28/06/19 - Noites Astronómicas em Tavira
22:00 - No dia 28 de junho, no Forte do Rato, realiza-se mais uma sessão de Noites Astronómicas em Tavira. Nesta sessão será possível identificar algumas constelações que nos farão companhia nas noites quentes de Verão. Teremos a oportunidade de observar os planetas gigantes gasosos do nosso sistema solar, Júpiter e as suas luas galileanas assim como Saturno e os seus anéis. Esta atividade é gratuita. Local:Forte do Rato Informações e incrições: 281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt (pré-inscrição obrigatória; a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes)
Efemérides
Dia 18/06: 169.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1178, 5 monges da Cantuária assistem à formação daquilo que provavelmente é a cratera Giordano Bruno.
Acredita-se que as atuais oscilações da distância da Lua (na ordem de metros) sejam resultado desta colisão.
Em 1799, nascia William Lassell, astrónomo inglês que descobriu Tritão, a maior lua de Neptuno, apenas 17 dias depois da descoberta do próprio planeta por Johann Gottfried Galle. Em 1848, codescobriu independentemente Hiperião, lua de Saturno. Em 1851, descobriu Ariel e Umbriel, luas de Úrano.
Em 1926, nascia Allan Rex Sandage, astrónomo americano, conhecido por determinar o primeiro valor razoavelmente preciso da constante de Hubble e da idade do Universo. É também o descobridor do primeiro quasar.
Em 1983, Sally Ride tornava-se a primeira astronauta dos Estados Unidos no espaço.
Em 2006, lançamento do primeiro satélite do Cazaquistão, o KazSat.
Em 2009, era lançada a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA. Observações: Ao lusco-fusco, use binóculos para tentar avistar Mercúrio e Marte separados por apenas 0,13º baixos a oeste-noroeste. Mercúrio é de longe o mais brilhante dos dois. Marte é na verdade mais fraco do que Pollux e Castor, que brilham a um pouco mais de um campo binocular para cima e para a direita.
No lado oposto do céu, mas já depois do cair da noite (pelas 23 horas), a Lua brilha perto de Saturno, que está 3450 vezes mais distante.
Dia 19/06: 170.º dia do calendário gregoriano. História: Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes "mediu" a circumferência da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (atualmente Assuão).
Em 1963, Valentina Tereshkova, a primeira mulher no espaço, regressa à Terra após 3 dias em órbita a bordo da Vostok 6.
Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão. Observações: Se observou Saturno e a Lua ontem à noite, poderá tentar observar os dois novamente mas antes do nascer-do-Sol. Estão agora altos a sul-sudoeste. Consegue discernir que estão mais próximos um do outro, em relação à noite de ontem?
Estamos a dois dias do início oficial do verão. Mas, ao lusco-fusco, procure Capella, estrela de inverno, ainda bem baixa a norte-noroeste. Quanto mais para norte estiver o observador, mais alta estará. Poderá precisar de binóculos. Mais para norte (por exemplo, em Lyon, França), Capella é na verdade circumpolar.
Dia 20/06: 171.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1944, o foguetão V-2torna-se no primeiro objeto artificial a atravessar o limite do espaço, a Linha de Kármán, com o lançamento V-177.
Em 1976, o módulo de aterragem da Viking 1 pousava em Marte.
Em 1990, era descoberto o asteroide Eureka. Observações: Ocultação de Io, entre as 02:12 e as 04:26.
Eclipse de Io, entre as 02:24 e as 04:41.
Vega é a estrela mais brilhante bem alta a este após o anoitecer. Logo para baixo e para a esquerda está Epsilon Lyrae, de quarta magnitude, a Dupla-Dupla. Epsilon forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado, quase a largura do polegar à distância do braço esticado. Os binóculos resolvem facilmente Epsilon. E um telescópio de 4 polegadas com 100x de ampliação deverá resolver os componentes de Epsilon em dois pares íntimos.
Zeta Lyrae é também uma estrela dupla para binóculos; bem mais difícil, mas ainda observável em qualquer telescópio.
Delta Lyrae, por baixo de Zeta, é um par muito mais largo e fácil. Note as suas cores (laranja-vermelho e azul).
Curiosidades
Embora não exista um limite definido, considera-se que uma estrela, para poder formar uma supernova, terá que ter mais que 8 massas solares.
