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  Astroboletim #1890  
  19/04 a 21/04/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Entre Eclipses
Data: 12 de maio de 2022
Hora: 20:30-22:30
Local: Centro Ciência Viva do Algarve
Estamos numa altura do ano propícia à ocorrência de eclipses! Vamos explicar o porquê disto, e falar no eclipse lunar que aí vem. Após a apresentação, e se a meteorologia for favorável, iremos observar o céu com telescópio.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis.
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 19/04: 109.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.
Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.

Em 1966 nascia Brett J. Gladman, astrónomo canadiano, conhecido pelo seu trabalho na astronomia dinâmica do Sistema Solar. Estudou o transporte de meteoritos entre planetas, a entrega de meteoróides desde a cintura principal de asteroides e a possibilidade do transporte da vida via o mecanismo conhecido como panspérmia. Descobridor e codescobridor de muitos corpos astronómicos do Sistema Solar, asteroides, cometas da cintura de Kuiper e muitas luas dos planetas gigantes.
Em 2021, o helicóptero Ingenuity torna-se no primeiro veículo aéreo a voar noutro planeta.
Observações: Em meados de abril, as estrelas mais brilhantes das constelação dos Cães estão alinhadas na vertical ao lusco-fusco. Olhe para sudoeste. A brilhante Sirius, de Cão Maior, está em baixo. Procyon, de Cão Menor, está 25º para cima, dois ou três punhos à distância do braço esticado.

Dia 20/04: 110.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1535, o fenómeno de parélio é observado por cima de Estocolmo e representado no quadro Vädersolstavlan.
Em 1865, o astrónomo Pietro Angelo Secchi demonstra o disco de Sechi, que mede a claridade da água, a bordo do iate do Papa Pio IX, o L'Imaculata Concezione.
Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso.

John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares.
Observações: Antes do amanhecer, a Lua brilha entre o "Bule de Chá" de Sagitário, para a esquerda, e as estrelas da secção superior de Escorpião para a sua direita: uma antevisão das noites de verão.
Enquanto Arcturo sobe a este, a igualmente brilhante Capella desce a noroeste. Há uma altura em que estão à mesma altura no céu, algures entre as 21:45 e as 22:15, dependendo de quão para este ou oeste vive no seu fuso horário. Consegue determinar com precisão a hora deste evento? Como tudo o que está relacionado com as constelações, acontece sempre 4 minutos mais cedo a cada noite.

Dia 21/04: 111.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento. À medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioativo da sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelos astrónomos Alexander Wolszczan e Dale Frail. Descobiram dois planetas em órbita do pulsar PSR 1257+12
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHO,
TRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de EMCs (ejeção de massa coronal).

Observações:
Capella, alta a noroeste durante e após o anoitecer, tem um pálido tom amarelado parecido ao do Sol, o que significa que têm mais ou menos a mesma temperatura. Mas Capella é muito diferente. Consiste de duas gigantes amarelas, que se orbitam uma à outra a cada 104 dias. Além disso, para observadores telescópicos, é acompanhada por um distante e íntimo par de anãs vermelhas: Capella H e L, magnitudes 10 e 13. Isto é aproximadamente 10.000 e 60.000 vezes mais ténue do que a própria Capella! Através do luar, consegue discernir pelo menos a componente H com o seu telescópio?
A chuva de meteoros das Lirídeas deverá estar ativa, tarde, esta noite e amanhã.

 
 
   
Estrelas gigantes passam por programa dramático de perda de peso

Astrónomos da Universidade de Sydney encontraram pela primeira vez um tipo menos massivo de estrela gigante vermelha. Estas estrelas sofreram uma dramática perda de peso, possivelmente devido a uma companheira estelar gananciosa. Publicada na Nature Astronomy, a descoberta é um passo importante para compreender a vida das estrelas na Via Láctea - as nossas vizinhas mais próximas.

