Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1975  
  10/02 a 13/02/2023  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 10/02: 41.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1974, "flyby" da Mars 4 por Marte. Falha a inserção orbital.
Em 2009, os satélites de comunicação Iridium 33 e Kosmos-2251 colidem em órbita, resultando na destruição de ambos.

HOJE, NO COSMOS:
Sirius brilha a sudeste depois da hora de jantar, para baixo de Orionte. É a estrela mais brilhante da constelação de Cão Maior. Num céu escuro com muitas estrelas visíveis, os pontos da constelação podem ser ligados de forma a formar um convincente perfil de cão. Sirius encontra-se no seu peito, para baixo e para a direita da sua ténue cabeça triangular.
Mas, sob um céu com poluição luminosa, só são facilmente visíveis cinco das suas estrelas mais brilhantes. Estas formam o asterismo do Cutelo. Sirius assinala é o topo da parte da frente da lâmina e a sua pequena "pega" está para baixo e para a esquerda.

 

DIA 11/02: 42.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1970, lançamento do Lambda 4S-5, o primeiro satélite japonês.
Em 1997, o vaivém espacial Discovery é lançado numa missão com o objetivo de reparar o Hubble.

Em 1999, Plutão torna-se novamente mais distante que Neptuno e, consequentemente, no planeta mais longínquo do Sistema Solar (classificação alterada para planeta anão em 2006). Só em abril de 2231 é que Plutão voltará a ficar mais perto do Sol que Neptuno.
Em 2000, lançamento da missão STS-99 do vaivém Endeavour
HOJE, NO COSMOS:
Antes do amanhecer observe, a sul, a Lua que se encontra para cima da estrela Espiga, em Virgem.
Esta semana, logo após o cair da noite, o "W" de Cassiopeia brilha alto a noroeste, apoiado quase de lado. A estrela mais brilhante entre Cassiopeia e o zénite a esta altura, para latitudes médias norte, é Alpha Persei (Mirfak), de magnitude 1,8. Situa-se no limite do enxame Alpha Persei: um grupo largo e solto de estrelas ténues com mais ou menos o tamanho da ponta do polegar à distância do braço esticado. Pelo menos uma dúzia têm magnitude 6 ou mais brilhantes. Aparecem melhor através de binóculos.
Mirfak, uma supergigante branca, é um membro verdadeiro do grupo e o seu ponto mais brilhante. O resto fica a cerca de 560 anos-luz de distância.

 

DIA 12/02: 43.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1947, um meteoro cria uma cratera de impacto em Sikhote-Alin, na União Soviética.
Em 1961, era lançada a sonda soviética Venera 1, para Vénus.
Em 1974, a soviética Mars 5 entra em órbita de Marte. No entanto, falha poucos dias depois. 
Em 2001, a sonda NEAR Shoemaker tornava-se a primeira nave humana a pousar num asteroide, de nome 433 Eros.

HOJE, NO COSMOS:
Alta no céu do hemisfério norte por estas noites, no "deserto" aparentemente vazio entre Capella e a Estrela Polar, encontra-se a grande e ténue constelação da Girafa - talvez a maior constelação frequentemente visível que geralmente não observamos. A menos que tenhamos um céu realmente escuro, precisamos de binóculos para discernir o seu padrão solto, ténue e sem descrição, usando um mapa celeste - um desafio que irá construir as suas capacidades de relacionar corretamente o que vê nos binóculos com o que vê, muito mais pequeno, num mapa. Se é "novo" nisto, convém começar com constelações mais brilhantes e fáceis. Guarde a tímida Girafa para outra altura.

 

DIA 13/02: 44.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1633, Galileu Galilei chegava a Roma para ser julgado pela Inquisição.

