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  Astroboletim #1753  
  25/12 a 28/12/2020  
     
 
Efemérides

Dia 25/12: 360.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1642, nascia Isaac Newton (de acordo com o calendário juliano), físico e matemático inglês, largamente considerado um dos cientistas mais influentes de todos os tempos e uma figura-chave da revolução científica.

O seu livro "Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica", publicado pela primeira vez em 1687, estabelece as fundações da mecânica clássica.
Em 1968, a Apollo 8 faz a primeira manobra TEI (Trans Earth Injection), enviando a tripulação e a nave de volta à Terra desde órbita lunar.
Em 2003, a infeliz Beagle 2, libertada da sonda Mars Express no dia 19 de dezembro, desaparece pouco antes da sua prevista aterragem. No dia 16 de janeiro de 2015, mais de onze anos depois do seu desaparecimento, a sonda MRO localiza-a no solo marciano. 
Em 2004, a Cassini liberta a sonda Huygens, que aterra em Titã a 14 de janeiro do ano seguinte.
Observações: Feliz dia do Sol Invicto! Esta data era celebrada no final da época dos Romanos porque era quando o Sol começava a recuperar do seu longo declínio com a promessa, no frio e na escuridão, da vinda de uma nova primavera e verão.
À medida que Júpiter e Saturno se afastam um do outro, do ponto de vista do céu da Terra, "afundam-se" cada vez mais baixo a sudoeste ao lusco-fusco.

Dia 26/12: 361.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973, a Soyuz 13 voltava à Terra.
Em 1974 era lançada a Salyut 4.

Observações: A Lua brilha mais ou menos entre Aldebarã e as Plêiades. Para a sua esquerda brilha Capella.

Dia 27/12: 362.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1571, nascia Johannes Kepler, astrónomo e matemático alemão. Foi uma figura-chave na revolução científica do século XVII, conhecido principalmente pelas suas leis do movimento planetário

Em 1968, a Apollo 8 aterra no Oceano Pacífico, terminando a primeira missão tripulada à Lua.
Em 2004, radiação de uma explosão no magnetar SGR 1806-20 alcança a Terra. É o evento exosolar mais brilhante alguma vez observado.
Observações: A Lua encontra-se muito perto do enxame das Híades, para a esquerda de Aldebarã e para cima da constelação de Orionte.

Dia 28/12: 363.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1612, Galileu Galilei torna-se no primeiro astrónomo a observar o planeta Neptuno, embora o catalogue erradamente como uma estrela fixa.
Em 1798, nascia Thomas Henderson, astrónomo escocês, conhecido por ter sido o primeiro a medir a distância até Alpha Centauri.
Em 1895, Wilhem Röntgen publica um artigo no qual descreve a sua descoberta de um novo tipo de radiação, que mais tarde se veio a chamar raios-X.
Em 1882, nascia Arthur Eddington, astrofísico que confirmaria a previsão de Einstein de encurvamento do espaço-tempo no célebre eclipse de 1919 observado na ilha de Príncipe (território português nessa época).

Foi quem desenvolveu o modelo da pulsação das cefeidas e trabalhou a par de Einstein na tentativa de unificação das forças fundamentais.
Em 1973, o cometa Kohoutek atingia o periélio.
Observações: Júpiter e Saturno continuam a estar bastante próximos um do outro, baixos a sudoeste depois do pôr-do-Sol.
A Lua encontra-se no meio do Hexágono de Inverno, o maior asterismo do céu. Comece com a brilhante Sirius em baixo a sudeste. No sentido dos ponteiros do relógio, prossiga até Procyon, Pollux e Castor, Menkalinan e Capella bem alto, descendo por Aldebarã, Rigel no pé de Orionte e finalmente de volta a Sirius. Betelgeuse brilha dentro do Hexágono, um pouco fora do centro.

 
 
   
Tempestade escura em Neptuno inverte direção, possivelmente libertando um fragmento

Recorrendo ao Telescópio Espacial Hubble da NASA, os astrónomos observaram um misterioso vórtice em Neptuno a afastar-se abruptamente de uma provável morte no gigante planeta azul.

