Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Agora também com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1658  
  28/01 a 30/01/2020  
     
 

14/02/20 - Noites Astronómicas em Tavira
No dia 14 de fevereiro realiza-se mais uma sessão de Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato. Nesta sessão será dada especial atenção às constelações de Orionte e Touro. Iremos também observar uma fase do planeta Vénus. Esta atividade é gratuita.
Data: 14 de fevereiro, 19:30
Local: Forte do Rato
Público-alvo: Público em geral
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA (a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas).
Telefones: 281 326 231; 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 28/01: 28.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1608 nascia Giovanni Alfonso Borelli, físico e matemático italiano e renascentista. Contribuiu para o princípio moderno da investigação científica através da continuação do costume de Galileu, de testar hipóteses contra observações. Fez também estudos prolongados das luas de Júpiter.
Em 1611, nascia Johannes Hevelius, que seria o primeiro astrónomo a observar as fases de Mercúrio.

Hevelius também ganhou reputação como "fundador da topografia lunar" e descreveu dez novas constelações, sete das quais são ainda hoje reconhecidas pelos astrónomos. Morreria neste mesmo dia em 1687, quando fazia 76 anos. 
Em 1612, Galileu observa pela primeira vez o planeta Neptuno, confundindo-o com uma estrela 233 anos antes da sua descoberta.
Em 1622 nascia Adrien Auzout, astrónomo francês que fez observações de cometas e argumentou a favor das suas órbitas elípticas ou parabólicas. Foi um dos membros fundadores do Observatório de Paris. 
Em 1986, o vaivém espacial Challenger explode 73 segundos depois de descolar. A tripulação inteira morre: Francis Scobee, Michael Smith, Judith Resnik, Ellison Onizuka, Ronald McNair, Gregory Jarvis e Sharon Christa McAuliffe.
Observações: A Lua Crescente encontra-se para a esquerda de Vénus, baixos a oeste-sudoeste depois do anoitecer.
O Grande Quadrado de Pégaso desce a oeste. Está apoiado num canto, um pouco para cima e para a direita de Vénus. Entretanto, a Ursa Maior sobe a este-nordeste, desta vez apoiada na "pega" da sua "frigideira".

Dia 29/01: 29.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1986 ocorreu o incidente Height 611 em que uma bola de fogo terá sido vista pela população inteira de uma povoação, tendo desaparecido de seguida.

Observações: Os Gémeos encontram-se deitados de lado nestas noites de janeiro, para a esquerda de Orionte. As suas cabeças, Castor e Pollux, estão mais afastadas de Orionte, uma sob a outra. Castor é a estrela de cima. Os pés da figura de Gémeos estão para a esquerda da "moca" de Orionte. Bem para baixo brilha Procyon.

Dia 30/01: 30.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, era lançada a sonda Ranger 6 da NASA.

A sua missão era filmar a Lua televisivamente até se despenhar sobre ela.
Em 2013, o Naro-1 torna-se o primeiro veículo de lançamento da Coreia do Sul.
Observações: Pouco depois do cair da noite, aviste o equilátero Triângulo de Inverno a sudeste. Sirius é a estrela mais brilhante e mais baixa do triângulo. Betelgeuse encontra-se para cima de Sirius a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Para a esquerda do seu ponto médio está Procyon.
E, a mais ou menos 4º para cima de Procyon está a estrela de terceira magnitude, Gomeisa (Beta Canis Minoris), a outra única estrela visível a olho nu da constelação de Cão Menor.

 
     
 
Curiosidades


O Telescópio Espacial Spitzer tem o nome de Lyman Spitzer, físico teórico e astrónomo americano que concebeu a ideia de telescópios a operar no espaço.

 
 
   
O legado do Telescópio Espacial Spitzer
 
Nesta impressão de artista do Telescópio Espacial Spitzer da NASA no espaço, o fundo é visto no infravermelho.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

A NASA está a celebrar o legado de um dos seus grandes observatórios, o Telescópio Espacial Spitzer, que estuda há mais de 16 anos o Universo no infravermelho. A missão terminará no dia 30 de janeiro.

Lançado em 2003, o Spitzer revelou características anteriormente ocultas de objetos cósmicos conhecidos e levou a descobertas e informações que vão desde o nosso próprio Sistema Solar até quase aos confins do Universo.

