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  Astroboletim #1759  
  15/01 a 18/01/2021  
     
 
Efemérides

Dia 15/01: 15.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1969, a União Soviética lançava a Soyuz 5.

Em 1976, lançamento da Helios-B para órbita solar.
Em 2005, uma intensa proeminência solar liberta raios-X por todo o Sistema Solar. No mesmo dia, a sonda SMART-1 da ESA descobre elementos como o cálcio, alumínio, sílica, ferro e outros elementos à superfície da Lua.
Observações: A Lua Crescente a sudoeste após o pôr-do-Sol está agora mais alta e é mais fácil de avistar. A sua curvatura ainda "aponta" para Mercúrio mais abaixo. Será que consegue discernir também Júpiter ainda mais baixo? Binóculos ajudam.

Dia 16/01: 16.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Soyuz 4 e a  Soyuz 5 levam a cabo o primeiro acoplamento de naves em órbita, a primeira transferência de tripulação de um veículo para outro, e a única vez que tal transferência envolveu um passeio espacial.
Em 2003 a nave Columbia arrancava para a missão STS-107, que seria a sua última.

O Columbia acabaria por desintegrar-se 16 dias depois, durante a sua reentrada na atmosfera da Terra.
Observações: A estrela de magnitude zero, Capella, bem alta no céu, e a igualmente brilhante estrela Rigel no pé de Orionte, têm quase a mesma ascensão reta. Isto significa que atravessa o meridiano do céu do observador quase exatamente à mesma hora: por volta das 22 horas, dependendo de quão para este ou este vive. Assim sendo, sempre que Capella passa na sua posição mais alta, Rigel assinala sempre o sul verdadeiro, e vice-versa.

Dia 17/01: 17.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, um foguetão Delta II transportando um satélite GP IIR-1 explode 13 segundos depois do lançamento deixando 250 toneladas de resíduos queimados na plataforma de lançamento. 
Em 2016, floresce a primeira flor a bordo da Estação Espacial Internacional.

Observações: O seu céu é escuro o suficiente para ver Via Láctea de inverno? A meio da noite está na vertical e passa pelo zénite: de Cão Maior baixo a sudeste, subindo entre Orionte e Gémeos, através de Cocheiro e Perseu quase por cima das nossas cabeças, e descendo por Cassiopeia, Cefeu e Cisne até ao horizonte a noroeste.

Dia 18/01: 18.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1896, H. L. Smith apresenta a primeira máquina capaz de gerar raios-X.
Em 1916, um meteorito condrito com 611 gramas atinge uma casa perto de Baxter em Stone County, no estado norte-americano do Missouri.
Em 2000, o meteorito do Lago Tagish colide com a Terra.

No mesmo ano, a NASA termina as tentativas de comunicar com a Mars Polar Lander. Foi perdida no dia 3 de dezembro de 1999, durante a fase de aterragem da missão.
Observações: Sirius brilha a sudeste, para baixo de Orionte, depois da hora de jantar. Por volta das 21 horas, dependendo da posição do observador, Sirius brilha precisamente para baixo de Betelgeuse, no ombro de Orionte. Consegue determinar a hora deste evento, talvez recorrendo à parede vertical de um edifício? Das duas estrelas, Sirius "ganha a corrida" ao início da noite; Betelgeuse "ganha" mais tarde. Bem-vindo(a) à astronomia pré-telescópica.

 
     
 
Curiosidades


O rover Curiosity da NASA ultrapassou há pouco tempo o seu 3000.º dia em Marte. Pousou no Planeta Vermelho no dia 6 de agosto de 2012.

 
 
   
Descoberta de quasar estabelece novo recorde de distância

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu o quasar que é até à data o mais distante - um monstro cósmico a mais de 13 mil milhões de anos-luz da Terra alimentado por um buraco negro supermassivo mais de 1,6 mil milhões de vezes mais massivo do que o Sol e mais de 1000 vezes mais brilhante do que toda a nossa Via Láctea.

O quasar, chamado J0313–1806, é visto quando o Universo tinha apenas 670 milhões de anos e está a fornecer aos astrónomos informações valiosas sobre como as galáxias massivas - e os buracos negros supermassivos nos seus núcleos - se formaram no início do Universo. Os cientistas apresentaram os seus achados na reunião da Sociedade Astronómica Americana, realizada virtualmente, e num artigo científico aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal Letters.

