05/10/19 - Observação da Lua
20:00-21:00 - No âmbito da Semana Mundial do Espaço que decorre de 4 a 10 de outubro e da Noite Internacional de Observação da Lua promovida pela NASA - National Aeronautics and Space Administration, o Centro Ciência Viva de Tavira irá realizar uma sessão de observação da Lua na Praça da República. Será também possível fazer um registo fotográfico da Lua e das suas crateras com auxílio de telescópio. Esta atividade é gratuita. Participe! Local: Praça da República, Tavira Informações: 281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt
Efemérides
Dia 24/09: 267.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a primeira sonda não-tripulada, a soviética Luna 16, regressa da Lua com mais de um quilograma de material lunar.
Em 1990, é observada a periódica Grande Mancha Branca em Saturno.
Em 2014, a sonda indiana MOM (Mars Orbiter Mission) alcança órbita marciana. Observações: A oeste, para a esquerda da Ursa Maior, a brilhante Arcturo, a "Estrela da Primavera", brilha, a cada semana, um pouco mais baixa ao anoitecer. A partir de Arcturo, o padrão estreito de Boieiro, parecido com um papagaio-de-papel, estende-se 24º para cima e para a direita.
Dia 25/09: 268.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1644, nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que foi responsável pela demonstração de que a velocidade da luz era finita contrariamente ao que se pensava à data.
Em 1992, a NASA lança a Mars Observer, uma sonda de 511 milhões de dólares com destino Marte, a primeira ao planeta em 17 anos. Onze meses mais tarde, a sonda falha.
Em 2008, a China lança a nave Shenzhou 7. Observações: Nesta altura do ano a rica secção da Via Láctea situada na constelação de Cisne atravessa o zénite ao início da noite (para observadores a latitudes médias norte). A Via Láctea estende-se para cima a partir do horizonte a sudoeste, passa por cima das nossas cabeças e desce a nordeste.
Dia 26/09: 269.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1580, Sir Francis Drake completa a sua circumnavegação da Terra.
Em 1997, lançamento da missão STS-86 do vaivém espacial Atlantis. Observações: Antes e durante o amanhecer, procure a Lua cerca de 3º para a direita de Régulo. Os binóculos ajudam a discernir Régulo à medida que o céu começa a clarear.
Curiosidades
Já se perguntou qual o pedaço de detrito cósmico que está a passar pela Terra neste momento? Deseja informação atualizadíssima sobre asteróides grandes e pequenos? Então está com sorte, porque pode subscrever e consultar o serviço Daily Minor Planet da União Astronómica Internacional!
Pulsos raios gama de estrela de neutrões que gira 707 vezes por segundo
Uma equipa internacional de investigação liderada pelo Instituto Max Planck para Física Gravitacional (Instituto Albert Einstein em Hannover) descobriu que o pulsar de rádio J0952-0607 também emite radiação gama pulsada. J0952-0607 gira 707 vezes por segundo e é o segundo na lista de estrelas de neutrões de rápida rotação. Através da análise de 8,5 anos de dados do Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi da NASA, observações de rádio do LOFAR dos últimos dois anos, observações de dois grandes telescópios óticos, e dados de ondas gravitacionais dos detetores LIGO, a equipa usou uma abordagem variada para estudar em detalhe o sistema binário do pulsar e da sua companheira leve. O estudo publicado na revista The Astrophysical Journal mostra que os sistemas pulsares extremos estão escondidos nos catálogos Fermi e motiva investigações adicionais. Apesar de muito extensa, a análise também levanta novas questões não respondidas sobre este sistema.
Os pulsares são os restos compactos de explosões estelares que possuem fortes campos magnéticos e que giram muito depressa. Emitem radiação como um farol cósmico e podem ser observados como pulsares de rádio e/ou pulsares de raios gama, dependendo da sua orientação para a Terra.
