OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA Data: 20 de janeiro de 2024 Hora: 10:00
Neste dia realiza-se a sessão de observação do sol perto do estacionamento na parte traseira do Mercado Municipal em Tavira pelas 10:00. A sessão é gratuita. Participe!
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 12/01: 12.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1820 é fundada a "British Royal Astronomical Society".
Em 1986, lançamento da STS-61-C, do vaivém Columbia. Foi a última missão antes do desastre do vaivém Challenger.
Em 2005 é lançada a partir de Cabo Canaveral a sonda Deep Impact.
Em 2007, o cometa C/2006 P1 (McNaught) alcança o periélio e torna-se no cometa mais brilhante dos últimos 40 anos. HOJE, NO COSMOS:
Nesta época do ano a pequena Ursa Menor apoia-se como que "pregada" a partir da Polar. A Ursa Maior, entretanto, sobe a norte-nordeste. A sua "pega" está baixa e a "frigideira" está para cima e para a direita.
DIA 13/01: 13.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1610, Galileu Galilei observa pela primeira vez todos os quatro satélites de Júpiter ao mesmo tempo.
Em 1993, lançamento da missão STS-54 do vaivém espacial Endeavour, o seu terceiro voo.
Em 2000, foram descobertos buracos negros solitários à deriva na Galáxia.
Em 2003, é descoberta a anã castanha mais próxima, com uma massa entre 40-60 sóis, a menos de 12 anos-luz de distância do Sol. Faz parte do sistema Epsilon Indi. Em agosto do mesmo ano, os astrónomos descobriram que a anã castanha era afinal um binário de anãs castanhas. HOJE, NO COSMOS:
A fina Lua Crescente forma um triângulo com Saturno e com Fomalhaut ao final do lusco-fusco.
DIA 14/01: 14.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 2005 aterrava em Titã a sonda Huygens.
É a primeira vez que uma sonda pousa em Titã. Aterrou no solo, embora pudesse também ter aterrado num oceano. Continuou a enviar dados durante 90 minutos após o pouso. Permanece a aterragem mais distante alguma vez levada a cabo por um objeto feito pelo Homem. HOJE, NO COSMOS:
A Lua, Saturno e Fomalhaut formam agora um triângulo parecido ao de ontem, mas de aspeto inverso no eixo entre o planeta e a estrela.
DIA 15/01: 15.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1969, a União Soviética lançava a Soyuz 5.
Em 1976, lançamento da Helios-B para órbita solar.
Em 2005, uma intensa proeminência solar liberta raios-X por todo o Sistema Solar. No mesmo dia, a sonda SMART-1 da ESA descobre elementos como o cálcio, alumínio, sílica, ferro e outros à superfície da Lua. HOJE, NO COSMOS:
Os Gémeos situam-se de lado nestas noites de janeiro, para a esquerda de Orionte. As estrelas correspondentes às suas cabeças, Castor e Pollux, estão o mais longe de Orionte, uma sob a outra (Castor é a estrela de cima). Os pés da figura do gémeo Castor estão logo à esquerda do topo da "moca" do Caçador.
Encontrado elo perdido: supernovas dão origem a buracos negros ou estrelas de neutrões
Esta imagem artística baseia-se no resultado de uma explosão de supernova observada por duas equipas de astrónomos com o VLT (Very Large Telescope) e o NTT (New Technology Telescope), ambos do ESO. A supernova observada, SN 2022jli, ocorreu quando uma estrela de grande massa morreu numa imensa explosão, deixando para trás um objeto compacto: uma estrela de neutrões ou um buraco negro. Esta estrela moribunda tinha, no entanto, uma companheira que conseguiu sobreviver a este evento violento. As interações periódicas entre o objeto compacto e a sua companheira deixaram sinais periódicos nos dados, revelando-nos que da explosão de supernova tinha, de facto, resultado um objeto compacto.
Crédito: ESO/L. Calçada
Os astrónomos descobriram uma ligação direta entre as mortes explosivas de estrelas de grande massa e a formação dos objetos mais compactos e enigmáticos do Universo: buracos negros e estrelas de neutrões. Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) e do NTT (New Technology Telescope), ambos do ESO, duas equipas de investigadores conseguiram observar o resultado de uma explosão de supernova numa galáxia próxima, encontrando assim evidências de um misterioso objeto compacto deixado para trás.