 
Impressão de artista do quasar J0313-1806, visto apenas 670 milhões de anos após o Big Bang.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva
 

A nova descoberta bate o recorde anterior de distância para um quasar, estabelecido há três anos. As observações com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile confirmaram a medição da distância com alta precisão.

Os quasares ocorrem quando a poderosa gravidade de um buraco negro supermassivo no núcleo de uma galáxia atrai o material circundante que forma um disco orbital de material superaquecido em torno do buraco negro. O processo liberta uma quantidade enorme de energia, tornando o quasar extremamente brilhante, muitas vezes ofuscando o resto da galáxia.

O buraco negro no centro de J0313-1806 é duas vezes mais massivo do que o recordista anterior e esse facto fornece aos astrónomos uma pista valiosa sobre estes buracos negros e o seu efeito sobre as galáxias hospedeiras.

"Esta é a primeira evidência de como um buraco negro supermassivo está a afetar a galáxia em seu redor," disse Feige Wang, do Observatório Steward da Universidade do Arizona e líder da equipa de investigação. "A partir de observações de galáxias menos distantes, sabemos que isto tem que acontecer, mas nunca vimos isto acontecer tão cedo no Universo."

Os astrónomos disseram que a enorme massa do buraco negro de J0313-1806, num momento tão precoce na história do Universo, descarta dois modelos teóricos de como estes objetos se formaram. No primeiro destes dois modelos, as estrelas massivas individuais explodem como supernovas e colapsam em buracos negros que então coalescem em buracos negros maiores. No segundo, densos enxames de estrelas colapsam num enorme buraco negro. No entanto, em ambos os casos, o processo leva demasiado tempo para produzir um buraco negro tão massivo quanto o de J0313-1806 na altura a que o vemos.

"Isto indica que, não importa o que façamos, a 'semente' deste buraco negro deve ter sido formada por um mecanismo diferente," disse Xiaohui Fan, também da Universidade do Arizona. "Neste caso, é um mecanismo que envolve grandes quantidades de gás hidrogénio frio e primordial que colapsa diretamente para um buraco negro 'semente'."

 
Impressão de artista do quasar J0313-1806, visto apenas 670 milhões de anos após o Big Bang (versão legendada).
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva
 

As observações de J0313-1806 pelo ALMA forneceram detalhes tentadores sobre a galáxia hospedeira do quasar, que está a formar novas estrelas a um ritmo 200 vezes maior do que o da Via Láctea. "Esta é uma taxa de formação estelar relativamente alta em galáxias de idade semelhante, e indica que a galáxia hospedeira do quasar está a crescer muito depressa," disse Jinyi Yang, segunda autora do artigo, também da Universidade do Arizona.

O brilho do quasar indica que o buraco negro está a engolir o equivalente a 25 sóis todos os anos. A energia libertada por essa alimentação rápida, disseram os astrónomos, provavelmente está a gerar um poderoso fluxo de gás ionizado que é visto a mover-se a cerca de 20% da velocidade da luz.

Pensa-se que tais fluxos sejam o que, em última análise, para a formação de estrelas na galáxia.

"Achamos que esses buracos negros supermassivos foram a razão pela qual muitas das grandes galáxias pararam de formar estrelas em algum ponto," disse Fan. "Observamos esta 'extinção' em épocas posteriores mas, até agora, não sabíamos quão cedo este processo tinha começado na história do Universo. Este quasar é a primeira evidência de que a extinção pode ter acontecido em tempos muito antigos."

Fan realçou que este processo também deixará o buraco negro sem nada para comer e interromperá o seu crescimento.

Além do ALMA, os astrónomos usaram o telescópio Magellan Baade de 6,5 metros, o telescópio Gemini Norte e o Observatório W. M. Keck, ambos no Hawaii, e o telescópio Gemini Sul no Chile.

Os astrónomos planeiam continuar a estudar J0313-1806 e outros quasares com telescópios terrestres e espaciais.

