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Edição n.º 1514
11/09 a 13/09/2018
 
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ASTRONOMIA NO VERÃO DO CCVAlg

Atividades astronómicas planeadas para o mês de setembro:

13/09 - Observação astronómica noturna - Castelo de Paderne, Albufeira, junto ao Castelo, a partir das 20:30

15/09 - Observação astronómica noturna - Alto da Fóia, Monchique, a partir das 21:30

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis)

 
EFEMÉRIDES

Dia 11/09: 254.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1877, nascia o astrónomo teórico inglês James Hopwood Jeans. Na primeira década do século XX, Jeans trabalhou nos fundamentos dos processos de colapso gravitacional, relevantes para a formação de sistemas solares, estrelas e galáxias.
Em 1985, o ICE, ou International Cometary Explorer, faz a primeira travessia da cauda de um cometa, uma passagem pelo Cometa 21P/Giacobini-Zinner. O objetivo principal da missão era estudar a interação entre o vento solar e a atmosfera cometária.
Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.

Observações: Vega passa o zénite cerca de uma hora depois do pôr-do-Sol, para nós a latitudes médias norte. É uma estrela maior, mais quente e 50 vezes mais luminosa do que o nosso Sol. Mas, a 25 anos-luz de distância, está 1,6 milhões de vezes mais distante.

Dia 12/09: 255.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1725 nascia Guillaume Le Gentil, o astrónomo mais azarado de sempre.
Em 1959, a União Soviética lança a sonda Luna 2. Dois dias depois (14),  torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a atingir a Lua.

Em 1966, lançamento da Gemini 11, a penúltima missão do programa Gemini da NASA e a detentora do recorde atual de altitude humana (à excepção das missões lunares Apollo).
Em 1970, lançamento da soviética Luna 16, a primeira (não tripulada) a recolher amostras lunares e a enviá-las para a Terra. 
Em 1991, lançamento da missão STS-48 do vaivém Discovery, transportando o satélite UARS (Upper Atmosphere Research Satellite). 
Em 1992, lançamento da missão STS-47 do vaivém espacial Endeavour, a 50.ª missão dos vaivéns espaciais. A bordo estavam Mae Carol Jemison, a primeira mulher africo-americana no espaço, Mamoru Mohri, o primeiro cidadão japonês a voar uma nave americana, e Mark Lee e Jan Davis, o primeiro casal no espaço.
Em 1993, lançamento da missão STS-51 do vaivém espacial Discovery.
Observações: O "W" de Cassiopeia está a inclinar-se a nordeste depois do anoitecer. Procure o segmento inferior do "W", siga para baixo um pouco mais que a distância correspondente do segmento, para avistar uma mancha no brilho da Via Láctea caso tenha acesso a um céu suficientemente escuro. Os binóculos vão mostrar que esta mancha é o Enxame Duplo de Perseu.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 21:31 e as 23:54.

Dia 13/09: 256.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Ao anoitecer, olhe baixo a oeste-sudoeste. Encontre a Lua Crescente, Júpiter, e a estrela de 3.ª magnitude Alpha Librae. Formam um triângulo equilátero quase perfeito inclinado 4º.

 
CURIOSIDADES


Massa total estimada de objetos artificiais em astros do Sistema Solar (kg):
- Mercúrio: 507,9
- Vénus: 22.642
- Lua: 180.244
- Marte: 9.303
- Eros: 487
- Itokawa: 0,591
- Tempel 1: 370
- Churymov-Gerasimenko: 100
- Júpiter: 2564
- Titã: 319
TOTAL: ~216.537

 
PLUTÃO, PLANETA? NOVA INVESTIGAÇÃO DIZ QUE SIM
Imagem de alta-resolução de Plutão, com cores melhoradas de modo a realçar diferenças na sua composição superficial.
Crédito: NASA/APL de Johns Hopkins/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Segundo uma nova investigação da Universidade da Flórida Central, a razão pela qual Plutão perdeu o seu estatuto de planeta não é válida.

Em 2006, a União Astronómica Internacional, um grupo global de peritos em astronomia, estabeleceu que um planeta deveria "limpar" a sua órbita ou, por outras palavras, ser a maior força gravitacional na sua órbita.

Dado que a gravidade de Neptuno influencia o seu vizinho Plutão, e que Plutão partilha a sua órbita com gases gelados e objetos na Cintura de Kuiper, isso significou retirar a Plutão o estatuto de planeta.

No entanto, num novo estudo publicado na quarta-feira passada na revista online Icarus, o cientista planetário Philip Metzger, da Universidade da Flórida Central e do Instituto Espacial da Flórida, informou que esse padrão de classificação de planetas não é suportado na literatura de investigação.

Metzger, que é o autor principal do estudo, examinou a literatura científica dos últimos 200 anos e encontrou apenas uma publicação - de 1802 - que utilizou o requisito de limpar a órbita para classificar planetas, e foi baseado num raciocínio refutado.

Ele disse que luas como Titã (Saturno) e Europa (Júpiter) têm sido rotineiramente chamadas planetas por cientistas planetários desde a época de Galileu.

"A definição da UAI diria que o objeto fundamental da ciência planetária, o planeta, deve ser definido com base num conceito que ninguém usa nas suas pesquisas," comenta Metzger. "E deixaria de fora o segundo planeta mais complexo e interessante do nosso Sistema Solar."

"Agora temos uma lista com mais de 100 exemplos recentes de cientistas planetários usando o termo planeta de uma forma que viola a definição da UAI, mas fazem-no porque é funcionalmente útil," realça.

"É uma definição desleixada," diz Metzger sobre a definição da UAI. "Não dizem o que querem dizer com 'limpar a órbita'. Se formos pela aplicação literal, então não existem planetas, porque nenhum planeta limpa a sua órbita."

O cientista planetário diz que a revisão da literatura mostrou que a divisão real entre planetas e outros corpos celestes, como asteroides, ocorreu no início da década de 1950 quando Gerard Kuiper publicou um artigo que fez a sua distinção com base no modo como foram formados.

No entanto, até esta lógica já não é considerada um fator que determina se um corpo celeste é um planeta, realça Metzger.

Kirby Runyon, coautor do estudo e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, diz que a definição da UAI é errónea, pois a revisão da literatura mostrou que a limpeza da órbita não é uma norma usada para distinguir asteroides de planetas, como a UAI afirmou ao elaborar a definição de 2006 do termo planeta.

"Nós mostrámos que esta é uma alegação histórica falsa," diz Runyon. "Portanto, é falacioso aplicar o mesmo raciocínio a Plutão."

Definindo "Planeta"

Metzger diz que a definição de planeta deve basear-se nas suas propriedades intrínsecas, ao invés daquelas que podem mudar, como por exemplo a dinâmica da órbita de um planeta.

"A dinâmica não é constante, está sempre a mudar," realça Metzger. "Portanto, não é uma descrição fundamental de um corpo, é apenas a ocupação de um corpo na era atual."

Em vez disso, Metzger recomenda classificar um planeta se for grande o suficiente para que a sua gravidade permita que se torne esférico.

"E isso não é apenas uma definição arbitrária," observa. "Acontece que este é um marco importante na evolução de um corpo planetário, porque aparentemente quando isso acontece, dá início a geologia ativa no corpo."

Plutão, por exemplo, tem um oceano subterrâneo, uma atmosfera com várias camadas, compostos orgânicos, evidências de antigos lagos e múltiplas luas, diz.

"É mais dinâmico e vivo que Marte," diz Metzger. "O único planeta que tem geologia mais complexa é a Terra."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
24/02/2017 - Ainda descontente acerca de Plutão? E que tal 110 planetas no Sistema Solar?

Notícias relacionadas:
Universidade da Flórida Central (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (Icarus)
Universe Today
Science alert
ScienceDaily
PHYSORG

Plutão:
NASA
Wikipedia

Definição de planeta:
Wikipedia 
Definição de planeta pela UAI (Wikipedia) 
"Limpando a vizinhança" (Wikipedia)

União Astronómica Internacional:
Página oficial
Centro de Planetas Menores

 
ENCONTRADAS QUASE 500 EXPLOSÕES EM NÚCLEOS GALÁCTICOS

Além das mil milhões de estrelas da Via Láctea, o observatório espacial Gaia da ESA também observa objetos extragaláticos. O seu sistema automatizado de alerta avisa os astrónomos sempre que é detetado um evento transitório. Uma equipa de astrónomos descobriu que, ao ajustar o sistema automatizado existente, a nave Gaia pode ser usada para detetar centenas de transientes peculiares nos centros de galáxias. Encontraram cerca de 480 transientes ao longo de um período de cerca de um ano. O seu novo método será implementado no sistema o mais rápido possível, permitindo que os astrónomos determinem a natureza desses eventos. Os resultados serão publicados na edição de novembro da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Em 2013, a ESA lançou a sua nave Gaia para medir a localização de mil milhões de estrelas na nossa Galáxia e dezenas de milhões de galáxias. Cada posição no céu entra na visão da sonda uma vez por mês, num total de aproximadamente setenta vezes durante a missão. Isto permite que a espaçonave identifique eventos transitórios, como buracos negros supermassivos que rasgam estrelas ou estrelas que explodem como supernovas. O observatório Gaia nota uma diferença no brilho quando volta à mesma zona do céu um mês depois. Uma equipa de astrónomos do Instituto SRON para Pesquisas Espaciais da Holanda, da Universidade de Radboud e da Universidade de Cambridge encontrou agora quase quinhentos transientes ocorrendo nos centros de galáxias ao longo de um ano.

Impressão de artista de um evento de ruptura de marés que acontece quando uma estrela passa fatalmente perto de um buraco negro supermassivo, que reage lançando um jato relativista.
Crédito: Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF, NASA, STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos Zuzanna Kostrzewa-Rutkowska, Peter Jonker, Simon Hodgkin e outros procuraram na base de dados do Gaia eventos transitórios em torno dos núcleos de galáxias entre julho de 2016 e junho de 2017. Usaram um catálogo de galáxias - a versão 12 do SDSS (Sloan Digitized Sky Survey) - e uma ferramenta matemática personalizada. A nova ferramenta permite que os investigadores identifiquem eventos luminosos e raros oriundos dos centros galácticos. Identificaram 480 eventos, dos quais apenas cinco foram captados antes pelo sistema de alerta.

Alertar rapidamente a comunidade astronómica é fundamental para muitos dos eventos descobertos. Para cerca de cem destes eventos, nada fora do comum foi observado pelo observatório Gaia no mês anterior e no mês após a deteção, indicando que o evento que levou à emissão de luz foi curto. "Estes eventos têm um grande valor porque permitem que os astrónomos estudem por um breve período buracos negros supermassivos anteriormente invisíveis," explica Jonker. "Especialmente os eventos de curta duração, que podem indicar a localização dos até agora elusivos buracos negros de massa intermédia que destroem as estrelas."

Esta curva de luz mostra a mudança de brilho durante um transiente chamado GNTJ233855.86+433916.86. As cores dos dados indicam qual dos dois campos de visão do Gaia foi usado.
Crédito: SRON
(clique na imagem para ver versão maior)
 
Esta curva de luz mostra a mudança de brilho durante um transiente chamado GNTJ232841.41+224847.96. As cores dos dados indicam qual dos dois campos de visão do Gaia foi usado.
Crédito: SRON
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A explicação principal para a maioria dos eventos é que os buracos negros supermassivos que residem nos núcleos das galáxias tornam-se repentinamente muito mais ativos à medida que a quantidade de gás que cai para o buraco negro aumenta e ilumina o ambiente próximo do buraco negro. Este novo combustível pode ser extraído de uma estrela rasgada pela enorme atração gravitacional do buraco negro.

Peter Jonker, com Zuzanna Kostrzewa-Rutkowska e outros do seu grupo, iniciaram recentemente uma campanha para decifrar a natureza dos 480 novos transientes usando o Telescópio William Herschel situado em La Palma, Ilhas Canárias.

Links:

Notícias relacionadas:
SRON (comunicado de imprensa)
Universidade de Radboud (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
PHYSORG

Evento transiente:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Supernova:
Wikipedia 

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

Telescópio William Herschel:
Página principal
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 3628: Galáxia Espiral de Lado
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dados - Paul GardnerObservatório Great Basin; Processamento: Rogelio Bernal Andreo (DeepSkyColors.com)
 
Qual o aspeto das galáxias espirais quando vistas de lado? Em destaque está uma nítida imagem telescópica de uma magnífica galáxia espiral vista de lado, NGC 3628, um disco galáctico inchado dividido por faixas de poeira escura. Claro, este profundo retrato galáctico relembra aos astrónomos a sua alcunha popular, a Galáxia do Hamburger. O universo-ilha mede cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro e está localizado a 35 milhões de anos-luz na direção da constelação de Leão. NGC 3628 partilha a sua vizinhança no Universo local com outras duas grandes espirais, M65 e M66, num grupo conhecido como "Tripleto de Leão". As interações gravitacionais com as suas vizinhas cósmicas são provavelmente responsáveis pelo aumento de brilho e distorção deste disco espiral.
 

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