"O Spitzer ensinou-nos o quão importante a radiação infravermelha é para entender o nosso Universo, tanto na nossa própria vizinhança cósmica quanto nas galáxias mais distantes," disse Paul Hertz, diretor de astrofísica na sede da NASA. "Os avanços que fizermos nas muitas áreas da astrofísica, no futuro, serão por causa do extraordinário legado do Spitzer."

O Spitzer foi construído para estudar "o frio, o velho e o empoeirado," três coisas que os astrónomos observam particularmente bem no infravermelho. A radiação infravermelha refere-se a uma gama de comprimentos de onda no espectro infravermelho, desde os 700 nanómetros (demasiado pequeno para ser visto a olho nu) até cerca de 1 milímetro (aproximadamente o tamanho da cabeça de um alfinete). Diferentes comprimentos de onda infravermelhos podem revelar características diferentes do Universo. Por exemplo, o Spitzer pode ver coisas demasiado frias para emitirem muita luz visível, incluindo exoplanetas (planetas para lá do nosso Sistema Solar), anãs castanhas e matéria fria encontrada no espaço entre as estrelas.

Quanto ao "antigo", o Spitzer estudou algumas das galáxias mais distantes já detetadas. A luz de algumas delas viajou durante milhares de milhões de anos para chegar até nós, permitindo que os cientistas vissem esses objetos como eram há muito, muito tempo. De facto, trabalhando juntos, o Spitzer e o Telescópio Espacial Hubble (que observa principalmente no visível e em comprimentos de onda infravermelhos mais pequenos do que os detetados pelo Spitzer) identificaram e estudaram a galáxia mais distante observada até hoje. A luz que vemos daquela galáxia foi emitida há 13,4 mil milhões de anos, quando o Universo tinha menos de 5% da sua idade atual.

 
O Telescópio Espacial Spitzer (conhecido anteriormente como SIRTF, ou "Space Infrared Telescope Facility"), em preparação para o seu lançamento na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, em 2003.
Crédito: NASA
 

Entre outras coisas, os dois observatórios descobriram que estas galáxias iniciais são mais pesadas do que os cientistas esperavam. E, ao estudar galáxias mais próximas de nós, o Spitzer aprofundou a nossa compreensão de como a formação galáctica evoluiu ao longo da vida do Universo.

O Spitzer também está atento à poeira interestelar, prevalente na maioria das galáxias. Misturada com gás em nuvens massivas, pode condensar-se para formar estrelas, e os restos podem dar à luz planetas. Com uma técnica chamada espectroscopia, o Spitzer pode analisar a composição química da poeira para aprender mais sobre os ingredientes que formam planetas e estrelas.

Em 2005, após a missão Deep Impact da NASA ter intencionalmente atingido o Cometa Tempel 1, o telescópio analisou a poeira levantada, fornecendo uma lista de materiais que estariam presentes no início do Sistema Solar. Além disso, o Spitzer encontrou um anel anteriormente não detetado em torno de Saturno, composto por partículas esparsas de poeira que os observatórios não conseguem ver no visível.

 
Os magníficos braços espirais da vizinha galáxia Messier 81, realçados nesta imagem do Telescópio Espacial Spitzer da NASA. Localizado na direção da constelação de Ursa Maior, esta galáxia encontra-se a mais ou menos 12 milhões de anos-luz da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Além disso, alguns comprimentos de onda infravermelhos podem penetrar a poeira quando a luz visível não consegue, permitindo que o Spitzer revele regiões que, de outra forma, permaneceriam obscurecidas.

"É incrível quando 'colocamos na mesa' tudo o que o Spitzer já fez ao longo da sua vida, desde a deteção de asteroides no nosso Sistema Solar, não maiores do que uma limusine, até aprender mais sobre algumas das galáxias mais distantes que conhecemos," disse Michael Werner, cientista do projeto Spitzer.

Para aprofundar as suas ideias científicas, os cientistas do Spitzer combinaram frequentemente os seus achados com os de muitos outros observatórios, incluindo dois dos outros Grandes Observatórios da NASA, o Hubble e o Observatório de raios-X Chandra.