Quando chegam ao final das suas vidas, as estrelas de grande massa colapsam sob a sua própria gravidade tão rapidamente que o resultado é uma violenta explosão conhecida por supernova. Os astrónomos pensam que, depois da toda a excitação da explosão, o que resta é um núcleo extremamente denso, ou um remanescente compacto, da estrela. Dependendo da massa da estrela que explode, o remanescente compacto tanto pode ser uma estrela de neutrões, um objeto tão denso que uma colher de chá do seu material pesaria cerca de um bilião de quilos na Terra; ou um buraco negro, um objeto do qual nada, nem mesmo a luz, consegue escapar.
Os astrónomos encontraram no passado muitos indícios que apontam para esta cadeia de eventos, tais como a descoberta de uma estrela de neutrões no seio da Nebulosa do Caranguejo, a nuvem de gás que resultou da explosão de uma estrela que ocorreu há quase mil anos atrás. No entanto, nunca este processo foi observado em tempo real, o que significa que evidências diretas de uma supernova a deixar para trás um remanescente compacto têm permanecido elusivas. "Com este nosso trabalho, conseguimos estabelecer uma ligação direta," disse Ping Chen, investigador do Instituto Científico Weizmann, em Israel, autor principal de um estudo publicado na revista Nature e apresentado no 243.º Encontro da Sociedade Astronómica Americana em Nova Orleães, EUA.
A sorte dos investigadores mudou quando, em maio de 2022, o astrónomo amador da África do Sul, Berto Monard, descobriu a supernova SN 2022jli no braço espiral da galáxia próxima NGC 157, situada a cerca de 75 milhões de anos-luz de distância. Duas equipas separadas estudaram o resultado da explosão, descobrindo que esta apresentava um comportamento peculiar.
Esta imagem artística mostra o processo pelo qual uma estrela de grande massa num sistema binário se transforma numa supernova. Esta série de eventos ocorreu na supernova SN 2022jli e foi observada pelos astrónomos com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) e do NTT (New Technology Telescope), ambos do ESO. Após a explosão sob a forma de supernova da estrela de grande massa, o que restou foi um objeto compacto - uma estrela de neutrões ou um buraco negro. A estrela companheira sobreviveu à explosão, mas a sua atmosfera tornou-se mais inchada. O objeto compacto e a sua estrela companheira continuaram em órbita um do outro, com o objeto compacto a "roubar" regularmente matéria da atmosfera aumentada da sua companheira. Esta acreção de matéria foi observada nos dados dos investigadores como flutuações regulares de brilho e também como movimentos periódicos de hidrogénio gasoso.
Crédito: ESO/L. Calçada
Depois da explosão, o brilho da maioria das supernovas simplesmente desvanece com o tempo; os astrónomos observam um declínio suave e gradual na "curva de luz" da explosão. Contudo, o comportamento de SN 2022jli era deveras peculiar: apesar do brilho total ir diminuindo, isso não acontecia de forma suave, apresentando antes oscilações para cima e para baixo, mais ou menos a cada 12 dias. "Observámos uma sequência repetitiva de iluminação e desvanecimento da luz nos dados de SN 2022jli," explica Thomas Moore, estudante de doutoramento na Queen’s University Belfast, no Norte da Irlanda, que liderou o estudo da supernova publicado no final do ano passado na revista The Astrophysical Journal Letters. "Trata-se da primeira vez que oscilações periódicas repetidas durante muitos ciclos foram detetadas na curva de luz de uma supernova," refere Moore no seu artigo científico.
Tanto a equipa de Moore como a de Chen pensam que a presença de mais de uma estrela no sistema SN 2022jli pode explicar este comportamento. De facto, não é invulgar que as estrelas de grande massa partilhem a sua órbita com uma estrela companheira, no que é chamado um sistema binário, e a estrela que deu origem a SN 2022jli não é exceção. No entanto, o que é notável neste sistema é que a estrela companheira parece ter sobrevivido à morte violenta da sua parceira e os dois objetos, o remanescente compacto e a estrela companheira, muito provavelmente continuaram em órbita um do outro.
