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Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1986  
  21/03 a 23/03/2023  
     
 

NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna

Data: 26 de abril de 2023
Hora: 21:00
Local: Forte do Rato
Nesta noite realiza-se a sessão de observação de estrelas e Lua no Forte do Rato. Será também feito um reconhecimento das constelações. A sessão é gratuita.
Participe!
Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 21/03: 80.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1768, nascia Jean-Baptiste Joseph Fourier, matemático e físico francês, conhecido por ter iniciado a investigação das séries de Fourier e das suas aplicações para problemas como a transferência de calor e vibrações.

Fourier é também considerado o descobridor do efeito de estufa.
Em 1905, Albert Einstein publica a sua teoria sobre a relatividade especial.
Em 1927, nascia Halton Arp, astrónomo americano conhecido pelo seu Atlas de Galáxias Peculiares de 1966, que contém muitos exemplos de galáxias em interação e em fusão. 
Em 1965, a NASA lança a Ranger 9, a última numa série de sondas lunares não tripuladas.
HOJE, NO COSMOS:
O primeiro asteroide descoberto, 1 Ceres (agora considerado um planeta anão), está em oposição na direção da constelação de Cabeleira de Berenice. Brilha com um magnitude binocular de 6,9 e está razoavelmente alto perto da meia-noite.
E na noite de 26-27 de março, Ceres atravessa em frente da galáxia espiral M100 (magnitude 10).
Lua Nova, pelas 18:23.

 

DIA 22/03: 81.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1394 nascia Ulugh Beg, astrónomo da dinastia Timúrida, que construiu o Observatório Ulugh Beg em Samarkand, considerado por muitos um dos melhores observatórios do mundo islâmico e o maior da Ásia Central (à data).
Em 1799 nascia F.W.A. Argelander, compilador de catálogos estelares que estudou as estrelas variáveis e criou a primeira organização astronómica internacional.
Em 1982, lançamento da missão STS-3, do vaivém Columbia
Em 1995, o cosmonauta Valeryiv Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Em 1996, lançamento da STS-76, do vaivém Atlantis
Em 1997, o Cometa Hale-Bopp faz a sua maior aproximação à Terra.

Em 2010, última comunicação do rover Spirit com a Terra.
HOJE, NO COSMOS:
Olhe muito baixo a oeste, ao lusco-fusco, em busca da finíssima Lua Crescente que hoje faz par com Júpiter. Binóculos ajudam. É uma observação difícil.

 

DIA 23/03: 82.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1749 nascia Pierre-Simon Laplace, astrónomo e matemático francês, cujo trabalho foi fundamental para o desenvolvimento da astronomia matemática e estatística.

Desenvolveu a hipótese nebular para a origem do Sistema Solar e foi um dos primeiros cientistas a postular a existência de buracos negros e a noção de colapso gravitacional.
Em 1840 era tirada a primeira fotografia (daguerreótipo) da Lua.
Em 1912 nascia Wernher Von Braun. Foi um importante pioneiro no desenvolvimento dos foguetões e da exploração espacial entre os anos 30 e 70 do século passado.
Em 1965, os EUA lançavam a Gemini 3 até à órbita da Terra transportando os astronautas Virgil (Gus) Grissom e John W. Young. Grissom e Young orbitaram a Terra três vezes. A nave Gemini era maior que as cápsulas Mercury, com um peso de 4200 kg, e transportava dois astronautas em vez de um. A Gemini 3 foi a primeira missão tripulada do programa Gemini, depois de dois testes de voo não-tripulado.
Em 2001, a estação Mir, com 15 anos, é removida de órbita e trazida até à Terra num espetáculo de fogo e fumo, para descansar nas profundezas do Oceano Pacífico Sul, perto das Ilhas Fiji.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha para baixo de Vénus ao anoitecer.
Depois do anoitecer, Sirius brilha intensamente a sul-sudoeste. Para baixo e para a esquerda de Sirius, a cerca de um punho à distância do braço esticado, está o triângulo composto por Adhara, Wezen e Aludra (da direita para a esquerda). Formam a parte traseira da constelação de Cão Maior. Ou alternativamente, a parte interior e "pega" do asterismo do Cutelo.
Logo para a sua esquerda, formando um arco de estrelas de terceira e quarta magnitudes, estão as três estrelas superiores da constelação da Popa. Esta constelação fazia parte da antiga e maior constelação de Argo Navis, o navio de Jasão e os Argonautas, mas agora está dividida em três: Popa, Quilha e Vela. Este arco de estrelas são as únicas estrelas da antiga constelação de Argo Navis que conseguimos ver razovalmente bem a latitudes médias norte.
A apenas 1,5º para cima e para a direita do meio das três estrelas, os binóculos, numa noite escura, podem mostrar o enxame aberto M93 (sexta magnitude).

 
 
   
Estudo exclui meteoritos derretidos como fonte da água da Terra
 
A linha branca tracejada nesta ilustração mostra a fronteira entre o Sistema Solar interior e o Sistema Solar exterior, com a cintura de asteroides posicionada aproximadamente entre Marte e Júpiter. Uma bolha perto do topo da imagem mostra moléculas de água presas a um fragmento rochoso, demonstrando o tipo de objeto que poderia ter transportado água para a Terra.
Crédito: Jack Cook/Instituto Oceanográfico de Woods Hole
 

A água cobre 71% da superfície da Terra, mas ninguém sabe como ou quando quantidades tão gigantescas desta substância chegaram ao nosso planeta em primeiro lugar.

Um novo estudo publicado na revista Nature aproxima os cientistas da resposta a essa pergunta. Liderados por Megan Newcombe, professora assistente de Geologia na Universidade de Maryland, EUA, os investigadores analisaram meteoritos derretidos que flutuavam no espaço desde que o Sistema Solar se formou há 4,5 mil milhões de anos. Descobriram que estes meteoritos tinham um conteúdo de água extremamente baixo - de facto, estavam entre os materiais extraterrestres mais secos alguma vez medidos, levando os investigadores a excluí-los como a principal fonte de água da Terra.

"Queríamos compreender como o nosso planeta conseguiu obter água, porque não é completamente óbvio", disse Newcombe. "A obtenção de água e ter oceanos à superfície de um planeta pequeno e relativamente próximo do Sol é um desafio".

A equipa de investigadores analisou sete meteoritos derretidos, ou acondritos, que colidiram com a Terra milhares de milhões de anos após a fragmentação de pelo menos cinco planetesimais - objetos que colidiram para formar os planetas no nosso Sistema Solar. Num processo conhecido como derretimento, muitos destes planetesimais foram aquecidos pela decomposição de elementos radioativos na história inicial do Sistema Solar, causando a sua separação em camadas com uma crosta, manto e núcleo.

Após analisar as amostras de meteoritos acondritos, os investigadores descobriram que a água compreendia menos de dois milionésimos da sua massa. Em comparação, os meteoritos mais molhados - um grupo chamado condritos carbonáceos - contêm até cerca de 20% de água, em massa.

Isto significa que o aquecimento e o derretimento dos planetesimais leva a uma perda quase total de água, independentemente da origem destes planetesimais no Sistema Solar e da quantidade de água com que começaram. Newcombe e os seus coautores descobriram que, ao contrário da crença popular, nem todos os objetos do Sistema Solar exterior são ricos em água. Isto levou-os a concluir que a água foi provavelmente entregue à Terra através de meteoritos não derretidos, ou condritos.

Newcombe disse que as suas descobertas têm aplicação para lá da geologia. Cientistas de muitas disciplinas - e especialmente investigadores exoplanetários - estão interessados na origem da água da Terra devido às suas profundas ligações com a vida.

"A água é considerada como um ingrediente para que a vida possa florescer, por isso, ao olharmos para o Universo e ao encontrarmos todos estes exoplanetas, estamos a começar a descobrir quais desses sistemas planetários podem, potencialmente, hospedar vida", disse Newcombe.

// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

 


Quer saber mais?

Água da Terra:
Origem da água da Terra (Wikipedia)

Meteoritos:
Wikipedia
Acondritos (Wikipedia)
Condritos (Wikipedia)
Condritos carbonáceos (Wikipedia)

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

 
   
"Relíquia glacial", encontrada perto do equador de Marte, pode significar água gelada a baixas latitudes

Num anúncio revolucionário aquando da 54.ª Conferência Científica Lunar e Planetária realizada no estado norte-americano do Texas, cientistas revelaram a descoberta de uma relíquia glacial perto do equador de Marte. Localizada na parte oriental da região Noctis Labyrinthus, nas coordenadas 7°33' S, 93°14' O, esta descoberta é significativa pois implica a presença de água gelada à superfície de Marte em tempos recentes, mesmo perto do equador. Esta descoberta levanta a possibilidade de que, na área, o gelo ainda possa existir a pouca profundidade, o que poderá ter implicações significativas para a futura exploração humana.

A característica superficial identificada como "relíquia glacial" é um dos muitos depósitos de tonalidade clara (sigla LTD, inglês para "light-toned deposits") encontrados na região. Tipicamente, os LTDs consistem principalmente de sais de sulfato de cor clara, mas este depósito também mostra muitas das características de um glaciar, incluindo campos de fendas e bandas de moreias. O glaciar está estimado em 6 quilómetros de comprimento e até 4 de largura, com uma elevação de superfície que varia entre 1,3 e 1,7 quilómetros. Esta descoberta sugere que a história recente de Marte pode ter sido mais aquosa do que se pensava anteriormente, o que poderá ter implicações para a compreensão da habitabilidade do planeta.

 
Uma relíquia glacial perto do equador de Marte.
Crédito: composição a cores falsas do CRISM e do HiRISE da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, Lee et al., 2023
 

"O que descobrimos não é gelo, mas um depósito de sal com as características morfológicas detalhadas de um glaciar. O que pensamos que aconteceu aqui é que o sal formou-se no topo de um glaciar, preservando a forma do gelo por baixo, até pormenores como campos de fendas e bandas de moreias", disse o Dr. Pascal Lee, cientista planetário do Instituto SETI e do Instituto de Marte, autor principal do estudo.

A presença de materiais vulcânicos cobrindo a região dá pistas de como os sais de sulfato podem ter-se formado e preservado a impressão de um glaciar por baixo. Quando materiais piroclásticos (misturas de cinza vulcânica, pedra-pomes e blocos de lava quente), acabados de entrar em erupção, entram em contacto com água gelada, os sais de sulfato, como os que normalmente compõem os depósitos de tonalidade clara de Marte, podem formar-se e acumular-se numa camada dura e irregular de sal.

"Esta região de Marte tem uma história de atividade vulcânica. E no local onde alguns materiais vulcânicos entraram em contacto com gelo glaciar teriam ocorrido reações químicas [na fronteira entre os dois] para formar uma camada endurecida de sais de sulfato", explica Sourabh Shubham, estudante no Departamento de Geologia da Universidade de Maryland, coautor do estudo. "Esta é a explicação mais provável para os sulfatos hidratados e hidroxilados que observamos neste LTD".

Ao longo do tempo, com a erosão removendo os materiais vulcânicos, torna-se exposta uma camada dura de sulfatos que espelha o gelo glaciar por baixo, o que explicaria como um depósito de sal é agora visível, apresentando características únicas dos glaciares, tais como fendas e faixas de moreias.

"Os glaciares apresentam frequentemente tipos distintos de características, incluindo campos de fendas marginais, longitudinais, e também faixas de moreias e foliação glacial. Vemos características análogas neste LTD, na forma, localização e na escala. É muito intrigante", disse John Schutt, geólogo do Instituto de Marte, experiente guia do campo de gelo no Ártico e na Antártida e coautor deste estudo.

 
Interpretação das características da "relíquia glacial".
Crédito: Lee et al., 2023
 

As características de escala fina do glaciar, o seu depósito associado de sais de sulfato e os materiais vulcânicos sobrejacentes são todos muito escassamente craterados por impactos e devem ser geologicamente jovens, provavelmente do período Amazoniano, a mais recente das eras geológicas e que inclui o Marte moderno. "Temos conhecimento de atividade glacial em muitos locais de Marte, incluindo no equador e perto do equador, mas num passado mais distante. E sabemos de atividade glacial recente em Marte mas, até agora, apenas a latitudes mais elevadas. Uma relíquia glacial, relativamente jovem, neste local, diz-nos que Marte teve gelo superficial em tempos recentes, mesmo perto do equador, o que é uma informação nova", disse Lee.

Resta saber se a água gelada pode estar preservada debaixo do LTD ou se desapareceu por completo. "A água gelada não é, atualmente, estável à superfície de Marte, perto do equador e nestas elevações. Portanto, não é surpreendente que não estejamos a detetar qualquer água gelada à superfície. É possível que todo o gelo do glaciar já se tenha sublimado. Mas há também uma hipótese de que parte ainda possa estar protegido a pouca profundidade sob os sais de sulfato".

