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Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1972  
  31/01 a 02/02/2023  
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
O Género das Estrelas

Data: 9 de fevereiro de 2023
Hora: 18:30-20:30
Nesta sessão que decorre poucos dias antes do dia internacional das mulheres e das raparigas na ciência, convidamos uma investigadora e um investigador a explicar como estudam as suas estrelas favoritas e o que nelas descobrem, com um especial destaque para as suas denominações. Depois deste diálogo, faremos observação astronómica com telescópio para também termos contacto visual com alguns segredos estelares.
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 31/01: 31.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1862, Alvan Graham Clark Jr. descobre a ténue companheira de Sirius, de nome Sirius B, durante testes de um refrator de 18 polegadas que estava a ser construído para o Observatório Dearborn pelo seu pai, irmão, e por ele próprio. Friedrich Bessel propôs a existência de uma companheira invisível em 1844.
Em 1961, era lançada a Mercury-Redstone 2 - com o chimpanzé Ham a bordo.

Foi o primeiro hominídeo no espaço.
Em 1966, lançamento da soviética Luna 9. Realizou a primeira aterragem com sucesso noutro corpo planetário.
Em 1971, lançamento da Apollo 14, a terceira missão tripulada à Lua. 
Em 1996, era descoberto o cometa Hyakutake pelo astrónomo amador japonês, Yuji Hiakutake.
HOJE, NO COSMOS:
Logo após o anoitecer, volte-se para este e procure, bem alta, a estrela Capella. Para a sua direita, a dois dedos à distância do braço esticado, está um pequeno e estreito triângulo de estrelas de 3.ª e 4.ª magnitudes conhecido como "As Crianças". Não são propriamente notáveis, mas formam um bonito asterismo com Capella. Binóculos ajudam a ver o asterismo por entre o luar.

 

DIA 01/02: 32.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1958, era lançado o Explorer I, o primeiro satélite artificial americano. Transmitiu dados sobre micrometeoritos e radiação cósmica durante 105 dias. A missão resultou na descoberta das cinturas de radiação Van Allen por James Van Allen.
Em 1999, voo rasante n.º 19 da sonda Galileu por Europa.
Em 2003, o vaivém espacial Columbia desintegra-se durante a sua reentrada na atmosfera terrestre, matando os sete astronautas a bordo: Rick D. Husband, William C. McCool, Michael P. Anderson, Ilan Ramon, Kalpana Chawla, David M. Brown e Laurel Clark. 

HOJE, NO COSMOS:
O Cometa ZTF E3 está praticamente na sua distância mínima à Terra e no seu pico máximo previsto de brilho. Mas terá apenas cerca de uma ou duas horas de céu escuro entre o pôr-da-Lua e o amanhecer de quarta-feira. Tente observá-lo, de preferência com binóculos ou um telescópio, cerca de duas horas e meia antes do nascer-do-Sol. O cometa, agora na direção da constelação de Girafa, estará alto a norte-noroeste, cerca de 17º para a esquerda da Estrela Polar. Recorra a esta página para ajuda suplementar.

 

DIA 02/02: 33.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1964, a sonda norte-americana Ranger 6 chegava à Lua. 
Em 2004 é detetado pela primeira vez oxigénio e carbono na atmosfera de um exoplaneta, HD 209458b.
No mesmo ano, os picos de Columbia Hills em Marte recebem os nomes dos sete astronautas que morreram no desastre do Columbia (STS-107) de 1 de fevereiro de 2003.

O rover Spirit passou vários anos a explorar Columbia Hills até deixar de funcionar em 2010.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha no coração de Gémeos, formando um triângulo quase isósceles com Castor e Pollux para a sua esquerda.
Aviste o grande e brilhante Triângulo de Inverno a sudeste, para baixo da Lua. Sirius é a mais brilhante e a mais baixa das três estrelas. Betelgeuse fica para cima e um pouco para a direita de Sirius, cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Para a sua esquerda brilha Procyon.
Consegue discernir as suas cores? Sirius (tipo espectral A0) é branca como a neve, Betelgeuse (M2) é amarelo-alaranjada e Procyon (F5) é branca com um ligeiro tom de amarelo.
E, cerca de 4º por cima de Procyon, está a estrela de terceira magnitude Gomeisa, ou Beta Canis Minoris, a outra única estrela visível a olho nu da constelação de Cão Menor (para a semana será mais fácil de observar, sem a presença da Lua).