Em 1852, nascia John Louis Emil Dreyer, astrónomo cuja principal contribuição foi o catálogo NGC em 1878. 
Em 2004, o Centro para Astrofísica Harvard-Smithsonian descobre o maior diamante conhecido do Universo, a anã branca BPM 37093. Os astrónomos dão-lhe o nome "Lucy" por causa da canção "Lucy in the Sky with Diamonds" dos Beatles.
Em 2012, a Agência Espacial Europeia (ESA) leva a cabo o primeiro lançamento do foguetão europeu Vega a partir de Kourou, na Guiana Francesa. 
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 16:01.
Aproveite o início da noite para observar o planeta Vénus, baixo a oeste, seguido por Júpiter, que se encontra para cima e um pouco para a esquerda. Marte está mais alto e faz um triângulo com Aldebarã (para baixo) e com as Plêiades (para a direita).
Já que anda a observar nesta zona, tente observar com binóculos o Cometa C/2022 E3 (ZTF), que viaja para a esquerda das Híades (muito perto de NGC 1657).

 
 
   
CHEOPS encontra, inesperadamente, um anel em torno do planeta anão Quaoar

Durante uma pausa na observação de planetas em torno de outras estrelas, a missão CHEOPS (CHaracterising ExOPlanet Satellite) da ESA observou um planeta anão no nosso próprio Sistema Solar e deu um contributo decisivo para a descoberta de um denso anel de material à sua volta.

O planeta anão é conhecido como Quaoar. A presença de um anel a uma distância de quase sete vezes e meia o raio de Quaoar abre um mistério para os astrónomos resolverem: porque é que este material não coalesceu numa pequena lua?

 
Ilustração do sistema Quaoar em frente de um fundo de estrelas brancas. No centro da figura encontra-se um objeto acastanhado. Este é Quaoar, um planeta anão no Sistema Solar exterior. A uma distância de cerca de cinco vezes o seu raio, situa-se um anel. Este anel é constituído por pequenos pedaços de detritos cinzentos. A duas vezes a distância do anel, à esquerda de Quaoar, situa-se a sua lua Weywot. Weywot parece ter cerca de um-sexto do tamanho de Quaoar, mas tem a mesma cor acastanhada. À direita deste sistema vemos uma estrela brilhante. Esta estrela é maior do que as estrelas de fundo e representa o distante Sol.
Crédito: ESA
 

Como observar objetos distantes no Sistema Solar

O anel foi descoberto através de uma série de observações que tiveram lugar entre 2018 e 2021. Utilizando uma coleção de telescópios terrestres e o telescópio espacial CHEOPS, os astrónomos assistiram à passagem de Quaoar em frente a uma sucessão de estrelas distantes, bloqueando brevemente a sua luz.

Tal evento é conhecido como uma ocultação. Observar como a luz da estrela ocultada diminui de brilho fornece informações sobre o tamanho e forma do objeto no plano da frente e pode revelar se tem ou não uma atmosfera. Neste caso, quedas mais pequenas antes e depois da ocultação principal traíram a presença de material em órbita de Quaoar.

Quaoar faz parte de uma coleção de mundos pequenos e distantes conhecidos como objetos transneptunianos (OTNs). Conhecem-se cerca de 3000. Como o nome sugere, os OTNs encontram-se nos confins do Sistema Solar, para lá da órbita do planeta Neptuno. Os maiores dos OTNs são Plutão e Éris. Com um raio estimado em 555 km, Quaoar ocupa o número sete da lista de tamanhos e é orbitado por uma pequena lua chamada Weywot, com um raio de aproximadamente 80 km.

O estudo destes planetas anões é difícil devido às suas pequenas dimensões e distâncias extremas. O próprio Quaoar orbita o Sol a quase 44 vezes a distância Sol-Terra. Portanto, as ocultações são ferramentas particularmente valiosas. Até há pouco tempo, porém, era difícil prever exatamente quando e onde teriam lugar.

Para que uma ocultação ocorra, o alinhamento entre o objeto interveniente (neste caso, o OTN), a estrela e o telescópio tem que ser extremamente preciso. No passado, tem sido quase impossível cumprir os rigorosos requisitos de precisão para se ter a certeza de ver um evento. No entanto, para alcançar este objetivo foi criado o projeto Lucky Star do ERC (European Research Council), coordenado por Bruno Sicardy, da Universidade de Sorbonne e do Observatório de Paris - PSL (LESIA), para prever as próximas ocultações por OTNs e para coordenar a observação destes eventos com observatórios profissionais e amadores de todo o mundo.