Os dados recolhidos pela equipa de Moore, que incluíram observações levadas a cabo com o NTT do ESO, no deserto chileno do Atacama, não permitiram descobrir exatamente como é que a interação entre os dois objetos causou os altos e baixos na curva de luz. No entanto, a equipa de Chen fez observações adicionais e descobriu as mesmas flutuações regulares que a equipa de Moore no brilho visível do sistema, mas descobriu também movimentos periódicos de hidrogénio gasoso e explosões de raios gama no sistema. As suas observações foram realizadas com um complemento de instrumentos no solo e no espaço, incluindo o instrumento X-shooter montado no VLT do ESO, no Chile.
Esta imagem artística baseia-se no resultado de uma explosão de supernova, SN 2022jli, observada por duas equipas de astrónomos com o VLT (Very Large Telescope) e o NTT (New Technology Telescope), ambos do ESO. Esta explosão ocorreu num sistema binário, o que significa que a estrela que criou a supernova e deixou para trás um objeto compacto tinha uma estrela companheira. O objeto compacto e a sua companheira continuaram em órbita um do outro, com o objeto compacto a "roubar" regularmente matéria da sua companheira sempre que se aproxima dela, como podemos ver aqui.
Crédito: ESO/L. Calçada
Juntando todas as informações, as duas equipas, de modo geral, concordam que quando a estrela companheira interagiu com o material lançado durante a explosão de supernova, a sua atmosfera rica em hidrogénio tornou-se mais inchada do que o habitual. Depois, quando o objeto compacto deixado pela explosão passa, ao descrever a sua órbita, pela atmosfera da companheira, vai retirando hidrogénio gasoso e formando um disco quente de matéria em seu torno. Este "roubo" periódico de matéria, ou acreção, produz imensa energia que foi vista nas observações como variações regulares de brilho.
Apesar das equipas não terem conseguido observar luz vinda do objeto compacto propriamente dito, foi concluído que este roubo energético só pode ser devido a uma estrela de neutrões invisível, ou possivelmente a um buraco negro, que retira matéria à atmosfera acrescentada da estrela companheira. "O nosso trabalho corresponde a resolver um mistério juntando todas as pistas possíveis," diz Chen. "Juntamos todas as peças que nos conduzem assim à verdade."
Com a presença confirmada de um buraco negro ou de uma estrela de neutrões, há ainda imenso para desvendar sobre este sistema enigmático, incluindo a natureza exata do objeto compacto ou que fim poderá ter este sistema binário. Os telescópios de próxima geração como o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, previsto para começar a funcionar no final desta década, ajudar-nos-ão a resolver estas questões, permitindo aos astrónomos revelar detalhes sem precedentes sobre este sistema único.
Webb encontra sinais de possíveis auroras numa anã castanha isolada
Esta ilustração retrata a anã castanha W1935, que se encontra a 47 anos-luz da Terra. Os astrónomos utilizaram o Telescópio Espacial James Webb da NASA para descobrir emissões infravermelhas de metano provenientes de W1935. Esta é uma descoberta inesperada porque a anã castanha é fria e não tem uma estrela hospedeira; por isso, não há uma fonte óbvia de energia para aquecer a sua atmosfera superior e fazer brilhar o metano. A equipa especula que a emissão de metano pode ser devida a processos que geram auroras, vistas aqui a vermelho.
Crédito:
NASA, ESA, CSA e L. Hustak (STScI)
Recorrendo ao Telescópio Espacial James Webb da NASA, os astrónomos descobriram uma anã castanha (um objeto mais massivo do que Júpiter, mas mais pequeno do que uma estrela) com emissões infravermelhas de metano, provavelmente devido à energia na sua atmosfera superior. Esta é uma descoberta inesperada porque a anã castanha, W1935, é fria e não tem uma estrela hospedeira; por isso, não há uma fonte óbvia para a energia da atmosfera superior. A equipa especula que a emissão de metano pode ser devida a processos que geram auroras.
Estas descobertas foram apresentadas na 243.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Nova Orleães.
Para ajudar a explicar o mistério da emissão infravermelha do metano, a equipa voltou-se para o nosso Sistema Solar. A emissão de metano é uma característica comum em gigantes gasosos como Júpiter e Saturno. O aquecimento da atmosfera superior, que alimenta esta emissão, está relacionado com as auroras.
Na Terra, as auroras são criadas quando as partículas energéticas lançadas para o espaço pelo Sol são capturadas pelo campo magnético da Terra. Estas partículas caem em cascata na nossa atmosfera ao longo das linhas do campo magnético perto dos polos da Terra, colidindo com as moléculas de gás e criando misteriosas e dançantes cortinas de luz. Júpiter e Saturno têm processos aurorais semelhantes que envolvem a interação com o vento solar, mas também recebem contribuições aurorais de luas ativas próximas como Io (para Júpiter) e Encélado (para Saturno).
Para anãs castanhas isoladas como W1935, a ausência de um vento estelar que contribua para o processo auroral e explique a energia extra na atmosfera superior, necessária para a emissão de metano, é um mistério. A equipa supõe que processos internos não contabilizados, como os fenómenos atmosféricos de Júpiter e Saturno, ou interações externas com plasma interestelar ou uma lua ativa próxima, podem ajudar a explicar a emissão.
Uma história de detetive
A descoberta das auroras é como uma história de detetive. Uma equipa liderada por Jackie Faherty, astrónoma do Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque, recebeu tempo de observação com o Webb e investigou 12 anãs castanhas frias. Entre elas estavam W1935 - um objeto que foi descoberto pelo cientista cidadão Dan Caselden, que trabalhou com o projeto Backyard Worlds da plataforma Zooniverse - e W2220, um objeto que foi descoberto usando o WISE (Wide Field Infrared Survey Explorer) da NASA. O Webb revelou em pormenor que W1935 e W2220 pareciam ser quase clones uma da outra em termos de composição. Também partilhavam características como brilho, temperaturas e espetros de água, amoníaco, monóxido de carbono e dióxido de carbono. A exceção notável era que W1935 mostrava emissão de metano, em oposição à característica de absorção prevista para W2220. Isto foi observado num comprimento de onda infravermelho distinto, ao qual o Webb é particularmente sensível.
"Esperávamos ver metano porque o metano está por todo o lado nestas anãs castanhas. Mas em vez de absorver a luz, vimos exatamente o contrário: o metano estava a brilhar. O meu primeiro pensamento foi: 'O que se passa? Porque é que este objeto emite metano?'", disse Faherty.
A equipa utilizou modelos de computador para inferir o que poderia estar por detrás da emissão. O trabalho de modelação mostrou que W2220 tinha uma distribuição de energia esperada em toda a atmosfera, arrefecendo com o aumento da altitude. W1935, por outro lado, teve um resultado surpreendente. O melhor modelo favorecia uma inversão de temperatura, em que a atmosfera ficava mais quente com o aumento da altitude. "Esta inversão de temperatura é realmente intrigante", disse Ben Burningham, coautor da Universidade de Hertfordshire, em Inglaterra, e principal modelador do trabalho. "Já vimos este tipo de fenómeno em planetas com uma estrela próxima que pode aquecer a estratosfera, mas vê-lo num objeto sem uma fonte de calor externa óbvia é incrível."
Os astrónomos usaram o Telescópio Espacial James Webb da NASA para estudar 12 anãs castanhas frias. Duas delas - W1935 e W2220 - pareciam ser quase gémeas uma da outra em termos de composição, brilho e temperatura. No entanto, W1935 mostrava emissão de metano, em oposição à característica de absorção prevista que foi observada para W2220. A equipa especula que a emissão de metano pode ser devida a processos que geram auroras.
Crédito:
NASA, ESA, CSA e L. Hustak (STScI)
Pistas do nosso Sistema Solar
Para procurar pistas, a equipa olhou para o nosso próprio quintal, para os planetas do nosso Sistema Solar. Os planetas gigantes gasosos podem servir de indicadores para o que se vê a acontecer a mais de 40 anos-luz de distância na atmosfera de W1935.
A equipa apercebeu-se de que as inversões de temperatura são proeminentes em planetas como Júpiter e Saturno. Ainda há trabalho em curso para compreender as causas do seu aquecimento estratosférico, mas as principais teorias para o Sistema Solar envolvem o aquecimento externo por auroras e o transporte interno de energia a partir de zonas mais profundas da atmosfera (sendo a primeira a principal explicação).
Candidatas a auroras, numa anã castanha, em contexto
Esta não é a primeira vez que uma aurora é usada para explicar uma observação numa anã castanha. Os astrónomos detetaram emissões de rádio provenientes de várias anãs castanhas mais quentes e invocaram as auroras como a explicação mais provável. Foram feitas pesquisas com telescópios terrestres, como o Observatório Keck, para encontrar assinaturas infravermelhas destas anãs castanhas emissoras de rádio a fim de melhor caracterizar o fenómeno, com resultados inconclusivos.