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Universidade do Michigan (comunicado de imprensa)
// Universidade da Califórnia em Irvine (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// CosmoView 17: o mais antigo buraco negro supermassivo e quasar no Universo (NOIRLabAstro via YouTube)

 


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ALMA captura galáxia distante em colisão a morrer à medida que perde a capacidade de formar novas estrelas

As galáxias começam a "morrer" quando param de formar estrelas, mas até agora os astrónomos nunca tinham observado claramente o início deste processo numa galáxia distante. Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o Observatório Europeu do Sul (ESO) é um parceiro, os astrónomos observaram uma galáxia a lançar para o exterior quase metade do seu gás, gás esse que deveria ser utilizado para formar estrelas. Esta ejeção de matéria está a ocorrer a uma taxa surpreendente, equivalente a 10.000 sóis por ano, o que significa que a galáxia está a perder muito rapidamente o "combustível" necessário à formação de novas estrelas. A equipa pensa que este evento terá sido despoletado pela colisão com outra galáxia, o que poderá levar os astrónomos a repensar o modo como as galáxias param de formar novas estrelas.

 
Esta impressão de artista de ID2299 mostra a galáxia, o produto de uma colisão galáctica, e algum do seu gás sendo ejetado por uma "cauda de maré" como resultado da fusão. Novas observações obtidas com o ALMA capturaram os estágios iniciais desta ejeção, antes do gás ter alcançado as muito grandes escalas ilustradas nesta impressão de artista.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
 

"Esta é a primeira vez que observamos uma galáxia com formação estelar massiva típica no Universo distante prestes a 'morrer' devido a uma ejeção massiva de gás frio," disse Annagrazia Puglisi, investigadora principal do novo estudo, da Universidade de Durham, Reino Unido, e do Centro de Investigação Nuclear de Saclay (CEA-Saclay), França. A galáxia, ID2299, está tão distante que a sua luz demora 9 mil milhões de anos a chegar até nós; vemo-la por isso quando o Universo tinha apenas 4,5 mil milhões de anos de idade.

A ejeção de gás está a ocorrer a uma taxa equivalente a 10.000 sóis por ano, removendo uns incríveis 46% do gás frio total existente em ID2299. A pista elusiva que alertou os cientistas para o que estava a acontecer nesta galáxia foi a associação do gás ejetado com uma "cauda de maré”. As caudas de maré são correntes alongadas de estrelas e gás que se estendem para o espaço interestelar e que são criadas quando duas galáxias se fundem, mas que são normalmente muito ténues para poderem ser observadas em galáxias distantes. No entanto, a equipa conseguiu observar esta estrutura relativamente brilhante mesmo na altura em que estava a ser lançada para o espaço, conseguindo identificá-la como uma cauda de maré.

A maioria dos astrónomos pensa que os ventos causados pela formação estelar e a atividade de buracos negros nos centros de galáxias massivas são responsáveis por lançar para o espaço material que, de outro modo, seria utilizado na formação estelar, terminando assim com a capacidade das galáxias de formar novas estrelas. Contudo, o novo estudo publicado na Nature Astronomy sugere que as fusões galácticas podem também ser responsáveis por ejetar para o espaço este "combustível" de formação estelar.

"O nosso estudo sugere que as ejeções de gás podem ter origem em fusões e que ventos e caudas de maré podem parecer muito semelhantes," explica o coautor do estudo Emanuele Daddi do CEA-Saclay. Por causa disso, algumas das equipas que anteriormente identificaram ventos lançados por galáxias distantes poderão de facto ter observado caudas de maré a ejetar gás dessas galáxias. "Este facto pode levar-nos a rever o que sabemos sobre como 'morrem' as galáxias distantes," acrescenta Daddi.

Puglisi concorda com a importância da descoberta da equipa: "Fiquei muito entusiasmada ao descobrir uma galáxia tão excecional! Estava ansiosa para aprender mais sobre este estranho objeto, pois convenci-me de que havia aqui uma lição importante sobre a evolução de galáxias distantes."

Esta descoberta surpreendente foi feita por acaso quando a equipa estava a analisar um rastreio de galáxias obtido pelo ALMA com o objetivo de estudar as propriedades do gás frio em mais de 100 galáxias distantes. ID2299 foi observada pelo ALMA durante apenas alguns minutos, mas o poderoso observatório, localizado no norte do Chile, permitiu à equipa recolher dados suficientes para detetar a galáxia e a sua cauda de ejeção.

"O ALMA lançou uma nova luz sobre os mecanismos que podem fazer parar a formação estelar em galáxias distantes. Testemunhar um tal evento de perturbação tão massivo permite-nos acrescentar uma peça importante ao complexo puzzle da evolução galáctica," explica Chiara Circosta, uma investigadora na University College London, Reino Unido, que também contribuiu para este trabalho.

No futuro, a equipa poderá usar o ALMA para fazer observações com maior resolução e mais profundas desta galáxia, para tentar compreender melhor a dinâmica do gás ejetado. Observações com o futuro ELT (Extremely Large Telescope) do ESO permitirão à equipa explorar as ligações entre as estrelas e o gás em ID2299, o que nos poderá dar novas pistas sobre a evolução das galáxias.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Durham (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (PDF)

 


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Pesquisa por ondas gravitacionais encontra novas pistas tantalizantes

Uma equipa internacional de cientistas pode estar perto de detetar leves ondulações no espaço-tempo que preenchem o Universo.

Pares de buracos negros milhares de milhões de vezes mais massivos do que o Sol podem estar a orbitar-se uns aos outros, gerando ondulações no próprio espaço. O NANOGrav (North American Nanohertz Observatory for Gravitational Waves) passou mais de uma década a usar radiotelescópios terrestres para procurar evidências destas ondulações no espaço-tempo criadas por buracos negros monstruosos. Esta semana, o projeto anunciou a deteção de um sinal que pode ser atribuído a ondas gravitacionais, embora os membros ainda não estejam prontos para reivindicar sucesso.

 
Esta ilustração mostra o projeto NANOGrav a observar objetos cósmicos chamados pulsares num esforço de detetar ondas gravitacionais.
Crédito: NANOGrav/T. Klein
 

As ondas gravitacionais foram teorizadas pela primeira vez por Albert Einstein em 1916, mas só foram detetadas diretamente quase um século depois. Einstein mostrou que, em vez de ser um plano de fundo rígido para o Universo, o espaço é um tecido flexível que é deformado e curvado por objetos massivos e inextricavelmente ligado ao tempo. Em 2015, uma colaboração entre o norte-americano LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) e o interferómetro Virgo na Europa anunciou a primeira deteção direta de ondas gravitacionais: eram emanadas por dois buracos negros - cada com aproximadamente 30 vezes a massa do Sol - que se orbitavam um ao outro e que depois se fundiram.

Num novo artigo publicado na edição de janeiro de 2021 da revista The Astrophysical Journal Supplements, o projeto NANOGrav relata a deteção de flutuações inexplicáveis, consistentes com os efeitos das ondas gravitacionais, no "timing" de 45 pulsares espalhados pelo céu e medidos ao longo de um período de 12 anos e meio.

Os pulsares são "pepitas" densas de material que sobram da explosão de uma estrela como supernova. Vistos da Terra, os pulsares parecem piscar. Na realidade, a luz vem de dois feixes constantes que emanam de lados opostos do pulsar enquanto este gira, como um farol. Se as ondas gravitacionais passarem entre um pulsar e a Terra, o alongamento e a compressão subtis do espaço-tempo parecem introduzir um pequeno desvio no tempo regular do pulsar. Mas este efeito é subtil, e mais de uma dúzia de outros fatores também influenciam o "timing" do pulsar. Uma parte importante do trabalho feito pelo NANOGrav é a subtração desses fatores dos dados para cada pulsar antes de procurar sinais de ondas gravitacionais.

O LIGO e o Virgo detetam ondas gravitacionais de pares individuais de buracos negros (ou outros objetos densos chamados estrelas de neutrões). Em contraste, o NANOGrav está à procura de um "fundo" persistente de ondas gravitacionais, ou a combinação ruidosa de ondas criadas ao longo de milhares de milhões de anos por incontáveis pares de buracos negros supermassivos espalhados pelo Universo. Estes objetos produzem ondas gravitacionais com comprimentos de onda muito maiores do que aqueles detetados pelo LIGO e Virgo - tão longas que podem ser necessários anos para uma única onda gravitacional passar por um detetor estacionário. Portanto, embora o LIGO e o Virgo possam detetar milhares de ondas por segundo, a missão do NANOGrav requer anos de dados.