Os elementos pesados da Terra nasceram em explosões de supernova
O ouro das nossas joias é de outro mundo - e isto não é apenas um elogio.
Numa descoberta que pode derrubar a nossa compreensão de onde os elementos pesados da Terra, como ouro e platina, vêm, uma nova investigação feita por um físico da Universidade de Guelph sugere que a maior parte destes materiais foram expelidos por um tipo de explosão estelar largamente negligenciada, bem longe no espaço e no tempo.
Cerca de 80% dos elementos pesados do Universo formaram-se provavelmente em colapsares, uma forma rara de explosão de supernova, mas rica em elementos pesados, após o colapso de estrelas massivas e velhas tipicamente 30 vezes mais massivas do que o nosso Sol, disse o professor de física Daniel Siegel.
Essa descoberta anula a ideia generalizada de que estes elementos vêm principalmente de colisões entre estrelas de neutrões ou entre uma estrela de neutrões e um buraco negro, explicou Siegel.
Impressão de artista de um colapsar.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
O seu trabalho, em coautoria com colegas da Universidade de Columbia, foi publicado na revista Nature.
Usando supercomputadores, os três cientistas simularam a dinâmica dos colapsares, ou estrelas antigas cuja gravidade faz com que implodam e formem buracos negros.
No seu modelo, os colapsares massivos e com rápida rotação ejetam elementos pesados, cujas quantidades e distribuição são "surpreendentemente semelhantes ao que observamos no nosso Sistema Solar," explicou Spiegel.
A maioria dos elementos encontrados na natureza foram produzidos em reações nucleares em estrelas e, finalmente, expelidos por enormes explosões estelares.
Os elementos pesados encontrados na Terra e noutras partes do Universo, de explosões remotas, variam de ouro a platina, de urânio a plutónio usados em reatores nucleares, até elementos químicos mais exóticos como o neodímio, encontrado em produtos eletrónicos.
Até agora, os cientistas pensavam que estes elementos eram "cozinhados" principalmente em colisões estelares envolvendo estrelas de neutrões ou buracos negros, como numa colisão entre duas estrelas de neutrões observada por detetores terrestres bastante noticiada em 2017.
Ironicamente, disse Siegel, a sua equipa começou a trabalhar para entender a física dessa fusão antes das suas simulações apontarem para os colapsares como uma incubadora de elementos pesados. "A nossa investigação sobre estrelas de neutrões levou-nos a pensar que o nascimento de buracos negros, num tipo muito diferente de explosão estelar, podia produzir ainda mais ouro do que as fusões entre estrelas de neutrões."
O que aos colapsares falta em frequência, compensa no fabrico de elementos pesados, realçou Siegel. Os colapsares também produzem flashes intensos de raios-gama.
"Oitenta por cento destes elementos pesados que vemos devem vir dos colapsares. Os colapsares são bastante raros em termos de ocorrência de supernovas, ainda mais raros do que as fusões de estrelas de neutrões - mas a quantidade de material ejetado para o espaço é muito maior do que a das fusões de estrelas de neutrões."
A equipa espera agora ver o seu modelo teórico validado por observações. Siegel disse que instrumentos infravermelhos como os do Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021, devem ser capazes de detetar a radiação indicadora de elementos pesados de um colapsar numa galáxia distante.
"Essa seria uma assinatura clara," disse, acrescentando que os astrónomos também podem detetar evidências de colapsares observando as quantidades e a distribuição de elementos pesados noutras estrelas da nossa Via Láctea.
Siegel salientou que esta investigação pode fornecer pistas sobre a formação da nossa Galáxia.
"Tentar descobrir de onde vêm os elementos pesados pode ajudar-nos a entender como a Via Láctea foi 'montada' quimicamente e como se formou. Isto pode realmente ajudar a resolver algumas grandes questões da cosmologia, já que os elementos pesados são um bom rastreador."
Este ano assinala-se o 150.º aniversário da criação da tabela periódica dos elementos químicos de Dmitri Mendeleev. Desde então, os cientistas acrescentaram muitos outros elementos à tabela periódica, um marco dos livros escolares e científicos de todo o mundo.
Referindo-se ao químico russo, Siegel disse: "Conhecemos muitos outros elementos químicos que ele não conhecia. O que é fascinante e surpreendente é que, após 150 anos a estudar os blocos fundamentais da natureza, ainda não entendemos bem como o Universo produz uma grande parte dos elementos da tabela periódica."
