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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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  Astroboletim #1905  
  10/06 a 13/06/2022  
     
 
Efemérides

Dia 10/06: 161.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1973, lançamento do Explorer 49, que foi colocado em órbita lunar e tinha o objetivo de recolher medições dos planetas, do Sol e da Galáxia no rádio.
Em 2003 era lançado o rover Spirit, começando a missão Mars Exploration Rover da NASA. Em Marte, operou durante largos anos, até que deixou de contactar com a Terra em março de 2010.

Observações: Espiga brilha para a direita da Lua. Ao dobro da distância entre os dois astros, mas para baixo e para a direita de Espiga, estão as quatro estrelas mais brilhantes da constelação de Corvo.

Dia 11/06: 162.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1723 nascia Johann Georg Palitzsch, astrónomo alemão que observaria em 1758 o regresso do cometa Halley, tal como previsto por Edmond Halley em 1705.

Em 1867, nascia Charles Fabry, físico francês que se especializou em ótica e interferometria. Em 1913, demonstrou que o ozono na atmosfera superior é responsável por filtrar a radiação ultravioleta do Sol. 
Em 2004, a sonda Cassini-Huygens faz a sua maior aproximação a Febe.
Em 2008, lançamento do Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi.
Em 2013, lançamento do Shenzhou 10, a quinta missão tripulada da China e a segunda e última até ao laboratório espacial Tiangong-1, com 3 taikonautas a bordo e duração de 15 dias. 
Observações: A Ursa Maior está alta a noroeste ao anoitecer. As estrelas-guia da Ursa Maior, atualmente as suas estrelas mais baixas, apontam para baixo e para a direita até à Estrela Polar. Para cima da Polar, e até muito idêntica, está Kochab. Kochab está precisamente para cima da Polar por volta do anoitecer ou um pouco depois. Quão precisamente consegue determinar a hora deste evento, a partir do seu local de observação? Talvez recorrendo à ajuda do lado de um edifício?

Dia 12/06: 163.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1843, nascia David Gill, astrónomo escocês, famoso pela sua medição de distâncias astronómicas. Redeterminou a distância ao Sol com um grau de precisão tão elevado que o valor foi usado em almanaques até 1968.
Em 1967 era lançada a Venera 4 que seria a primeira sonda a enviar dados da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra. 

Em 2004, um meteorito condrito de 1,3 kg atinge uma casa em Ellserslie, Nova Zelândia, provocando grandes danos mas nenhuns ferimentos.
Observações:
À medida que contamos os últimos dias de primavera, o grande Triângulo de Verão brilha alto e imponente a este após o cair da noite. A sua estrela de topo é Vega. Deneb é a estrela mais brilhante para baixo e para a esquerda de Vega, a 2 ou 3 punhos à distância do braço esticado. Procure Altair a uma maior distância mas para baixo e para a direita de Vega. Se tiver acesso a um céu escuro o suficiente, a Via Láctea atravessa a parte inferior do Triângulo.

Dia 13/06: 164.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1831 nascia James Clerk Maxwell, físico escocês que formulou uma série de equações que descrevem a eletricidade, magnetismo e ótica como manifestações do mesmo fenómeno, nomeadamente, o campo eletromagnético.
Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar, quando passa para lá da órbita de Neptuno (o planeta mais longínquo do Sol na altura).

Em 2010, a cápsula da sonda Hayabusa, contendo partículas do asteroide 25143 Itokawa, regressa à Terra.
Observações: Durante grande parte da primavera, a latitudes médias norte, a Via Láctea fica fora de vista. Mas observe agora a este. A rica extensão de Cefeu-Cisne-Águia da Via Láctea começa a nascer a este por estas noites, cada vez mais cedo e mais alta todas as semanas. Uma dica para observadores com poluição luminosa: encontra-se na horizontal para baixo de Vega, passa pelo Triângulo de Verão.

 
 
   
O fim do "amanhecer cósmico"

Um grupo de astrónomos liderado por Sarah Bosman do Instituto Max Planck para Astronomia cronometrou robustamente o fim da época da reionização do gás hidrogénio neutro para cerca de 1,1 mil milhões de anos após o Big Bang. A reionização começou quando a primeira geração de estrelas se formou após a "idade das trevas" cósmica, um longo período em que só o gás neutro preenchia o Universo sem quaisquer fontes de luz. O novo resultado resolve um debate que durou duas décadas e baseia-se nas assinaturas de radiação de 67 quasares com impressões do gás hidrogénio por onde a luz passou antes de chegar à Terra. A determinação do fim deste "amanhecer cósmico" vai ajudar a identificar as fontes ionizantes: as primeiras estrelas e galáxias.