Por mais tantalizante que o último achado seja, a equipa do NANOGrav não está pronta para afirmar que encontrou evidências de um fundo de ondas gravitacionais. Porquê a hesitação? Para confirmar a deteção direta de uma assinatura de ondas gravitacionais, os investigadores do NANOGrav terão que encontrar um padrão distinto nos sinais entre pulsares individuais. De acordo com a teoria da relatividade geral de Einstein, o efeito do fundo de ondas gravitacionais deve influenciar o "timing" dos pulsares de maneira ligeiramente diferente com base nas suas posições em relação uns aos outros.

Atualmente, o sinal é demasiado fraco para que tal padrão seja distinguível. O aumento do sinal exigirá que o NANOGrav expanda o seu conjunto de dados para incluir mais pulsares estudados por períodos de tempo ainda mais longos, o que aumentará a sensibilidade da rede de radiotelescópios. O NANOGrav também está a juntar os seus dados aos dados de outras experiências de "timing" de pulsares num esforço conjunto do IPTA (International Pulsar Timing Array), uma colaboração de investigadores que usa os maiores radiotelescópios do mundo.

"Tentar detetar ondas gravitacionais com uma rede de 'timing' de pulsares requer paciência," disse Scott Ransom do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) e atual presidente do NANOGrav. "De momento estamos a analisar mais de uma dúzia de anos de dados, mas uma deteção definitiva provavelmente levará mais alguns. É ótimo que estes novos resultados sejam exatamente o que esperaríamos ver à medida que nos aproximamos de uma deteção."

A equipa do NANOGrav discutiu as suas descobertas numa conferência de imprensa dia 11 de janeiro na 237.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, realizada virtualmente entre os dias 10 e 15 de janeiro. Michele Vallisneri e Joseph Lazio, ambos astrofísicos do JPL da NASA no sul da Califórnia, e Zaven Arzoumanian do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, no estado norte-americano de Maryland, são coautores do estudo. Joseph Simon, investigador na Universidade do Colorado, em Boulder, e autor principal do artigo, realizou grande parte da análise do artigo como investigador pós-doutorado no JPL. O NANOGrav é uma colaboração entre astrofísicos dos EUA e do Canadá. Os dados do novo estudo foram recolhidos usando o GBT (Green Bank Telescope), no estado da Virgínia Ocidental, e a antena de Arecibo em Porto Rico antes do seu recente colapso.

// NASA/JPL (comunicado de imprensa)
// Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Universidade do Wisconsin-Milwaukee (comunicado de imprensa)
// Universidade da Flórida Central (comunicado de imprensa)
// Universidade da Virgínia Ocidental (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Quão escuro é o espaço? Se se afastar das luzes da cidade e olhar para cima, o céu entre as estrelas parece de facto muito escuro. Acima da atmosfera da Terra, o espaço sideral fica ainda mais negro, desvanecendo até um escuro como breu. E mesmo assim, o espaço não é absolutamente escuro. O Universo tem um brilho fraco e difuso oriundo de inúmeras estrelas e galáxias distantes. Novas medições desse fraco brilho de fundo mostram que as galáxias invisíveis são menos abundantes do que alguns estudos teóricos sugeriram, rondando apenas as centenas de milhares de milhões ao invés das duas biliões de galáxias relatadas anteriormente. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - NGC 1365: Majestoso Universo-Ilha
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mike Selby, Leonardo Orazi
 
A galáxia espiral barrada NGC 1365 é verdadeiramente um majestoso universo-ilha com aproximadamente 200.000 anos-luz de diâmetro. Localizada a uns meros 60 milhões de anos-luz na direção da constelação da Fornalha, NGC 1365 é um membro dominante do bem estudado enxame galáctico da Fornalha. Esta nítida imagem a cores mostra as intensas regiões avermelhadas de formação estelar nas extremidades da barra e ao longo dos braços espirais, e detalhes nas faixas de poeira que atravessam o brilhante núcleo galáctico. No centro encontra-se um buraco negro supermassivo. Os astrónomos pensam que a proeminente barra de NGC 1365 desempenha um papel crucial na evolução da galáxia, atraindo gás e poeira para um redemoinho de formação estelar e alimentando o buraco negro central com material.
 
   
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