Um pulsar e a sua pequena companheira estelar, vistas no seu plano orbital. A poderosa radiação e o "vento" pulsar - um fluxo de partículas altamente energéticas - aquecem fortemente o lado da estrela orientado na direção do pulsar até temperaturas duas vezes mais altas do que a superfície do Sol. O pulsar está a evaporar gradualmente a sua parceira, que enche o sistema com gás ionizado e impede os astrónomos de detetarem, na maior parte do tempo, o feixe rádio do pulsar.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Cruz deWilde
O pulsar mais rápido fora dos enxames globulares
PSR J0952-0607 (o nome indica a posição no céu) foi descoberto pela primeira vez em 2017 por observações de rádio de uma fonte identificada pelo Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi como possivelmente um pulsar. Não foram detetadas pulsações de raios gama nos dados do LAT (Large Area Telescope) a bordo do Fermi. Observações com os radiotelescópios LOFAR identificaram uma fonte de rádio pulsante e - juntamente com as observações por telescópios óticos - permitiram medir algumas propriedades do pulsar. Está a orbitar o centro de massa comum em 6,2 horas com uma estrela companheira que tem apenas 1/50 da massa do nosso Sol. O pulsar gira 707 vezes por segundo e é, portanto, a mais rápida rotação na nossa Galáxia para lá dos densos ambientes dos enxames globulares.
Procurando sinais extremamente fracos
Usando estas informações anteriores do sistema binário, Lars Nieder, estudante de doutoramento no Instituto Albert Einstein em Hannover, decidiu verificar se o pulsar também emitia raios gama pulsados. "Esta investigação é extremamente desafiadora porque o Telescópio de Raios Gama Fermi apenas registou o equivalente a cerca de 200 raios gama oriundos do pulsar fraco nos seus 8,5 anos de observações. Durante este período, o próprio pulsar girou 220 mil milhões de vezes. Por outras palavras, apenas foi observado um raio gama a cada mil milhões de rotações!", explicou Nieder. "Para cada um destes raios gama, a pesquisa deve identificar exatamente quando e qual das rotações de 1,4 milissegundos o emitiu."
Isto requer vasculhar os dados com uma resolução muito fina para não perder nenhum sinal possível. O poder de computação necessário é enorme. A busca muito sensível por pulsações leves de raios gama levaria 24 anos a ser concluída num único núcleo de computador. Ao usarem o complexo computacional do Instituto Albert Einstein em Hannover, terminaram em apenas 2 dias.
Uma estranha primeira deteção
"A nossa pesquisa encontrou um sinal, mas algo estava errado! O sinal era muito fraco e não estava exatamente onde deveria estar. A razão: a nossa deteção de raios gama de J0952-0607 havia revelado um erro de posição nas observações iniciais do telescópio ótico que usámos para direcionar a nossa análise. A nossa descoberta das pulsações de raios gama revelou este erro," explica Nieder. "Este erro foi corrigido na publicação que relatou a descoberta do pulsar de rádio. Uma nova e extensa pesquisa de raios gama fez uma descoberta bastante fraca - mas estatisticamente significativa - de pulsar de raios gama na posição corrigida."
Tendo descoberto e confirmado a existência da radiação gama pulsada do pulsar, a equipa voltou aos dados do Fermi e usou os 8,5 anos completos de agosto de 2008 a janeiro de 2017 para determinar os parâmetros físicos do pulsar e do seu sistema binário. Dado que a radiação gama de J0952-0607 era muito fraca, tiveram que aprimorar o seu método de análise desenvolvido anteriormente para incluir corretamente todas as incógnitas.
O perfil do pulso (distribuição dos fotões de raios gama durante uma rotação do pulsar) de J0952-0607 pode ser visto no topo. Em baixo está a correspondente distribuição dos fotões individuais ao longo dos dez anos de observações. A escala cinza mostra a probabilidade dos fotões originais terem origem no pulsar. A partir de 2011 os fotões alinham-se com as faixas que correspondem ao perfil de pulso. Isto mostra a deteção dos pulsos de raios gama, o que não foi possível antes de meados de 2011.
Crédito: L. Nieder/Instituto Max Planck para Física Gravitacional
Outra surpresa: sem pulsos gama até julho de 2011
A solução derivada continha outra surpresa, porque era impossível detetar pulsos de raios gama da estrela de neutrões nos dados anteriores a julho de 2011. A razão pela qual o pulsar parece apenas mostrar pulsos após essa data é desconhecida. As variações na quantidade de raios gama emitidos podem ser uma razão, mas o pulsar é tão ténue que não foi possível testar esta hipótese com precisão suficiente. Alterações na órbita do pulsar, vistas em sistemas similares, também podem fornecer uma explicação, mas não havia sequer uma pista nos dados de que isso estava a acontecer.