 
No binário chamado Mira, uma estrela gigante vermelha transfere massa para uma anã branca.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss
 

Existem milhões de estrelas "gigantes vermelhas" na nossa Galáxia. Estes objetos luminosos e menos quentes são o que o nosso Sol se tornará dentro de quatro mil milhões de anos. Há já algum tempo que os astrónomos preveem a existência de gigantes vermelhas menos massivas. Depois de terem encontrado algumas, a equipa da Universidade de Sydney pode finalmente confirmar a sua existência.

"É como encontrar o Wally," disse o autor principal, candidato a doutoramento, Yaguang Li, da Universidade de Sydney. "Tivemos muita sorte em encontrar cerca de 40 gigantes vermelhas menos massivas, escondidas num mar de gigantes normais. Estas gigantes vermelhas são mais pequenas em tamanho ou menos massivas do que as gigantes vermelhas normais."

Como e porque é que emagreceram? A maioria das estrelas no céu pertencem a sistemas binários - duas estrelas ligadas gravitacionalmente uma à outra. Quando as estrelas em binários íntimos incham, à medida que as estrelas envelhecem, algum material pode alcançar a esfera gravitacional da sua companheira e ser sugado. "No caso das gigantes vermelhas relativamente pequenas, pensamos que uma companheira pode estar presente," disse Li.

Uma caça ao tesouro intragaláctica

A equipa analisou dados de arquivo do telescópio espacial Kepler da NASA. De 2009 a 2013, o telescópio registou continuamente variações de luminosidade em dezenas de milhares de gigantes vermelhas. Utilizando este conjunto de dados incrivelmente preciso e grande, a equipa realizou um censo minucioso desta população estelar, fornecendo as bases para detetar quaisquer "outliers".

Foram revelados dois tipos invulgares de estrelas: gigantes vermelhas de massa muito baixa e gigantes vermelhas subluminosas (de brilho inferior).

As estrelas de massa muito baixa têm apenas 0,5 a 0,7 massas solares - cerca de metade da massa do nosso Sol. Se as estrelas de massa muito baixa não tivessem perdido massa de repente, as suas massas indicariam que eram mais velhas do que a idade do Universo - uma impossibilidade.

"Assim, quando obtivemos pela primeira vez as massas destas estrelas, pensámos que havia algo de errado com a medição," disse Li. "Mas afinal não havia."

As estrelas subluminosas, por outro lado, têm massas normais, que vão de 0,8 a 2,0 massas solares. "Contudo, são muito menos 'gigantes' do que esperávamos," disse o coautor do estudo, Dr. Simon Murphy da Universidade do Sul de Queensland. "Emagreceram um pouco e, como são mais pequenas, também são mais ténues, daí serem 'subluminosas' em comparação com as gigantes vermelhas normais."

Apenas foram encontradas sete estrelas subluminosas e os autores suspeitam que muitas mais estão escondidas na amostra. "O problema é que a maioria delas são muito boas a misturar-se. Encontrá-las foi uma verdadeira caça ao tesouro," disse o Dr. Murphy.

Estes pontos de dados invulgares não podiam ser explicados por simples expetativas da evolução estelar. Isto levou os investigadores a concluir que outro mecanismo deve estar em ação, forçando estas estrelas a sofrer uma dramática perda de peso: o roubo de massa por estrelas próximas.

Censo da população estelar

Os investigadores apoiaram-se na asterosismologia - o estudo das vibrações estelares - para determinar as propriedades das gigantes vermelhas.

Os métodos tradicionais para estudar uma estrela estão limitados às suas propriedades de superfície, por exemplo, a temperatura e luminosidade da superfície. Em contraste, a asterosismologia, que utiliza ondas sonoras, estuda o que está abaixo. "As ondas penetram o interior estelar, dando-nos informações ricas sobre outra dimensão," disse Li.

