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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1976  
  14/02 a 16/02/2023  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 14/02: 45.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1898, nascia Fritz Zwicky, o primeiro a identificar as supernovas como uma classe separada de objetos e a sugerir a possibilidade das estrelas de neutrões; Zwicky também catalogou galáxias em enxames e desenhou motores a jato.
Em 1989, o primeiro de 24 satélites GPS é colocado em órbita. 
Em 1990, as câmaras da Voyager 1 apontaram para o Sol e tiraram uma série de imagens da estrela e dos planetas, fazendo o primeiro "retrato" do nosso Sistema Solar visto de fora.

Em 2000, a sonda NEAR torna-se na primeira a orbitar um asteroide, 433 Eros.
HOJE, NO COSMOS:
Quando ficar totalmente noite, olhe para este, não muito alto, em busca da estrela Régulo. Para cima e para a sua esquerda está a "foice" de Leão, um ponto de interrogação ao contrário. "Leão anuncia a primavera", diz o ditado. Na realidade, Leão, ao aparecer no céu noturno, anuncia a segunda metade de inverno. Na primavera, já Leão está alto.

 

DIA 15/02: 46.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1564 nascia Galileu Galilei, um dos astrónomos mais famosos de sempre, considerado o pai da astronomia observacional.
Foi o primeiro a utilizar o telescópio para observar os céus, avistando as manchas solares e também os satélites de Júpiter.
Em 1996, no Centro Espacial Xichang na China, um foguetão Long March 3, que transportava um Intelsat 708, colide com uma vila rural depois da descolagem, matando inúmeras pessoas. 
Em 1999, lançamento do IKONOS 2 (Athena 2).
Em 2013, um meteoro explode por cima da Rússia e a sua onda de choque acaba ferindo 1500 pessoas, estilhaçando vidros e agitando edifícios. Isto inesperadamente acontece apenas horas antes da mais próxima passagem esperada do maior e não relacionado asteroide 367943 Duende.
HOJE, NO COSMOS:
Assim que fique completamente de noite, aviste o equilátero Triângulo de Inverno a sudeste. Sirius é a estrela mais brilhante e também a mais baixa das três. Betelgeuse encontra-se alta bem acima de Sirius, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Para a esquerda do seu ponto médio está Procyon.
Consegue discernir as suas cores? Sirius (tipo espectral A0) é branca, Betelgeuse (M2) tem um tom pálido laranja-amarelado e Procyon (F5) um tom mais pálido amarelo-esbranquiçado.
O interior do Triângulo de Inverno é principalmente preenchido pela metade frontal de Unicórnio. Percorre o céu sempre atrás de Orionte. Com a Lua fora do céu noturno, é atualmente uma boa altura para observar a sua figura.
Contém também alguns objetos de céu profundo, como NGC 2244, um padrão retangular no centro da muito mais ténue Nebulosa Roseta. Fica mais ou menos na posição correspondente ao olho da figura do Unicórnio. As estrelas mais brilhantes do padrão são de sexta ou sétima magnitude. Encontre o enxame 10º para este-sudeste de Betelgeuse. O retângulo alongado está atualmente na vertical.
Se tiver acesso a binóculos grandes ou até a um telescópio, porque não tentar observar o Enxame da Árvore de Natal, NGC 2264? 15 Monocerotis, a estrela de quinta magnitude que assinala a ponta do chifre de Unicórnio, assinala a posição do objeto de céu profundo. A árvore atualmente está de cabeça para baixo.

 

DIA 16/02: 47.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1948 é descoberta a lua de ÚranoMiranda, por Gerard Kuiper.