Alinhamento preciso

Recentemente, o número de ocultações estelares observadas tem vindo a aumentar. Isto deve-se, em grande parte, à contribuição dos dados da missão de mapeamento Gaia da ESA. A nave espacial proporcionou uma precisão tão impressionante nas suas posições estelares que as previsões feitas pela equipa do Lucky Star se tornaram muito mais precisas.

Uma das pessoas envolvidas no projeto Lucky Star é Isabella Pagano do Observatório Astrofísico de Catania do INAF, em Itália, membro da Direção do CHEOPS. Isabella foi contactada por Kate Isaak, cientista do projeto CHEOPS da ESA, que estava curiosa em saber se o telescópio espacial também seria capaz de observar uma ocultação.

"Eu estava um pouco cética quanto à possibilidade de o fazer com o CHEOPS", admite Isabella, "mas investigámos a viabilidade".

O problema principal era que a trajetória do satélite pode ser ligeiramente modificada devido ao arrasto nas partes superiores da atmosfera da Terra. Isto deve-se à imprevisibilidade da atividade solar que pode atingir o nosso planeta e "inchar" a sua atmosfera.

De facto, da primeira vez que a equipa tentou observar uma ocultação com o CHEOPS, que envolveu Plutão, a previsão não era suficientemente precisa, pelo que não pôde ser observada nenhuma ocultação.

Contudo, o alinhamento foi mais favorável na segunda tentativa, quando observaram Quaoar. Durante esta observação, fizeram a primeira deteção, de sempre, de uma ocultação estelar por um objeto transneptuniano a partir do espaço.

 
Impressão de artista do CHEOPS (CHaracterising ExOPlanet Satellite) da ESA em órbita da Terra. Na ilustração, a cobertura do telescópio está aberta.
Crédito: ESA/ATG medialab
 

O anel

"Os dados do CHEOPS são espantosos no que toca à relação sinal-ruído", diz Isabella. A RSR é uma medida de quão forte é o sinal detetado em relação ao ruído aleatório no sistema. O CHEOPS fornece uma excelente relação sinal-ruído porque o telescópio não está a olhar através dos efeitos de distorção da atmosfera inferior da Terra.

Esta claridade provou ser decisiva no reconhecimento do sistema de anéis de Quaoar porque permitiu aos investigadores eliminar a possibilidade de que as quedas de luz fossem provocadas por um efeito da atmosfera da Terra. Ao combinar várias deteções secundárias, efetuadas com telescópios na Terra, foi possível ter a certeza de que eram provocadas por um sistema de anéis em redor de Quaoar.

Bruno Morgado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, liderou a análise. Ele combinou os dados do CHEOPS com os de grandes observatórios profissionais de todo o mundo e de cientistas cidadãos amadores, todos eles tendo observado Quaoar a ocultar várias estrelas ao longo dos últimos anos. "Quando juntámos tudo, vimos quedas de brilho que não eram provocadas por Quaoar, mas que apontavam para a presença de material numa órbita circular. No momento em que vimos isso dissemos: 'Muito bem, estamos a ver um anel em torno de Quaoar'".

Quando se trata de sistemas de anéis, o planeta gigante Saturno é rei. Saturno ostenta uma coleção de poeira e pequenas luas que circundam o equador do planeta. Apesar de ser uma visão impressionante, a massa do sistema de anéis é bastante pequena. No total, corresponde entre 1/3 e metade da massa da lua de Saturno, Mimas, ou cerca de metade da massa da camada de gelo na Antártida.

O anel de Quaoar é muito mais pequeno que o de Saturno, mas não menos intrigante. Não é o único sistema de anéis conhecido em torno de um planeta anão ou planeta menor. Os outros dois - em torno de Chariklo e Haumea - foram detetados através de observações terrestres. Porém, o que torna o anel de Quaoar único é onde se encontra relativamente ao próprio Quaoar.