 
Esta imagem do Telescópio Espacial Spitzer mostra centenas de milhares de estrelas no núcleo da nossa Galáxia espiral, a Via Láctea. Nesta imagem, as estrelas velhas e frias são azuis, enquanto características de poeira iluminadas por estrelas massivas e escaldantes têm um tom avermelhado.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Outros mundos

Algumas das maiores descobertas científicas do Spitzer, incluindo aquelas relativas a exoplanetas, não faziam parte dos objetivos científicos originais da missão. A equipa usou uma técnica chamada método de trânsito, que procura uma queda no brilho da estrela que resulta quando um planeta passa à sua frente, para confirmar a presença de dois planetas do tamanho da Terra no sistema TRAPPIST-1. Depois, o Spitzer descobriu outros cinco planetas do tamanho da Terra no mesmo sistema - e forneceu informações cruciais sobre as suas densidades - totalizando o maior lote de exoplanetas terrestres já descoberto em torno uma única estrela.

Um dos primeiros observatórios a distinguir a luz vinda diretamente de um exoplaneta, o Spitzer aproveitou a mesma capacidade para outro "primeiro": a deteção de moléculas na atmosfera de um exoplaneta (estudos anteriores revelaram elementos químicos individuais em atmosferas exoplanetárias). E também forneceu as primeiras medições de variações de temperatura e de vento numa atmosfera exoplanetária.

"Quando o Spitzer estava a ser projetado, os cientistas ainda não tinham encontrado um único exoplaneta em trânsito e, quando o Spitzer foi lançado, só conhecíamos um punhado deles," disse Sean Carey, gestor do Centro Científico Spitzer do IPAC no Caltech, Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "O facto do Spitzer se ter tornado numa ferramenta exoplanetária tão poderosa, quando isso nem era algo para o qual os planeadores originais pudessem ter-se preparado, é realmente profundo. E obtivemos alguns resultados absolutamente impressionantes."

 
Estrelas recém-nascidas surgem de baixo do seu cobertor natal de poeira nesta imagem dinâmica da nuvem escura Rho Ophiuchi pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA. Chamada "Rho Oph" pelos astrónomos, é uma das regiões de formação estelar mais próximas do nosso próprio Sistema Solar, a cerca de 407 anos-luz da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Mantendo-se frio

Um dos principais pontos fortes do Spitzer é a sua sensibilidade - isto é, a capacidade de detetar fontes muito fracas de luz infravermelha. A Terra é uma das principais fontes de radiação infravermelha, e tentar ver fontes infravermelhas fracas a partir do solo é como tentar observar estrelas quando o Sol está acima do horizonte. Essa é uma das principais razões pelas quais os construtores do Spitzer o tornaram o primeiro observatório astrofísico numa órbita que segue a órbita da Terra: longe do calor do nosso planeta, os detetores do Spitzer não teriam que lidar com a sua radiação infravermelha.

Diferentes comprimentos de onda infravermelhos podem revelar diferentes características do Universo. Alguns telescópios terrestres podem observar em certos comprimentos de onda infravermelhos e fornecer informações científicas valiosas, mas o Spitzer pode alcançar uma maior sensibilidade do que telescópios terrestres muito maiores e ver fontes muito mais fracas, como galáxias extremamente distantes. Além disso, foi projetado para detetar alguns comprimentos de onda infravermelhos que a atmosfera da Terra bloqueia completamente, observando nesses comprimentos de onda que estão fora do alcance dos observatórios terrestres.

As naves espaciais também podem gerar calor infravermelho, de modo que o Spitzer foi construído para permanecer frio, operando a temperaturas tão baixas quanto -267º Celsius. Em 2009, o Spitzer esgotou a sua reserva de hélio refrigerante, assinalando o fim da sua "missão fria". Mas a grande distância do Spitzer, à Terra, ajudou-o a não aquecer demasiado - ainda opera a -244º Celsius - e os membros da equipa da missão descobriram que podiam continuar a observar em dois comprimentos de onda infravermelhos. A "missão quente" do Spitzer já dura há mais de uma década, quase o dobro da sua "missão fria".

Os planeadores da missão original não esperavam que o Spitzer operasse por mais de 16 anos. Esta vida útil prolongada levou a alguns dos resultados científicos mais profundos do Spitzer, mas também colocou desafios à medida que o observatório se afasta cada vez mais da Terra.