O estudo traça uma analogia com as antigas ilhas de gelo nos leitos de lagos salgados, ou salares, do Altiplano na América do Sul. Ali, o antigo gelo glacial permaneceu protegido do derretimento, evaporação e sublimação sob coberturas de sais brilhantes. Lee e coautores teorizam uma situação semelhante para explicar como os sais de sulfato em Marte poderiam ser capazes de fornecer proteção à de outro modo vulnerável água gelada, a baixas latitudes no planeta.

Se ainda houver água gelada preservada a pouca profundidade, a latitudes baixas em Marte, isto terá implicações para a ciência e para a exploração humana. "O desejo de fazer pousar humanos num local onde possam ser capazes de extrair água gelada do solo tem pressionado os planeadores das missões a considerar locais de maior latitude. Mas esses ambientes são tipicamente mais frios e mais desafiantes para os humanos e para os robôs. Se existissem locais equatoriais onde o gelo pudesse ser encontrado a pouca profundidade, então teríamos o melhor de ambos os ambientes: condições mais quentes para a exploração humana e ainda acesso ao gelo", explicou Lee.

Mas Lee adverte que ainda é preciso fazer mais trabalho: "Temos agora de determinar se nesta relíquia glacial ainda existe água gelada e, a haver, em que quantidades. E também se outros depósitos de tonalidade clara também poderão ter, ou já tiveram, substratos ricos em gelo".

// Instituto SETI (comunicado de imprensa)
// Instituto de Marte (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (PDF)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG
CNN
METRO

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
Noctis Labyrinthus (Wikipedia)

Glaciar:
Wikipedia
Fenda glacial (Wikipedia)
Moreia (Wikipedia)

 
   
Os cientistas têm uma nova ferramenta para estimar a quantidade de água que pode estar escondida sob a superfície de um planeta
 
Mundos de água. Da esquerda para a direita: Kepler-22b, Kepler-69c, Kepler-452b, Kepler-62f e Kepler-186f. O mais à direita é, claro, o nosso planeta Terra.
Crédito: NASA/Ames/JPL-Caltech
 

Na procura por vida noutras partes do Universo, os cientistas tradicionalmente procuram planetas com água líquida à superfície. Mas, em vez de fluir como oceanos e rios, grande parte da água de um planeta pode estar "trancada" em rochas nas profundezas do seu interior.

Cientistas da Universidade de Cambridge têm agora uma forma de estimar a quantidade de água que um planeta rochoso pode armazenar nos seus reservatórios subterrâneos. Pensa-se que esta água, que está fechada na estrutura de minerais, pode ajudar um planeta a recuperar do seu infernal nascimento.

Os investigadores desenvolveram um modelo que pode prever a proporção de minerais ricos em água dentro de um planeta. Estes minerais atuam como uma esponja, absorvendo água que mais tarde pode regressar à superfície e reabastecer os oceanos. Os seus resultados podem ajudar-nos a compreender como os planetas podem tornar-se habitáveis após o calor e a radiação intensa dos seus primeiros anos de vida.

Os planetas que orbitam estrelas anãs vermelhas do tipo M - o tipo estelar mais comum na Via Láctea - são considerados dos melhores locais para procurar vida extraterrestre. Mas estas estrelas têm anos de adolescência particularmente tempestuosos - libertando intensos surtos de radiação que atingem os planetas próximos e "cozem" a sua água superficial.

A fase de adolescência do nosso Sol foi relativamente curta, mas as estrelas anãs vermelhas passam muito mais tempo neste angustioso período de transição. Como resultado, os planetas sob a sua asa sofrem um grande efeito de estufa, onde o seu clima é lançado para o caos.

"Queríamos investigar se estes planetas, após tempos intensos, podiam reabilitar-se e passar a acolher água superficial", disse a autora principal do estudo, Claire Guimond, estudante de doutoramento no Departamento de Ciências da Terra de Cambridge.

A nova investigação, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, mostra que a água interior pode ser uma forma viável de reabastecer a água líquida da superfície quando a estrela hospedeira tiver amadurecido e ficado mais calma. Esta água teria provavelmente sido movimentada por vulcões e gradualmente libertada como vapor para a atmosfera, juntamente com outros elementos geradores de vida.

O seu novo modelo permite-lhes calcular a capacidade de água interior de um planeta com base no seu tamanho e na química da sua estrela hospedeira. "O modelo dá-nos um limite superior da quantidade de água que um planeta poderia transportar nas suas profundezas, com base nestes minerais e na sua capacidade de captar água para a sua estrutura", disse Guimond.

Os investigadores descobriram que o tamanho de um planeta desempenha um papel fundamental na decisão da quantidade de água que pode conter. Isto porque o tamanho de um planeta determina a proporção de minerais [que transportam água] de que é feito.

A maior parte da água interior de um planeta está contida dentro de uma camada rochosa conhecida como manto superior - que se encontra diretamente abaixo da crosta. Aqui, as condições de pressão e temperatura são ideais para a formação de minerais azul-esverdeados chamados wadsleyite e ringwoodite, que podem absorver água. Esta camada rochosa também está ao alcance dos vulcões, o que poderia trazer água de volta para a superfície através de erupções.

A nova investigação mostrou que os planetas maiores - cerca de duas a três vezes o tamanho da Terra - têm tipicamente mantos rochosos mais secos porque o manto superior rico em água constitui uma proporção menor da sua massa total.

Os resultados podem fornecer aos cientistas diretrizes para ajudar na sua busca por exoplanetas que possam acolher vida. "Isto pode ajudar a refinar a nossa triagem de quais planetas estudar primeiro", disse Oliver Shorttle, associado ao Departamento de Ciências da Terra e ao Instituto de Astronomia, ambos em Cambridge. "Quando estamos à procura dos planetas que melhor abriguem água, provavelmente não queremos um significativamente mais massivo ou extremamente mais pequeno do que a Terra".

Os resultados podem também contribuir para a nossa compreensão de como os planetas, incluindo "os mais próximos de casa", como Vénus, podem passar de paisagens infernais estéreis para um "berlinde azul". As temperaturas à superfície de Vénus, que tem tamanho e composição semelhantes à Terra, rondam os 450º C e a sua espessa atmosfera é composta por dióxido de carbono e azoto. Ainda não sabemos se Vénus hospedou água líquida à sua superfície há 4 mil milhões de anos. "Se for esse o caso, então Vénus deve ter encontrado uma forma de se arrefecer e recuperar a água superficial depois de ter nascido em torno de um Sol ardente", disse Shorttle. "É possível que tenha recorrido à sua água interior para o fazer".

// Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

 
   
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  Instrumento com destino Titã pode revelar química que levou à vida (via NASA)
Deverá ser lançada em 2027 uma nova missão da NASA à lua gigante de Saturno, Titã. Quando chegar em meados da década de 2030, começará uma viagem de descoberta que poderá trazer uma nova compreensão do desenvolvimento da vida no universo. Esta missão, chamada Dragonfly, levará um instrumento chamado DraMS (Dragonfly Mass Spectrometer), concebido para ajudar os cientistas a aperfeiçoar a química em ação naquele satélite. Pode também lançar luz sobre os tipos de etapas químicas que ocorreram na Terra e que acabaram por levar à formação da vida, chamada química prebiótica. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias
M1: A Nebulosa do Caranguejo em Expansão

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Detlef Hartmann
 
A Nebulosa do Caranguejo está catalogada como M1, a primeira na famosa lista de "coisas" que não são cometas de Charles Messier. De facto, o Caranguejo é agora conhecido por ser um remanescente de supernova, uma nuvem de detritos em expansão criada pela explosão de uma estrela massiva. O violento nascimento de M1 foi testemunhado por astrónomos no ano de 1054. Hoje com cerca de 10 anos-luz de diâmetro, a nebulosa continua a crescer a um ritmo de mais de 1000 km/s. A sua expansão foi documentada neste espantoso filme ao longo da última década. Em cada ano, de 2008 a 2022, foi produzida uma imagem com o mesmo telescópio e câmara a partir de um observatório remoto na Áustria. Os fotogramas nítidos e processados revelam até a emissão energética e dinâmica em torno do pulsar giratório no centro. A Nebulosa do Caranguejo situa-se a cerca de 6500 anos-luz na direção da constelação de Touro.
 
   
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