O limite de Roche

Qualquer objeto celeste com um campo gravitacional apreciável terá um limite dentro do qual um objeto em aproximação será dilacerado. Isto é conhecido como o limite de Roche. Espera-se que existam sistemas de anéis dentro do limite de Roche, que é o caso de Saturno, Chariklo e Haumea.

"Assim sendo, o que torna esta descoberta tão intrigante em torno de Quaoar é que o anel de material está muito mais longe do que o limite de Roche", diz Giovanni Bruno, do Observatório Astrofísico de Catania do INAF, Itália.

Isto é um mistério porque, de acordo com o pensamento convencional, os anéis para lá do limite de Roche acabam por coalescer numa pequena lua em apenas algumas décadas. "Como resultado das nossas observações, a noção clássica de que os anéis densos sobrevivem apenas dentro do limite de Roche de um corpo planetário tem que ser profundamente revista", diz Giovanni.

Os resultados iniciais sugerem que as temperaturas geladas em Quaoar podem desempenhar um papel ao prevenir que as partículas se mantenham juntas, mas são necessárias mais investigações.

"As observações do CHEOPS desempenharam um papel fundamental no estabelecimento da presença de um anel em torno de Quaoar, numa aplicação de fotometria de alta precisão e cadência que vai além da ciência exoplanetária mais típica da missão", diz Kate.

Enquanto os teóricos começam a trabalhar na forma como os anéis de Quaoar podem sobreviver, o projeto Lucky Star vai continuar a olhar para Quaoar e também para outros OTNs à medida que ocultam estrelas distantes para medir as suas características físicas e para ver quantos outros também têm sistemas de anéis.

E o CHEOPS voltará à sua missão original de estudar exoplanetas próximos.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Oulu (comunicado de imprensa)
// Universidade de Sheffield (comunicado de imprensa)
// Universidade da Flórida Central (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Um anel em torno de Quaoar (Jim Madiedo via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
31/01/2023 - Webb espia sistema de anéis de Chariklo com técnica de alta precisão
10/05/2019 - A dinâmica do anel de Haumea
17/03/2015 - Um segundo planeta menor pode possuir anéis como Saturno
28/03/2014 - Primeiro sistema de anéis descoberto em torno de um asteroide

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
Sky & Telescope
SPACE.com
PHYSORG
ScienceDaily
Universe Today
New Scientist
CNN
Forbes
Ars Technica
UPI
Gizmodo
RTP Notícias
Expresso
Público
Correio da Manhã

Quaoar:
Wikipedia

Objetos transneptunianos (OTNs):
Wikipedia

Planeta anão:
Wikipedia

CHEOPS:
ESA
ESA - 2
Wikipedia

Projeto Lucky Star do ERC:
Observatório de Paris

Limite de Roche:
Wikipedia

 
   
Webb deteta asteroide extremamente pequeno na cintura principal
 
Impressão de artista que mostra um asteroide irregular, cinzento, contra um fundo escuro.
Crédito: N. Bartmann (ESA/Webb), ESO/M. Kornmesser e S. Brunier, N. Risinger (skysurvey.org)
 

Foi detetado, por uma equipa internacional de astrónomos europeus utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, um asteroide previamente desconhecido que tem 100 a 200 metros - aproximadamente o tamanho do Coliseu de Roma. O projeto científico utilizou dados de calibração do instrumento MIRI (Mid-InfraRed Instrument), no qual a equipa detetou por acaso um asteroide. O objeto é provavelmente o mais pequeno observado até à data pelo Webb e pode ser um exemplo de um objeto com menos de 1 quilómetro de diâmetro da cintura principal de asteroides localizada entre Marte e Júpiter. São necessárias mais observações para melhor caracterizar a natureza e as propriedades deste objeto.

O Sistema Solar está repleto de asteroides e pequenos corpos rochosos - os astrónomos conhecem atualmente mais de 1,1 milhões destes remanescentes rochosos dos primeiros dias do Sistema Solar. Espera-se que a capacidade do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA em explorar estes objetos no infravermelho conduza a uma nova ciência inovadora, mas uma equipa de cientistas demonstrou que o Webb também tem uma aptidão imprevista em detetar, por acaso, objetos pequenos e previamente desconhecidos.

"Nós - inesperadamente - detetámos um pequeno asteroide em observações de calibração do MIRI, livremente disponíveis", explicou Thomas Müller, astrónomo do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre na Alemanha. "As medições são algumas das primeiras medições MIRI que visaram o plano da eclíptica e o nosso trabalho sugere que muitos novos objetos serão detetados com este instrumento".

As observações do Webb que revelaram este pequeno asteroide não foram originalmente concebidas para caçar novos asteroides - na realidade, eram imagens de calibração do asteroide (10920) 1998 BC1, na cintura principal, que os astrónomos descobriram em 1998. Mas a equipa de calibração considerou-as como falhadas por razões técnicas devido ao brilho do alvo e a um erro de apontamento. Apesar disto, os dados do asteroide 10920 foram utilizados pela equipa para estabelecer e testar uma nova técnica de restringir a órbita de um objeto e de estimar o seu tamanho. A validade do método foi demonstrada para o asteroide 10920 utilizando as observações MIRI combinadas com dados de telescópios terrestres e da missão Gaia.

No decurso da análise dos dados MIRI, a equipa encontrou o novo asteroide, mais pequeno e anteriormente desconhecido, no mesmo campo de visão. Os resultados da equipa sugerem que o objeto mede entre 100 e 200 metros, ocupa uma órbita de muito baixa inclinação e, à altura das observações do Webb, estava localizado na região interior da cintura principal.

"Os nossos resultados mostram que mesmo observações 'falhadas' do Webb podem ser cientificamente úteis, se se tiver a mentalidade certa e um pouco de sorte", elaborou Müller. "A nossa deteção encontra-se na cintura principal de asteroides, mas a incrível sensibilidade do Webb tornou possível ver este objeto com aproximadamente 100 metros a uma distância de mais de 100 milhões de quilómetros".

A deteção deste asteroide - que a equipa suspeita ser o mais pequeno observado até à data pelo Webb e um dos mais pequenos detetados na cintura principal - teria, se confirmada como uma nova descoberta asteroidal, implicações importantes para a nossa compreensão da formação e evolução do Sistema Solar. Os modelos atuais preveem a ocorrência de asteroides de tamanhos muito pequenos, mas os asteroides pequenos têm sido estudados com menos detalhe do que os seus irmãos maiores devido à dificuldade em observar estes objetos. Observações Webb, dedicadas e futuras, vão permitir aos astrónomos estudar asteroides de tamanho inferior a 1 quilómetro, fornecendo os dados necessários para refinar os nossos modelos da formação do Sistema Solar.

Além disso, este resultado sugere que o Webb também poderá contribuir, felizmente, para a deteção de novos asteroides. A equipa suspeita que mesmo pequenas observações MIRI, próximas do plano do Sistema Solar, vão sempre incluir alguns asteroides, a maioria dos quais serão objetos desconhecidos.

A fim de confirmar que o objeto detetado é efetivamente um asteroide anteriormente desconhecido, são necessários mais dados de posição em relação a estrelas de fundo, a partir de estudos de acompanhamento que visam restringir a órbita do objeto.

"Este é um resultado fantástico que realça as capacidades do MIRI em detetar, por acaso, objetos pequenos na cintura principal de asteroides", concluiu Bryan Holler, cientista de apoio do Webb no STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA. "Repetições destas observações estão em vias de ser agendadas e esperamos plenamente novos 'intrusos' asteroidais nessas imagens!"