"Não estava nos planos ter o Spitzer a operar tão longe da Terra, de modo que a equipa teve que adaptar-se, ano após ano, a manter a nave em operação," disse Joseph Hunt, gestor do projeto do Spitzer. "Mas eu acho que superar esse desafio deu às pessoas uma grande sensação de orgulho. Esta missão afetou-nos positivamente."

No dia 30 de janeiro de 2020, os engenheiros vão desativar o Spitzer e cessar as operações científicas. Durante o processo de revisão da NASA, em 2016, a agência espacial tomou a decisão de encerrar a missão do Spitzer. O encerramento estava inicialmente planeado para 2018, em antecipação do lançamento do Telescópio Espacial James Webb, que também realizará observações astronómicas no infravermelho. Quando o lançamento do Webb foi adiado, a missão do Spitzer recebeu a sua quinta e última extensão. Estas extensões deram ao Spitzer mais tempo para continuar a produzir ciência transformadora, incluindo tarefas de "desbravamento de caminho" para o Webb.

// NASA (comunicado de imprensa)
// NASA (Press kit)
// Overview da missão do Spitzer (NASA JPL via YouTube)
// O que é a luz infravermelha? (NASA JPL via YouTube)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
Science
Astronomy
SPACE.com
Scientific American
SpaceRef
Wired
Forbes

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
   
Estudo mostra que o planeta mais quente dilacera moléculas na sua atmosfera
 

Impressão de artista de um "Júpiter quente" chamado KELT-9b, o exoplaneta mais quente conhecido - tão quente que, segundo um novo artigo científico, até as moléculas na sua atmosfera são dilaceradas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

 

Os gigantes gasosos chamados "Júpiteres quentes" - planetas que orbitam muito perto das suas estrelas para sustentar vida - são dos mundos mais estranhos encontrados para lá do nosso Sistema Solar. Novas observações mostram que o mais quente de todos é ainda mais estranho, propenso a fusões globais tão severas que separam as moléculas que compõem a sua atmosfera.

Chamado KELT-9b, o planeta é um Júpiter ultraquente, um de várias categorias de exoplanetas - planetas em torno de outras estrelas - encontrados na nossa Galáxia. Tem quase três vezes a massa de Júpiter e orbita uma estrela a cerca de 670 anos-luz de distância. Com uma temperatura à superfície de 4300º Celsius - mais quente que algumas estrelas - este planeta é o mais quente encontrado até ao momento.

Agora, uma equipa de astrónomos usando o telescópio espacial Spitzer da NASA encontrou evidências de que o calor até é demasiado alto para que as moléculas permaneçam intactas. As moléculas de hidrogénio gasoso provavelmente são destruídas no lado diurno de KELT-9b, incapazes de se reconstituírem até que os seus átomos desarticulados fluam para o lado noturno do planeta.

Embora ainda extremamente quente, o leve arrefecimento no lado noturno é suficiente para permitir que as moléculas de hidrogénio gasoso se reformem - ou seja, até que voltem para a face virada para a estrela, onde são quebradas novamente.

"Este tipo de planeta é tão extremo em temperatura, que está um pouco separado de muitos outros exoplanetas," disse Megan Mansfieldd, estudante da Universidade de Chicago e autora principal de um novo artigo que revela esta descoberta. "Existem alguns outros Júpiteres quentes e ultraquentes que não são tão quentes, mas ainda quentes o suficiente para que este efeito ocorra."

Os achados, publicados na revista The Astrophysical Journal Letters, mostram a sofisticação crescente da tecnologia e das análises necessárias para estudar estes mundos muito distantes. A ciência está apenas a começar a espiar a atmosfera dos exoplanetas, estudando as desintegrações moleculares dos mais quentes e brilhantes.

KELT-9b permanecerá firmemente categorizado entre os mundos inabitáveis. Os astrónomos tomaram conhecimento do seu ambiente extremamente hostil em 2017, quando foi detetado pela primeira vez usando o sistema KELT (Kilodegree Extremely Little Telescope) - um esforço combinado que envolve observações de dois telescópios robóticos, um no sul do estado norte-americano do Arizona e outro na África do Sul.