Observações óticas levantam outras questões
A equipa também usou observações com o NTT (New Technology Telescope) do ESO em La Silla e com o GTC (Gran Telescopio Canarias) em La Palma para examinar a estrela companheira do pulsar. Muito provavelmente tem bloqueio de marés em relação ao pulsar, como a Lua em relação à Terra, de modo que um lado está sempre virado para o pulsar e é aquecido pela sua radiação. Embora a estrela companheira orbite o sistema de massa do binário, o seu lado "diurno" mais quente e o seu lado "noturno" mais frio são visíveis da Terra e o brilho e a cor observada variam.
Estas observações criam outro enigma. Embora as observações rádio apontem para uma distância de aproximadamente 4400 anos-luz, as observações óticas implicam uma distância cerca de três vezes maior. Se o sistema estivesse relativamente próximo da Terra, apresentaria uma companheira extremamente compacta e densa, nunca antes vista, enquanto as distâncias maiores são compatíveis com as densidades de companheiras pulsares semelhantes conhecidas. Uma explicação para esta discrepância pode ser a existência de ondas de choque no vento de partículas do pulsar, que podem levar a um aquecimento diferente da companheira. Mais observações de raios gama com o LAT do Fermi devem ajudar a responder a esta pergunta.
À procura de ondas gravitacionais contínuas
Outro grupo de investigadores do Instituto Albert Einstein em Hannover procurou a emissão contínua de ondas gravitacionais do pulsar usando dados da primeira (O1) e da segunda (O2) campanhas de observação do LIGO. Os pulsares podem emitir ondas gravitacionais quando possuem pequenas "colinas" ou "inchaços" à sua superfície. A investigação não detetou ondas gravitacionais, o que significa que a forma do pulsar deve estar muito próxima de uma esfera perfeita, com as maiores deformações não excedendo frações de um milímetro.
Estrelas de neutrões em rápida rotação
A compreensão dos pulsares em rápida rotação é importante porque são sondas da física extrema. A rapidez com que as estrelas de neutrões podem girar antes de se separarem devido às forças centrífugas é desconhecida e depende de física nuclear desconhecida. Os pulsares de milissegundo como J0952-0607 giram tão depressa porque foram acelerados pela acreção de matéria da sua companheira. Pensa-se que este processo enterre o campo magnético do pulsar. Com observações de raios gama a longo prazo, a equipa de investigação mostrou que J0952-0607 possui um dos dez campos magnéticos mais baixos já medidos para um pulsar, consistente com as expetativas teóricas.
Einstein@Home procura casos de estudo de física extrema
"Vamos continuar a estudar este sistema com observatórios de raios gama, rádio e óticos, pois ainda há perguntas sem resposta. Esta descoberta também mostra mais uma vez que os sistemas pulsares extremos estão escondidos no catálogo LAT do Fermi," diz o professor Bruce Allen, supervisor do doutoramento de Nieder e Diretor do Instituto Albert Einstein em Hannover. "Também estamos a utilizar o nosso projeto de computação distribuída de ciência cidadã, Einstein@Home, para procurar sistemas binários com pulsares de raios gama noutras fontes do LAT do Fermi e estamos confiantes que vamos fazer mais descobertas empolgantes no futuro."
Descoberto "portal" de cometas para o Sistema Solar interior
Impressão de artista do potencial aspeto do Centauro SW1 como um Cometa da Família de Júpiter do Sistema Solar interior a uma distância de 0,2 UA (30 milhões de quilómetros) da Terra. A Lua está no canto superior direito da imagem para efeitos de escala.
Crédito: Universidade do Arizona/Heather Roper
Um novo estudo liderado por um investigador da Universidade da Flórida Central pode alterar fundamentalmente a nossa compreensão de como os cometas chegam da periferia do Sistema Solar e são canalizados para o Sistema Solar interior, aproximando-se da Terra.
Publicado a semana passada na revista The Astrophysical Journal Letters, Gal Sarid e coautores descrevem no artigo a descoberta de um "portal" orbital através do qual muitos cometas passam antes de se aproximarem do Sol. O portal foi descoberto como parte de uma simulação de centauros, pequenos corpos gelados que viajam em órbitas caóticas entre Júpiter e Neptuno. A equipa do estudo modelou a evolução dos corpos para lá da órbita de Neptuno, através da região do planeta gigante e para dentro da órbita de Júpiter. Estes corpos gelados são considerados restos quase intocados de material do nascimento do nosso Sistema Solar.
O percurso dos cometas desde o seu local de formação original em direção ao Sol há muito tempo que é debatido.
"Como é que os cometas novos, controlados pela influência de Júpiter, subsituem os que são perdidos? Onde está a transição entre residir no Sistema Solar exterior, como pequenos corpos adormecidos, e tornarem-se ativos no Sistema Solar interior, exibindo uma cabeleira e uma cauda generalizadas de gás e poeira?" pergunta Sarid, o principal cientista do estudo. Estas perguntas permaneceram um mistério até agora. "O que descobrimos, o modelo de portal como um 'berço de cometas', vai mudar o modo como pensamos sobre a história dos corpos gelados," diz.
Pensa-se que os centauros tenham origem na Cintura de Kuiper, uma região para lá de Neptuno, e são considerados como a fonte dos Cometas da Família de Júpiter (CFJ) que ocupam o Sistema Solar interior. A natureza caótica das órbitas dos centauros obscurece os seus percursos exatos, dificultando a previsão do seu futuro como cometas. Quando corpos gelados como os centauros ou cometas se aproximam do Sol, começam a libertar gás e poeira para produzir a aparência difusa da cabeleira e as caudas longas que chamamos de cometas. Esta exibição está entre os fenómenos observáveis mais impressionantes do céu noturno, mas também é um lampejo de beleza fugaz que é rapidamente seguido pela destruição do cometa ou pela sua evolução para um estado adormecido, explica Sarid.
O objetivo original da investigação era explorar a história de um centauro peculiar - 29P/Schwassmann-Wachmann 1 (SW1), um centauro de tamanho médio numa órbita quase circular logo a seguir a Júpiter. SW1 há muito que intriga os astrónomos com a sua alta atividade e frequentes surtos explosivos que ocorrem a uma distância do Sol onde o gelo efetivamente não deverá vaporizar. Tanto a sua órbita quanto a sua atividade colocam SW1 num meio termo evolutivo entre os outros centauros e os Cometas da Família de Júpiter. A equipa de investigação queria explorar se as circunstâncias de SW1 eram consistentes com a progressão orbital dos outros centauros, acrescentou Sarid.
"Mais de um em cada cinco centauros que rastreámos encontrava-se numa órbita semelhante à de SW1 em algum momento da sua vida," disse Maria Womack, cientista do Instituto Espacial da Flórida e coautora do estudo. "Em vez de ser um 'outlier' peculiar, SW1 é um centauro apanhado no ato de evoluir dinamicamente para um CFJ." Além da natureza comum da órbita de SW1, as simulações levam a uma descoberta ainda mais surpreendente, realça Womack.
"Os centauros que passam por esta região são a fonte de mais de dois-terços de todos os CFJs, tornando-se no portal principal através do qual estes cometas são produzidos," diz Womack. Esta região não hospeda objetos durante muito tempo, sendo que a maioria dos centauros se tornam CFJs em alguns milhares de anos. Esta é uma parte curta da vida útil de qualquer objeto do Sistema Solar, que pode durar milhões e por vezes milhares de milhões de anos.
A presença do portal fornece um meio há muito procurado de identificar os centauros numa trajetória iminente em direção ao Sistema Solar interior. SW1 é atualmente o maior e mais ativo dos poucos objetos descobertos nesta região, o que o torna num "principal candidato a avançar o nosso conhecimento das transições orbitais e físicas que moldam a população de cometas que vemos hoje," disse Sarid.
A nossa compreensão dos cometas está intimamente ligada ao conhecimento da composição inicial do nosso Sistema Solar e à evolução das condições para o surgimento de atmosferas e da vida, explicaram os investigadores.
WFIRST da NASA vai ajudar a descobrir o destino do Universo
Impressão de artista do WFIRST.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
Os cientistas descobriram que uma pressão misteriosa chamada "energia escura" compõe cerca de 68% do conteúdo energético total do cosmos, mas até agora não sabemos muito sobre ela. A exploração da natureza da energia escura é uma das principais razões pelas quais a NASA está a construir o WFIRST (Wide Field Infrared Survey Telescope), um telescópio espacial cujas medições vão ajudar a iluminar o quebra-cabeças da energia escura. Com uma melhor compreensão da energia escura, teremos uma melhor noção da evolução passada e futura do Universo.
Um Cosmos em expansão
Até ao século XX, a maioria das pessoas achava que o Universo era estático, permanecendo essencialmente inalterado por toda a eternidade. Quando Einstein desenvolveu a sua teoria geral da relatividade em 1915, descrevendo como a gravidade atua através do tecido do espaço-tempo, ele ficou intrigado ao descobrir que a teoria indicava que o cosmos ou devia expandir-se ou contrair-se. Ele fez alterações para preservar um Universo estático, acrescentando algo que chamou de "constante cosmológica", mesmo não existindo evidências da sua existência. Esta força misteriosa deveria neutralizar a gravidade para manter tudo no lugar.
No entanto, no final da década de 1920, o astrónomo George Lemaitre, e depois Edwin Hubble, fizeram a descoberta surpreendente de que, com poucas exceções, as galáxias estão a afastar-se umas das outras. O Universo estava longe de ser estático - estava a "inchar". Consequentemente, se imaginarmos rebobinar esta expansão, deverá ter havido uma altura em que tudo no Universo estava quase impossivelmente quente e próximo.
O fim do Universo: fogo ou gelo?
A teoria do Big Bang descreve a expansão e a evolução do Universo a partir deste estado inicial superquente e superdenso. Os cientistas teorizaram que a gravidade acabaria por desacelerar e possivelmente até reverter completamente esta expansão. Se o Universo tivesse matéria suficiente, a gravidade superaria a expansão e o Universo entraria em colapso num grande "Big Crunch" de fogo.
Caso contrário, a expansão nunca terminaria - as galáxias afastar-se-iam umas das outras cada vez mais até que passassem para lá da orla do Universo observável. Os nossos distantes descendentes poderão não ter conhecimento da existência de outras galáxias uma vez que estariam demasiado longe para serem visíveis. Grande parte da astronomia moderna pode um dia ser reduzida a mera lenda, à medida que o Universo desvanece gradualmente para uma gelada escuridão.
O Universo não está apenas a expandir-se - está a acelerar
Os astrónomos mediram o ritmo de expansão usando telescópios terrestres para estudar explosões de supernovas relativamente próximas. O mistério cresceu em 1998 quando observações de supernovas mais distantes, pelo Telescópio Espacial Hubble, ajudaram a mostrar que o Universo realmente se expandiu mais lentamente no passado do que hoje. A expansão do Universo não está a diminuir devido à gravidade, como todos pensavam. Está a acelerar.
Avançando rapidamente para hoje. Embora ainda não saibamos, exatamente, a razão desta aceleração, a "culpada" recebeu um nome - energia escura. Esta pressão misteriosa permaneceu desconhecida por tanto tempo porque é tão fraca que a gravidade se sobrepõe a ela à escala dos humanos, dos planetas e até da nossa Galáxia. Está presente na sua sala enquanto lê, dentro do seu próprio corpo, mas a gravidade neutraliza-a para que não saia a voar do seu lugar. Somente a escalas intergalácticas é que a energia escura se torna percetível, agindo como uma espécie de oposição fraca à gravidade.
O que é a energia escura?
O que é, exatamente, a energia escura? Desconhecemos mais do que sabemos, mas os teóricos estão à procura de algumas explicações possíveis. A aceleração cósmica pode ser provocada por um novo componente energético, o que exigiria alguns ajustes na teoria da gravidade de Einstein - talvez a constante cosmológica, que Einstein chamou do seu maior erro seja, afinal, real.
Alternativamente, a teoria da gravidade de Einstein pode quebrar-se a escalas cosmológicas. Se for esse o caso, a teoria precisará de ser substituída por uma nova que incorpore a aceleração cósmica que observamos. Os teóricos ainda não sabem qual é a explicação correta, mas o WFIRST ajudar-nos-á a descobrir.
WFIRST irá iluminar a energia escura
As missões anteriores reuniram algumas pistas, mas até agora não produziram resultados que favorecem fortemente uma explicação ou outra. Com a mesma resolução das câmaras do Hubble, mas com um campo de visão 100 vezes maior, o WFIRST produzirá imagens grandes do Universo nunca antes vistas. A nova missão avançará a exploração da energia escura de maneiras que outros telescópios não conseguem, mapeando como a matéria é estruturada e distribuída por todo o cosmos e medindo também um grande número de supernovas distantes. Os resultados indicarão como a energia escura atua por todo o Universo e se mudou ao longo da história cósmica.
A missão vai usar três métodos de pesquisa para procurar uma explicação da energia escura.
O HLSS (High Latitude Spectroscopic Survey) vai medir com precisão distâncias e posições de milhões de galáxias usando uma técnica de "régua padrão". A medição de como a distribuição das galáxias varia com a distância vai abrir uma janela para a evolução da energia escura ao longo do tempo. Este estudo vai ligar as distâncias das galáxias com os ecos de ondas sonoras logo após o Big Bang e testar a teoria da gravidade de Einstein ao longo da idade do Universo.
O WFIRST também vai realizar um levantamento de um tipo de explosão estelar, baseando-se nas observações que levaram à descoberta da expansão acelerada. As supernovas do Tipo Ia ocorrem quando as estrelas anãs brancas explodem. As supernovas do Tipo Ia geralmente têm o mesmo brilho absoluto no seu pico, tornando-as no que os astrónomos apelidam de "velas padrão". Isto significa que os astrónomos podem determinar a que distância estão a ver o seu brilho da Terra - e quanto mais longe estão, mais ténues parecem. Os astrónomos também vão observar comprimentos de onda específicos provenientes de supernovas para descobrir com que rapidez as estrelas moribundas estão a afastar-se nós. Ao combinarem distâncias com medições de brilho, os cientistas podem ver como a energia escura evoluiu ao longo do tempo, fornecendo uma verificação cruzada com os dois levantamentos.
Adicionalmente, o HLIS (High Latitude Imaging Survey) vai medir as formas e distâncias de inúmeras galáxias e enxames galácticos. A imensa gravidade de objetos massivos distorce o espaço-tempo e faz com que as galáxias mais distantes pareçam distorcidas. A observação do grau de distorção permite que os cientistas possam inferir a distribuição de massa por todo o cosmos. Isto inclui toda a matéria que podemos ver diretamente, como planetas e estrelas, bem como a matéria escura - outro mistério cósmico escuro que é "visível" apenas devido aos seus efeitos gravitacionais sobre a matéria normal. Este levantamento fornecerá uma medição independente do crescimento da estrutura a larga escala do Universo e de como a energia escura tem afetado o cosmos.
"A missão WFIRST é única na combinação destes três métodos. Levará a uma interpretação muito robusta e rica dos efeitos da energia escura e permitir-nos-á fazer uma declaração definitiva sobre a natureza da energia escura," disse Olivier Doré, cientista do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, e líder da equipa que está a planear os dois primeiros métodos de pesquisa com o WFIRST.
Descobrir como a energia escura afetou a expansão do Universo no passado vai lançar alguma luz sobre como influenciará a expansão no futuro. Se continuar a acelerar a expansão do Universo, podemos estar destinados a sofrer um "Big Rip". Neste cenário, a energia escura acabará por tornar-se dominante sobre as forças fundamentais, fazendo com que tudo o que está atualmente unido - galáxias, planetas, pessoas - se separe. A exploração da energia escura vai permitir-nos investigar e possivelmente prever o destino do Universo.
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Robert Eder
Enquadrando uma brilhante região de emissão, esta imagem telescópica mostra um bonito campo estelar no plano da nossa Via Láctea e na direção da constelação rica em nebulosas de Cisne. Com o nome popular de Nebulosa da Tulipa, a nuvem brilhante e avermelhada de gás e poeira interestelar encontra-se também no catálogo de 1959 do astrónomo Stewart Sharpless com o nome de Sh2-101. A cerca de 8000 anos-luz de distância e com 70 anos-luz de diâmetro, a linda e complexa nebulosa floresce perto do centro desta composição. A radiação ultravioleta de estrelas jovens e energéticas do tipo-O na orla da associação OB3 de Cisne ioniza os átomos e alimenta a emissão da Nebulosa da Tulipa.
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