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Universe Today
science alert
EarthSky
PHYSORG
Space Daily
Forbes
CNN
METRO
Gizmodo

Cintura principal de asteroides:
Wikipedia
Solstation

Asteroides:
The Nine Planets
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Rover Curiosity encontra pistas surpreendentes do passado aquático de Marte
 
O rover Curiosity da NASA usou a sua Mastcam para capturar este panorama de 360º do vale "Marker Band" no dia 16 de dezembro de 2022, o 3684.º dia marciano, ou sol, da missão. As texturas onduladas encontradas nesta área são a evidência mais clara que o rover já viu de água e de ondas no passado antigo de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

Quando o rover Curiosity da NASA chegou à "unidade portadora de sulfatos" no outono passado, os cientistas pensavam ter visto as últimas evidências de que lagos outrora cobriram esta região de Marte. Isto porque as camadas de rocha nesta zona formaram-se em cenários mais secos do que as regiões exploradas anteriormente pela missão. Pensava-se que os sulfatos da área - minerais salgados - tinham sido deixados para trás quando a água estava a secar.

Portanto, a equipa do Curiosity ficou surpreendida ao descobrir as evidências mais claras até agora de ondulações de água que se formaram no interior de lagos. Há milhares de milhões de anos, ondas à superfície de um lago raso agitaram sedimentos no fundo, criando ao longo do tempo texturas onduladas deixadas na rocha.

"Esta é a melhor evidência de água e ondas que vimos em toda a missão", disse Ashwin Vasavada, cientista do projeto do Curiosity no JPL da NASA no sul da Califórnia. "Subimos centenas de metros de depósitos lacustres e nunca vimos evidências como esta - e agora encontrámo-la num local que esperávamos que estivesse seco".

Camadas de história

Desde 2014 que o rover tem vindo a subir as encostas do Monte Sharp, uma montanha com 5 quilómetros de altura que outrora foi rodeada por lagos e riachos que teriam proporcionado um ambiente rico para a vida microbiana, se é que alguma vez se formou no Planeta Vermelho.

 
Há milhares de milhões de anos, ondas à superfície de um lago raso agitaram o sedimento no fundo do lago. Com o tempo, o sedimento formou rochas com texturas onduladas que são a evidência mais clara de ondas e água que o Curiosity já encontrou.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

O Monte Sharp é composto por camadas, com a mais velha na base da montanha e a mais jovem no topo. À medida que rover sobe, progride ao longo de uma linha temporal marciana, permitindo aos cientistas estudar como Marte evoluiu de um planeta que era mais semelhante à Terra no seu passado antigo, com um clima mais quente e água abundante, para o deserto gelado que é hoje.

Tendo percorrido mais ou menos 800 metros montanha acima, o Curiosity encontrou estas texturas rochosas onduladas preservadas no que é apelidado de "Marker Band" - uma fina camada de rocha escura que se destaca do resto do Monte Sharp. Esta camada rochosa é tão dura que o Curiosity não foi capaz de perfurar uma amostra, apesar de várias tentativas. Não é a primeira vez que Marte não está disposto a partilhar uma amostra: mais abaixo, em "Vera Rubin Ridge", o Curiosity teve de tentar três vezes antes de encontrar um ponto suficientemente mole para perfurar.

Os cientistas vão procurar uma rocha menos dura na próxima semana. Mas mesmo que nunca obtenham uma amostra desta invulgar faixa rochosa, existem outros sítios que anseiam explorar.

 
No fundo deste vale, chamado Gediz Vallis, encontra-se um monte de rochas e escombros que se crê terem sido trazidos por deslizamentos de terras húmidas há milhares de milhões de anos. A equipa do rover espera ver de perto esta evidência de água corrente, que é provavelmente a mais jovem que o Curiosity alguma vez encontrará.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

Pistas marcianas

Muito à frente de "Marker Band", os cientistas podem ver outra pista da história da antiga água de Marte num vale chamado Gediz Vallis. O vento esculpiu o vale, mas pensa-se que um canal que começa mais acima no Monte Sharp tenha sido corroído por um pequeno rio. Os cientistas suspeitam que aqui também ocorreram deslizamentos de terras húmidas, enviando pedregulhos e escombros do tamanho de um carro para o fundo do vale.

Uma vez que a pilha de detritos resultante fica em cima de todas as outras camadas do vale, é claramente uma das características mais jovens do Monte Sharp. O Curiosity teve um vislumbre destes detritos em Gediz Vallis duas vezes no ano passado, mas só os pôde observar à distância. A equipa do rover espera ter outra oportunidade de o ver mais tarde ainda este ano.

