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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #1931  
  09/09 a 12/09/2022  
     
 
Efemérides

Dia 09/09: 252.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1789 nascia William Cranch Bond, astrónomo americano e o primeiro diretor do Observatório de Harvard College. Pioneiro na fotografia celeste, descobriu o sétimo satélite de Saturno, Hiperião, juntamente com o seu filho George.
Em 1839, John Herschel faz a primeira fotografia em chapa de vidro.
Curiosamente, a foto era do telescópio de 12 metros do seu pai, William Herschel, que caíra em desuso durante algumas décadas e que foi depois desmontado. 
Em 1892, o astrónomo Edward Emerson Barnard, do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalteia

Em 1975, lançamento da Viking 2, orbitador e módulo de aterragem marciano. No solo, o módulo operou durante 1316 dias (ou 1281 sols). Em órbita, a sonda enviou quase 16.000 imagens em 706 órbitas.
Em 1994, lançamento da missão STS-64 do vaivém Discovery.
Em 2006, lançamento da missão STS-115 do vaivém espacial Atlantis.
Observações: A Lua nasce a este-sudeste logo após o pôr-do-Sol. À medida que as estrelas aparecem, podemos ver que a Lua está entre o brilhante planeta Júpiter, a um par de punhos à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda, e o mais ténue planeta Saturno, mais distante, desta vez para cima e para a direita do nosso satélite natural

Dia 10/09: 253.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1857 nascia James Edward Keeler, astrónomo americano que realizou importantes trabalhos espectroscópicos em 120.000 nebulosas.

Em 1895, mostrou que três partes diferentes dos anéis de Saturno giravam a velocidades diferentes e que não eram corpos sólidos mas uma coleção de objetos pequenos em órbitas independentes.
Em 1858, George Mary Searle descobre o asteroide 55 Pandora.
Em 2008, o LHC no CERN, descrito como a maior experiência científica da História, é ligado em Genebra, Suiça.
Observações: Lua Cheia, pelas 10:59.

Dia 11/09: 254.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1877, nascia o astrónomo teórico inglês James Hopwood Jeans. Na primeira década do século XX, Jeans trabalhou nos fundamentos dos processos de colapso gravitacional, relevantes para a formação de sistemas solares, estrelas e galáxias.
Em 1985, o ICE, ou International Cometary Explorer, faz a primeira travessia da cauda de um cometa, uma passagem pelo Cometa 21P/Giacobini-Zinner. O objetivo principal da missão era estudar a interação entre o vento solar e a atmosfera cometária.
Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.

Observações: A Lua nasce pouco depois do anoitecer, com o planeta Júpiter agora brilhando logo para cima e para a sua direita

Dia 12/09: 255.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1725 nascia Guillaume Le Gentil, o astrónomo mais azarado de sempre.
Em 1959, a União Soviética lança a sonda Luna 2. Dois dias depois (14),  torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a atingir a Lua.

Em 1966, lançamento da Gemini 11, a penúltima missão do programa Gemini da NASA e a detentora do recorde atual de altitude humana (à excepção das missões lunares Apollo).
Em 1970, lançamento da soviética Luna 16, a primeira missão (não tripulada) a recolher amostras lunares e a enviá-las para a Terra. 
Em 1991, lançamento da missão STS-48 do vaivém Discovery, transportando o satélite UARS (Upper Atmosphere Research Satellite). 
Em 1992, lançamento da missão STS-47 do vaivém espacial Endeavour, a 50.ª missão dos vaivéns espaciais. A bordo estavam Mae Carol Jemison, a primeira mulher afro-americana no espaço, Mamoru Mohri, o primeiro cidadão japonês a voar uma nave americana, e Mark Lee e Jan Davis, o primeiro casal no espaço.
Em 1993, lançamento da missão STS-51 do vaivém espacial Discovery.
Em 2013, a NASA confirma que a sonda Voyager 1 se tornou no primeiro objeto feito pelo homem a entrar no espaço interestelar.
Observações: Vega passa perto do zénite ao início da noite, para aqueles que vivem a latitudes médias norte. Em comparação com o nosso Sol, Vega é 2,5 vezes maior, cerca de 1,7 vezes mais quente e 40 vezes mais brilhante. Mas, a uma distância de 25 anos-luz, está 1,6 milhões de vezes mais distante.