A tempestade, maior do que o Oceano Atlântico, nasceu no hemisfério norte do planeta e foi descoberta pelo Hubble em 2018. As observações, um ano depois, mostraram que começou a mover-se para sul em direção ao equador, onde estas tempestades devem desaparecer de vista. Para surpresa dos observadores, o Hubble detetou o vórtice a mudar de direção em agosto de 2020, voltando para norte. Embora o Hubble tenha rastreado manchas escuras semelhantes ao longo dos últimos 30 anos, este comportamento atmosférico imprevisível é novo.

 
Este instantâneo do planeta dinâmico e azul-verde, Neptuno, pelo Telescópio Espacial Hubble, revela uma monstruosa mancha escura (em cima, no centro) e o aparecimento de uma mancha escura mais pequena ao lado (em cima, à direita). O vórtice gigante, maior do que o Oceano Atlântico, estava a viajar para sul até à certa destruição pelas forças atmosféricas no equador quando repentinamente fez meia-volta e começou a voltar para o norte.
Crédito: NASA, ESA, STScI, M.H. Wong (Universidade da Califórnia, Berkeley) e L.A. Sromovsky e P.M. Fry (Universidade do Wisconsin-Madison)
 

De modo igualmente enigmático, a tempestade não estava sozinha. O Hubble avistou outra mancha escura mais pequena em janeiro deste ano, que apareceu temporariamente perto da sua prima maior. Pode ser um pedaço do vórtice gigante que se partiu, se afastou e desapareceu nas observações subsequentes.

"Estamos entusiasmados com estas observações porque este fragmento escuro mais pequeno faz potencialmente parte do processo de interrupção da mancha escura," disse Michael H. Wong da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Este é um processo que nunca tinha sido observado antes. Vimos algumas outras manchas escuras a desvanecer e depois desaparecer, mas nunca vimos nada a perturbar, embora tenha sido previsto em simulações de computador."

A grande tempestade, que tem 7400 km de diâmetro, é a quarta mancha escura que o Hubble observou em Neptuno desde 1993. Duas outras tempestades escuras foram descobertas pela sonda Voyager 2 em 1989 quando passou pelo planeta gigante, mas desapareceram antes que o Hubble as pudesse observar. Desde então, somente o Hubble tem tido a nitidez e sensibilidade no visível para rastrear estas características elusivas, que apareceram sequencialmente e depois desapareceram ao longo de aproximadamente dois anos cada. O Hubble descobriu esta última tempestade em setembro de 2018.

Tempo "marado"

Os vórtices escuros de Neptuno são sistemas de alta pressão que podem ser formados a latitudes médias e podem então migrar para o equador. Começam estáveis devido às forças de Coriolis, que fazem com que as tempestades no norte girem no sentido dos ponteiros do relógio, devido à rotação do planeta (estas tempestades são diferentes dos furacões na Terra, que giram no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio porque são sistemas de baixa pressão). No entanto, conforme uma tempestade se desloca para o equador, o efeito Coriolis enfraquece e a tempestade desintegra-se. Nas simulações de computador realizadas por equipas diferentes, estas tempestades seguem um percurso mais ou menos direto para o equador, até que não há nenhum efeito Coriolis para as manter coesas. Ao contrário das simulações, a última tempestade gigante não migrou para a "zona de matança" equatorial.

"Foi muito emocionante ver esta tempestade agir como sempre e, de repente, simplesmente parar e voltar para trás," disse Wong. "Isto foi surpreendente."

Mancha Escura Jr.

As observações do Hubble também revelaram que a intrigante reversão do percurso do vórtice escuro ocorreu ao mesmo tempo que uma nova mancha, informalmente denominada "mancha escura jr.", apareceu. A mancha nova era ligeiramente mais pequena que a sua prima, medindo cerca de 6300 km de diâmetro. Estava perto do lado da mancha escura principal que fica de frente para o equador - o local onde algumas simulações mostraram a ocorrência de uma perturbação.

No entanto, o momento do aparecimento da mancha mais pequena foi invulgar. "Quando vi o pequeno ponto pela primeira vez, pensei que a maior estava a ser interrompida," disse Wong. "Não pensei que outro vórtice estivesse a formar-se porque o mais pequeno está mais perto do equador. Portanto, está dentro desta região instável. Mas não conseguimos provar que os dois vórtices estão relacionados. Continua a ser um completo mistério."

"Foi também em janeiro que o vórtice escuro parou o seu movimento e começou a deslocar-se novamente para norte," acrescentou Wong. "Talvez ao livrar-se daquele fragmento, isso tenha sido o suficiente para impedi-lo de se mover em direção ao equador."

Os investigadores continuam a analisar mais dados para determinar se os vestígios da mancha escura jr. persistiram durante o resto de 2020.

 
A mancha escura mais pequena nesta imagem obtida pelo Hubble pode ter sido um pedaço da tempestade gigante que se libertou quando o vórtice se aproximava do equador. O Hubble descobriu a tempestade gigante em setembro de 2018 no hemisfério norte de Neptuno. Tem cerca de 7400 km de diâmetro. O diâmetro da mancha mais pequena está estimado em 6300 km.
Crédito: NASA, ESA, STScI, M.H. Wong (Universidade da Califórnia, Berkeley) e L.A. Sromovsky e P.M. Fry (Universidade do Wisconsin-Madison)
 

Tempestades escuras ainda mais intrigantes

O modo como estas tempestades se formam ainda é um mistério, mas este último vórtice gigante escuro é o mais bem estudado até agora. A aparência escura da tempestade pode ser devida a uma camada elevada de nuvens escuras e pode estar a dizer aos astrónomos mais sobre a estrutura vertical da tempestade.

Outra característica invulgar da mancha escura é a ausência de brilhantes nuvens companheiras em seu redor, que estavam presentes nas imagens do Hubble obtidas quanto o vórtice foi descoberto em 2018. Aparentemente, as nuvens desapareceram quando o vórtice interrompeu a sua viagem para sul. As nuvens brilhantes formam-se quando o fluxo de ar é perturbado e desviado para cima do vórtice, fazendo com que os gases provavelmente congelem em cristais de metano gelado. A ausência de nuvens pode estar a revelar informações sobre como as manchas evoluem, dizem os cientistas.

"Olho meteorológico" nos planetas exteriores

O Hubble tirou muitas imagens das manchas escuras como parte do programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy), um projeto a longo prazo do Hubble liderado por Amy Simon do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que anualmente captura mapas globais dos planetas exteriores do nosso Sistema Solar quando estão mais próximos da Terra na suas órbitas.

Os principais objetivos do OPAL são: estudar mudanças sazonais a longo prazo, bem como capturar eventos comparativamente transitórios, como o aparecimento de manchas escuras em Neptuno ou potencialmente em Úrano. Estas tempestades escuras podem ser tão fugazes que, no passado, algumas podem ter aparecido e desaparecido durante intervalos de vários anos nas observações de Neptuno pelo Hubble. O programa OPAL garante que os astrónomos não perdem outra.

"Não saberíamos nada sobre estas últimas manchas escuras se não fosse pelo Hubble," disse Simon. "Agora podemos acompanhar a grande tempestade durante anos e observar o seu ciclo de vida completo. Se não tivéssemos o Hubble, podíamos pensar que a Grande Mancha Escura vista pela Voyager em 1989 ainda lá estava, assim como a Grande Mancha Vermelha de Júpiter. E não saberíamos das quatro outras manchas que o Hubble descobriu." Wong apresentou os achados da equipa no passado dia 15 de dezembro na reunião de outono da União Geofísica Americana.

// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Os planetas exteriores: o legado contínuo do Hubble (NASA Goddard via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
26/03/2019 - Hubble rastreia o ciclo de vida das tempestades gigantes em Neptuno
08/08/2017 - Observações ao lusco-fusco revelam tempestade enorme em Neptuno
28/06/2016 - Hubble confirma nova mancha escura em Neptuno

Notícias relacionadas:
PHYSORG
science alert
The New York Times
CNN

Neptuno:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
Grande Mancha Escura (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
   
A melhor região para a vida em Marte era bem abaixo da superfície

A região mais habitável para a vida em Marte teria sido até vários quilómetros abaixo da sua superfície, provavelmente devido ao derretimento subsuperficial de espessas camadas de gelo alimentadas pelo calor geotérmico, concluiu um estudo liderado pela Universidade de Rutgers.

O estudo, publicado na revista Science Advances, pode ajudar a resolver o que é conhecido como paradoxo do Sol fraco e jovem - uma questão-chave pertinente na ciência de Marte.

 
Uma imagem a cores falsas, verticalmente exagerada, de um canal escavado por água em Marte chamado Dao Vallis.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin; Renderização 3D e cor por Lujendra Ojha
 

"Mesmo que gases de efeito de estufa, como dióxido de carbono e vapor de água, sejam 'bombeados' para a atmosfera marciana primitiva em simulações de computador, os modelos climáticos ainda lutam para sustentar um Marte quente e húmido a longo prazo," disse o autor Lujendra Ojha, professor assistente do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Escola de Artes e Ciências da Universidade de Rutgers - New Brunsiwck. "Eu e os meus coautores propomos que o paradoxo do Sol fraco e jovem pode ser reconciliado, pelo menos em parte, caso Marte tenha tido alto calor geotérmico no seu passado."

O nosso Sol é um enorme reator de fusão nuclear que gera energia pela fusão do hidrogénio em hélio. Com o tempo, o Sol aumentou gradualmente de brilho e aqueceu a superfície dos planetas no nosso Sistema Solar. Há cerca de 4 mil milhões de anos, o Sol era muito mais fraco, de modo que o clima primitivo de Marte devia ser ainda mais gelado. No entanto, a superfície de Marte tem muitos indicadores geológicos, como antigos leitos de rios, e indicadores químicos, como minerais relacionados com a água, que sugerem que o Planeta Vermelho teve água líquida abundante há 4,1-3,7 mil milhões de anos (a era Noachian). Esta aparente contradição entre o registo geológico e os modelos climáticos é o paradoxo do Sol fraco e jovem.

Em planetas rochosos como Marte, a Terra, Vénus e Mercúrio, elementos produtores de calor como urânio, tório e potássio geram calor por meio de decaimento radioativo. Nesse cenário, a água líquida pode ser gerada através do derretimento no fundo de espessas camadas de gelo, mesmo quando o Sol era mais fraco do que agora. Na Terra, por exemplo, o calor geotérmico forma lagos substanciais em áreas do manto gelado da Antártica Ocidental, Gronelândia e Ártico Canadiano. É provável que um derretimento semelhante possa ajudar a explicar a presença de água líquida no frio e gelado Marte há 4 mil milhões de anos.

Os cientistas examinaram vários conjuntos de dados de Marte para ver se o aquecimento via calor geotérmico teria sido possível na era Noachian. Eles mostraram que as condições necessárias para o derretimento subterrâneo seriam omnipresentes no antigo marte. Mesmo se Marte tivesse um clima quente e húmido há 4 mil milhões de anos, com a perda do campo magnético, a diminuição da espessura atmosférica e a subsequente queda nas temperaturas globais ao longo do tempo, a água líquida pode ter permanecido estável apenas a grandes profundidades. Portanto a vida, se é que alguma vez existiu em Marte, pode ter seguido a água líquida até profundidades progressivamente maiores.

"A estas profundidades, a vida pode ter sido sustentada por atividade hidrotermal (aquecimento) e por reações rocha-água," disse Ojha. "Portanto, a subsuperfície pode representar o ambiente habitável de vida mais longa em Marte."

De acordo com Ojha, o módulo InSight da NASA pousou em 2018 e pode permitir que os cientistas avaliam melhor o papel do calor geotérmico na habitabilidade de Marte durante a era Noachian.

// Universidade de Rutgers (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
SPACE.com
science alert
New Scientist
Popular Science
PHYSORG
CNN

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
Era Noachian (Wikipedia)

InSight:
NASA
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Álbum de fotografias - Júpiter Encontra Saturno: Uma Grande Conjunção com "Mancha Vermelha"
(clique na imagem para ver versão maior; aqui para ver versão legendada)
Crédito: Damian Peach
 
Há alguns dias, Júpiter e Saturno passaram a um-décimo de grau um do outro no que é conhecido como Grande Conjunção. Embora os dois planetas se cruzem no céu a cada 20 anos, esta foi a passagem mais próxima em quase quatro séculos. Obtida ao início do dia da Grande Conjunção, esta combinação de várias exposições captura não apenas os dois planetas gigantes numa única imagem, mas também as quatro maiores luas de Júpiter (da esquerda para a direita) Calisto, Ganimedes, Io e Europa - e a maior lua de Saturno, Titã. Se observar atentamente, esta imagem obtida pelo Chileoscope até captura a Grande Mancha Vermelha de Júpiter. Os planetas que agora se separam ainda podem ser vistos notavelmente próximos - até cerca de um grau - enquanto se põem logo após o Sol, a oeste, todas as noites durante o resto do ano.
 
   
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