 
 
   
Fermi da NASA deteta eclipses de raios-gama em sistemas estelares "aranha"
 
Uma estrela em órbita começa a eclipsar a sua parceira, um remanescente estelar de rotação rápida e superdensa chamado pulsar, nesta ilustração. O pulsar emite feixes de luz em vários comprimentos de onda que aparecem e desaparecem do nosso ponto de vista e produzem fluxos que aquecem o lado da companheira virado para o pulsar, soprando material e corroendo a sua parceira.
Crédito: NASA/Universidade Estatal de Sonoma, Aurore Simonnet
 

Utilizando dados do Telescópio Espacial Fermi da NASA, os cientistas descobriram os primeiros eclipses de raios-gama de um tipo especial de sistema estelar binário. Estes chamados sistemas de aranha contêm cada um deles um pulsar - os remanescentes superdensos e de rotação rápida de uma estrela que explodiu como supernova - que lentamente corrói a sua companheira.

Uma equipa internacional de cientistas examinou mais de uma década de observações do Fermi para encontrar sete aranhas que sofrem estes eclipses, que ocorrem quando a estrela companheira de baixa massa passa em frente do pulsar a partir do nosso ponto de vista. Os dados permitiram-lhes calcular como os sistemas estão inclinados em relação à nossa linha de visão e outras informações.

"Um dos objetivos mais importantes do estudo destes sistemas de aranha é tentar medir as massas dos pulsares", disse Colin Clark, astrofísico do Instituto Max Planck para Física Gravitacional em Hannover, Alemanha, que liderou o trabalho. "Os pulsares são basicamente bolas da matéria mais densa que podemos medir. A massa máxima que podem atingir limita a física dentro destes ambientes extremos, que não podem replicados na Terra".

O artigo científico sobre o estudo foi publicado na edição de 26 de janeiro da revista Nature Astronomy.

Os sistemas de aranha desenvolvem-se porque uma estrela num binário evolui mais rapidamente do que a sua parceira. Quando a estrela massiva se transforma em supernova, deixa para trás um pulsar. Este remanescente estelar emite feixes em vários comprimentos de onda, incluindo raios-gama, que entram e saem do nosso ponto de vista, criando pulsos tão regulares que rivalizam a precisão dos relógios atómicos.

Desde cedo que um pulsar aranha "alimenta-se" da sua companheira, desviando um fluxo de gás. À medida que o sistema evolui, a alimentação pára quando o pulsar começa a girar mais rapidamente, gerando fluxos de partículas e radiação que sobreeaquecem o lado virado para a companheira e a corroem.

Os cientistas dividem os sistemas de aranha em dois tipos com o nome de espécies de aranhas cujas fêmeas por vezes comem os seus companheiros mais pequenos. As viúvas negras contêm companheiras com menos de 5% da massa do Sol. Os sistemas correspondentes às aranhas de "lista vermelha" (o equivalente australiano da viúva negra, as chamadas "redbacks") albergam companheiras maiores, tanto em tamanho como em massa, tendo entre 10% e 50% da massa do Sol.

"Antes do Fermi, só conhecíamos um punhado de pulsares que emitiam raios-gama", disse Elizabeth Hays, cientista do projeto Fermi no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Após mais de uma década de observações, a missão identificou mais de 300 e recolheu um longo e quase ininterrupto conjunto de dados que permite à comunidade fazer ciência pioneira".

Os investigadores podem calcular as massas dos sistemas de aranha medindo os seus movimentos orbitais. As observações, no visível, podem medir a rapidez com que a companheira está a viajar, enquanto as medições no rádio revelam a velocidade do pulsar. No entanto, estas dependem do movimento para e longe de nós. Para um sistema visto quase de face, tais alterações são ligeiras e potencialmente confusas. Os mesmos sinais também podem ser produzidos por um sistema mais pequeno, mais lento, que é visto de lado. Para medir as massas, é vital conhecer a inclinação do sistema em relação à nossa linha de visão.