No artigo publicado na The Astrophysical Journal Letters, a equipa científica usou o telescópio espacial Spitzer para analisar os perfis de temperatura deste gigante infernal. O Spitzer, que faz observações no infravermelho, pode medir variações subtis no calor. Repetidas durante muitas horas, estas observações permitem que o Spitzer capture mudanças na atmosfera, à medida que o planeta apresenta fases enquanto orbita a estrela. Surgem diferentes metades do planeta à medida que este orbita a sua estrela.

Isto permitiu à equipa vislumbrar a diferença entre o lado diurno e noturno de KELT-9b. Neste caso, o planeta orbita tão perto a sua estrela que um "ano" - o tempo que demora a completar uma volta em torno da estrela - é de apenas dia e meio. Isto significa que sofre bloqueio de marés, apresentando sempre a mesma face à estrela (tal como a nossa Lua mostra sempre a mesma face à Terra). No lado oposto de KELT-9b, a noite dura para sempre.

Mas os gases e o calor fluem de um lado para o outro. Uma grande questão para os investigadores que tentam entender as atmosferas exoplanetárias é como é que a radiação e o fluxo se equilibram.

Os modelos de computador são as principais ferramentas nessas investigações, mostrando como é provável que estas atmosferas se comportem a diferentes temperaturas. O melhor ajuste para os dados de KELT-9b foi um modelo que incluía moléculas de hidrogénio sendo separadas e reconstruídas, um processo conhecido como dissociação e recombinação.

"Se não tivermos em conta a dissociação do hidrogénio, obtemos ventos muito rápidos de 60 km/s," disse Mansfield. "É pouco provável."

KELT-9b não apresenta grandes diferenças de temperatura entre o lado diurno e noturno, sugerindo fluxo de calor de um para o outro. E a "mancha quente" no lado diurno, que deverá estar diretamente sobre a estrela deste planeta, foi desviada da posição esperada. Os cientistas não sabem porquê - mais um mistério a ser resolvido neste planeta estranho e quente.

// NASA/JPL (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
19/03/2019 - "Cozinhando" atmosferas alienígenas na Terra
06/06/2017 - Astrónomos descobrem planeta mais quente que maioria das estrelas

KELT-9b:
NASA
Exoplanet.eu
Wikipedia

Júpiteres quentes:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

Telescópios KELT:
Página principal
Wikipedia

 
   

Kepler testemunha superexplosão em sistema estelar "vampiro"

 
A ilustração mostra um sistema recém-descoberto de nova anã, no qual uma anã branca puxa material de uma companheira anã castanha. O material forma um disco de acreção até que atinge um ponto de inflexão, fazendo com que aumente subitamente de brilho. Usando dados de arquivo do Kepler, uma equipa observou uma intensificação gradual, inexplicada e não antes vista seguida por uma superexplosão na qual o sistema aumentou cerca de 1600 vezes de brilho, ao longo de menos de um dia.
Crédito: NASA e L. Hustak (STScI)
 

A sonda Kepler da NASA foi construída para encontrar exoplanetas, procurando estrelas que diminuem de brilho quando um planeta passa à sua frente. Felizmente, o mesmo design é ideal para a deteção de outros transientes astronómicos - objetos que aumentam ou diminuem de brilho com o tempo. Uma nova investigação de dados de arquivo do Kepler encontrou uma superexplosão invulgar de uma nova anã anteriormente desconhecida. O sistema aumentou cerca de 1600 vezes de brilho ao longo de menos um dia antes de desvanecer lentamente.

O sistema estelar em questão consiste de uma estrela anã branca com uma companheira anã castanha com cerca de um-décimo da massa da anã branca. Uma anã branca é o núcleo remanescente de uma estrela velha parecida com o Sol e contém aproximadamente a mesma quantidade de material que o Sol num globo com o tamanho da Terra. Uma anã castanha é um objeto com uma massa entre 10 e 80 Júpiteres que é demasiado pequeno para despoletar fusão nuclear.

A anã castanha orbita anã branca a cada 83 minutos, a uma distância de apenas 400.000 km - quase a distância Terra-Lua. Estão tão próximas uma da outra que a forte gravidade da anã branca retira o material da anã castanha, sugando a sua essência como um vampiro. O material roubado forma um disco à medida que espirala para a anã branca (conhecido como disco de acreção).