 
Representação esquemática da história cósmica proporcionada pela luz brilhante de quasares distantes. A observação com um telescópio (inferior esquerdo) permite-nos obter informações sobre a chamada época da reionização ("bolhas" em cima à direita) que se seguiu à fase do Big Bang (em cima à direita).
Crédito: Instituto Carnegie para Ciência/Instituto Max Planck para Astronomia (anotações)
 

O Universo passou por diferentes fases desde o seu início até ao seu estado atual. Durante os primeiros 380.000 anos após o Big Bang, era um plasma ionizado quente e denso. Após este período, arrefeceu o suficiente para que os protões e eletrões que preenchiam o Universo se pudessem combinar em átomos de hidrogénio neutros. Durante a maior parte desta "idade das trevas", o Universo não tinha fontes de luz visível. Com o advento das primeiras estrelas e galáxias, cerca de 100 milhões de anos mais tarde, esse gás tornou-se gradualmente ionizado pela radiação UV (ultravioleta) das estrelas novamente. Este processo separa os eletrões dos protões, deixando-os como partículas livres. Esta era é geralmente conhecida como "amanhecer cósmico". Hoje em dia, todo o hidrogénio espalhado entre galáxias, o gás intergaláctico, está totalmente ionizado. Contudo, quando isso aconteceu é um tema muito discutido entre os cientistas e um campo de investigação altamente competitivo.

Um fim tardio do amanhecer cósmico

Uma equipa internacional de astrónomos liderada por Sarah Bosman do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, Alemanha, determinou agora com precisão o fim da época da reionização para 1,1 mil milhões de anos após o Big Bang. "Estou fascinada com a ideia das diferentes fases pelas quais o Universo passou, levando à formação do Sol e da Terra. É um grande privilégio contribuir com uma nova pequena peça para o nosso conhecimento da história cósmica," diz Sarah Bosman. Ela é a principal autora do artigo científico publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Frederick Davies, também astrónomo do mesmo instituto e coautor do artigo, comenta: "Até há poucos anos, a sabedoria predominante era que a reionização tinha terminado quase 200 milhões de anos antes. Aqui temos agora a evidência mais forte de que o processo terminou muito mais tarde, durante uma época cósmica mais facilmente observável pelas instalações de observação da geração atual". Esta correção temporal pode parecer marginal, considerando os milhares de milhões de anos desde o Big Bang. No entanto, mais algumas centenas de milhões de anos foram suficientes para produzir várias dúzias de gerações estelares na evolução cósmica inicial. A determinação da era do "amanhecer cósmico" condiciona a natureza e a vida das fontes ionizantes presentes durante as centenas de milhões anos que durou.

Esta abordagem indireta é atualmente a única forma de caracterizar os objetos que levaram ao processo de reionização. A observação direta destas primeiras estrelas e galáxias está para além das capacidades dos telescópios contemporâneos. São simplesmente demasiado ténues para obter dados úteis dentro um período de tempo razoável. Mesmo instalações de próxima geração como o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO ou o Telescópio Espacial James Webb podem ter dificuldades com tal tarefa.

Quasares como sondas cósmicas

Para investigar quando o Universo ficou totalmente ionizado, os cientistas aplicam métodos diferentes. Um deles é medir a emissão de gás hidrogénio neutro na famosa linha espectral de 21 centímetros. Ao invés, Sarah Bosman e colegas analisaram a luz recebida de fortes fontes de fundo. Utilizaram 67 quasares, os discos brilhantes de gás quente que rodeiam os buracos negros massivos centrais em galáxias ativas distantes. Ao olhar para o espectro de um quasar, que visualiza a sua intensidade disposta ao longo dos comprimentos de onda observados, os astrónomos encontram padrões onde parece faltar luz. É a isto que os cientistas chamam linhas de absorção. O gás hidrogénio neutro absorve esta porção de luz ao longo da sua viagem desde a fonte até ao telescópio. Os espectros desses 67 quasares são de uma qualidade sem precedentes, o que foi crucial para o sucesso deste estudo.