 
O Curiosity utilizou o seu instrumento ChemCam para ver a crista de Gediz Vallis, avistando pedregulhos que se pensa terem sido levados num antigo fluxo de detritos. Uma razão pela qual os cientistas estão interessados nesta crista é porque inclui rochas que que tiveram origem muito mais acima no Monte Sharp, onde o Curiosity não será capaz de alcançar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/LANL/CNES/CNRS/IRAP/IAS/LPG
 

Outra pista dentro de "Marker Band" que tem fascinado a equipa é uma textura rochosa invulgar provavelmente provocada por algum tipo de ciclo regular na meteorologia ou no clima, tais como tempestades de poeira. Não muito longe das texturas onduladas estão rochas feitas de camadas que são regulares no seu espaçamento e espessura. Este tipo de padrão rítmico em camadas rochosas na Terra resulta frequentemente de eventos atmosféricos que ocorrem a intervalos periódicos. É possível que os padrões rítmicos nestas rochas marcianas resultem de eventos semelhantes, sugerindo alterações no clima antigo do Planeta Vermelho.

"As ondulações, os fluxos de detritos e as camadas rítmicas dizem-nos que a história do 'molhado-para-seco' em Marte não foi simples", disse Vasavada. "O antigo clima de Marte teve uma complexidade maravilhosa, muito semelhante à Terra".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Rover Curiosity encontra pistas surpreendentes do passado aquático de Marte (NASA JPL via YouTube)

 


Quer saber mais?

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Cratera Gale:
Wikipedia
Monte Sharp (Wikipedia)

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
Facebook
Twitter
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Modelos explicam desfiladeiros em lua de Plutão (via SwRI)
Em 2015, quando a sonda New Horizons da NASA passou pelo sistema Plutão-Caronte, a equipa científica liderada pelo SwRI descobriu objetos interessantes e geologicamente ativos em vez dos globos gelados e inertes anteriormente previstos. Um cientista do SwRI revisitou os dados para explorar a fonte dos fluxos criovulcânicos e uma faixa óbvia de fraturas na lua Caronte. Estes novos modelos sugerem que quando o oceano interno da lua congelou, pode ter formado as depressões profundas e alongadas ao longo da sua circunferência, mas era menos provável que levasse à erupção de criovulcões, água e outros materiais no seu hemisfério norte. Ler fonte
     
  Estudo revela química complexa nos "berçários estelares" (via Universidade do Colorado em Boulder)
Uma equipa internacional de investigadores descobriu o que poderá ser um passo importante na evolução química das moléculas em "berçários estelares". Nestas vastas nuvens de gás frio e poeira no espaço, triliões de moléculas rodopiam juntas ao longo de milhões de anos. O colapso destas nuvens interestelares dá eventualmente origem a jovens estrelas e planetas. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Nebulosa RCW 58

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mike Selby e Mark Hanson
 
Imagine viajar até uma estrela com cerca de 100 vezes a massa do nosso Sol, um milhão de vezes mais luminosa e com 30 vezes a temperatura à superfície. Tais estrelas existem e algumas são conhecidas como estrelas Wolf-Rayet (WR), nome dado em honra aos astrónomos franceses Charles Wolf e Georges Rayet. A estrela central nesta imagem é WR 40, que está localizada na direção da constelação da Quilha (Carina). Em comparação com o Sol, estrelas como WR 40 vivem depressa e morrem jovens. Esgotam rapidamente o reservatório nuclear de hidrogénio, passam à fusão de elementos mais pesados e expandem-se enquanto ejetam as suas camadas exteriores através de grandes ventos estelares. Neste caso, a estrela central WR 40 ejeta a atmosfera a uma velocidade de quase 100 km/s e estas camadas exteriores tornaram-se na nebulosa em forma oval, RCW 58.
 
   
Arquivo | CCVAlg - Astronomia | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
         
         
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231
Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2023 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt