Programa em atualização
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EFEMÉRIDES
DIA 22/08: 234.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1989 era descoberto, definitivamente, o primeiro anel de Neptuno, graças à Voyager 2. HOJE, NO COSMOS:
À medida que o mês de agosto procede e as noites começam a ficar menos quentes, o Grande Quadrado de Pégaso eleva-se a este, apoiado num canto. As suas estrelas são apenas de magnitude 2 e 3, e o punho do observador, à distância do braço esticado, cabe no seu interior.
A partir do canto esquerdo do Grande Quadrado desloca-se a linha principal da constelação de Andrómeda: três estrelas (incluindo o canto) tão brilhantes quanto aquelas que formam o Quadrado de Pégaso. A linha estende-se para a esquerda e um pouco para baixo.
DIA 23/08: 235.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1962 estreia a série televisiva, "The Jetsons", uma produção da Hanna-Barbara que introduziu a uma geração um futuro com base na tecnologia.
Em 1966, a Lunar Orbiter 1 tira a primeira fotografia da Terra a partir de órbita lunar.
Em 1993, a sonda Galileu descobre uma lua, mais tarde chamada Dactyl, em torno de 243 Ida, a primeira lua conhecida em torno de um asteroide. HOJE, NO COSMOS:
Saturno está razoavelmente alto a sudeste pelas 23 horas. Procure, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado para baixo do planeta, Fomalhaut, a Estrela de Outono. Não há naquela zona nenhuma outra estrela de primeira magnitude. Fomalhaut está baixa, de modo que recomendamos um horizonte desimpedido para a sua observação.
DIA 24/08: 236.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1492 Cristovão Colombo partia pela segunda vez para o Novo Mundo.
Em 1966, a Luna 11 era lançada de uma plataforma em órbita da Terra.
Esta missão soviética tinha como objetivo estudar a composição química e anomalias gravitacionais da Lua.
Em 2006, a União Astronómica Internacional (UAI)redefine o termo "planeta", e Plutão é a partir daí considerado um planeta anão.
Em 2017, a agência espacial de Taiwan lança com sucesso o satélite de observação Formosat-5 para o espaço. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 10:57.
Oportunidade fotográfica: a Lua em Quarto Crescente está, esta noite, para a direita da brilhante estrela Antares, o coração do Escorpião.
O desaparecimento das nuvens de Neptuno está relacionado com o ciclo solar
Esta sequência de imagens do Telescópio Espacial Hubble regista o aumento e a diminuição da quantidade de nuvens em Neptuno. Este longo conjunto de observações mostra que o número de nuvens cresce após um pico no ciclo solar - em que o nível de atividade do Sol aumenta e diminui ritmicamente ao longo de um período de 11 anos. As alterações químicas são causadas pela fotoquímica, que ocorre no alto da atmosfera superior de Neptuno e leva tempo a formar nuvens. Em 1989, a nave espacial Voyager 2 da NASA forneceu as primeiras imagens, de perto, de nuvens lineares e brilhantes, reminiscentes de cirros na Terra, vistas no alto da atmosfera de Neptuno. Formam-se acima da maior parte do metano da atmosfera de Neptuno e refletem todas as cores da luz solar, o que as torna brancas. O Hubble continua o que o breve "flyby" da Voyager alcançou, mantendo um olhar contínuo todos os anos.
Crédito: NASA, ESA, Erandi Chavez (UC Berkeley), Imke de Pater (UC Berkeley)
Os astrónomos descobriram uma ligação entre a abundância variável das nuvens de Neptuno e o ciclo solar de 11 anos, em que o aumento e a diminuição dos campos magnéticos emaranhados do Sol impulsionam a atividade solar.
Esta descoberta baseia-se em três décadas de observações de Neptuno obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA e pelo Observatório W. M. Keck no Hawaii, bem como em dados do Observatório Lick no estado norte-americano da Califórnia.
A ligação entre Neptuno e a atividade solar é surpreendente para os cientistas planetários porque Neptuno é o planeta gigante mais distante no nosso Sistema Solar e recebe cerca de 0,1% da intensidade solar que a Terra recebe. No entanto, o clima global nublado de Neptuno parece ser impulsionado pela atividade solar e não pelas quatro estações do planeta, que duram aproximadamente 40 anos cada uma.
Atualmente, a cobertura de nuvens observada em Neptuno é extremamente baixa, com exceção de algumas nuvens que pairam sobre o polo sul do planeta gigante. Uma equipa de astrónomos liderada pela Universidade da Califórnia, Berkeley, descobriu que a abundância de nuvens normalmente observada nas latitudes médias do gigante gelado começou a desaparecer em 2019.
"Fiquei surpreendido com a rapidez com que as nuvens desapareceram em Neptuno", disse Imke de Pater, professora de astronomia na UC Berkeley e autora sénior do estudo. "Vimos essencialmente a atividade das nuvens cair em poucos meses", disse ela.
"Mesmo agora, quatro anos depois, as imagens mais recentes que obtivemos em junho passado ainda mostram que as nuvens não voltaram aos seus níveis anteriores", disse Erandi Chavez, estudante no Centro para Astrofísica | Harvard-Smithsonian em Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts, que liderou o estudo quando era estudante de astronomia na Universidade da Califórnia em Berkeley. "Isto é extremamente excitante e inesperado, especialmente porque o período anterior de baixa atividade das nuvens de Neptuno não foi tão dramático e prolongado."
Para monitorizar a evolução da aparência de Neptuno, Chavez e a sua equipa analisaram imagens do Observatório Keck tiradas de 2002 a 2022, observações de arquivo do Telescópio Espacial Hubble com início em 1994 e dados do Observatório Lick na Califórnia de 2018 a 2019.
Nos últimos anos, as observações do Keck foram complementadas por imagens tiradas como parte do seu programa Twilight Zone e pelo programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy) do Hubble.
As imagens revelam um padrão intrigante entre as mudanças sazonais na cobertura de nuvens de Neptuno e o ciclo solar - o período em que o campo magnético do Sol muda de 11 em 11 anos, tornando-se mais emaranhado como um novelo de lã. Isto é evidente no número crescente de manchas solares e no aumento da atividade das erupções solares. À medida que o ciclo progride, o comportamento tempestuoso do Sol atinge o seu máximo, até que o campo magnético se afunda e inverte a polaridade. Em seguida, o Sol volta a estabilizar-se num mínimo, apenas para iniciar outro ciclo.
Esta sequência de imagens do Telescópio Espacial Hubble regista o aumento e a diminuição da quantidade de nuvens em Neptuno. Este conjunto de observações de quase 30 anos mostra que o número de nuvens cresce a seguir a um pico do ciclo solar - em que o nível de atividade do Sol aumenta e diminui ritmicamente ao longo de um período de 11 anos. O nível de radiação ultravioleta do Sol é representado no eixo vertical. O ciclo de 11 anos é representado ao longo da parte inferior, de 1994 a 2022. As observações do Hubble, na parte superior, mostram claramente uma correlação entre a abundância de nuvens e o pico de atividade solar. As mudanças químicas são causadas pela fotoquímica, que ocorre no alto da atmosfera superior de Netuno e leva tempo para formar nuvens.
Crédito: NASA, ESA, LASP, Erandi Chavez (UC Berkeley), Imke de Pater (UC Berkeley)
Quando há tempestades no Sol, a radiação ultravioleta (UV) mais intensa inunda o Sistema Solar. A equipa descobriu que dois anos após o pico do ciclo solar, um número crescente de nuvens aparece em Neptuno. A equipa encontrou ainda uma correlação positiva entre o número de nuvens e o brilho do gigante gelado a partir da luz solar que é nele refletida.
"Estes dados notáveis dão-nos a evidência mais forte até agora de que a cobertura de nuvens de Neptuno está correlacionada com o ciclo do Sol", disse de Pater. "Os nossos resultados apoiam a teoria de que os raios UV do Sol, quando suficientemente fortes, podem estar a desencadear uma reação fotoquímica que produz as nuvens de Neptuno."
Os cientistas descobriram a ligação entre o ciclo solar e o padrão climático nublado de Neptuno ao analisarem 2,5 ciclos de atividade de nuvens registados ao longo dos 29 anos de observações neptunianas. Durante este período, a refletividade do planeta aumentou em 2002 e diminuiu em 2007. Neptuno voltou a aumentar de brilho em 2015, escurecendo depois em 2020 para o nível mais baixo alguma vez observado, altura em que a maioria das nuvens desapareceu.
As mudanças no brilho de Neptuno provocadas pelo Sol parecem subir e descer relativamente em sincronia com o ir e vir das nuvens no planeta. No entanto, há um desfasamento de dois anos entre o pico do ciclo solar e a abundância de nuvens observadas em Neptuno. As alterações químicas são causadas pela fotoquímica, que ocorre no alto da atmosfera superior de Neptuno e leva tempo a formar nuvens.
"É fascinante poder usar telescópios na Terra para estudar o clima de um mundo a mais de 4 mil milhões de quilómetros de distância de nós", disse Carlos Alvarez, astrónomo do Observatório Keck e coautor do estudo. "Os avanços na tecnologia e nas observações permitiram-nos restringir os modelos atmosféricos de Neptuno, que são fundamentais para compreender a correlação entre o clima do gigante gelado e o ciclo solar."
No entanto, é necessário mais trabalho. Por exemplo, embora um aumento da luz solar UV possa produzir mais nuvens e neblinas, pode também escurecê-las, reduzindo assim o brilho global de Neptuno. As tempestades em Neptuno que se erguem da atmosfera profunda afetam a cobertura de nuvens, mas não estão relacionadas com as nuvens produzidas fotoquimicamente, pelo que podem complicar os estudos de correlação com o ciclo solar. Também são necessárias observações contínuas de Neptuno para ver quanto tempo durará a atual quase ausência de nuvens.
A equipa de investigação continua a rastrear a atividade das nuvens de Neptuno. "Vimos mais nuvens nas imagens mais recentes do Keck que foram obtidas durante a mesma altura em que o Telescópio Espacial James Webb da NASA observou o planeta; estas nuvens foram vistas em particular nas latitudes norte e a grandes altitudes, como esperado pelo aumento observado no fluxo solar UV nos últimos 2 anos," disse de Pater.
Os dados combinados do Hubble, do Telescópio Espacial Webb, do Observatório Keck e do Observatório Lick permitirão novas investigações sobre a física e a química que conduzem ao aspeto dinâmico de Neptuno, o que por sua vez poderá ajudar a aprofundar a compreensão dos astrónomos não só de Neptuno, mas também dos exoplanetas, uma vez que se pensa que muitos dos planetas para lá do nosso Sistema Solar tenham qualidades semelhantes às de Neptuno.
Novo tipo de estrela dá-nos pistas sobre a origem misteriosa dos magnetares
Esta imagem artística mostra HD 45166, uma estrela massiva recentemente descoberta com um forte campo magnético de 43.000 gauss, o campo magnético mais forte encontrado até à data numa estrela massiva. A estrela lança fortes ventos de partículas, as quais ficam presas neste campo magnético, ficando a estrela rodeada por uma concha gasosa, como aqui ilustramos.
Os astrónomos acreditam que esta estrela terminará a sua vida como um magnetar, um corpo estelar compacto altamente magnético. À medida que HD 45166 for colapsando sob a sua própria gravidade, o seu campo magnético irá fortalecer-se e eventualmente a estrela tranformar-se-á num núcleo muito compacto com um campo magnético de cerca de 100 biliões gauss — o tipo de íman mais poderoso do Universo.
HD 45166 faz parte de um sistema binário. No fundo da imagem vemos a sua companheira, uma estrela azul normal que se descobriu que orbita a uma distância muito maior do que a anteriormente registada. Crédito: ESO/L. Calçada
Os magnetares são os ímanes mais fortes do Universo. Estas estrelas mortas superdensas, com campos magnéticos extremamente fortes, podem ser encontradas em toda a parte na nossa Galáxia, mas os astrónomos não sabem exatamente como é que estes objetos celestes se formam. Agora, usando vários telescópios de todo o mundo, os investigadores descobriram uma estrela "viva" que provavelmente se transformará num magnetar. Este resultado marca a descoberta de um novo tipo de objeto astronómico — estrelas magnéticas massivas de hélio — e ajuda-nos a investigar as origens dos magnetares.
Apesar de já ter sido observada há mais de 100 anos, a natureza enigmática da estrela HD 45166 continua a não ser facilmente explicada por modelos convencionais e pouco se sabe sobre este objeto para além do facto de pertencer a um binário, ser rica em hélio e ser algumas vezes mais massiva que o nosso Sol.
"Esta estrela tornou-se um pouco uma obsessão minha," diz Tomer Shenar, autor principal de um estudo sobre este objeto publicado na revista Science e astrónomo na Universidade de Amesterdão, Países Baixos. "Tomer e eu referimo-nos a HD 45166 como a 'estrela zombie'," confessa a coautora e astrónoma do ESO Julia Bodensteiner, que trabalha na Alemanha. "E não é apenas pelo facto desta estrela ser tão única, mas também porque eu digo a brincar que este objeto consegue transformar o Tomer num zombie."