Em 1961, é lançado o Explorer 9 (S-56a).
HOJE, NO COSMOS:
A constelação de Orionte fica o mais alto a sul entre as 20 e as 21 horas, parecendo mais pequena do que provavelmente se lembra que era ao início de inverno, quando estava mais baixa. Está a ver o efeito da "ilusão lunar". As constelações, assim como a Lua, tendem a parecer maiores quando estão mais baixas e mais pequenas quando estão mais altas.
Sob os pés de Orionte, e para a direita de Sirius, esconde-se a pequena constelação de Lebre. Tal como Gémeos ou Cão Maior, esta é uma constelação "ligue os pontos" que realmente se parece com o que é suposto representar. O animal está encolhido, com o seu nariz a apontar para baixo e para a direita, as suas ténues orelhas estendendo-se para Rigel (o pé mais brilhante de Orionte) e o seu corpo situado para a esquerda. As suas duas estrelas mais brilhantes, Alpha e Beta Leporis, de terceira magnitude, formam a parte de trás e de frente do seu pescoço.

 
 
   
Descobertas "pegadas" de imigração galáctica em M31

Uma equipa de investigadores liderada por astrónomos no NOIRLab da NSF descobriu novas e impressionantes evidências de uma migração em massa de estrelas na Galáxia de Andrómeda. Os padrões intricados nos movimentos das estrelas revelam uma história de imigração muito semelhante à da Via Láctea. Os novos resultados foram obtidos com o DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument) do Departamento de Energia dos EUA, acoplado ao Telescópio Nicholas U. Mayall de 4 metros situado no Observatório Nacional Kitt Peak, um programa do NOIRLab da NSF.

Ao longo de milhares de milhões de anos, as galáxias crescem e evoluem forjando novas estrelas e fundindo-se com outras galáxias através de eventos apropriadamente denominados "imigração galáctica". Os astrónomos tentam desvendar as histórias destes eventos de imigração estudando os movimentos de estrelas individuais numa galáxia e no seu halo estendido de estrelas e matéria escura. Tal arqueologia cósmica, porém, só era possível na nossa própria Galáxia, a Via Láctea, até agora.

 
Novas evidências impressionantes de uma imigração em massa de estrelas para a Galáxia de Andrómeda foram descobertas por investigadores liderados por astrónomos no NOIRLab da NSF. A equipa utilizou o DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument) do Departamento de Energia dos EUA, acoplado ao Telescópio Nicholas U. Mayall de 4 metros situado no Observatório Nacional Kitt Peak, um programa do NOIRLab da NSF, para revelar estruturas intrincadas nesta galáxia com detalhes e clareza sem precedentes. Cada um dos pontos desta imagem representa uma estrela individual na Galáxia de Andrómeda, com o movimento da estrela (em relação à galáxia) codificado por cores do azul (movendo-se na nossa direção) para o vermelho (afastando-se de nós).
Crédito: KPNO/NOIRLab/AURA/NSF/E. Slawik/D. de Martin/M. Zamani
 

Uma equipa internacional de investigadores descobriu novas e impressionantes evidências de um grande evento de imigração galáctica em Andrómeda, a grande vizinha galáctica mais próxima da Via Láctea. Os novos resultados foram obtidos com o DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument) do Departamento de Energia dos EUA, acoplado ao Telescópio Nicholas U. Mayall de 4 metros situado no Observatório Nacional Kitt Peak, um programa do NOIRLab da NSF.

Ao medir os movimentos de quase 7500 estrelas no halo interior da Galáxia de Andrómeda, também conhecida como Messier 31 (M31), a equipa descobriu padrões reveladores das posições e movimentos das estrelas que mostraram como estas estrelas começaram as suas vidas como parte de outra galáxia que se fundiu com M31 há cerca de 2 mil milhões de anos. Embora tais padrões tenham sido previstos há muito tempo pela teoria, nunca tinham vistos com tanta clareza em qualquer galáxia.

"As nossas observações da grande vizinha galáctica mais próxima da Via Láctea, a Galáxia de Andrómeda, revelam evidências de um evento de imigração galáctica com incrível detalhe", explicou Arjun Dey, astrónomo do NOIRLab da NSF e autor principal do artigo científico que apresenta esta investigação. "Embora o céu noturno possa parecer imutável, o Universo é um lugar dinâmico. Galáxias como M31 e a nossa Via Láctea são edificadas a partir dos blocos de construção de muitas galáxias mais pequenas ao longo da história cósmica".

"Nunca antes tínhamos visto isto tão claramente nos movimentos das estrelas, nem tínhamos visto algumas das estruturas resultantes desta fusão", disse Sergey Koposov, astrofísico da Universidade de Edimburgo e coautor do artigo. "A nossa imagem emergente é que a história da Galáxia de Andrómeda é semelhante à da nossa própria Galáxia, a Via Láctea". Os halos interiores de ambas as galáxias são dominados por um único evento de migração".

Esta investigação lança luz não só sobre a história das nossas vizinhas galácticas, mas também sobre a história da nossa própria Galáxia. A maioria das estrelas no halo da Via Láctea formaram-se noutra galáxia e mais tarde migraram para a nossa numa fusão galáctica há 8-10 mil milhões de anos. O estudo das relíquias de uma fusão galáctica semelhante em M31, mas mais recente, dá aos astrónomos uma janela para um dos maiores eventos do passado da Via Láctea.

 
Uma equipa de investigadores liderada por astrónomos no NOIRLab da NSF descobriu novas e impressionantes evidências de uma migração em massa de estrelas na Galáxia de Andrómeda. Os padrões intricados nos movimentos das estrelas revelam uma história de imigração muito semelhante à da Via Láctea. Os novos resultados foram obtidos com o DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument) do Departamento de Energia dos EUA, acoplado ao Telescópio Nicholas U. Mayall de 4 metros situado no Observatório Nacional Kitt Peak, um programa do NOIRLab da NSF.
Crédito: KPNO/NOIRLab/AURA/NSF/Equipa do Levantamento do Grupo Local/T.A. Rector (Universidade do Alasca em Anchorage)/D. de Martin/M. Zamani
 

Para traçar a história da migração em M31, a equipa recorreu ao DESI. O DESI foi construído para mapear dezenas de milhões de galáxias e quasares no Universo próximo a fim de medir o efeito da energia escura na expansão do Universo. É o espectrógrafo multiobjecto mais poderoso do mundo e é capaz de medir os espectros de mais de 100.000 galáxias por noite. No entanto, as capacidades de classe mundial do DESI também podem ser utilizadas mais perto de casa e o instrumento foi crucial para o levantamento de M31 pela equipa.

"Esta ciência não poderia ter sido feita em qualquer outra instalação no mundo. A incrível eficiência, rendimento e campo de visão do DESI fazem dele o melhor sistema do mundo para realizar um levantamento das estrelas na Galáxia de Andrómeda", disse Dey. "Em apenas algumas horas de tempo de observação, o DESI foi capaz de ultrapassar mais de uma década de espectroscopia com telescópios muito maiores".

Embora o Telescópio Mayall tenha sido construído há mais de 50 anos (abriu os olhos pela primeira vez em 1973), continua a ser uma instalação astronómica de classe mundial graças a contínuas atualizações e instrumentação de última geração. "Cinquenta anos parece muito tempo e ingenuamente pode-se pensar que é a vida natural de uma instalação", disse a coautora Joan R. Najita, também no NOIRLab. "Mas com renovações e reutilizações, um telescópio venerável como o Mayall pode continuar a fazer descobertas espantosas apesar de ser relativamente pequeno por padrões atuais".

A investigação foi realizada em colaboração com dois estudantes de Harvard, Gabriel Maxemin e Joshua Josephy-Zack, que se ligaram ao projeto através do Instituto Radcliffe para Estudos Avançados. Najita foi membro do Radcliffe de 2021 a 2022.

A equipa planeia agora utilizar as capacidades inigualáveis do DESI e do Telescópio Mayall para explorar mais das estrelas periféricas de M31, com o objetivo de revelar a sua estrutura e história de imigração com um detalhe sem precedentes.

"É espantoso que possamos olhar para o céu e ler milhares de milhões de anos da história de outra galáxia, tal como escrito nos movimentos das suas estrelas - cada estrela conta parte da história", concluiu Najita. "As nossas observações iniciais excederam as nossas expetativas mais loucas e esperamos agora realizar um levantamento de todo o halo de M31 com o DESI. Quem sabe que novas descobertas nos esperam!"

// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Cosmoview ep. 62: Descobertas "pegadas" de imigração galáctica em M31 (NOIRLab via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
27/07/2018 - M31 colidiu com galáxia massiva há 2 mil milhões de anos

Notícias relacionadas:
SPACE.com
PHYSORG
ScienceDaily

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

Telescópio Mayall:
NOIRLab
Wikipedia
DESI (NOIRLab)

 
   
Hubble captura o início de uma nova "época dos raios" em Saturno
 
O Telescópio Espacial Hubble da NASA tem tempo de observação dedicado a Saturno todos os anos, graças ao programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy), e a dinâmica do planeta gigante gasoso mostra-nos sempre algo de novo. Esta última imagem anuncia o início da "época dos raios" de Saturno com o aparecimento de dois raios manchados no anel B, à esquerda na imagem. A forma e sombreamento dos raios varia - podem aparecer claros ou escuros, dependendo do ângulo de visão, e por vezes aparecem mais como bolhas do que as formas clássicas dos raios, como se vê aqui. As características efémeras não duram muito, mas à medida que o equinócio outonal do planeta se aproxima, a 6 de maio de 2025, mais aparecerão. Os cientistas vão procurar pistas que expliquem a causa e a natureza dos raios. Suspeita-se que são materiais de anéis que são temporariamente carregados e levitados pela interação entre o campo magnético de Saturno e o vento solar, mas esta hipótese não foi confirmada. Crédito: NASA, ESA e Amy Simon (Centro de Voo Espacial Goddard da NASA); processamento de imagem - Alyssa Pagan (STScI)
 

Novas imagens de Saturno pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA anunciam o início da "época dos raios" do planeta por volta do seu equinócio, quando aparecem características enigmáticas nos seus anéis. A causa dos raios, bem como a sua variabilidade sazonal, tem ainda de ser totalmente explicada pelos cientistas planetários.

Tal como a Terra, o eixo de Saturno está inclinado e, portanto, tem quatro estações, embora, devido à órbita muito maior, cada estação dure aproximadamente sete anos terrestres. O equinócio ocorre quando os anéis estão inclinados para o Sol. Os raios desaparecem quando está perto do solstício de verão ou de inverno em Saturno (quando o Sol parece atingir a sua latitude mais alta ou mais baixa no hemisfério norte ou sul de um planeta). À medida que o equinócio outonal do hemisfério norte de Saturno, a 6 de maio de 2025, se aproxima, espera-se que os raios anelares se tornem cada vez mais proeminentes e observáveis.

O culpado suspeito pelos raios é o campo magnético variável do planeta. Os campos magnéticos planetários interagem com o vento solar, criando um ambiente com carga elétrica (na Terra, quando essas partículas carregadas atingem a atmosfera, isto é visível no hemisfério norte como a aurora boreal). Os cientistas pensam que as partículas mais pequenas dos anéis, geladas e do tamanho de poeira, também podem ficar carregadas, o que levita temporariamente essas partículas acima do resto das partículas geladas maiores e das rochas nos anéis.

Os raios anelares foram observados pela primeira vez pela missão Voyager da NASA na década de 1980. As características transitórias e misteriosas podem parecer escuras ou claras, dependendo da iluminação e dos ângulos de visão.

"Graças ao programa OPAL do Hubble, que está a construir um arquivo de dados dos planetas do Sistema Solar exterior, teremos mais tempo do que nunca dedicado ao estudo dos raios de Saturno nesta estação", disse Amy Simon, cientista planetária da NASA, chefe do programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy) do Hubble.

O último equinócio de Saturno ocorreu em 2009, enquanto a nave espacial Cassini da NASA estava a orbitar o planeta gigante gasoso num reconhecimento detalhado. Com a missão da Cassini concluída em 2017, e as naves espaciais Voyager já muito longe, o Hubble continua o trabalho de monitorização a longo prazo das mudanças de Saturno e dos outros planetas exteriores.

"Apesar de anos de excelentes observações pela missão Cassini, o início preciso e a duração exata da época dos raios são ainda imprevisíveis, tal como a previsão da primeira tempestade durante a época dos furacões", disse Simon.

Apesar dos outros três planetas gigantes gasosos também terem sistemas de anéis, nada se compara aos anéis proeminentes de Saturno, tornando-os um laboratório para o estudo destes fenómenos. Desconhece-se se os raios podem ou não ocorrer nos anéis dos outros planetas. "É um fascinante truque de magia da natureza que só vemos em Saturno - pelo menos por agora", disse Simon.

O programa OPAL do Hubble vai acrescentar dados visuais e espectroscópicos, do ultravioleta ao infravermelho próximo, ao arquivo de observações da Cassini. Os cientistas estão a antecipar a junção destas peças para obter uma imagem mais completa do fenómeno dos raios e do que este revela sobre a física dos anéis em geral.

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// Os anéis de Saturno estão a agir de forma estranha (NASA Goddard via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
Universe Today
Popular Science
Space Daily
PHYSORG
Forbes

Saturno:
The Nine Planets
Solarviews
Wikipedia
Anéis de Saturno (Wikipedia)
Raios anelares (Wikipedia)

Cassini:
NASA
Wikipedia

Sondas Voyager:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Voyager 1 (Wikipedia)
Voyager 2 (Wikipedia)

 
   
Primeiro alvo da missão Lucy recebe o seu nome

O primeiro asteroide a ser visitado pela missão Lucy da NASA tem agora um nome. A UAI (União Astronómica Internacional) aprovou o nome (152830) Dinkinesh para o minúsculo asteroide da cintura principal que a nave espacial Lucy irá encontrar a 1 de novembro de 2023. Dinkinesh, ou ድንቅነሽ em amárico, é o nome etíope para o fóssil do antepassado humano, também conhecido como Lucy, que foi encontrado nesse país e que atualmente está lá preservado. Dinkinesh significa "você é maravilhoso" em amárico.

 
Comparação do tamanho de (152830) Dinkinesh (a azul na impressão de artista) com o asteróide (2867) Steins, na cintura principal, e o asteroide próximo da Terra (101955) Bennu. Steins é atualmente o asteroide da cintura principal mais pequeno, com órbita independente, cuja superfície foi bem fotografada por uma nave espacial (a Rosetta da ESA). O asteroide próximo da Terra, Bennu, foi recentemente explorado pela nave espacial OSIRIS-REx da NASA, com o envio de amostras previsto para este mês de setembro. Sendo um pequeno asteroide da cintura principal, Dinkinesh servirá de elo de ligação entre estas duas populações.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA; imagem de Steins - ESA/equipa OSIRIS; imagem de Bennu - NASA/Goddard/Universidade do Arizona
 

Em 1999, quando o asteroide Dinkinesh foi descoberto pela primeira vez, foi-lhe dada a designação provisória de 1999 VD57. Recebeu um número oficial, (152830), vários anos depois, quando a sua órbita foi suficientemente bem determinada. Mas, tal como a maioria dos milhões de pequenos asteroides na cintura principal, foi deixado sem nome. Contudo, assim que a equipa da Lucy identificou este asteroide como um alvo, propôs este novo nome, inspirado pela missão Lucy de explorar os remanescentes do Sistema Solar primitivo.

"Esta missão recebeu o nome 'Lucy' porque, tal como aquele fóssil revolucionou a nossa compreensão da evolução humana, esperamos que esta missão revolucione a nossa compreensão da origem e evolução do nosso Sistema Solar", disse Keith Noll, cientista do projeto Lucy, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Estamos entusiasmados por ter outra oportunidade de honrar essa ligação".

A principal razão pela qual a equipa acrescentou Dinkinesh à já "apinhada" tour (10 asteroides, incluindo os satélites recentemente descobertos) da Lucy, é que querem testar o inovador sistema de rastreio terminal, que é crítico para uma captura fotográfica precisa durante estes encontros a alta velocidade. Embora o asteroide tenha menos de um quilómetro em diâmetro, é uma excelente oportunidade para testar os sistemas da Lucy antes das principais atividades científicas da missão: aprender mais sobre os asteroides troianos de Júpiter, nunca antes explorados, que são, em muitos aspetos, fósseis do nosso Sistema Solar primitivo.

"Este é realmente um asteroide minúsculo", disse Hal Levison, investigador principal da Lucy, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, Colorado, EUA. "Alguns dos membros da equipa referem-se afetuosamente a ele como 'Dinky'. Mas, para um asteroide pequeno, esperamos que seja uma grande ajuda para a missão da Lucy".

Embora o objetivo principal deste encontro seja um teste de engenharia, os cientistas da missão também estão entusiasmados com o que este pequeno asteroide nos pode ensinar. Este será o asteroide da cintura principal mais pequeno alguma vez explorado e é muito parecido em tamanho com os asteroides perto da Terra que foram recentemente estudados por naves espaciais do que os asteroides da cintura principal visitados anteriormente por outras missões.

"Na sua maior aproximação, se tudo correr bem, esperamos que Dinkinesh tenha centenas de pixéis de diâmetro, como visto pela câmara mais sensível da Lucy", diz Simone Marchi, viceinvestigadora principal, também do SwRI. "Embora não consigamos ver todos os detalhes da superfície, até a forma geral pode indicar se os asteroides próximos da Terra - que têm origem na cintura principal - mudam significativamente assim que entram no 'nosso' espaço planetário".

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão Lucy pelo CCVAlg - Astronomia:
31/01/2023 - Equipa da missão Lucy da NASA anuncia novo alvo
19/08/2022 - Equipa da missão Lucy da NASA descobre lua em torno do asteroide Polimel
01/10/2021 - Missão Lucy da NASA prepara-se para viajar até aos asteroides troianos
13/11/2018 - Trabalho de detetive cósmico: a importância das rochas espaciais
14/09/2018 - Cientistas encontram evidências de escaramuça planetária precoce

Asteroide (152830) Dinkinesh (anteriormente 1999 VD57):
NASA
AstDyS-2
Wikipedia

Asteroides troianos:
Wikipedia

Missão Lucy:
NASA
Wikipedia

Lucy (fóssil do antepassado humano):
Wikipedia

 
   

Álbum de fotografias
Nuvens de Magalhães Sobre o Chile

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Felipe Mac Auliffe López
 
As duas nuvens proeminentes nesta paisagem estelar obtida a partir do deserto chileno do Atacama, capturadas no dia 21 de janeiro, encontram-se na realidade para lá da nossa Galáxia, a Via Láctea. Conhecidas como a Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães, são assim chamadas em honra ao explorador português do século XVI, Fernão de Magalhães, líder da primeira circum-navegação do planeta Terra. Famosas "joias" dos céus do hemisfério sul, são as mais brilhantes galáxias satélites da Via Láctea. A nuvem maior está a cerca de 160.000 anos-luz e a mais pequena a 210.000 anos-luz. Embora ambas sejam galáxias anãs irregulares por direito próprio, exibem estruturas centrais barradas nesta imagem profunda e de grande angular. As exposições profundas de campo-largo também revelam nebulosas galácticas empoeiradas e as marcas das interações gravitacionais de maré entre a Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães.
 
   
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