 
 
   
DART já vê o seu destino, o asteroide Didymos e a pequena lua Dimorphos

A nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA obteve recentemente o seu primeiro olhar de Didymos, o sistema de asteroide duplo que inclui o seu alvo, Dimorphos. No dia 26 de setembro, a DART vai colidir intencionalmente com Dimorphos, a pequena lua do asteroide Didymos. Embora o asteroide não represente uma ameaça para a Terra, este é o primeiro teste mundial da técnica de impacto cinético, usando uma nave espacial para desviar um asteroide para defesa planetária.

Esta imagem da luz do asteroide Didymos e da sua lua Dimorphos é uma composição de 243 exposições obtidas pelo instrumento DRACO (Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical navigation) no dia 27 de julho de 2022.

 
Esta imagem da luz do asteroide Didymos e da sua lua Dimorphos é uma composição de 243 imagens tiradas pelo instrumento DRACO (Didymos Reconnaissance and Asteroid Camera for Optical navigation) a 27 de jJulho de 2022.
Crédito: Equipa de Navegação DART no JPL da NASA
 

A partir desta distância - cerca de 32 milhões de quilómetros da DART - o sistema de Didymos ainda parece muito ténue e os especialistas da câmara de navegação não sabiam ao certo se o DRACO já seria capaz de detetar o asteroide. Mas assim que as 243 exposições que capturou durante esta sequência de observação foram combinadas, a equipa foi capaz de melhorar composição digitalmente para revelar Didymos e assim identificar a sua localização.

"Este primeiro conjunto de imagens está a ser usado como um teste para provar as nossas técnicas de imagem", disse Elena Adams, engenheira de sistemas da missão DART no APL (Applied Physics Laboratory) da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland. "A qualidade da imagem é semelhante à que poderíamos obter com telescópios terrestres, mas é importante mostrar que o DRACO está a funcionar corretamente e que pode ver o seu alvo para fazer quaisquer ajustes necessários antes de começarmos a utilizar as imagens para guiar a nave espacial para o asteroide de forma autónoma".

Embora a equipa já tenha realizado várias simulações de navegação utilizando imagens não-DRACO de Didymos, a DART dependerá em última análise da sua capacidade de ver e processar imagens de Didymos e Dimorphos, assim que a lua também possa ser observada, para guiar a nave espacial em direção ao asteroide, especialmente nas quatro horas finais antes do impacto. Nesse momento, a DART terá de se autonavegar para conseguir um impacto com sucesso com Dimorphos sem qualquer intervenção humana.

 
Impressão de artista da nave espacial DART e do pequeno LICIACube da agência espacial italiana antes do impacto no sistema de asteroide duplo Didymos e Dimorphos.
Crédito: NASA/APL, Johns Hopkins/Steve Gribben
 

"Vendo as imagens DRACO de Didymos pela primeira vez, podemos determinar as melhores configurações para o DRACO e assim afinar o software", disse Julie Bellerose, líder de navegação da DART no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Em setembro, vamos refinar para onde a DART está a apontar, obtendo uma determinação mais precisa de Didymos".

Utilizando observações feitas a cada cinco horas, a equipa DART vai executar três manobras de correção da trajetória ao longo das próximas semanas, cada uma das quais reduzirá ainda mais a margem de erro para a trajetória necessária da nave espacial até ao impacto. Após a manobra final de 25 de setembro, aproximadamente 24 horas antes da colisão, a equipa de navegação conhecerá a posição do alvo Dimorphos até com uma precisão até 2 quilómetros. A partir daí, a DART estará por sua conta para se orientar autonomamente na sua colisão com a lua do asteroide.

O instrumento DRACO observou subsequentemente Didymos durante observações planeadas nos dias 12 de agosto, 13 de agosto e 22 de agosto.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

DART (Double Asteroid Redirection Test):
NASA
Wikipedia
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Didymos e Dimorphos:
Didymos (Wikipedia)
Dimorphos (Wikipedia)

 
   
Dois novos mundos rochosos e temperados

Uma equipa internacional de investigação anunciou a descoberta de duas "super-Terras" em órbita de uma estrela a 100 anos-luz do nosso planeta. A equipa, que inclui astrónomos da Universidade de Birmingham, detetou os exoplanetas em órbita de LP 890-9, uma estrela pequena e fria.