Os investigadores conseguiram determinar com precisão as fases evolutivas, massas e tamanhos das estrelas com este método. E quando olharam para as distribuições destas propriedades, algo fora do comum foi imediatamente visto: algumas estrelas têm massas pequenas ou tamanhos pequenos.

"É altamente invulgar para um estudante de doutoramento fazer uma descoberta tão importante," disse o professor Tim Bedding, orientador de Li. "Ao examinar cuidadosamente os dados do telescópio espacial Kepler da NASA, Yaguang avistou algo que todos os outros haviam perdido."

// Universidade de Sydney (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Gigante vermelha:
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

 
   
Equipa por trás de descoberta de planeta com três estrelas retira o seu artigo

Uma equipa internacional de investigadores, que publicou um artigo na revista Science em 2016 descrevendo a sua descoberta de um exoplaneta com três estrelas, voltou agora atrás nesse artigo.

No seu artigo original, a equipa descreveu o trabalho com tecnologia de imagem direta para estudar o sistema estelar triplo HD 131399. Detetaram o que pensavam ser um exoplaneta com aproximadamente quatro vezes o tamanho de Júpiter. Também notaram o seu sistema orbital aparentemente estranho - o planeta parecia orbitar apenas uma das estrelas enquanto as outras duas estrelas estavam mais distantes.

Após a publicação do artigo, outra equipa internacional de investigadores, em 2017, descobriu evidências sugerindo que o planeta não era afinal um planeta - os dados observados no ano anterior, alegaram, eram de um objeto de fundo, talvez uma estrela anã. Observaram ainda, no seu artigo publicado na revista The Astronomical Journal, que o objeto tinha muito mais probabilidades de ser algo que se movia invulgarmente rápido no fundo, num percurso que coincidia com o sistema estelar HD 131399.

Esse achado levou a equipa original a dar outra vista de olhos ao seu trabalho anterior e depois a observar o sistema estelar HD 131399 durante um período prolongado de tempo. Isto permitiu-lhes captar imagens do sistema estelar em movimento. Descobriram uma "clara diferença de paralaxe entre o objeto e HD 131399" - confirmação de que a luz do que tinham pensado em 2016 ser um planeta estava na realidade a vir de muito mais longe do que a luz das estrelas do sistema -, afastando a possibilidade de que a luz pertencesse a um planeta desse sistema. Em vez disso, era certamente de algo muito mais distante no fundo.

Os cientistas sugeriram aos membros da imprensa que o seu trabalho realça o risco de fazer suposições sobre os antecedentes estacionários nos sistemas estelares e que é a sua esperança que a sua experiência ajude a melhorar a astronomia. Todos os autores do trabalho original concordaram em que o seu trabalho fosse retirado.

// Science (retração)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
08/07/2016 - Um planeta surpreendente com três sóis

 
   
Álbum de fotografias - Vaivém Espacial Sobre a Terra
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASATripulação da Expedition 22
 
O que é aquilo que se aproxima? Os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, em 2010, viram-no pela primeira vez ao longe. Em breve, ficou grande o suficiente para se tornar uma silhueta escura. Ao aproximar-se ainda mais, a silhueta parecia ser uma nave espacial. Finalmente, o objeto revelou-se ser o vaivém espacial Endeavour e pouco depois atracou como esperado da ISS, em órbita da Terra. Na imagem em destaque temos o vaivém Endeavour perto do horizonte da Terra à medida que se aproximava, onde várias camadas da atmosfera da Terra eram visíveis. Diretamente atrás do vaivém está a mesosfera, que aparece azul. A camada atmosférica que aparece branca é a estratosfera, enquanto a camada laranja é a troposfera da Terra. Juntas, estas camadas finas de ar - que, coletivamente, cobrem menos de 2% do raio da Terra - sustentam-nos a todos de muitas maneiras, incluindo fornecer oxigénio para respirar e uma barreira às radiações perigosas do espaço.
 
   
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