O ângulo de inclinação é normalmente medido utilizando luz visível, mas estas medições vêm com algumas potenciais complicações. À medida que a companheira orbita o pulsar, o seu lado superaquecido entra e sai de vista, criando uma flutuação no visível que depende da inclinação. No entanto, os astrónomos ainda estão a aprender mais sobre o processo de superaquecimento e modelos com padrões diferentes de aquecimento preveem por vezes massas diferentes para os pulsares.

Os raios-gama, porém, são apenas gerados pelo pulsar e têm tanta energia que viajam em linha reta, sem serem afetados pelos detritos, a menos que sejam bloqueados pela companheira. Caso os raios-gama desapareçam do conjunto de dados de um sistema aranha, os cientistas podem inferir que a companheira eclipsou o pulsar. A partir daí, podem calcular a inclinação do sistema em relação ao nosso ponto de vista, as velocidades das estrelas e a massa do pulsar.

PSR B1957+20, ou B1957 para abreviar, foi a primeira viúva negra conhecida, descoberta em 1988. Modelos anteriores para este sistema, construídos a partir de observações óticas, determinaram que a sua inclinação em relação ao nosso ponto de vista era de cerca de 65 graus e a massa do pulsar era 2,4 vezes superior à do Sol. Isto tornaria B1957 o pulsar mais massivo conhecido, encontrando-se no limite teórico de massa entre os pulsares e os buracos negros.

Ao olhar para os dados do Fermi, Clark e a sua equipa encontraram 15 fotões de raios-gama em falta. O "timing" dos pulsos de raios-gama destes objetos é tão fiável que 15 fotões em falta, ao longo de uma década, são suficientemente significativos para que a equipa possa determinar que o sistema está a ser eclipsado. Calcularam então que o binário está inclinado 84 graus e que o pulsar tem apenas 1,8 vezes a massa do Sol.

"Estamos à procura de pulsares massivos e pensa-se que estes sistemas aranha são uma das melhores formas de os encontrar", disse Matthew Kerr, coautor do novo artigo científico e físico no Laboratório de Investigação Naval dos EUA em Washington. "Eles sofreram um processo muito extremo de transferência de massa da estrela companheira para o pulsar. Assim que estes modelos fiquem realmente aperfeiçoados, saberemos com certeza se estes sistemas de aranha são mais massivos do que o resto da população de pulsares".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Física Gravitacional (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
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UPI

Pulsares:
Wikipedia
Catálogo ATNF de Pulsares
Pulsar "redback" (PDF)
Pulsar viúva negra (Wikipedia)

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

 
   
Webb espia sistema de anéis de Chariklo com técnica de alta precisão
 
Impressão de artista do aspeto do centauro Chariklo e dos seus anéis, com base no nosso conhecimento atual.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Leah Hustak (STScI)
 

Num feito observacional de alta precisão, os cientistas utilizaram uma nova técnica com o Telescópio Espacial James Webb da NASA para capturar as sombras da luz estelar provocadas pelos finos anéis de Chariklo. Chariklo é um corpo gelado e pequeno, mas o maior da população conhecida de centauros, localizado a mais de 3,2 mil milhões de quilómetros para lá da órbita de Saturno. Chariklo tem apenas 250 quilómetros em diâmetro ou cerca de 51 vezes mais pequeno que a Terra, e os seus anéis orbitam a uma distância de cerca de 400 quilómetros do centro do corpo.

Em 2013, Felipe Braga-Ribas e colaboradores, usando telescópios terrestres, descobriram que Chariklo hospeda um sistema de dois anéis finos. Tais anéis eram esperados apenas em torno de grandes planetas como Júpiter e Neptuno. Os astrónomos estavam a observar uma estrela quando Chariklo passou à sua frente, bloqueando a luz estelar como tinham previsto. Os astrónomos chamam a este fenómeno uma ocultação. Para sua surpresa, a estrela "piscou" duas vezes antes de desaparecer por trás de Chariklo, e "piscou" novamente duas vezes depois da ocultação pelo centauro. Os piscares foram provocados por dois anéis finos - os primeiros anéis alguma vez detetados em torno de um pequeno objeto do Sistema Solar.