Tendo já estudado anteriormente várias estrelas ricas em hélio, Shenar teve a ideia de que os campos magnéticos poderiam ajudar a explicar o comportamento desta estrela. De facto, sabe-se que os campos magnéticos influenciam o comportamento das estrelas e por isso talvez pudessem explicar também por que é que os modelos tradicionais falharam na descrição de HD45166, a qual se localiza a cerca de 3000 anos-luz de distância da Terra, na constelação do Unicórnio. "Lembro-me de ter tido um 'momento eureka' enquanto lia alguns artigos da literatura e pensar: 'Então e se a estrela for magnética...?'," comenta Shenar, atualmente a trabalhar no Centro de Astrobiologia de Madrid, em Espanha.
Shenar e a sua equipa prepararam-se para estudar esta estrela utilizando várias infraestruturas de todo o mundo. As observações principais foram efetuadas em fevereiro de 2022 com um instrumento montado no CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope), o qual pode detetar e medir campos magnéticos. A equipa utilizou também dados de arquivo obtidos com o instrumento FEROS (Fiber-fed Extended Range Optical Spectrograph), no Observatório de La Silla do ESO, no Chile.
Assim que teve acesso a todas as observações, Shenar pediu ao coautor Gregg Wade, especialista em campos magnéticos estelares, do Colégio Militar Real do Canadá, para examinar os dados. A resposta de Wade confirmou o palpite de Shenar: "Bom, meu amigo, o que quer que esta coisa seja, é definitivamente magnética!"
A equipa de investigadores descobriu que a estrela tem um campo magnético extremamente forte, de 43.000 gauss, o que faz de HD 45166 a estrela massiva mais magnética encontrada até à data. "Toda a superfície da estrela de hélio tem um campo magnético quase 100.000 vezes mais forte que o da Terra," explica o coautor Pablo Marchant, astrónomo no Instituto de Astronomia da KU Leuven, Bélgica.
Esta observação marca a descoberta da primeira estrela magnética massiva de hélio. "É muito excitante descobrir um novo tipo de objeto astronómico," diz Shenar, "especialmente quando esteve este tempo todo 'escondido de rabo de fora'."
Adicionalmente, esta descoberta dá-nos pistas sobre a origem dos magnetares — estrelas mortas compactas permeadas por campos magnéticos pelo menos mil milhões de vezes mais fortes do que o de HD45166. Os cálculos da equipa sugerem que esta estrela irá terminar a sua vida como um magnetar. À medida que for colapsando sob a sua própria gravidade, o seu campo magnético irá fortalecer-se e eventualmente a estrela tranformar-se-á num núcleo muito compacto com um campo magnético de cerca de 100 biliões gauss — o tipo de íman mais poderoso do Universo.
Shenar e a sua equipa descobriram igualmente que HD 45166 tem uma massa mais pequena do que a registada anteriormente, cerca de duas vezes a massa do Sol, e que a sua companheira orbita a uma distância maior do que o que se supunha antes. Para além disso, este trabalho indica que HD 45166 se formou através da fusão de duas estrelas mais pequenas ricas em hélio. "Os nossos resultados alteraram radicalmente a nossa compreensão de HD 45166," conclui Bodensteiner.
Contemple os desfiladeiros gelados do norte de Plutão nesta cena a cores com contraste melhorado. Os dados de imagem utilizados para a sua construção foram obtidos em julho de 2015 pela sonda New Horizons, quando esta efetuou o primeiro voo de reconhecimento através do remoto sistema de Plutão, a seis mil milhões de quilómetros do Sol. Agora conhecida como Lowell Regio, a região foi batizada em homenagem a Percival Lowell, fundador do Observatório Lowell. Também famoso pela sua especulação de que existiam canais em Marte, Lowell iniciou a busca que acabou por levar à descoberta de Plutão em 1930 por Clyde Tombaugh. Nesta imagem, o polo norte de Plutão está acima e à esquerda do centro. O pálido chão azulado do largo desfiladeiro à esquerda tem cerca de 70 quilómetros de largura, correndo verticalmente para sul. As maiores elevações adquirem uma tonalidade amarelada. As medições da New Horizons foram usadas para determinar que, para além do azoto gelado, em Lowell Regio o metano gelado também é abundante. Até agora, Plutão é o único mundo do Sistema Solar cujo nome foi sugerido por uma rapariga de 11 anos.
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