 
Da Terra, estamos sempre a olhar para o passado do cosmos. A luz de quasares distantes do Universo primitivo passou pelo gás já parcialmente ionizado da época da reionização, disposto em torno das primeiras galáxias. O gás hidrogénio neutro entre as galáxias produz as assinaturas de absorção. Devido à expansão do Universo, as linhas de absorção aparecem com um desvio para o vermelho diferente da gama UV.
Crédito: Departamento gráfico do Instituto Max Planck para Astronomia
 

O método envolve olhar para uma linha espectral equivalente a um comprimento de onda de 121,6 nanómetros (1 nanómetro equivale a 1x10^-9 metros). Este comprimento de onda pertence à gama UV e é a linha espectral de hidrogénio mais forte. No entanto, a expansão cósmica desvia o espectro do quasar para comprimentos de onda mais longos quanto mais longe a luz viaja. Portanto, o desvio para o vermelho da linha de absorção UV observada pode ser traduzido para a distância da Terra. Neste estudo, o efeito deslocou a linha UV para o infravermelho à medida que alcançava o telescópio.

Dependendo da fração entre o gás de hidrogénio neutro e o gás de hidrogénio ionizado, o grau de absorção, ou inversamente, a transmissão através de uma tal nuvem, atinge um valor particular. Quando a luz encontra uma região com uma fração elevada de gás ionizado, não pode absorver a radiação UV de forma eficiente. Esta propriedade é o que a equipa estava à procura.

A luz do quasar passa por muitas nuvens de hidrogénio a diferentes distâncias ao longo do seu trajeto, cada uma delas deixando a sua marca em pequenos desvios para o vermelho da gama UV. Em teoria, a análise da mudança na transmissão por cada linha desviada para o vermelho deveria produzir o tempo ou distância em que o gás hidrogénio ficou totalmente ionizado.

Os modelos ajudam a desembaraçar as influências concorrentes

Infelizmente, as circunstâncias são ainda mais complicadas. Desde o fim da reionização, apenas o espaço intergaláctico está totalmente ionizado. Existe uma rede de matéria parcialmente neutra que liga as galáxias e enxames de galáxias, chamada "teia cósmica". Onde o gás hidrogénio é neutro, deixa também a sua marca na luz do quasar.

Para desembaraçar estas influências, a equipa aplicou um modelo físico que reproduz variações medidas numa época muito posterior, quando o gás intergaláctico já estava totalmente ionizado. Quando compararam o modelo com os seus resultados, descobriram um desvio num comprimento de onda em que a linha dos 121,6 nanómetros foi deslocada por um factor de 5,3 vezes correspondente a uma idade cósmica de 1,1 mil milhões de anos. Esta transição indica o tempo em que as mudanças na luz medida do quasar se tornam inconsistentes com as flutuações apenas da teia cósmica. Portanto, esse foi o período mais recente em que o gás hidrogénio neutro deve ter estado presente no espaço intergaláctico e, subsequentemente, se tornou ionizado. Era o fim do "amanhecer cósmico".

O futuro é promissor

"Este novo conjunto de dados fornece uma referência crucial contra a qual as simulações numéricas dos primeiros mil milhões de anos do Universo serão testadas nos próximos anos," diz Frederick Davies. Elas vão ajudar a caracterizar as fontes ionizantes, as primeiras gerações de estrelas.

"A direção futura mais excitante para o nosso trabalho é expandi-lo para tempos ainda anteriores, em direção ao ponto médio do processo de reionização," salienta Sarah Bosman. "Infelizmente, distâncias maiores significam que aqueles primeiros quasares são significativamente mais fracos. Por conseguinte, a área de recolha alargada de telescópios da próxima geração, como o ELT, será crucial."

// Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
New Scientist
Universe Today

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Época da Reionização (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

Quasar:
Wikipedia

ELT (Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

 
   
O Telescópio Espacial Hubble capta a maior imagem no infravermelho próximo a fim de encontrar as galáxias mais raras do Universo

Uma equipa internacional de cientistas divulgou recentemente a maior imagem no infravermelho próximo jamais obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, permitindo aos astrónomos mapear as regiões de formação estelar do Universo e aprender como tiveram origem as primeiras e mais distantes galáxias. Denominado 3D-DASH, este levantamento de alta resolução permitirá aos investigadores encontrar objetos e alvos raros para observações de seguimento com o recentemente lançado Telescópio Espacial James Webb durante a sua missão de décadas.