Cassini revela nova escultura nos anéis de Saturno
Mosaico de imagens a cores falsas que mostra Dafne, uma das luas embebidas nos anéis de Saturno, e das ondas que levanta na divisão de Keeler. As imagens recolhidas durante as órbitas próximas da Cassini em 2017 estão a fornecer novas informações sobre o funcionamento complexo dos anéis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
Uma nova análise mostra que à medida que a sonda Cassini da NASA mergulhava perto de Saturno durante o seu último ano, a nave fornecia detalhes intricados sobre o funcionamento dos anéis complexos do planeta.
Embora a missão tenha terminado em 2017, continua a surgir ciência dos dados recolhidos. Um novo artigo publicado na edição de 13 de junho da revista Science descreve resultados de quatro instrumentos da Cassini, as observações mais próximas dos anéis principais.
As descobertas incluem detalhes finos de características esculpidas por massas embutidas nos anéis. Texturas e padrões, de amontoados a parecidos com palha, sobressaem das imagens, levantando questões sobre as interações que os moldaram. Novos mapas revelam como as cores, a química e a temperatura mudam nos anéis.
Como um planeta em construção dentro de um disco de material protoplanetário, minúsculas luas inseridas nos anéis de Saturno (chamadas de A a G, na ordem da sua descoberta) interagem com as partículas em redor. Desta forma, o artigo fornece mais evidências de que os anéis são uma janela para os processos astrofísicos de discos que moldam o nosso Sistema Solar.
Novas imagens dos anéis de Saturno que mostram como as texturas diferem em íntima proximidade umas das outras. A imagem de baixo foi filtrada para que as recém-visíveis texturas, parecidas a palha, e os amontoados, sejam mais visíveis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
As observações também aprofundam a compreensão dos cientistas do complexo sistema de Saturno. Os cientistas concluem que na orla externa dos anéis principais, uma série de estrias similares geradas por impactos no anel F têm o mesmo comprimento e orientação, mostrando que provavelmente foram provocadas por um bando de impactores que atingiram o anel ao mesmo tempo. Isto mostra que o anel é esculpido por correntes de material que orbita o próprio Saturno em vez de, por exemplo, detritos cometários (que se movem em torno do Sol) que chocam contra os anéis.
"Estes novos detalhes de como as luas estão a esculpir, de várias maneiras, os anéis, fornecem uma janela para a formação do Sistema Solar, onde também temos discos evoluindo sob a influência de massas embutidas," disse Matt Tiscareno, autor principal e cientista da Cassini, do Instituto SETI em Mountain View, no estado norte-americano da Califórnia.
Mistérios Duradouros
Ao mesmo tempo, surgiram novos puzzles e mistérios antigos aprofundaram-se com as investigações mais recentes. As imagens detalhadas dos anéis trouxeram para o foco três texturas diferentes - amontoadas, macias e "riscadas" - e deixaram claro que estas texturas ocorrem em cinturas com limites nítidos. Mas porquê? Em muitos lugares, as cinturas não estão ligadas a quaisquer características dos anéis que os cientistas já tenham identificado.
"Isto diz-nos que a aparência dos anéis não é apenas uma função de quanto material existe," disse Tiscareno. "Tem que haver algo diferente sobre as características das partículas, talvez afetando o que acontece quando duas partículas dos anéis colidem e ressaltam uma da outra. E nós ainda não sabemos o que é."
Esta imagem a cores falsas, à direita, mostra o mapa espectral infravermelho dos anéis A, B e C de Saturno, capturado pelo VIMS da Cassini.
Crédito: imagem infravermelha - NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/CNRS/LPG-Nantes; imagem de Saturno - NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute/G. Ugarkovic
Os dados analisados foram recolhidos durante as Órbitas Rasantes pelos Anéis (entre dezembro de 2016 e abril de 2017) e durante o Grande Final (de abril a setembro de 2017), quando a Cassini voou logo acima das nuvens de Saturno. À medida que a espaçonave ficava sem combustível, a equipa da missão fê-la mergulhar deliberadamente na atmosfera do planeta em setembro de 2017.
O instrumento VIMS (Visible and Infrared Mapping Spectrometer) da Cassini descobriu outro mistério. O espectrómetro, que observou os anéis no visível e no infravermelho próximo, identificou bandas anormalmente fracas de água gelada na parte mais externa do anel A. Isto foi uma surpresa, porque a área é conhecida por ser altamente refletiva, o que geralmente é um sinal de gelo menos contaminado e, portanto, de bandas de água gelada mais fortes.
O novo mapa espectral também esclarece a composição dos anéis. E apesar dos cientistas já saberem que a água gelada era o principal componente, o mapa espectral descartou gelo de amónia e gelo de metano detetáveis como ingredientes. Mas também não indica compostos orgânicos - uma surpresa, dado o material orgânico que a Cassini descobriu a fluir do anel D para a atmosfera de Saturno.
"Se existisse material orgânico em grandes quantidades - pelo menos nos anéis principais A, B e C - nós tínhamo-lo visto," disse Phil Nicholson, cientista do VIMS da Cassini da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, EUA. "Ainda não estou convencido de que são um componente importante dos anéis principais."
Este estudo assinala o início da próxima era de ciência da Cassini, disse Jeff Cuzzi, do Centro de Pesquisa Ames da NASA, que estuda os anéis de Saturno desde a década de 1970 e é o cientista interdisciplinar dos anéis da missão Cassini.
"Nós vemos muito mais, e mais de perto, e estamos a obter quebra-cabeças novos e mais interessantes," acrescentou Cuzzi. "Estamos apenas a adaptar-nos à nova fase, que é a de construir novos modelos detalhados da evolução dos anéis - incluindo a nova revelação de dados da Cassini de que os anéis são muito mais jovens do que Saturno."
As novas observações dão aos cientistas uma visão ainda mais íntima dos anéis e cada análise revela novas complexidades, disse a cientista do projeto Cassini, Linda Spilker, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.
"É como aumentar a ampliação durante a observação dos anéis. Todos nós conseguimos ver em mais detalhe o que está a acontecer," salientou Spilker. "A obtenção desta resolução extra respondeu a muitas perguntas, mas muitas outras permanecem."
Exoplanetas tipo-Júpiter encontrados no "ponto ideal" da maioria dos sistemas planetários
À medida que os planetas se formam no turbilhão de gás e poeira em torno de estrelas jovens, parece haver um ponto ideal onde a maioria dos grandes gigantes gasosos, como Júpiter, se reúnem, centrados na órbita onde Júpiter está hoje no nosso próprio Sistema Solar.
A localização deste ponto ideal está a 3-10 vezes a distância que a Terra fica do nosso Sol (3-10 UA, ou unidades astronómicas). Júpiter está a 5,2 UA do nosso Sol.
Esta é apenas uma das conclusões de uma análise sem precedentes de 300 estrelas estudadas pelo GPI (Gemini Planet Imager), um detetor infravermelho sensível montado no Telescópio Gemini Sul de 8 metros no Chile.
O GPI procurou exoplanetas em centenas de estrelas próximas usando o Telescópio Gemini Sul localizado nos Andes Chilenos. O astrónomo Marshall Perrin está no plano da frente com as Nuvens de Magalhães - duas galáxias satélites da Via Láctea - descendo em direção ao horizonte a oeste.
Crédito: Marshall Perrin, STScI
O GPI Exoplanet Survey, ou GPIES, é um de dois grandes projetos que procuram exoplanetas diretamente, bloqueando a luz estelar e fotografando os próprios planetas, em vez de procurar oscilações na estrela - o método de velocidade radial - ou planetas que passam em frente da estrela - a técnica de trânsito. A câmara GPI é sensível ao calor emitido por planetas recém-formados e anãs castanhas, que são mais massivas do que os planetas gigantes gasosos, mas ainda pequenas demais para despoletar a fusão e assim tornarem-se estrelas.
A análise das primeiras 300, entre mais de 500 estrelas investigadas pelo GPIES, publicada na edição de 12 de junho da revista The Astronomical Journal, "é um marco," disse Eugene Chiang, professor de astronomia da Universidade da Califórnia em Berkeley e membro do grupo teórico da colaboração. "Agora temos excelentes estatísticas da frequência com que os planetas ocorrem, a sua distribuição de massa e quão longe estão das suas estrelas. É a análise mais abrangente que já vi neste campo."
O estudo complementa investigações exoplanetárias anteriores através da contagem de planetas entre 10 e 100 UA, uma gama na qual é improvável que as observações de trânsitos pelo Telescópio Espacial Kepler e observações de velocidade radial detetem planetas. Foi liderado por Eric Nielsen, investigador do Instituto Kavli para Astrofísica de Partículas e Cosmologia da Universidade de Stanford e envolveu mais de 100 investigadores de 40 instituições de todo o mundo.
Um novo planeta, uma nova anã castanha
Desde que o levantamento GPIES começou há cinco anos, que a equipa fotografou seis planetas e três anãs castanhas em órbita destas 300 estrelas. A equipa estima que cerca de 9% das estrelas massivas têm gigantes gasosos entre 5 e 13 massas de Júpiter para lá das 10 UA, e menos de 1% têm anãs castanhas entre 10 e 100 UA.
O novo conjunto de dados fornece informações importantes sobre como e onde os objetos massivos se formam nos sistemas planetários.
"À medida que nos afastamos da estrela central, os planetas gigantes tornam-se mais frequentes. Mais ou menos a 3-10 UA, a taxa de ocorrência aumenta," disse Chiang. "Sabemos que este pico ocorre porque o Kepler e os levantamentos via velocidade radial observam um aumento nesta taxa, indo de Júpiteres quentes muito próximos da estrela a Júpiteres a algumas unidades astronómicas da estrela. O GPI preencheu a outra extremidade, indo de 10 a 100 UA, e descobrindo que a taxa de ocorrência cai; os planetas gigantes são encontrados mais frequentemente a 10 do que a 100. Se combinarmos tudo, há um ponto ideal para a ocorrência de planetas gigantes a 3-10 UA."
"Com observatórios futuros, particularmente o TMT (Thirty-Meter Telescope) e missões espaciais ambiciosas, começaremos a fotografar os planetas que residem no local ideal para estrelas parecidas com o Sol," disse o membro da equipa, Paul Kalas, professor adjunto de astronomia da Universidade da Califórnia em Berkeley.
O levantamento exoplanetário descobriu apenas um planeta anteriormente desconhecido - 51 Eridani b, com quase três vezes a massa de Júpiter - e uma anã castanha anteriormente desconhecida - HR 2562 B, com aproximadamente 26 vezes a massa de Júpiter. Nenhum dos planetas gigantes fotografados estão em redor de estrelas parecidas com o Sol. Ao invés, os planetas gigantes gasosos foram descobertos apenas em torno de estrelas mais massivas, pelo menos 50% maiores do que o nosso Sol, ou 1,5 massas solares.
O GPI fotografou um planeta em torno da estrela 51 Eridanus. 51 Eri b é o único planeta anteriormente desconhecido descoberto entre as mais de 500 estrelas estudadas pelo levantamento GPIES. Só 300 das 531 estrelas foram analisadas neste novo estudo.
Crédito: Jason Wang, Caltech; Robert De Rosa, Stanford
"Tendo em conta o que nós e outros levantamentos vimos até agora, o nosso Sistema Solar não se parece com outros sistemas solares," comentou Bruce Macintosh, investigador principal do GPI e professor de física em Stanford. "Não temos tantos planetas acondicionados tão próximos do Sol quanto outras estrelas e agora temos mais evidências de que somos raros devido à existência destes planetas tipo-Júpiter e ainda maiores."
"O facto de os planetas gigantes serem mais comuns em estrelas mais massivas do que estrelas parecidas com o Sol é um enigma interessante," disse Chiang.
Dado que muitas estrelas visíveis no céu noturno são jovens e massivas, chamadas estrelas A, isto significa que "as estrelas que vemos no céu noturno à vista desarmada são mais propensas a ter planetas com massas tipo-Júpiter em seu redor do que as estrelas mais ténues para as quais precisamos de telescópios," disse Kalas. "Isto é interessante."
A análise também mostra que planetas gigantes gasosos e anãs castanhas, embora aparentemente num continuum de massa crescente, podem ser duas populações distintas formadas de diferentes maneiras. Os gigantes gasosos até cerca de 13 vezes a massa de Júpiter parecem ter sido formados por acreção de gás e poeira em objetos mais pequenos - de baixo para cima. As anãs castanhas, entre 13 e 80 vezes a massa de Júpiter, formaram-se como estrelas, por colapso gravitacional - de cima para baixo - dentro da mesma nuvem de gás e poeira que deu origem às estrelas.
"Penso que esta é a evidência mais clara de que estes dois grupos de objetos, planetas e anãs castanhas, formam-se de modo diferente," explicou Chiang.
Fotografia direta é o futuro
O GPI pode fotografar planetas em torno de estrelas distantes graças à extrema ótica adaptativa, que deteta rapidamente a turbulência na atmosfera e reduz a desfocagem ajustando a forma de um espelho flexível. O instrumento deteta o calor de corpos ainda brilhando graças à sua própria energia interna, como exoplanetas grandes, entre 2 e 13 vezes a massa de Júpiter, e jovens, com menos de 100 milhões de anos, em comparação com a idade do nosso Sol de 4,6 mil milhões de anos. Apesar de bloquear a maior parte da luz da estrela central, o brilho ainda limita o GPI a observar apenas planetas e anãs castanhas longe das estrelas que orbitam, entre 10 e 100 UA.
Os resultados do levantamento de 531 estrelas e dos seus exoplanetas no céu do hemisfério sul estão aqui ilustrados para indicar a sua distância à Terra (um parsec corresponde a 3,26 anos-luz). Os pontos cinzentos são estrelas sem exoplanetas ou um disco de poeira; os pontos vermelhos são estrelas que têm um disco de poeira mas sem planetas; os pontos azuis são estrelas com planetas. Os pontos e os anéis indicam estrelas fotografadas várias vezes.
Crédito: Paul Kalas, UC Berkeley; Dmitry Savransky, Cornell; Robert De Rosa, Stanford
A equipa planeia analisar os dados das estrelas restantes da investigação, na esperança de obter mais informações sobre os tipos e tamanhos mais comuns de planetas e anãs castanhas.
Chiang salientou que o sucesso do GPIES mostra que a observação direta tornar-se-á cada vez mais importante no estudo dos exoplanetas, especialmente para entender a sua formação.
"A observação direta é a melhor maneira de estudar planetas jovens," acrescentou. "Quando os planetas jovens estão a ser formados, as suas estrelas jovens são demasiado ativas, demasiado 'nervosas', para que os métodos de velocidade radial ou de trânsito funcionem facilmente. Mas com imagens diretas, é ver para crer."
Fermi revela os seus GRBs mais energéticos (via NASA)
Há 10 anos que o Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi varre o céu à procura de GRBs ("gamma-ray" bursts, explosões de raios-gama), as explosões mais luminosas do Universo. Um novo catálogo das explosões mais energéticas fornece aos cientistas novas informações sobre como funcionam. Ler fonte
Analisada a atmosfera de um novo Júpiter ultraquente (via Instituto de Astrofísica das Canárias)
A combinação de observações feitas com o espectrógrafo CARMENES acoplado ao telescópio de 3,5 m do Observatório Calar Alto (Almería) e com o espectrógrafo HARPS-N no TNG (Telescópio Nacional Galileo) do Observatório Roque de los Muchachos (Garafía, La Palma) permitiu com que uma equipa do IAC e da Universidade de La Laguna revelassem novos detalhes sobre o planeta MASCARA-2B/KELT-20b, que tem uma temperatura de aproximadamente 2000 K. Ler fonte
Álbum de fotografias - Montanha Invulgar, Ahuna Mons, em Ceres
O que criou esta montanha invulgar? Existe uma nova teoria. Ahuna Mons é a maior montanha do maior asteroide conhecido no nosso Sistema Solar, Ceres, que orbita o nosso Sol na cintura principal de asteroides entre Marte e Júpiter. Ahuna Mons, no entanto, não é como nada que a Humanidade tenha visto antes. Para começar, as suas encostas são guarnecidas não com crateras antigas, mas com riscas verticais jovens. A nova hipótese, com base em várias medições de gravidade, diz que uma bolha de lama subiu das profundezas do planeta anão e atravessou a superfície gelada num ponto fraco rico em sal refletivo - e que depois congelou. Pensa-se que as riscas brilhantes sejam parecidas a outros materiais vistos recentemente, como nas famosas manchas brilhantes de Ceres. A imagem digital em destaque foi construída a partir de mapas de superfície feitos em Ceres em 2016 pela missão robótica Dawn. Concluindo com sucesso a sua missão em 2018, a Dawn continua a orbitar Ceres embora tenha esgotado o combustível necessário para manter as suas antenas apontadas para a Terra.
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