF3, bem como o Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e o Observatório de Paris.

Com este método, podemos estabelecer a posição das fontes de rádio no céu estrelado com uma precisão de aproximadamente 30 microssegundos de arco. Isto corresponde aproximadamente ao diâmetro de uma bola de ténis na Lua, vista da Terra.

Na Assembleia Geral da UAI, em Viena, foi tomada a decisão de usar este altamente preciso mapa de fontes de rádio como a referência internacional.

Será usado, por exemplo, para especificar a posição de objetos astronómicos ou naves espaciais. Além disso, o sistema de referência é essencial para monitorizar o nosso próprio planeta, como na precessão do eixo de rotação da Terra ou no movimento dos polos.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Tecnologia de Viena (comunicado de imprensa)

União Astronómica Internacional:
Página oficial

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Partículas recolhidas pela Hayabusa dão idade absoluta do asteroide Itokawa (via Universidade de Osaka)
Cientistas japoneses examinaram minuciosamente partículas recolhidas do asteroide Itokawa pela nave espacial Hayabusa, descobrindo que o corpo parente de Itokawa foi formado há cerca de 4,6 mil milhões de anos, quando o Sistema Solar nasceu, e que foi destruído por uma colisão com outro asteroide há cerca de 1,5 mil milhões de anos. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Aurora em Redor do Polo Norte de Saturno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubblePrograma OPALJ. DePasquale (STScI), L. Lamy (Obs. Paris)
 
Será que as auroras de Saturno são como as da Terra? Para ajudar a responder a esta pergunta, o Telescópio Espacial Hubble e a sonda Cassini monitorizaram simultaneamente o polo norte de Saturno durante as órbitas finais da sonda em setembro de 2017. Durante esse tempo, a inclinação de Saturno fez com que o seu polo norte fosse claramente visível da Terra. A imagem em destaque é uma composição de exposições ultravioletas de auroras e exposições óticas das nuvens e anéis de Saturno, todas obtidas recentemente pelo Hubble. Como na Terra, as auroras do norte de Saturno podem fazer anéis totais ou parciais em redor do polo. Ao contrário da Terra, no entanto, as auroras de Saturno são frequentemente espirais - e mais propensas a atingir o pico de brilho pouco antes da meia-noite e do amanhecer. Em contraste com as auroras de Júpiter, as auroras de Saturno parecem mais relacionadas com a ligação entre o campo magnético interno de Saturno e o vento solar próximo e variável. As auroras do sul de Saturno foram igualmente fotografadas em 2004, quando o polo sul do planeta era claramente visível da Terra.
 

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