Uma pré-impressão do artigo a ser publicado na revista The Astrophysical Journal está disponível no website arXiv.

 
Galáxias dos últimos 10 mil milhões de anos testemunhadas no programa 3D-DASH, criado usando imagens 3D-DASH/F160W e ACS-COSMOS/F814W Crédito: Lamiya Mowla
 

"Desde o seu lançamento, há mais de 30 anos, que o Telescópio Espacial Hubble tem liderado um renascimento no estudo de como as galáxias mudaram nos últimos 10 mil milhões de anos do Universo," diz Lamiya Mowla, do Instituto de Astronomia e Astrofísica da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Toronto e autora principal do estudo.

"O programa 3D-DASH estende o legado do Hubble em imagens de área ampla para que possamos começar a desvendar os mistérios das galáxias para lá da nossa."

Pela primeira vez, o 3D-DASH fornece aos investigadores um levantamento no infravermelho próximo quase completo de todo o campo COSMOS, um dos mais ricos campos de dados para estudos extragalácticos para lá da Via Láctea. Sendo o comprimento de onda mais longo e avermelhado observável com o Hubble - logo para além do que é visível ao olho humano -, o infravermelho próximo significa que os astrónomos são mais capazes de ver as primeiras galáxias, que estão mais distantes.

Os astrónomos também precisaram de procurar numa vasta área do céu para encontrar objetos raros no Universo. Até agora, uma imagem tão grande só estava disponível a partir do solo e sofria de má resolução, o que limitava o que podia ser observado. O 3D-DASH ajudará a identificar fenómenos únicos como as galáxias mais massivas do Universo, buracos negros altamente ativos e galáxias à beira de colidir e fundir-se numa só.

 
O Telescópio Espacial Hubble captou todo o campo COSMOS reunindo várias imagens numa única imagem, um processo chamado mosaico.
Crédito: animação por Ivelina Momcheva
 

"Eu sou muito curiosa no que toca às galáxias monstruosas, que são as mais massivas do Universo formadas pela fusão de outras galáxias. Como cresceram as suas estruturas, e o que impulsionou as mudanças na sua forma?" diz Mowla, que começou a trabalhar no projeto em 2015 como estudante na Universidade de Yale. "Foi difícil estudar estes acontecimentos extremamente raros utilizando imagens existentes, o que motivou o design deste grande levantamento."

Para fotografar uma zona do céu tão extensa, os investigadores utilizaram uma nova técnica com o Hubble conhecida como DASH (Drift And SHift). A técnica DASH cria uma imagem que é oito vezes maior do que o campo de visão padrão do Hubble, capturando várias exposições que são depois reunidas num único mosaico, semelhante ao modo como obtemos panoramas num smartphone.

A DASH também tira imagens mais rapidamente do que a técnica normalmente usada, tirando oito exposições por órbita do Hubble em vez de apenas uma, conseguindo em 250 horas o que teria anteriormente levado 2000 horas.

"O 3D-DASH acrescenta uma nova camada de observações únicas no campo COSMOS e é também um ponto de partida para os levantamentos espaciais da próxima década," diz Ivelina Momcheva, chefe da ciência de dados do Instituto Max Planck para Astronomia e investigadora principal do estudo. "Dá-nos uma espreitadela das futuras descobertas científicas e permite-nos desenvolver novas técnicas para analisar estes grandes conjuntos de dados."

 
Uma zona do céu obtida pelo 3D-DASH, mostrando os objectos mais brilhantes e mais raros do universo, tais como galáxias monstruosas.
Crédito: Gabe Brammer
 

O 3D-DASH cobre uma área total quase seis vezes maior do que o tamanho aparente da Lua no céu. É provável que este recorde permaneça inalterado pelo sucessor do Hubble, o James Webb, que está ao invés construído para imagens sensíveis e bastante ampliadas a fim de captar pequenos detalhes de uma pequena área. É a maior imagem do céu no infravermelho próximo disponível para os astrónomos até ao lançamento da próxima geração de telescópios, na próxima década, como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman e o Euclid.

Até lá, tanto os astrónomos profissionais como os observadores amadores podem explorar os céus utilizando uma versão online interativa da imagem 3D-DASH criada por Gabriel Brammer, membro do corpo docente do Centro Cosmic Dawn no Instituto Niels Bohr, na Universidade de Copenhaga.

// Universidade de Toronto (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)
// Universidade de Massachusetts em Amherst (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Criando o mosaico 3D-DASH (UMass Amherst via YouTube)
// Versão online interativa da imagem 3D-DASH (na página pessoal de Lamiya Mowla, criada por Gabe Brammer)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
ScienceDaily
PHYSORG

3D-DASH:
Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

COSMOS:
Caltech
Wikipedia

Infravermelho próximo:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
Wikipedia
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Blog do JWST (NASA)
Onde está o Webb? (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
MIRI (NASA)

RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope, anteriormente WFIRST):
NASA
Wikipedia
Facebook
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Euclid:
ESA
Wikipedia

 
   
FRB estranho levanta novas questões

Astrónomos encontraram apenas o segundo exemplo de um FRB (sigla inglesa para "Fast Radio Burst") altamente ativo com uma fonte compacta de emissão de rádio mais fraca, mas persistente entre surtos. A descoberta levanta novas questões sobre a natureza destes misteriosos objetos e também sobre a utilidade como ferramentas para o estudo da natureza do espaço intergaláctico. Os cientistas utilizaram o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) e outros telescópios para estudar o objeto, descoberto pela primeira vez em 2019.

 
Impressão de artista de uma estrela de neutrões com um campo magnético ultra-forte, chamado magnetar, que emite ondas de rádio (vermelho). Os magnetares são um candidato principal para o que gera FRBs.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
 

O objeto, chamado FRB 190520, foi encontrado pelo FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical radio Telescope) na China. Uma explosão no objeto ocorreu no dia 20 de maio de 2019 e foi encontrada em dados desse telescópio em novembro desse ano. Observações de acompanhamento com o FAST mostraram que, ao contrário de muitos outros FRBs, este emite frequentes e repetidas explosões de ondas de rádio.

Observações com o VLA em 2020 assinalaram a localização do objeto e isso permitiu observações no visível com o telescópio Subaru no Hawaii para mostrar que se encontra nos arredores de uma galáxia anã a quase 3 mil milhões de anos-luz da Terra. As observações do VLA também descobriram que o objeto emite constantemente ondas de rádio mais fracas entre surtos.

"Estas características fazem com que este se pareça muito com o primeiro FRB cuja posição foi determinada - também pelo VLA - em 2016", disse Casey Law do Caltech. Esse desenvolvimento foi um grande avanço, fornecendo as primeiras informações sobre o ambiente e distância de um FRB. No entanto, a sua combinação de explosões repetidas e emissão de rádio persistente entre explosões, vindas de uma região compacta, distinguiu o objeto de 2016, chamado FRB 121102, de todos os outros FRBs conhecidos até agora.

"Agora temos dois e isso levanta algumas questões importantes," disse Law. Law faz parte de uma equipa internacional de astrónomos que relatam as suas descobertas na revista Nature.

As diferenças entre FRB 190520 e FRB 121102 e todos os outros reforçam uma possibilidade sugerida anteriormente de que podem haver dois tipos diferentes de FRBs.

"Serão os que se repetem diferentes dos que não o fazem? E quanto à emissão persistente no rádio - será que é comum?" disse Kshitij Aggarwal, estudante na Universidade da Virgínia Ocidental.

Os astrónomos sugerem que podem haver dois mecanismos diferentes que produzem FRBs ou que os objetos que os produzem podem agir de forma diferente em fases diferentes da sua evolução. Os principais candidatos às fontes de FRBs são as superdensas estrelas de neutrões que restam depois de uma estrela massiva explodir como uma supernova, ou estrelas de neutrões com campos magnéticos ultra-fortes, chamadas magnetares.

Uma característica de FRB 190520 põe em causa a utilidade dos FRBs como ferramentas para o estudo do material entre eles e a Terra. Os astrónomos analisam frequentemente os efeitos do material interveniente sobre as ondas de rádio emitidas por objetos distantes para aprenderem mais sobre esse material ténue propriamente dito. Um desses efeitos ocorre quando as ondas de rádio passam pelo espaço que contém eletrões livres. Nesse caso, as ondas de frequência mais alta viajam mais depressa do que as ondas de frequência mais baixa.