Também chamada TOI-4306 ou SPECULOOS-2, é a segunda estrela mais fria que se sabe hospedar exoplanetas, depois da famosa TRAPPIST-1. Esta rara descoberta é o tema de uma futura publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

 
Impressão de artista que mostra a estrela vermelha e os seus dois planetas, juntamente com alguns dos telescópios utilizados para a descoberta. Os dados que levaram à descoberta estão ilustrados nos painéis solares do satélite TESS.
Crédito: Universidade de Birmingham/Amanda J. Smith
 

O planeta mais interior do sistema, chamado LP 890-9b, é cerca de 30% maior do que a Terra e completa uma órbita a cada 2,7 dias. Este primeiro planeta foi inicialmente detetado como um possível candidato pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, uma missão espacial em busca de exoplanetas em órbita de estrelas próximas. Este candidato foi confirmado e caracterizado pelos telescópios SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars), um dos quais é operado pela Universidade de Birmingham. Os investigadores do SPECULOOS utilizaram então os seus telescópios para procurar planetas adicionais em trânsito que não teriam sido observados pelo TESS.

"O TESS procura exoplanetas usando o método de trânsito, monitorizando o brilho de milhares de estrelas em simultâneo, procurando ligeiras quedas de brilho que possam ser provocadas pela passagem de planetas em frente das suas estrelas", explica Laetitia Delrez, investigadora pós-doutorada na Universidade de Liège e autora principal do artigo científico.

"Contudo, é frequentemente necessário um acompanhamento com telescópios terrestres para confirmar a natureza planetária dos candidatos detetados e refinar as medidas das suas dimensões e propriedades orbitais".

Este acompanhamento é particularmente importante no caso de estrelas muito frias, como LP 890-9, que emitem a maior parte da sua luz no infravermelho próximo e para o qual o TESS tem uma sensibilidade bastante limitada.

Os telescópios do projeto SPECULOOS, instalados no Observatório Paranal do ESO no Chile e na ilha de Tenerife, estão otimizados para observar este tipo de estrelas com alta precisão, graças a câmaras muito sensíveis no infravermelho próximo.

"O objetivo do SPECULOOS é a procura de planetas terrestres potencialmente habitáveis que transitam algumas das estrelas mais pequenas e frias na vizinhança solar, como o sistema planetário TRAPPIST-1, que descobrimos em 2016", recorda Michaël Gillon, da Universidade de Liège e investigador principal do projeto SPECULOOS. "Esta estratégia é motivada pelo facto de tais planetas estarem particularmente bem-adaptados a estudos detalhados das suas atmosferas e à procura de possíveis vestígios químicos de vida com grandes observatórios, como o Telescópio Espacial James Webb".

As observações de LP 890-9 recolhidas pelo SPECULOOS revelaram-se frutuosas, pois não só confirmaram o primeiro planeta, como foram fundamentais para a deteção de um segundo planeta, anteriormente desconhecido. Este segundo planeta, LP 890-9c (renomeado SPECULOOS-2c pelos investigadores do SPECULOOS), é semelhante em tamanho ao primeiro (40% maior que a Terra) mas tem um período orbital mais longo de cerca de 8,5 dias. Este período orbital, posteriormente confirmado com o instrumento MuSCAT3 no Hawaii, coloca o planeta na chamada "zona habitável" em torno da sua estrela.

"A zona habitável é um conceito sob o qual um planeta, com condições geológicas e atmosféricas semelhantes à Terra, teria uma temperatura superficial que permitiria à água permanecer líquida durante milhares de milhões de anos", explica Amaury Triaud, professor de Exoplanetologia na Universidade de Birmingham e líder do grupo de trabalho SPECULOOS que programou as observações conducentes à descoberta do segundo planeta. "Isto dá-nos uma licença para observar mais e descobrir se o planeta tem uma atmosfera e, em caso afirmativo, para estudar o seu conteúdo e avaliar a sua habitabilidade".

O passo seguinte será estudar a atmosfera deste planeta, por exemplo com o Telescópio Webb, para o qual LP 890-9c parece ser o segundo alvo mais favorável entre os planetas terrestres potencialmente habitáveis conhecidos até agora, ultrapassado apenas pelos planetas de TRAPPIST-1 (para os quais o professor Triaud foi também codescobridor).

"É importante detetar o maior número possível de mundos terrestres temperados para estudar a diversidade dos climas exoplanetários e, eventualmente, estar em posição de medir a frequência com que a biologia surgiu no Cosmos", acrescentou o professor Triaud.

// Universidade de Birmingham (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

SPECULOOS:
Página principal
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

 
   
O Telescópio Webb captura uma tarântula cósmica

Milhares de jovens estrelas nunca antes vistas foram avistadas num berçário estelar chamado 30 Doradus, capturado pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. Apelidada de Nebulosa da Tarântula devido ao aspeto dos seus filamentos empoeirados em imagens telescópicas anteriores, a nebulosa há muito que é uma das favoritas dos astrónomos que estudam a formação das estrelas. Além de estrelas jovens, o Webb revela distantes galáxias de fundo, bem como a estrutura detalhada e composição do gás e poeira da nebulosa.

 

Neste mosaico que se estende por 340 anos-luz, o NIRCam exibe a região da Nebulosa da Tarântula numa nova luz, incluindo dezenas de milhares de jovens estrelas nunca antes vistas que anteriormente estavam envoltas em poeira cósmica. A região mais ativa parece brilhar com estrelas jovens massivas, em tons de azul pálido. Espalhadas entre elas estão ainda estrelas embebidas, aparecendo vermelhas, ainda por emergir do casulo poeirento da nebulosa. O NIRCam é capaz de detetar estas estrelas empoeiradas graças à sua resolução sem precedentes em comprimentos de onda no infravermelho próximo.
Na parte superior esquerda do enxame de estrelas jovens, e no topo da cavidade da nebulosa, uma estrela mais velha exibe de forma proeminente os oito picos de difracção distintos do NIRCam, um artefacto da estrutura do telescópio. Seguindo o pico central superior desta estrela para cima, quase aponta para uma bolha distinta na nuvem. As jovens estrelas ainda rodeadas de material poeirento estão a soprar esta bolha, começando a esculpir a sua própria cavidade. Os astrónomos utilizaram dois espectrógrafos do Webb para observar mais de perto esta região e determinar a composição química da estrela e do gás que a rodeia. Esta informação espectral dirá aos astrónomos mais sobre a idade da nebulosa e quantas gerações de nascimento estelar já viu.
Mais longe da região central de estrelas jovens e quentes, o gás mais frio ganha a cor da ferrugem, dizendo aos astrónomos que a nebulosa é rica em hidrocarbonetos complexos. Este gás denso é o material que irá formar as futuras estrelas. À medida que os ventos das estrelas massivas varrem o gás e a poeira, parte vai acumular-se e, com a ajuda da gravidade, formarão novas estrelas.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI

 

A apenas 161.000 anos-luz de distância na Grande Nuvem de Magalhães, a Nebulosa da Tarântula é a maior e mais brilhante região de formação estelar no Grupo Local, as galáxias mais próximas da nossa Via Láctea. É o lar das estrelas mais quentes e massivas conhecidas. Os astrónomos focaram três dos instrumentos infravermelhos de alta resolução do Webb na Tarântula. Vista com o NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb, a região assemelha-se ao lar escavado de uma tarântula, forrado com a sua seda. A cavidade da nebulosa centrada na imagem do NIRCam foi esvaziada pela radiação borbulhante de um enxame de estrelas jovens massivas, que cintilam em azul pálido na imagem. Apenas as áreas circundantes mais densas da nebulosa resistem à erosão pelos poderosos ventos estelares destas estrelas, formando pilares que parecem apontar de volta para o enxame. Estes pilares contêm protoestrelas em formação, que acabarão por emergir dos seus casulos empoeirados e tomar a sua vez de esculpir a nebulosa.

 

Nos comprimentos de onda mais longos da luz capturada pelo seu instrumento MIRI, o Webb concentra-se na área em redor do enxame de estrelas centrais e revela uma visão muito diferente da Nebulosa da Tarântula. Nesta luz, o brilho das jovens estrelas quentes do enxame desvanecem e o gás e poeira ficam mais brilhantes. Abundantes hidrocarbonetos iluminam as superfícies de poeira, mostradas em azul e púrpura. Grande parte da nebulosa assume uma aparência mais fantasmagórica e difusa porque a radiação infravermelha média é capaz de mostrar mais do que está a acontecer mais profundamente dentro das nuvens. As protoestrelas ainda incorporadas aparecem no interior dos seus casulos empoeirados, incluindo um grupo brilhante na margem superior da imagem, à esquerda do centro.
Outras áreas aparecem escuras, como no canto inferior direito da imagem. Isto indica as áreas mais densas de poeira na nebulosa, que mesmo os comprimentos de onda infravermelhos médios não conseguem penetrar. Estes podem ser os locais de formação futura, ou atual, de estrelas.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI

 

O NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb apanhou uma estrela muito jovem a fazer exatamente isso. Os astrónomos pensavam anteriormente que esta estrela poderia ser um pouco mais velha e já no processo de limpar uma bolha à sua volta. Contudo, o NIRSpec mostrou que a estrela estava apenas a começar a emergir do seu pilar e ainda mantinha uma nuvem isolante de poeira em redor. Sem os espectros de alta resolução do Webb em comprimentos de onda infravermelhos, este episódio de formação estelar em ação não poderia ter sido revelado.

A região assume uma aparência diferente quando vista em comprimentos de onda infravermelhos mais longos, detetados pelo MIRI (Mid-infrared Instrument) do Webb. As estrelas quentes desvanecem e o gás e poeira mais frios brilham. Dentro das nuvens dos berçários estelares, pontos de luz indicam protoestrelas embebidas, ainda ganhando massa. Enquanto comprimentos de onda mais curtos são absorvidos ou dispersados por grãos de poeira na nebulosa e, portanto, nunca chegam ao Webb para serem detetados, os mais longos comprimentos de onda infravermelhos médios penetram essa poeira, em última análise revelando um ambiente cósmico nunca antes visto.

 

Comparação lado a lado da mesma região da Nebulosa da Tarântula que faz sobressair as diferenças entre as imagens no infravermelho próximo (próximo da cor vermelha no espectro visível, à esquerda) e médio (mais longe da cor vermelha no espectro visível, à direita) do Webb. Cada porção do espectro electromagnético revela e esconde características diferentes, tornando os dados em diferentes comprimentos de onda valiosos para os astrónomos para a compreensão da física em curso.
A imagem obtida pelo NIRCam do Webb (esquerda) apresenta características brilhantes e quentes, como o enxame cintilante de estrelas jovens massivas e a estrela brilhante à sua esquerda superior, apresentando os distintos picos de difração do Webb. Estrelas jovens e emergentes brilham a azul, enquanto pontos vermelhos dispersos indicam estrelas que ainda se encontram envoltas em poeira. A estrutura na nebulosa, esculpida pelos ventos estelares das enormes estrelas jovens, é intrincadamente detalhada.
Na vista do instrumento MIRI do Webb, as estrelas jovens quentes desvanecem e o gás mais frio é o foco da atenção. Grande parte da nebulosa assume uma aparência fantasmagórica no infravermelho médio, porque estes comprimentos de onda de luz mais longos são capazes de penetrar as nuvens de poeira e alcançar o Webb. Surgem bolhas anteriormente escondidas e estrelas empoeiradas. Uma bolha particularmente proeminente, de forma esférica - sendo soprada por uma estrela recém-nascida - aparece na imagem MIRI mesmo à direita do enxame de estrelas centrais agora escurecidas.
Outra diferença entre as duas imagens é o aparecimento da estrela brilhante e solitária no topo da cavidade da nebulosa. Na imagem MIRI (à direita) a estrela é mais fraca em relação à nebulosa circundante, pelo que o brilho e a distorção dos picos de difração do Webb são muito menos proeminentes.
No meio do enxame central de estrelas jovens, um aglomerado denso de gás é claramente visível em ambas as imagens - é um dos últimos e densos remanescentes da nebulosa que os ventos estelares das estrelas jovens do enxame ainda não corroeram.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI

 

Uma das razões pelas quais a Nebulosa da Tarântula é interessante para os astrónomos é que a nebulosa tem um tipo de composição química semelhante às gigantescas regiões de formação estelar observadas no "meio-dia cósmico" do Universo, quando o cosmos tinha apenas alguns milhares de milhões de anos e a formação de estrelas estava no seu auge. As regiões de formação estelar na nossa Galáxia, a Via Láctea, não produzem estrelas ao mesmo ritmo furioso que a Nebulosa da Tarântula e têm uma composição química diferente. Isto torna a Tarântula o exemplo mais próximo (ou seja, mais fácil de ver em detalhe) do que estava a acontecer no Universo ao atingir o seu brilhante "meio-dia". O Webb vai proporcionar aos astrónomos a oportunidade de comparar e contrastar as observações da formação estelar na Nebulosa da Tarântula com as observações profundas do telescópio de galáxias distantes aquando do verdadeiro meio-dia cósmico.

 
O NIRSpec do Webb revela o que se passa realmente numa região intrigante da Nebulosa da Tarântula. Os astrónomos focaram o poderoso instrumento no que parecia ser uma pequena bolha na imagem pelo NIRCam do Webb. No entanto, os espectros revelam uma imagem muito diferente de uma jovem estrela a soprar uma bolha no seu gás circundante.
A assinatura do hidrogénio atómico, mostrada a azul, aparece na própria estrela mas não imediatamente à sua volta. Em vez disso, aparece fora da "bolha", que os espectros mostram estar realmente "cheia" de hidrogénio molecular (verde) e hidrocarbonetos complexos (vermelho). Isto indica que a bolha é na realidade o topo de um denso pilar de poeira e gás que está a ser rebentado pela radiação do enxame de estrelas jovens massivas para baixo e para a sua direita (ver a imagem completa do NIRCam). Não aparece como um pilar como algumas outras estruturas na nebulosa, porque não há muito contraste de cor com a área que o rodeia.
O forte vento estelar das estrelas jovens massivas da nebulosa está a quebrar moléculas fora do pilar, mas no interior são preservadas, formando um casulo confortável para a estrela. Esta estrela é ainda demasiado jovem para estar a limpar o seu ambiente ao soprar bolhas - o NIRSpec capturou-a apenas começando a emergir da nuvem protectora a partir da qual foi formada. Sem a resolução do Webb no infravermelho, a descoberta deste nascimento estelar, em ação, não teria sido possível.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI
 

Apesar dos milhares de anos de observação astronómica da humanidade, o processo de formação estelar ainda guarda muitos mistérios - muitos deles devido à nossa incapacidade anterior de obter imagens nítidas do que estava a acontecer por detrás das espessas nuvens dos berçários estelares. O Webb já começou a revelar um Universo nunca antes visto e está apenas a começar a reescrever a história da formação estelar.

// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Space Sparks ep. 5: O Telescópio Webb captura uma tarântula cósmica (HubbleWebbESA via YouTube)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
SPACE.com
science alert
New Scientist
PHYSORG
CNN
Gizmodo

Formação estelar:
Wikipedia

30 Doradus (Nebulosa da Tarântula):
Wikipedia
SEDS

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
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Blog do JWST (NASA)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
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Álbum de fotografias - M51: A Galáxia do Redemoinho
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Fabian Neyer
 
Encontre a Ursa Maior e siga a "pega" da "frigideira" até chegar à sua última estrela. Depois, basta "deslizar" o telescópio um pouco para sul e oeste e encontrará este deslumbrante par de galáxias em interação, a 51.ª entrada no famoso catálogo de Charles Messier. Talvez a nebulosa espiral original, a grande galáxia com estrutura espiral bem definida, está também catalogada como NGC 5194. Os seus braços em espiral e faixas de poeira varrem claramente em frente da sua galáxia companheira (esquerda), NGC 5195. O par está a cerca de 31 milhões de anos-luz de distância e encontra-se oficialmente dentro dos limites angulares da pequena constelação de Cães de Caça. Em observações telescópicas diretas, M51 parece ténue e desfocada. Mas esta imagem de céu profundo mostra detalhes das cores marcantes da galáxia em interação e dos detritos galácticos de maré. A imagem inclui quase 90 horas de dados de banda estreita que também revela uma vasta nuvem de hidrogénio gasoso ionizado avermelhado descoberto no sistema de M51.
 
   
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