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Edição n.º 1520
02/10 a 04/10/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 02/10: 175.º dia do calendário gregoriano.
História: Lançamento da Explorer 14.

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 10:45.
O padrão em forma de "W" de Cassiopeia está alto a nordeste depois do anoitecer. O lado direito do "W" está inclinado para cima. Olhe para o segundo segmento do "W", a partir do topo. Não está bem na horizontal. Observe as ténues estrelas a olho nu ao longo desse segmento (sem contar com as duas pontas). A estrela mais brilhante, à direita, é Eta Cassiopeiae, de magnitude 3,4, uma estrela parecida com o Sol a apenas 19 anos-luz de distância com uma anã laranja como companheira - um bom binário telescópico.
A "estrela" à esquerda é um par largo visível à vista desarmada, Upsilon1 e Upsilon2 Cassiopeiae, separadas por 0,3º. Sâo gigantes alaranjadas sem relação uma com a outra, a 200 e 400 anos-luz de distância. Upsilon1 é ligeiramente mais fraca; é a mais distante.

Dia 03/10: 176.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1815, cai um meteorito em Chassigny, França. Foi o primeiro meteorito a ser identificado como sendo de Marte.
Em 1942, era lançado da Alemanha o primeiro foguete V-2/A-4, que se tornaria também no primeiro artefacto humano a atingir o espaço.

Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Em 1985, o vaivém Atlantis fazia a sua viagem inaugural
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
Observações: No seguimento do Quarto Minguante de ontem, a Lua nasce antes das 01:00 em Gémeos. Antes do amanhecer, pode encontrá-la alta juntamente com Pollux e Castor para cima e para a sua esquerda, e Procyon para baixo e para a sua direita.
Cisne voa alto por estas noites. As suas estrelas mais brilhantes formam a Cruz do Norte. Quando nos viramos para sudoeste e olhamos para o zénite, a cruz parece orientada para cima. Mede mais ou menos 2 punhos à distância do braço esticado.
A partir de Albireo, podemos saltar de estrela para estrela e chegar à nebulosa planetária M27, e depois para o menos conhecido Stock 1, um enxame estelar muito grande mas disperso.

Dia 04/10: 177.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, o Papa Gregório XIII implementa o Calendário Gregoriano. Na Itália, Polónia, em Portugal e em Espanha, o dia 4 de outubro é seguido diretamente pelo dia 15 de outubro.
Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical.

Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3(missão soviética de "flyby" pela Lua).
Em 2004, a SpaceShipOne ganha o prémio Ansari X, de voo espacial privado, ao ser a primeira nave privada a viajar no espaço.
Observações: Depois do anoitecer, olhe logo acima do horizonte a nordeste - bem para baixo da alta Cassiopeia - em busca da brilhante Capella que está a subir. Quanto tempo depois de Capella nascer, e quão alto a encontrará, depende da latitude do observador. Quanto mais para norte estiver, mais cedo e mais alto.

 
CURIOSIDADES


Sabe porque é que a exploração espacial é importante? Ou como o trabalho dos cientistas e engenheiros da NASA afetam o nosso dia-a-dia? O site "Home & City" da NASA mostra "spinoffs" da exploração do espaço - produtos comerciais e serviços derivados de tecnologia desenvolvida pela NASA.

 
UM UNIVERSO RESPLANDESCENTE
Observações profundas levadas a cabo pelo espectrógrafo MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram enormes reservatórios cósmicos de hidrogénio atómico em torno de galáxias distantes. A extrema sensibilidade do MUSE permitiu a observação direta de nuvens ténues de hidrogénio brilhantes que emitem radiação de Lyman-alfa no Universo primordial - mostrando assim que quase todo o céu noturno brilha de forma invisível.
Crédito: ESA/Hubble & NASA, ESO/ Lutz Wisotzki et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Observações profundas levadas a cabo pelo espectrógrafo MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram enormes reservatórios cósmicos de hidrogénio atómico em torno de galáxias distantes. A extrema sensibilidade do MUSE permitiu a observação direta de nuvens ténues de hidrogénio brilhantes que emitem radiação de Lyman-alfa no Universo primordial - mostrando assim que quase todo o céu noturno brilha de forma invisível.

Com o auxílio do instrumento MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma quantidade inesperada de emissão de Lyman-alfa na região do Campo Ultra-Profundo Hubble (Hubble Ultra Deep Field - HUDF). A emissão descoberta cobre quase todo o campo, o que leva a equipa a extrapolar que quase todo o céu estará a brilhar de forma invisível devido a radiação de Lyman-alfa emitida no Universo primordial.

Os astrónomos há muito que se habituaram a que o céu seja completamente diferente consoante os diferentes comprimentos de onda em que é observado, no entanto a extensão da emissão de Lyman-alfa observada é ainda assim surpreendente. "Descobrir que todo o céu brilha em radiação de Lyman-alfa emitida por nuvens de hidrogénio distantes foi realmente uma surpresa extraordinária," diz Kasper Borello Schmidt, um membro da equipa de astrónomos responsável pela descoberta.

"Trata-se de uma descoberta extraordinária!" acrescenta Themiya Nanayakkara, também membro da equipa. "Da próxima vez que olhar para o céu noturno sem Lua e vir as estrelas, imagine o brilho invisível do hidrogénio, os primeiros blocos constituintes do Universo, a iluminar todo o céu noturno."

A região do HUDF que a equipa observou é uma área do céu bastante normal situada na constelação da Fornalha, que se tornou famosa quando foi mapeada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em 2004. O telescópio utilizou mais de 270 horas de precioso tempo de observação para explorar esta região do espaço, de modo mais profundo do que o que tinha sido feito até à data.

Esta imagem composta a cores foi criada a partir de dados do DSS2 (Digitized Sky Survey 2). O campo tem um tamanho aproximado de 2,4 x 2,0 graus. Esta região do céu aparece-nos particularmente vazia.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2. Reconhecimento - Davide De Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As observações do HUDF revelaram milhares de galáxias espalhadas por toda uma zona escura do céu, dando-nos assim uma visão bastante real da escala do Universo. Agora, as capacidades extraordinárias do MUSE permitiram observações ainda mais profundas. A deteção de emissão de Lyman-alfa no HUDF é importante pois trata-se da primeira vez que os astrónomos conseguiram ver esta radiação ténue emitida pelos envelopes gasosos das galáxias mais primordiais. Esta imagem composta mostra a radiação de Lyman-alfa a azul, sobreposta à icónica imagem do HUDF.

O instrumento MUSE, usado para fazer estas observações, é um espectrógrafo de campo integral de vanguarda instalado no Telescópio Principal n.º 4 do VLT, no Observatório do Paranal do ESO. Quando observa o céu, o MUSE vê a distribuição dos comprimentos de onda da radiação em cada pixel do seu detetor. Observar o espectro total da radiação emitida por objetos astronómicos fornece-nos pistas importantes sobre os processos astrofísicos que ocorrem no Universo.

"Com estas observações MUSE, ficamos com uma ideia completamente nova dos 'casulos' de gás difuso que rodeiam as galáxias do Universo primordial," comenta Philipp Richter, outro membro da equipa.

A equipa internacional de astrónomos que fez estas observações tentou identificar os processos que fazem com que estas nuvens de hidrogénio distantes emitam em Lyman-alfa, no entanto a causa precisa permanece um mistério. Apesar disso, como se pensa que este ténue brilho seja omnipresente no céu noturno, espera-se que investigação futura possa descobrir a sua origem.

"Esperamos ter no futuro medições ainda mais sensíveis," conclui Lutz Wisotzki, líder da equipa. "Queremos descobrir como é que estes vastos reservatórios cósmicos de hidrogénio atómico se encontram distribuídos no espaço."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
01/12/2017 - Instrumento MUSE do VLT completa o mais profundo rastreio espectroscópico executado até à data
23/09/2016 - ALMA explora o Campo Ultra Profundo do Hubble 
14/12/2012 - Astrónomos descobrem galáxias perto de "madrugada cósmica"

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature)
EurekAlert!
PHYSORG

HUDF (Hubble Ultra Deep Field):
Hubblesite
Wikipedia

Radiação Lyman-alpha:
Wikipedia
Emissor de Lyman-alpha (Wikipedia)

VLT:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
JATOS DE ESTRELA DE NEUTRÕES "ABATEM" TEORIA

De acordo com um novo estudo publicado na Nature, os astrónomos detetaram jatos de rádio pertencentes a uma estrela de neutrões com um forte campo magnético - algo não previsto pela teoria atual.

A equipa, liderada por investigadores da Universidade de Amesterdão, observou o objeto conhecido como Swift J0243.6+6124 usando o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) no estado norte-americano do Novo México e o telescópio espacial Swift da NASA.

"As estrelas de neutrões são cadáveres estelares," comenta o professor James Miller-Jones, coautor do estudo, do núcleo do ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research) na Universidade Curtin.

Impressão de artista da estrela de neutrões com um forte campo magnético, chamada Swift J0243.6+6124, lançando um jato. Durante o evento de ostentação no qual foi descoberta, a estrela de neutrões recolhia material a uma taxa muito alta, produzindo grandes quantidades de raios-X nas partes mais internas do disco de acreção. Ao mesmo tempo, a equipa detetou emissão rádio com um radiotelescópio muito sensível, o VLA nos EUA. Através do estudo de como esta emissão rádio mudou, com os raios-X, os cientistas puderam deduzir que veio de feixes velozes e estreitos de material conhecidos como jatos, visto aqui deslocando-se na direção dos polos magnéticos da estrela de neutrões.
Crédito: ICRAR/Universidade de Amesterdão
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"São formadas quando uma estrela massiva fica sem combustível e explode como supernova, as partes centrais da estrela desmoronando sob a sua própria gravidade.

"Este colapso faz com que o campo magnético da estrela aumente em força para vários biliões de vezes o do nosso Sol, que gradualmente enfraquece novamente ao longo de centenas de milhares de anos."

O estudante de doutoramento Jakob van den Eijnden, da Universidade de Amesterdão, que liderou a investigação, disse que as estrelas de neutrões e os buracos negros são às vezes encontrados em órbita de uma estrela "companheira" nas proximidades.

"O gás da estrela companheira alimenta a estrela de neutrões ou buraco negro e produz ostentações espetaculares quando parte do material é expelido em jatos poderosos que viajam perto da velocidade da luz," comenta.

Os astrónomos sabem da existência dos jatos há décadas mas, até agora, só tinham observado jatos provenientes de estrelas de neutrões com campos magnéticos muito mais fracos. O pensamento prevalente era que um campo magnético suficientemente forte impedia que o material se aproximasse o suficiente de uma estrela de neutrões para formar jatos.

"Os buracos negros eram considerados os reis indiscutíveis do lançamento de jatos poderosos, mesmo quando alimentados apenas por uma pequena quantidade de material da sua estrela companheira," comenta Van den Eijnden.

"Os jatos fracos pertencentes a estrelas de neutrões só ficam brilhantes o suficiente para serem observados quando a estrela consome gás da sua companheira a uma taxa muito alta.

Impressão de artista do sistema binário Swift J0243.6+6124. Um sistema binário com uma estrela de neutrões numa órbita de 27 dias e uma estrela dadora mais massiva e de rápida rotação. A rápida rotação da estrela companheira atira um disco de material em redor do equador estelar. À medida que a estrela de neutrões passa através do disco durante a sua órbita, atrai algum deste fluxo gasoso, que depois espirala na direção da estrela de neutrões como um disco de acreção.
Crédito: ICRAR/Universidade de Amesterdão
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O campo magnético da estrela de neutrões que estudámos é aproximadamente 10 biliões de vezes mais forte do que o do nosso próprio Sol, de modo que pela primeira vez, observámos um jato oriundo de uma estrela de neutrões com um campo magnético muito forte.

"A descoberta revela toda uma nova classe de fontes produtoras de jatos para estudar," realça.

Os astrónomos espalhados pelo mundo estudam jatos para melhor entender as suas origens e quanta energia libertam para o espaço.

"Os jatos desempenham um papel realmente importante na devolução de grandes quantidades de energia gravitacional extraída pelas estrelas de neutrões e buracos negros de volta para o ambiente em redor," comenta o professor Miller-Jones.

"Encontrar jatos de uma estrela de neutrões com um campo magnético forte vai contra o que esperávamos, e mostra que há muito que ainda não sabemos sobre a formação dos jatos."

Links:

Notícias relacionadas:
ICRAR (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Artigo científico (Nature)
Astronomy
Space Daily
ScienceDaily
Discover
EurekAlert!
EarthSky
PHYSORG
Gizmodo

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

 
UMA NOVA ABORDAGEM NA PROCURA POR VIDA PARA LÁ DA TERRA

Desde o início da civilização que a Humanidade se pergunta: "estamos sozinhos no Universo?" À medida que a NASA e outras agências espaciais exploram o nosso Sistema Solar e além, são desenvolvidas ferramentas sofisticadas para abordar esta questão fundamental. Dentro do nosso próprio Sistema Solar, as missões têm procurado sinais de vida antiga e atual, especialmente em Marte e em breve na lua de Júpiter, Europa. Para lá do nosso Sistema Solar, missões como Kepler e TESS estão a revelar milhares de planetas em órbita de outras estrelas.

Ampliação de uma fotografia, pelo Telescópio Espacial Hubble, de uma enorme bolha em forma de balão soprada para o espaço por uma estrela gigante e superquente. O objeto tem o nome Nebulosa da Bolha, ou NGC 7635.
Crédito: NASA, ESA e Equipa de Arquivo do Hubble (STScI/AURA), F. Summers, G. Bacon, Z. Levay e L. Frattare (Equipa Viz 3D, STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A explosão de conhecimento de planetas em órbita de outras estrelas, os chamados exoplanetas, e os resultados de décadas de investigações sobre as assinaturas de vida - que os cientistas chamam de bioassinaturas - encorajaram a agência espacial norte-americana a abordar, de maneira cientificamente rigorosa, se a Humanidade está sozinha. Além de procurar evidências de vida microbiana, a NASA está agora a explorar maneiras de procurar vida suficientemente avançada para criar tecnologia.

As tecnoassinaturas são sinais que, se observados, nos permitiram inferir a existência de vida tecnológica noutras partes do Universo. A tecnoassinatura mais conhecida são os sinais de rádio, mas existem muitas outras que não foram exploradas totalmente.

O que são tecnoassinaturas?

O termo tecnoassinatura tem um significado mais amplo do que a procura por inteligência extraterrestre, que geralmente tem sido limitada a sinais de comunicação. As tecnoassinaturas como emissões de rádio ou laser, sinais de estruturas massivas ou uma atmosfera cheia de poluentes, poderiam implicar inteligência.

Nas últimas décadas, os setores privado e filantrópico têm realizado esta pesquisa. Usam métodos como a busca de padrões em frequências de rádio de banda baixa usando radiotelescópios. De facto, as próprias transmissões de rádio e televisão da Humanidade já estão no espaço há anos. O programa SETI da NASA terminou em 1993 depois do Congresso, operando sob um déficit orçamental e apoio político diminuído, ter cancelado o financiamento para uma pesquisa de alta-resolução do céu em micro-ondas. Desde então, os esforços da NASA foram direcionados para melhorar a nossa compreensão fundamental da própria vida, as suas origens e a habitabilidade de outros corpos no nosso Sistema Solar e na nossa Galáxia.

A história da busca por vida tecnológica

Os esforços para detetar a vida tecnologicamente avançada são anteriores à era espacial, pois os pioneiros do rádio, no início do século XX, previram a possibilidade de comunicação interplanetária. O trabalho teórico que postulava a possibilidade de transportar sinais em bandas de rádio e micro-ondas, através de grandes distâncias na Galáxia e com pouca interferência, levou às primeiras experiências de "escuta" na década de 1960.

Graças à descoberta da missão Kepler da NASA de milhares de planetas para lá do nosso Sistema Solar, incluindo alguns com importantes parecenças com a Terra, é agora possível não apenas imaginar a ficção científica de encontrar vida noutros mundos, mas um dia provar cientificamente que existe vida para lá do nosso Sistema Solar.

A Estratégia Astrobiológica da NASA de 2015 afirma: "A vida complexa pode evoluir para sistemas cognitivos que podem utilizar tecnologia de maneiras que podem ser observáveis. Ninguém sabe a probabilidade, mas sabemos que não é zero." Ao considerarmos os ambientes de outros planetas, as "tecnoassinaturas" poderiam ser incluídas nas possíveis interpretações de dados que recebemos de outros mundos.

O debate sobre a probabilidade de encontrar sinais de vida avançada é muito variado. Em 1961, o astrónomo Frank Drake criou uma fórmula para estimar o número de potenciais civilizações inteligentes na Galáxia, a chamada equação de Drake, e calculou uma resposta de 10.000. A maioria das variáveis na equação continuam a ser estimativas aproximadas, sujeitas a incertezas. Outra famosa especulação sobre o assunto, o paradoxo de Fermi, postulado pelo físico italiano Enrico Fermi, afirma que se realmente existirem outras formas de vida inteligente, já as teríamos encontrado.

O trabalho SETI da NASA começou com uma proposta de 1971 pelo investigador biomédico John Billingham no Centro de Pesquisa Ames da NASA para um conjunto de 1000 telescópios de 100 metros que captariam sinais de televisão e rádio de outras estrelas. O "Projeto Ciclope" não recebeu financiamento mas, em 1976, o Centro Ames estabeleceu uma filial do SETI para continuar a investigação nesta área. O JPL da NASA também começou com o trabalho do SETI.

Em 1988, a sede da NASA em Washington endossou formalmente o programa SETI, que levou ao desenvolvimento do levantamento HRMS (High Resolution Microwave Survey). Anunciado no dia 12 de outubro de 1992 - 500 anos após a chegada de Colombo ao continente norte-americano - este projeto com a duração de 10 anos e de 100 milhões de dólares incluía uma busca direcionada de estrelas liderado pelo Centro Ames usando o radiotelescópio de 300 metros em Arecibo, Porto Rico, e uma pesquisa de todo o céu liderada pelo JPL usando a sua antena DSN (Deep Space Network). O programa durou apenas um ano antes que a oposição política eliminasse o projeto e acabasse efetivamente com os esforços de pesquisa SETI pela NASA.

Porquê começar a procurar tecnoassinaturas agora?

Alimentado pela descoberta de que a Via Láctea está repleta de planetas, o interesse em detetar sinais de vida tecnologicamente avançada está a borbulhar novamente. A descoberta do Kepler, em 2015, de flutuações irregulares no que veio a ser conhecida como a Estrela de Tabby, levou à especulação de uma megaestrutura alienígena, embora os cientistas tenham concluído que uma nuvem de poeira é a causa mais provável. No entanto, a Estrela de Tabby demonstrou a potencial utilidade de procura por anomalias em dados recolhidos do espaço, pois os sinais de vida tecnologicamente avançada podem aparecer como aberrações da norma.

Esta ilustração mostra um hipotético anel disforme de poeira em redor de KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Boyajian ou Estrela de Tabby.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas advertem que precisaremos de mais do que um sinal inexplicado para provar definitivamente a existência de vida tecnológica. Por exemplo, pode haver muita interferência rádio de fontes terrestres.

A NASA vai continuar a avaliar os promissores esforços atuais de pesquisa sobre tecnoassinaturas e a investigar onde podem ser feitos investimentos para avançar a ciência. Embora ainda tenhamos que encontrar sinais de vida extraterrestre, a NASA está a ampliar a exploração do Sistema Solar e além a fim de responder se a Humanidade está sozinha no Universo.

Desde estudar água em Marte, passando pela análise de promissores "mundos oceânicos" como Europa ou a lua de Saturno, Encélado, a procurar bioassinaturas nas atmosferas de exoplanetas, as missões científicas da NASA trabalham em conjunto com o objetivo de encontrar sinais inconfundíveis de vida para lá da Terra. E talvez essa vida possa realmente ser tecnologicamente mais avançada do que a nossa.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Estratégia Astrobiológica (2015, NASA; PDF)
SPACE.com
Universe Today
astrobiology web
PHYSORG
Space Daily
Science alert
Newsweek

Tecnoassinaturas:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

SETI:
Wikipedia
Projecto Ciclope (Wikipedia)
HRMS (Wikipedia)

Equação de Drake:
Wikipedia

Paradoxo de Fermi:
Wikipedia

Estrela de Tabby:
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Quatro vizinhas recém-descobertas da Via Láctea (via Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica)
Nos últimos anos foram descobertas muitas galáxias satélites da Via Láctea. Cientistas obtiveram novas imagens de quatro galáxias anãs próximas, mais de 16 vezes mais fracas que em medições anteriores. As imagens revelam novas estrelas e outros objetos, incluindo estruturas estendidas, o que permitiu com que os astrónomos revessem parâmetros-chave destas galáxias. Ler fonte

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Solitária Estrela de Neutrões no Remanescente de Supernova E0102-72.3
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: raios-X - NASA/CXC/ESO/F. Vogt et al.; Ótico - ESO/VLT/MUSE & NASA/STScI
 
Porque é que esta estrela de neutrões está fora do centro? Recentemente, foi descoberta uma estrela de neutrões solitária no interior dos detritos deixados para trás por uma antiga explosão de supernova. A "solitária estrela de neutrões" em questão é o ponto azul no centro da nebulosa avermelhada perto da parte inferior esquerda de E0102-72.3. Na imagem em destaque, o azul representa raios-X captados pelo Observatório Chandra da NASA, enquanto o vermelho e o verde representam a luz visível obtida pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile e pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA em órbita. A posição deslocada desta estrela de neutrões é inesperada, já que se pensa que o objeto denso seja o núcleo da estrela que explodiu como supernova e que criou a nebulosa exterior. Pode ser que a estrela de neutrões em E0102 tenha sido empurrada para longe do centro da nebulosa pela própria nebulosa, mas então parece estranho que o anel vermelho mais pequeno permaneça centrado na estrela de neutrões. Alternativamente, a nebulosa exterior pode ter sido expelida durante um cenário diferente - talvez envolvendo outra estrela. Observações futuras das nebulosas e da estrela de neutrões vão provavelmente resolver a situação.
 

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