 
A região do FRB 190520, no visível, com a imagem VLA do FRB a alternar entre o objeto com surto e sem surto.
Crédito: Niu, et al.; Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF; CFHT
 

Este efeito, denominado dispersão, pode ser medido para determinar a densidade de eletrões no espaço entre o objeto e a Terra, ou, caso a densidade de eletrões seja conhecida ou assumida, fornecer uma estimativa aproximada da distância ao objeto. O efeito é frequentemente utilizado para fazer estimativas da distância a pulsares.

Isso não funcionou para FRB 190520. Uma medição independente da distância com base no desvio Doppler da luz da galáxia provocado pela expansão do Universo colocou a galáxia a quase 3 mil milhões de anos-luz da Terra. No entanto, o sinal da explosão mostra uma quantidade de dispersão que normalmente indicaria uma distância de aproximadamente 8 a 9,5 mil milhões de anos-luz.

"Isto significa que há muito material perto do FRB que confundiria qualquer tentativa de o utilizar para medir o gás entre galáxias," disse Aggarwal. "Se for esse o caso para outros, então não podemos contar com a utilização de FRBs como padrões cósmicos," acrescentou.

Os astrónomos especularam que FRB 190520 pode ser um "recém-nascido", ainda rodeado por material denso ejetado pela explosão da supernova que deixou para trás a estrela de neutrões. À medida que esse material eventualmente se dissipa, a dispersão do sinal dos surtos também diminuiria. No cenário do "recém-nascido", disseram, as explosões repetidas também poderiam ser uma característica dos FRBs mais jovens e diminuir com a idade.

"O campo dos FRBs está a mover-se muito rapidamente neste momento e novas descobertas estão a sair mensalmente. No entanto, ainda subsistem grandes questões e este objeto está a dar-nos pistas desafiantes sobre essas questões," disse Sarah Burke-Spolaor, também da Universidade da Virgínia Ocidental.

// NRAO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Animação de um FRB (NRAO via vimeo)

 


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Notícias relacionadas:
Sky & Telescope
SPACE.com
science alert
PHYSORG
ScienceDaily
CNN

FRB ("Fast Radio Burst"):
Wikipedia
Catálogo de FRBs (Universidade Swinburne)

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical radio Telescope):
Página oficial
Wikipedia

 
   
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  Detetando novas partículas em torno dos buracos negros com ondas gravitacionais (via Universidade de Amesterdão)
Nuvens de partículas ultra-leves podem formar-se em torno de buracos negros giratórios. Uma equipa de físicos da Universidade de Amesterdão e da Universidade de Harvard mostra agora que estas nuvens deixariam uma marca característica nas ondas gravitacionais emitidos por buracos negros binários. Ler fonte
 
   
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(clique na imagem para ver versão maior)
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Será que dragões lutam no altar do céu? Embora possa parecer que sim, estes dragões são ilusões feitas de gás fino e poeira. A nebulosa de emissão NGC 6188, lar das nuvens brilhantes, encontra-se a cerca de 4000 anos-luz de distância, perto da orla de uma grande nuvem molecular não vista em comprimentos de onda óticos, na direção da constelação de Ara (Altar) do hemisfério sul. Estrelas jovens e massivas da associação OB1 de Altar foram formadas nessa região há apenas alguns milhões de anos, esculpindo as formas escuras e alimentando o brilho nebular com ventos estelares e intensa radiação ultravioleta. A própria formação estelar recente foi provavelmente desencadeada por ventos e explosões de supernova, de gerações anteriores de estrelas massivas, que varreram e comprimiram o gás molecular. Juntando-se a NGC 6188 nesta tela cósmica, visível na parte inferior direita, está a rara nebulosa de emissão NGC 6164, também criada por uma das estrelas massivas do tipo O da região. Similar em aparência a muitas nebulosas planetárias, o manto gasoso e simétrico de NGC 6164 e o halo ténue rodeiam a sua estrela central brilhante perto da borda inferior. Este campo de visão impressionantemente amplo estende-se por mais de 2 graus (quatro Luas Cheias), correspondendo a mais de 150 anos-luz à distância estimada de NGC 6188.
 
   
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