 
Este vídeo mostra observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA de uma estrela (fixa no centro do vídeo) enquanto Chariklo passa em frente a ela. O vídeo é composto por 63 observações individuais com a NIRCam do Webb a 1,5 micrómetros, obtidas ao longo de ~1 hora no dia 18 de outubro de 2022. Uma análise cuidada da luminosidade da estrela revela que os anéis do sistema de Chariklo foram claramente detetados.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Nicolás Morales (IAA/CSIC)
 

Pablo Santos-Sanz, do Instituto de Astrofísica da Andaluzia em Granada, Espanha, tem um programa aprovado de "Alvo de Oportunidade" (programa 1271) para tentar uma observação de uma ocultação como parte do GTO (Guaranteed Time Observations) do Webb liderado por Heidi Hammel da Associação de Universidades para a Investigação em Astronomia. Por notável sorte, descobriram que Chariklo estava no caminho certo para tal evento de ocultação em outubro de 2022. Esta foi a primeira tentativa de ocultação estelar com o Webb. Muito trabalho árduo foi feito para identificar e refinar as previsões para este acontecimento invulgar.

No dia 18 de outubro, utilizaram o instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb para monitorizar atentamente a estrela Gaia DR3 6873519665992128512, e vigiar as quedas de brilho indicando a ocorrência de uma ocultação. As sombras produzidas pelos anéis de Chariklo foram claramente detetadas, demonstrando uma nova forma de utilização do Webb para explorar objetos do Sistema Solar. A sombra estelar devido a Chariklo, propriamente dito, foi rastreada fora do alcance do Webb. Este apulso (o termo técnico para uma passagem próxima sem ocultação) foi exatamente como tinha sido previsto após a última manobra de trajetória do Webb.

A curva de luz da ocultação do Webb, um gráfico do brilho de um objeto ao longo do tempo, revelou que as observações foram bem-sucedidas! Os anéis foram capturados exatamente como previsto. As curvas de luz da ocultação vão fornecer nova ciência para os anéis de Chariklo. Santos-Sanz explicou: "Ao analisarmos os dados, vamos explorar se resolvemos de forma limpa os dois anéis. A partir das formas das curvas de luz da ocultação dos anéis, vamos também explorar a espessura dos anéis, os tamanhos e cores das partículas dos anéis e muito mais. Esperamos obter informações sobre a razão pela qual este pequeno corpo até tem anéis e talvez detetar novos anéis mais fracos".

 
Uma curva de luz da ocultação, pela NIRCam do Webb a 1,5 micrómetros, mostra as quedas do brilho estelar (da estrela Gaia DR3 6873519665992128512) enquanto os anéis de Chariklo passavam à sua frente no dia 18 de outubro. Como se pode ver na ilustração do evento de ocultação, a estrela não passou por trás de Chariklo, a partir do ponto de vista do Webb, mas passou por trás dos seus anéis. Cada queda corresponde na realidade às sombras de dois anéis em redor de Chariklo, que têm 6-7 quilómetros e 2-4 quilómetros de largura, e separados por 9 quilómetros. Os dois anéis individuais não são totalmente resolvidos em cada mergulho nesta curva de luz.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Leah Hustak (STScI); ciência - Pablo Santos-Sanz (IAA/CSIC), Nicolás Morales (IAA/CSIC), Bruno Morgado (UFRJ, ON/MCTI, LIneA)
 

Os anéis são provavelmente compostos por pequenas partículas de água gelada misturadas com material escuro, detritos de um corpo gelado que colidiu com Chariklo no passado. Chariklo é demasiado pequeno e está demasiado distante para até o Webb fotografar diretamente os anéis separados do corpo principal, pelo que as ocultações são a única ferramenta que conseguem caracterizar os anéis por si só.

Pouco depois da ocultação, o Webb visou novamente Chariklo, desta vez para recolher observações da luz solar refletida por Chariklo e pelos seus anéis (programa GTO 1272). O espectro do sistema mostra três bandas de absorção de água gelada no sistema de Chariklo. Noemí Pinilla-Alonso, que liderou as observações espectroscópicas de Chariklo pelo Webb, explicou: "Os espectros por telescópios terrestres tinham sugerido este gelo, mas a qualidade requintada do espectro obtido pelo Webb revelou pela primeira vez a assinatura clara de gelo cristalino". Dean Hines, o principal investigador deste segundo programa GTO, acrescentou: "Dado que as partículas altamente energéticas transformam o gelo de um estado cristalino para um estado amorfo, a deteção de gelo cristalino indica que o sistema de Chariklo sofre microcolisões que ou expõem o material intacto ou desencadeiam processos de cristalização".