Foi por sorte que o Kepler estava a olhar na direção certa quando este sistema sofreu uma superexplosão, aumentando mais de 1000 vezes de brilho. De facto, o Kepler foi o único instrumento capaz de o testemunhar, uma vez que o sistema estava demasiado perto do Sol, do ponto de vista da Terra. A rápida cadência de observações do Kepler, obtendo dados a cada 30 minutos, foi crucial para capturar todos os detalhes da explosão.

O evento permaneceu escondido nos dados de arquivo do Kepler até ser identificado por uma equipa liderada por Ryan Ridden-Harper, do STScI (Space Telescope Science Institute), em Baltimore, no estado norte-americano da Maryland e da Universidade Nacional da Austrália, Camberra. "De certo modo, descobrimos este sistema acidentalmente. Não estávamos especificamente à procura de uma superexplosão. Estávamos à procura de qualquer tipo de transiente," disse Ridden-Harper.

O Kepler capturou todo o evento, observando um lento aumento de brilho seguido por uma rápida intensificação. Embora o repentino aumento de brilho seja previsto pelas teorias, a razão do início lento permanece um mistério. As teorias da física do disco de acreção não preveem este fenómeno, que foi observado posteriormente em duas outras superexplosões de novas anãs.

"Estes sistemas de novas anãs têm vindo a ser estudados há décadas, de modo que descobrir algo novo é bastante complicado," disse Ridden-Harper. "Vemos discos de acreção por todo o lado - desde estrelas recém-formadas a buracos negros supermassivos - de modo que é importante compreendê-los."

As teorias sugerem que uma superexplosão é despoletada quando o disco de acreção atinge um ponto de inflexão. À medida que acumula material, cresce em tamanho até que a orla externa sofre ressonância gravitacional com a anã castanha em órbita. Isto pode desencadear uma instabilidade térmica, fazendo com que o disco fique superaquecido. De facto, as observações mostram que a temperatura do disco sobe de 2700-5300º C no seu estado normal para 9700-11.700ºC no pico da superexplosão.

Este tipo de sistema de nova anã é relativamente raro, conhecendo-se apenas mais ou menos 100. Podem passar-se anos ou décadas entre explosões, o que torna a observação em flagrante um grande desafio.

"A deteção deste objeto dá esperanças na deteção de mais eventos raros, escondidos nos dados do Kepler," disse o coautor Armin Rest do STScI.

A equipa planeia continuar a minar os dados do Kepler, bem como de outro caçador de exoplanetas, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), à procura de outros transientes.

"As observações contínuas pelo Kepler/K2, e agora pelo TESS, destes sistemas estelares dinâmicos permitem-nos estudar as primeiras horas da explosão, um domínio do tempo que é quase impossível alcançar a partir de observatórios terrestres," disse Peter Garnavich da Universidade de Notre Dame em Indiana.

O artigo científico sobre a descoberta foi publicado na edição de 21 de outubro de 2019 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (PDF)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
science alert
PHYSORG
SciTechDaily
CNN
METRO

Nova anã:
Wikipedia
CVnet - lista de surtos de novas anãs

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - Cometa CG Evapora
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESARosetta, NAVCAM
 
De onde vêm as caudas dos cometas? Não existem lugares óbvios nos núcleos dos cometas a partir dos quais os jatos que criam as caudas cometárias são emanados. Uma das melhores imagens de jatos emergentes é esta em destaque, obtida em 2015 pela sonda robótica Rosetta da ESA, que orbitou o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (Cometa CG) de 2014 a 2016. A imagem mostra plumas de gás e poeira a escaparem de vários lugares do núcleo do Cometa CG enquanto se aproximava do Sol e aquecia. O cometa tem dois lóbulos proeminentes, o maior com cerca de 4 quilómetros e o mais pequeno com 2,5 km, ligados por um pescoço estreito. As análises indicam que a evaporação deve estar a ocorrer bem dentro da superfície do cometa para criar os jatos de poeira e gelo que vemos emitidos pela superfície. O Cometa CG (também conhecido como Cometa 67P) perde, em jatos, cerca de um metro de raio durante cada uma das suas órbitas de 6,44 anos em redor do Sol, um ritmo que irá destruir completamente o cometa daqui a apenas milhares de anos. Em 2016, a missão da Rosetta terminou com um impacto controlado na superfície do Cometa CG.
 
   
Arquivo | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
       
       
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2020 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt