Dia 22/05: 143.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1783, nascia William Sturgeon, físico inglês e inventor que fez os primeiros imãs e inventou o primeiro motor elétrico inglês.
Em 1890, nascia Per Collinder, astrónomo sueco, conhecido pelo seu catálogo de enxames abertos, hoje em dia chamado Catálogo de Collinder.
Em 1969, o módulo lunar da Apollo 10 passava a 8,4 milhas náuticas (15,6 km) da superfície da Lua.
Em 1995, imagens captadas pelo Telescópio Espacial Hubble durante a travessia do plano dos anéis de Saturno levam à descoberta de uma nova lua. As travessias do plano dos anéis acontecem a cada 15 anos e historicamente têm dado aos astrónomos uma oportunidade para descobrir novos satélites que normalmente são ofuscados pelo brilho do sistema de anéis do planeta. Observações: Lua Nova, pelas 18:39.
Mercúrio e Vénus ainda estão próximos um do outro, separados por 1.2º. É uma boa oportunidade fotográfica.
Dia 23/05: 144.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1958, o satélite Explorer 1 cessa transmissões. Observações: Este é um desafio extremamente difícil - tente avistar a finíssima Lua Crescente, com pouco mais de um dia, muito baixa a oeste-noroeste, enquanto os planetas Vénus e Mercúrio estão acima. Isto enquanto o céu ainda está iluminado pela luz do pôr-do-Sol.
Dia 24/05: 145.º dia do calendário gregoriano. História: Morre, em 1543, Nicolau Copérnico, famoso astrónomo, autor do livro "Das revoluções dos Mundos Celestes".
Adiou a publicação da sua teoria por uns 30 anos; a primeira obra completa foi imprimida poucas horas antes da sua morte. Foi colocada na sua cama, para que pudesse tê-la a seu lado. Mas nessa altura já a sua mente delirava e não pôde comentar o prefácio anónimo do livro, que dizia aos leitores que o conteúdo do livro podia não ser verdadeiro, ou até mesmo provável. Nunca se soube com certeza se autorizou aquele prefácio, ou se realmente acreditava no seu sistema.
Em 1686, nascia Daniel Gabriel Fahrenheit, físico e engenheiro alemão, famoso por inventar o termómetro de mercúrio e por desenvolver uma escala de temperatura, agora com o seu nome.
Em 1962, projeto Mercury: o astronauta americano Scott Carpenter orbita a Terra três vezes na cápsula espacial Aurora 7. Observações: Se ontem não conseguiu observar a Lua, hoje provavelmente já consegue. Só que já se moveu, fazendo agora uma curva com Mercúrio e Vénus, já mais baixos que o nosso satélite natural, perto do horizonte a oeste-noroeste ao lusco-fusco.
Dia 25/05: 146.º dia do calendário gregoriano. História: Em 240 AC, primeira passagem registada do Cometa Halley pelo seu periélio.
Em 1961, o presidente americano John F. Kennedy anuncia perante uma sessão do Congresso o seu objetivo de "colocar um homem na Lua" antes do fim da década.
Em 1966, lançamento do Explorer 32.
Em 1997, a sonda Galileu passa pela lua joviana Calisto a uma distância de apenas 415 km!
Em 2008, o "lander"Phoenix aterra na região Vastitas Borealis de Marte para procurar ambientes favoráveis à água e à vida microbiana.
Em 2012, a nave Dragon torna-se na primeira nave comercial a atracar com a Estação Espacial Internacional. Observações: A Lua já está bastante longe dos planetas Mercúrio e Vénus. Pode já ser vista ao anoitecer e um pouco depois, para baixo das estrelas Pollux e Castor de Gémeos.
Curiosidades
O site ASCL.net (Astrophysics Source Code Library) é uma biblioteca com software de acesso livre de interesse para astrónomos e astrofísicos, e contém código usado em investigações científicas publicadas em revistas da especialidade.
Telescópio do ESO observa sinais de nascimento de planeta
Esta imagem mostra o disco em torno da estrela jovem AB Aurigae, onde o VLT do ESO descobriu indícios de formação planetária. Próximo do centro da imagem, na região interior do disco, vemos um "nodo" (a amarelo muito brilhante) que os cientistas acreditam marcar o local onde se está a formar um planeta. Esta estrutura situa-se aproximadamente à mesma distância da estrela AB Aurigae que Neptuno do Sol. A imagem foi obtida em luz polarizada com o instrumento SPHERE montado no VLT.
Crédito: ESO/Boccaletti et al.
Observações levadas a cabo com o VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram sinais da formação de um sistema planetário. Em torno da estrela jovem AB Aurigae encontra-se um disco denso de gás e poeira, onde os astrónomos descobriram uma estrutura em espiral proeminente com um "nodo" que marca o lugar onde se pode estar a formar um planeta. A estrutura observada poderá ser a primeira evidência direta de um planeta bebé em formação.
"Milhares de exoplanetas foram já identificados, mas pouco sabemos sobre a sua formação,” diz Anthony Boccaletti do Observatoire de Paris, PSL University, França, que liderou este estudo. Os astrónomos sabem que os planetas nascem da aglomeração de poeira e gás frio em discos de poeira situados em torno de estrelas jovens como AB Aurigae. As novas observações do VLT do ESO, publicadas na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics, fornecem pistas cruciais que ajudam os cientistas a compreender melhor este processo.
"Precisamos de observar sistemas muito jovens para capturar o momento em que os planetas se formam," diz Boccaletti. Até agora os astrónomos não eram capazes de obter imagens suficientemente nítidas e profundas destes discos jovens para se poder observar a estrutura nodosa que marca o lugar onde um planeta bebé se pode estar a formar.
As novas imagens apresentam uma espiral notável de gás e poeira em torno de AB Aurigae, um sistema situado a cerca de 520 anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Cocheiro. Espirais deste tipo assinalam a presença de planetas bebés, que "pontapeiam" o gás criando assim "perturbações no disco sob a forma de ondas, um pouco como a esteira de um barco num lago," explica Emmanuel Di Folco do Laboratório de Astrofísica de Bordeaux (LAB), França, que também participou neste estudo. À medida que o planeta se desloca em torno da estrela central, esta onda toma a forma de um braço em espiral. A região amarela muito brilhante próximo do centro da nova imagem de AB Aurigae, situada aproximadamente à mesma distância da sua estrela que Neptuno do Sol, é um destes locais de perturbação onde a equipa pensa que se está a formar um planeta.
Imagens do sistema AB Aurigae onde se vê o disco que o rodeia. A imagem da direita é uma aproximação à área indicada por um quadrado vermelho da imagem da esquerda e mostra a região interna do disco, incluindo o "nodo" amarelo muito brilhante que os cientistas acreditam marcar o local onde se está a formar um planeta. Esta estrutura situa-se aproximadamente à mesma distância da estrela AB Aurigae que Neptuno do Sol. O círculo azul representa o tamanho da órbita de Neptuno. As imagens foram obtidas com o instrumento SPHERE montado no Very Large Telescope do ESO em luz polarizada.
Créditos: ESO/Boccaletti et al.
Observações do sistema AB Aurigae levadas a cabo há alguns anos atrás com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro, forneceram as primeiras indicações da ocorrência de formação planetária em torno da estrela. Nas imagens ALMA os cientistas descobriram dois braços espirais de gás próximos da estrela, situados na região interior do disco. Posteriormente, em 2019 e no início de 2020, Boccaletti e uma equipa de astrónomos de França, Taiwan, EUA e Bélgica prepararam-se para capturar uma imagem mais nítida com o auxílio do instrumento SPHERE montado no VLT do ESO no Chile. As imagens SPHERE são as mais profundas obtidas até à data do sistema AB Aurigae.
Com o poderoso sistema de imagem do SPHERE, os astrónomos puderam observar a radiação ténue emitida por grãos de poeira pequenos e emissões vindas do disco interior. A equipa confirmou a presença dos braços espirais anteriormente detetados pelo ALMA e descobriu também outra estrutura notável que aponta para a presença de formação de planetas a ocorrer no disco. "Este tipo de estrutura está previsto em alguns modelos teóricos de formação planetária," disse a coautora Anne Dutrey, também do LAB. "Corresponde à ligação de duas espirais — uma que se enrola para o interior da órbita do planeta e a outra que se expande para o exterior — que se juntam no local do planeta, permitindo que gás e poeira do disco se acrete ao planeta em formação e o faça crescer."
O ESO está a construir o ELT (Extremely Large Telescope) de 39 metros de diâmetro, que tirará partido do trabalho de vanguarda do ALMA e do SPHERE para estudar mundos extrassolares. Como Boccaletti explica, este poderoso telescópio permitirá aos astrónomos obter imagens ainda mais detalhadas de planetas em formação. "Deveremos ser capazes de ver diretamente e mais precisamente como é que a dinâmica do gás contribui para a formação dos planetas," conclui.
Rover Curiosity encontra pistas de um antigo e frio planeta Marte enterrado em rochas
Esta ilustração mostra um lago que enche parcialmente a Cratera Gale em Marte. Pode ter sido formado por escoamento de neve derretida na orla norte da cratera. Evidências de riachos, deltas e lagos antigos que o rover Curiosity da NASA encontrou nos padrões de depósitos sedimentares na Cratera Gale sugerem que esta possuía um lago como este há mais de 3 mil milhões de anos, enchendo e secando em vários ciclos ao longo de dezenas de milhões de anos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ESA/DLR/FU Berlin/MSSS
Ao estudarem os elementos químicos do planeta Marte dos tempos modernos - incluindo carbono e oxigénio - os cientistas podem trabalhar para trás e reunir a história de um planeta que já teve as condições necessárias para sustentar a vida.
Tecer esta história, elemento a elemento, a cerca de 225 milhões de quilómetros de distância, é um processo minucioso. Mas os cientistas não são facilmente dissuadidos. Orbitadores e rovers em Marte confirmaram que o planeta já teve água líquida, graças a pistas que incluem leitos secos de rios, linhas costeiras antigas e química salgada à superfície. Usando o rover Curiosity da NASA, os cientistas encontraram evidências de lagos persistentes. Também desenterraram compostos orgânicos, componentes químicos da vida. A combinação de água líquida e compostos orgânicos obriga os cientistas a continuar a procurar em Marte sinais de vida passada - ou presente.
Apesar das evidências tentadoras encontradas até agora, a compreensão da história marciana pelos cientistas ainda está a desenvolver-se, com várias questões importantes abertas para debate. Será que a antiga atmosfera marciana era espessa o suficiente para manter o planeta quente e, por conseguinte, húmido, pelo tempo necessário para brotar e nutrir a vida? E os compostos orgânicos: são sinais de vida - ou de química que ocorre quando as rochas marcianas interagem com a água e a luz solar?
Num relatório recente publicado na Nature Astronomy, sobre uma experiência realizada ao longo de vários anos, num laboratório químico situado na "barriga" do Curiosity, de nome SAM (Sample Analysis at Mars), uma equipa de cientistas fornece algumas ideias para ajudar a responder a estas perguntas. A equipa descobriu que certos minerais nas rochas da Cratera Gale podem ter-se formado num lago coberto de gelo. Estes minerais podem ter sido formados durante um estágio frio imprensado entre períodos mais quentes, ou depois de Marte ter perdido a maior parte da sua atmosfera e de ter começado a ficar permanentemente frio.
A Cratera Gale tem 154 km em diâmetro. Foi selecionada como o local de pouso do Curiosity (aterragem em 2012) porque tinha sinais de água passada, incluindo minerais argilosos que podem ajudar a capturar e a preservar moléculas orgânicas antigas. De facto, enquanto explorava a base de uma montanha no centro da cratera, chamada Monte Sharp, o Curiosity encontrou uma camada de sedimentos com 304 metros de espessura que foi depositada como lama em lagos antigos. Alguns cientistas dizem que para formar tantos sedimentos, uma quantidade incrível de água teria que ter fluído para esses lagos durante milhões a dezenas de milhões de quentes e húmidos anos. Mas algumas características geológicas da cratera também sugerem um passado que incluía condições frias e geladas.
"Em algum momento, o ambiente da superfície de Marte deve ter passado por uma transição de quente e húmido para frio e seco, como é agora, mas exatamente quando e como isso ocorreu ainda é um mistério," diz Heather Franz, geoquímica do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.
Franz, que liderou o estudo do SAM, observa que fatores como mudanças na obliquidade de Marte e na quantidade de atividade vulcânica podem ter feito com que o clima marciano alternasse entre quente e frio ao longo do tempo. Esta ideia é suportada por mudanças químicas e mineralógicas nas rochas marcianas, mostrando que algumas camadas se formaram em ambientes mais frios e outras em ambientes mais quentes.
De qualquer forma, diz Franz, o conjunto de dados recolhidos até agora pelo Curiosity sugere que a equipa está a ver evidências de mudanças climáticas marcianas registadas em rochas.
Estrela de carbono e oxigénio na história climática de Marte
A equipa de Franz encontrou evidências de um antigo ambiente frio depois do laboratório SAM ter extraído os gases dióxido de carbono (CO2) e oxigénio de 13 amostras de poeira e rocha. O Curiosity recolheu estas amostras ao longo de cinco anos terrestres.
O CO2 é uma molécula com um átomo de carbono ligado a dois átomos de oxigénio, sendo o carbono uma testemunha chave no caso do misterioso clima marciano. De facto, este elemento simples, porém versátil, é tão crítico quanto a água na busca pela vida noutros lugares. Na Terra, o carbono flui continuamente através do ar, da água e da superfície num ciclo bem compreendido que depende da vida. Por exemplo, as plantas absorvem carbono da atmosfera na forma de CO2. Em troca, produzem oxigénio, que os seres humanos e a maioria das outras formas de vida usam para a respiração num processo que termina com a libertação de carbono para o ar, novamente via CO2, ou para a crosta da Terra à medida que as formas de vida morrem e são enterradas.
Este gráfico mostra os caminhos pelos quais o carbono é trocado entre o interior marciano, rochas à superfície, calotas polares, águas e atmosfera, e também descreve um mecanismo pelo qual é perdido da atmosfera para o espaço.
Crédito: Lance Hayashida/Caltech
Os cientistas estão a descobrir que também existe um ciclo de carbono em Marte e estão a trabalhar para o entender. Com pouca água ou vida abundante à superfície do Planeta Vermelho, pelo menos nos últimos 3 mil milhões de anos, o ciclo do carbono é muito diferente do da Terra.
"No entanto, o ciclo do carbono ainda está a ocorrer e ainda é importante porque não ajuda apenas a revelar informações sobre o clima antigo de Marte," diz Paul Mahaffy, investigador principal do SAM e diretor da Divisão de Exploração do Sistema Solar de Goddard da NASA. "Também nos está a mostrar que Marte é um planeta dinâmico que circula elementos que são os blocos de construção da vida como a conhecemos."
Os gases criam um caso para um período frio
Depois do Curiosity ter fornecido amostras de rocha e poeira ao SAM, o laboratório aqueceu cada uma a cerca de 900º C para libertar os gases no interior. Observando as temperaturas do forno aquando da libertação de CO2 e oxigénio, os cientistas puderam dizer de que tipo de minerais os gases eram oriundos. Este tipo de informação ajuda a entender como o carbono está a circular em Marte.
Vários estudos sugeriram que a atmosfera antiga de Marte, contendo principalmente CO2, pode ter sido mais espessa do que a da Terra de hoje. A maior parte foi perdida para o espaço, mas parte pode estar armazenada em rochas à superfície do planeta, principalmente na forma de carbonatos, minerais compostos por carbono e oxigénio. Na Terra, os carbonatos são produzidos quando o CO2 do ar é absorvido nos oceanos e outros corpos de água e depois mineralizado em rochas. Os cientistas pensam que o mesmo processo ocorreu em Marte e isso pode ajudar a explicar o que aconteceu a parte da atmosfera marciana.
No entanto, as missões a Marte não encontraram carbonatos suficientes à superfície para suportar uma atmosfera espessa.
Mesmo assim, os poucos carbonatos que o SAM detetou revelaram algo interessante sobre o clima marciano através dos isótopos de carbono e de oxigénio aí armazenados. Os isótopos são versões de cada elemento que possuem massas diferentes. Dado que processos químicos diferentes, da formação rochosa à atividade biológica, usam estes isótopos em diferentes proporções, os rácios de isótopos pesados para leves numa rocha fornecem aos cientistas pistas sobre como a rocha se formou.
Em alguns dos carbonatos encontrados pelo SAM, os cientistas notaram que os isótopos de oxigénio eram mais leves que os da atmosfera marciana. Isto sugere que os carbonatos não se formaram há muito tempo simplesmente a partir do CO2 atmosférico absorvido num lago. Se tivessem sido, os isótopos de oxigénio nas rochas eram um pouco mais pesados do que os do ar.
Embora seja possível que os carbonatos se tenham formado muito cedo na história de Marte, quando a composição atmosférica era um pouco diferente da atual, Franz e colegas sugerem que os carbonatos se formaram provavelmente num lago gelado. Neste cenário, o gelo pode ter "sugado" os isótopos mais pesados de oxigénio e deixado os mais leves para formar carbonatos posteriormente. Outros cientistas do Curiosity também apresentaram evidências sugerindo que lagos cobertos de gelo podem ter existido na Cratera Gale.
Então, onde está todo o carbono?
Os cientistas dizem que a baixa abundância de carbonatos em Marte é intrigante. Se não existirem muitos destes minerais na Cratera Gale, talvez a atmosfera inicial tenha sido mais fina do que o previsto. Ou talvez outra coisa esteja a armazenar o carbono atmosférico em falta.
Com base nas suas análises, Franz e colegas sugerem que algum carbono possa estar sequestrado noutros minerais, como oxalatos, que armazenam carbono e oxigénio numa estrutura diferente da dos carbonatos. A sua hipótese é baseada nas temperaturas em que o CO2 foi libertado de algumas amostras dentro do SAM - muito baixas para carbonatos, mas adequadas para oxalatos - e a diferentes rácios de isótopos de carbono e oxigénio do que os cientistas observaram nos carbonatos.
Esta animação mostra um modelo 3D de uma molécula de carbonato ao lado de um modelo 3D de uma molécula de oxalato. O carbonato é composto por um átomo de carbono que está ligado a três átomos de oxigénio. O oxalato é composto por dois átomos de carbono ligados a quatro átomos de oxigénio.
Crédito: James Tralie/NASA/Centro de Voo Espacial Goddard
Os oxalatos são o tipo mais comum de mineral orgânico produzido pelas plantas na Terra. Mas os oxalatos também podem ser produzidos sem biologia. Uma maneira é através da interação do CO2 atmosférico com os minerais à superfície, com a água e com a luz solar, num processo conhecido como fotossíntese abiótica. Este tipo de química é difícil de encontrar na Terra porque aqui há vida abundante, mas a equipa de Franz espera criar fotossíntese abiótica no laboratório para descobrir se pode realmente ser responsável pela química do carbono que estão a observar na Cratera Gale.
Na Terra, a fotossíntese abiótica pode ter aberto o caminho para a fotossíntese entre algumas das primeiras formas microscópicas de vida, e é por isso que encontrá-la noutros planetas interessa os astrobiólogos.
Mesmo que a fotossíntese abiótica tenha prendido realmente algum carbono da atmosfera nas rochas da Cratera Gale, Franz e colegas gostariam de estudar solo e poeira de diferentes partes de Marte para entender se os seus resultados da Cratera Gale refletem uma imagem global. Eles podem um dia ter a hipótese de o fazer. O rover Perseverance da NASA, com lançamento previsto para Marte entre julho e agosto de 2020, planeia embalar amostras da Cratera Jezero para um possível envio aos laboratórios da Terra.
Astrónomos confirmam a existência de dois planetas gigantes recém-nascidos no sistema PDS 70
Impressão de artista do sistema PDS 70. Os dois planetas são claramente vistos na lacuna do disco protoplanetário a partir do qual nasceram. Os planetas são aquecidos por material em queda que acretam ativamente e brilham em tons de vermelho. Note que os planetas e que a estrela não estão à escala e são muito mais pequenos em comparação com as suas separações relativas.
Crédito: Observatório W. M. Keck/Adam Makarenko
Novas evidências mostram que as primeiras fotos que exibem o nascimento de um par de planetas em órbita da estrela PDS 70 são, de facto, autênticos.
Usando um novo sensor infravermelho para correção de óticas adaptativas no Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii, uma equipa de astrónomos liderada pelo Caltech aplicou um novo método de obter fotos de família dos planetas bebés, ou protoplanetas, confirmando a sua existência.
Os resultados da equipa foram publicados na revista The Astronomical Journal.
PDS 70 é o primeiro sistema multiplanetário conhecido onde os astrónomos podem testemunhar a formação planetária em ação. A primeira imagem direta de um dos seus planetas PDS 70b, foi obtida em 2018, seguida por várias fotografias obtidas em diferentes comprimentos de onda do seu irmão, PDS 70c, em 2019. Ambos os protoplanetas semelhantes a Júpiter foram descobertos pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO.
"Houve alguma confusão quando os dois protoplanetas foram fotografados pela primeira vez," disse Jason Wang, autor principal do estudo. "Os embriões planetários formam-se a partir de um disco de poeira e gás em redor de uma estrela recém-nascida. Este material circum-estelar acreta no protoplaneta, criando uma espécie de cortina de fumo que dificulta diferenciar na imagem o disco gasoso e empoeirado do planeta em desenvolvimento".
Para ajudar à distinção, Wang e a sua equipa desenvolveram um método de separar os sinais de imagem do disco circum-estelar e dos protoplanetas.
"Sabemos que a forma do disco deve ser um anel simétrico em torno da estrela, enquanto um planeta deve ser um único ponto na imagem," disse Want. "Portanto, mesmo que um planeta pareça estar em cima do disco, como é o caso de PDS 70c, com base no nosso conhecimento do aspeto do disco em toda a imagem, podemos inferir o quão brilhante o disco deve estar no local do protoplaneta e remover o sinal do disco. Tudo o que resta é a emissão do planeta."
A equipa capturou imagens de PDS 70 com o instrumento NIRC2 (Near-Infrared Camera) acoplado ao telescópio Keck II, marcando a primeira ciência para um coronógrafo de vórtice instalado no NIRC2 como parte de uma atualização recente, combinada com o sistema de óticas adaptativas do Observatório, que consiste de um novo sensor infravermelho e controlo informático em tempo real.
Imagem direta dos protoplanetas b e c do sistema PDS 70 (ver setas brancas) com o disco circum-estelar removido. A imagem foi capturada usando o sistema de óticas adaptativas recentemente atualizado do Observatório W. M. Keck.
Crédito: J. Wang, Caltech
"A nova tecnologia de detetor infravermelho usada no nosso sensor melhorou drasticamente a nossa capacidade de estudar exoplanetas, especialmente aqueles em torno de estrelas de baixa massa onde a formação planetária está ativamente a ocorrer," disse Sylvain Cetre, engenheiro de software do Observatório Keck e um dos líderes desenvolvedores da atualização de óticas adaptativas. "Também nos permitirá melhorar a qualidade da nossa correção de óticas adaptativas para alvos mais difíceis de fotografar, como o centro da nossa Galáxia."
A técnica de ótica adaptativa é usada para remover a desfocagem atmosférica que distorce as imagens astronómicas. Com o novo sensor infravermelho e um controlador em tempo real, o sistema de óticas adaptativas do Observatório Keck é capaz de fornecer imagens mais nítidas e detalhadas.
"As imagens do sistema PDS 70 capturadas pela equipa de Wang estão entre os primeiros testes da qualidade científica produzida pelo novo sensor do Keck," disse a cientista de óticas adaptativas Charlotte Bond, que desempenhou um papel fundamental no design e instalação da tecnologia. "É excitante ver a precisão com que o novo sistema de óticas adaptativas corrige a turbulência atmosférica de objetos empoeirados, como as estrelas jovens em torno dos quais os protoplanetas devem residir, como estrelas permitindo a visão mais limpa e nítida de versões bebés do nosso Sistema Solar."
Astrónomos desenvolvem "descodificador" para medir o clima dos exoplanetas (via Universidade de Cornell)
Depois de examinarem uma dúzia de tipos de sóis e uma variedade de superfícies planetárias, astrónomos desenvolveram um modelo prático - um "descodificador" ambiental a cores - para descobrir pistas climáticas de exoplanetas potencialmente habitáveis. Ler fonte
Correntes oceânicas podem ser a chave para encontrar vida nos exoplanetas (via Universidade de Chicago)
Investigadores de todo o mundo há muito tempo enfrentam a questão: existe vida noutros planetas? Em caso afirmativo, como é que a encontramos? Com milhares de planetas para explorar para lá do nosso Sistema Solar, os cientistas precisam de uma maneira de prever quais os que têm maior probabilidade de hospedar vida. Para complicar ainda mais as coisas, as suas previsões têm que ser baseadas em observações que podem ser feitas a anos-luz de distância - como o tamanho, massa e composição da sua atmosfera. Ler fonte
Álbum de fotografias - Fases de Vénus
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Richard Addis
Assim como a Lua tem fases, o hemisfério visível de Vénus, iluminado pelo Sol, aumenta e diminui. Esta composição de imagens telescópicas ilustra as constantes mudanças de Vénus durante a sua passagem atual como estrela da tarde, à medida que o planeta interior cresce, mas estreita-se num fino crescente. As imagens de baixo, para cima, foram capturadas nos dias 27 de fevereiro, 20 de março, 14 de abril, 24 de abril, 8 de maio e 14 de maio. Deslizando ao longo da sua órbita interior entre a Terra e o Sol, Vénus cresce mais durante esse período porque se aproxima do planeta Terra. Porém, o seu crescente fica mais estreito, à medida que Vénus se aproxima da nossa linha de visão do Sol. Mais perto da linha Terra-Sol, mas passando a cerca de 0,5º norte do Sol no dia 3 de junho, Vénus alcançará uma conjunção inferior. Pouco depois, Vénus vai passar a brilhar nitidamente acima do horizonte a este nos céus antes do nascer-do-Sol como estrela da manhã. Depois do pôr-do-Sol hoje à noite procure Vénus acima do horizonte a oeste e também poderá avistar o mais elusivo planeta interior, Mercúrio.
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