 

O Webb capturou um espectro, com o seu instrumento NIRSpec, do sistema de Chariklo no dia 31 de outubro, pouco depois da ocultação. Este espectro mostra evidências claras de água gelada cristalina, que só foi sugerido por observações anteriores obtidas no solo.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Leah Hustak (STScI); ciência - Noemí Pinilla-Alonso (FSI/UCF), Ian Wong (STScI), Javier Licandro (IAC)

 

A maior parte da luz refletida no espectro é do próprio Chariklo: os modelos sugerem que a área dos anéis, tal como observada pelo Webb durante estas observações, corresponde provavelmente a um-quinto da área do próprio corpo. A alta sensibilidade do Webb, em combinação com modelos detalhados, pode permitir-nos separar a assinatura do material dos anéis da assinatura de Chariklo. Pinilla-Alonso comentou que "ao observar Chariklo com o Webb durante vários anos, à medida que o ângulo de visão dos anéis muda, podemos ser capazes de isolar a contribuição dos próprios anéis".

A observação bem-sucedida da curva de luz da ocultação e as observações espectroscópicas abrem a porta para um novo meio de caracterizar objetos pequenos no Sistema Solar distante nos próximos anos. Com a alta sensibilidade e capacidade infravermelha do Webb, os cientistas podem utilizar o retorno científico único fornecido pelas ocultações e melhorar estas medições com espectros quase contemporâneos. Tais ferramentas vão constituir um trunfo tremendo para os cientistas que estudam corpos pequenos e distantes no nosso Sistema Solar.

Nota: a ciência aqui detalhada ainda não sofreu revisão por pares.

// NASA (blog)
// STScI (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
28/03/2014 - Primeiro sistema de anéis descoberto em torno de um asteroide

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
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10199 Chariklo:
Wikipedia
Anéis de Chariklo (Wikipedia)

Centauros:
Wikipedia
Lista de Centauros (UAI)

Ocultação astronómica:
Wikipedia
Ocultação por asteróides
International Occultation Timing Association

Apulso:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
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Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Equipa da missão Lucy da NASA anuncia novo alvo
 
Impressão de artista da sonda Lucy da NASA a passar perto de um asteroide troiano.
Crédito: NASA/SwRI/Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
 

A nave espacial Lucy da NASA vai acrescentar mais outro encontro com um asteroide à sua viagem de 6,4 mil milhões de quilómetros. No dia 1 de novembro de 2023, a Lucy vai obter uma vista detalhada de um pequeno asteroide da cintura principal para realizar um teste de engenharia do seu inovador sistema de navegação de rastreio de asteroides.

A missão Lucy já está a bater recordes ao planear visitar nove asteroides durante a sua digressão de 12 anos pelos asteroides troianos de Júpiter, que orbitam o Sol à mesma distância que o gigante gasoso. Originalmente, a Lucy não estava programada para obter uma visão de perto de quaisquer asteroides até 2025, quando passar pelo asteroide (52246) Donaldjohanson da cintura de asteroides. No entanto, a equipa da Lucy identificou um pequeno asteroide, ainda sem nome, na cintura principal, designado (152830) 1999 VD57, como um potencial alvo novo e útil para a nave espacial.

"Existem milhões de asteroides na cintura principal de asteroides", disse Raphael Marschall, colaborador da Lucy no Observatório de Nice na França, que identificou o asteroide 1999 VD57 como um objeto de especial interesse para a Lucy. "Selecionei 500.000 asteroides com órbitas bem definidas para ver se a Lucy poderia estar a viajar suficientemente perto para ver bem qualquer um deles, mesmo a partir de alguma distância. Este asteroide destacou-se de todos os outros da lista. A trajetória da Lucy, tal como originalmente concebida, fará com que passe a pouco mais de 64.000 quilómetros do asteroide, pelo menos três vezes mais perto do que o seguinte asteroide da lista".

A equipa da Lucy percebeu que, ao acrescentar uma pequena manobra, a sonda seria capaz de obter um olhar ainda mais de perto deste asteroide. Assim, no dia 24 de janeiro, a equipa acrescentou-o oficialmente à digressão da Lucy como um teste de engenharia do pioneiro sistema de rastreio da nave. Este novo sistema resolve um problema de longa data para missões de "flyby": durante a aproximação de uma nave espacial a um asteroide, é bastante difícil determinar a que distância está do objeto e exatamente para onde apontar as câmaras.

 
À medida que a sonda Lucy da NASA percorre a fronteira interior da cintura principal de asteroides no outono de 2023, a nave passará pelo pequeno asteroide, ainda sem nome, (152830) 1999 VD57. Este gráfico mostra uma vista de cima-para-baixo do Sistema Solar, indicando a trajetória da nave pouco antes do encontro de 1 de novembro.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
 

"No passado, a maior parte das missões de 'flyby' tiveram esta incerteza em conta ao tirarem muitas imagens da região onde o asteroide poderia estar, o que significa baixa eficiência e muitas imagens de espaço em branco", disse Hal Levison, investigador principal da Lucy no SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "A Lucy será a primeira missão a utilizar este sistema inovador e complexo para localizar automaticamente o asteroide durante o encontro. Este sistema permitirá à equipa tirar muitas mais imagens do alvo".

Acontece que 1999 VD57 proporciona uma excelente oportunidade para validar este procedimento nunca antes utilizado. A geometria deste encontro - especialmente o ângulo a que a nave se aproxima do asteroide em relação ao Sol - é muito semelhante ao dos encontros planeados com os asteroides troianos. Isto permite à equipa realizar um ensaio geral em condições semelhantes muito antes dos principais alvos científicos da nave espacial.

Este asteroide não foi identificado como um alvo mais cedo porque é extremamente pequeno. De facto, 1999 VD57, com um tamanho estimado de apenas 700 metros, será o asteroide da cintura principal mais pequeno alguma vez visitado por uma nave espacial. É muito mais parecido em tamanho com os asteroides que passam perto da Terra e visitados pelas recentes missões OSIRIS-REx e DART da NASA, do que os asteroides da cintura principal visitados anteriormente.

A equipa da Lucy realizará uma série de manobras a partir do início de maio de 2023 para colocar a nave espacial numa trajetória que a fará passar aproximadamente a 450 km deste pequeno asteroide.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão Lucy pelo CCVAlg - Astronomia:
19/08/2022 - Equipa da missão Lucy da NASA descobre lua em torno do asteroide Polimel
01/10/2021 - Missão Lucy da NASA prepara-se para viajar até aos asteroides troianos
13/11/2018 - Trabalho de detetive cósmico: a importância das rochas espaciais
14/09/2018 - Cientistas encontram evidências de escaramuça planetária precoce

Asteroide (152830) 1999 VD57:
NASA
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroide (52246) Donaldjohanson:
NASA
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroides troianos:
Wikipedia

Missão Lucy:
NASA
Wikipedia

 
   
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Álbum de fotografias
Cometa ZTF: Travessia do Plano Orbital

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dan Bartlett
 
O atual "querido" da noite do hemisfério norte, o Cometa C/2022 E3 ZTF foi capturado aqui nesta imagem telescópica a partir de um local com céu escuro em June Lake, Califórnia, EUA. O Cometa ZTF tem vindo a brilhar cada vez mais nos últimos dias, dirigindo-se para a sua maior aproximação da Terra no dia 1 de fevereiro. Mas esta vista foi obtida no dia 23 de janeiro, muito perto da altura em que o planeta Terra cruzou o plano orbital do cometa de longo período. A larga e esbranquiçada cauda de poeira do cometa ainda está curvada e afastada da direção do Sol à medida que o Cometa ZTF percorre a sua órbita. Devido à perspetiva, perto da travessia do plano orbital, os componentes da cauda de poeira aparecem em ambos os lados da cabeleira verde do cometa, para dar ao Cometa ZTF uma anticauda visualmente impressionante (esquerda). Fustigada pela atividade solar, a mais estreita cauda de iões do cometa também se afasta da cabeleira, mas diagonalmente para a direita, através do campo de visão com quase três graus de diâmetro.
 
   
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