W1935 é a primeira candidata auroral fora do Sistema Solar com a assinatura da emissão de metano. É também a candidata auroral mais fria fora do nosso Sistema Solar, com uma temperatura efetiva de cerca de 200º Celsius, cerca de 300º C mais quente do que Júpiter.
No nosso Sistema Solar, o vento solar é o principal contribuinte para os processos aurorais, com luas ativas como Io e Encélado a desempenharem um papel em planetas como Júpiter e Saturno, respetivamente. W1935 não tem uma estrela companheira, pelo que o vento estelar não pode contribuir para o fenómeno. Ainda não se sabe se uma lua ativa poderá desempenhar um papel na emissão de metano em W1935.
"Com W1935, temos agora uma extensão espetacular de um fenómeno do Sistema Solar sem qualquer irradiação estelar a ajudar na explicação". observou Faherty. "Com o Webb, podemos realmente 'abrir o capô' da química e desvendar o quão semelhante ou diferente o processo auroral pode ser para lá do nosso Sistema Solar", concluiu.
Os "corações" das nuvens moleculares revelaram um mistério da formação estelar
Uma investigação na periferia da galáxia M83 revelou formação estelar invulgar num ambiente extremo. Esta área, delineada a amarelo, pode ser vista em dados de vários instrumentos diferentes. Da esquerda para a direita: imagem ótica do CTIO (Cerro Tololo Inter-American Observatory), imagem ultravioleta do GALEX, imagem HI 21 cm do VLA e GBT, e imagem CO(3-2) do ALMA. Nesta última imagem, são observados os "corações" das nuvens moleculares com formação estelar, delineados a branco.
Crédito: J. Koda et al.
Uma equipa internacional de astrónomos revelou uma misteriosa formação estelar na extremidade da galáxia M83. Esta investigação foi apresentada numa conferência de imprensa da 243.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Nova Orleães, no estado norte-americano do Louisiana.
A investigação utilizou vários instrumentos operados pelo NRAO (National Radio Astronomy Observatory) da NSF (National Science Foundation), incluindo o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) e o GBT (Green Bank Telescope), juntamente com o Telescópio Subaru do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) e o GALEX (Galaxy Evolution Explorer) da NASA.
Normalmente, as estrelas formam-se como resultado da redução do gás atómico difuso em concentrações de gás molecular, chamadas nuvens moleculares, cujos núcleos de alta densidade no seu centro desencadeiam a formação estelar. Este processo é comum na parte interior das galáxias, mas torna-se cada vez mais raro quanto mais para a periferia.
Sabe-se que existe um número surpreendente de estrelas muito jovens nas extremidades de muitas galáxias, mas os cientistas não conseguiam perceber como e porque é que essas estrelas foram fabricadas, pois não conseguiam identificar os seus locais de formação. Esta investigação descobriu 23 nuvens moleculares que apresentavam um tipo diferente de formação estelar. Os grandes corpos destas nuvens não eram visíveis como as nuvens moleculares "normais" - apenas eram observados os seus núcleos densos de formação estelar, os "corações" das nuvens. Esta descoberta fornece uma pista importante para compreender os processos físicos que levam à formação estelar em geral.
"A formação de estrelas nas orlas das galáxias tem sido um mistério persistente desde a sua descoberta pelo satélite GALEX da NASA, há 18 anos. As buscas anteriores por nuvens moleculares, neste ambiente, revelaram-se infrutíferas", disse o astrónomo Jin Koda, da Universidade Stony Brook, que liderou esta investigação. David Thilker, da Universidade Johns Hopkins, que originalmente descobriu a atividade de formação estelar que ocorre na periferia de M83 e noutras galáxias, comentou: "Foi gratificante ver a procura por nuvens densas associadas ao disco exterior finalmente concretizada, revelando uma impressão digital observacional caracteristicamente diferente para as nuvens moleculares."
A observação destas nuvens moleculares revelou uma ligação a um grande reservatório de gás atómico difuso, outra descoberta desta investigação. Normalmente, o gás atómico condensa-se em nuvens moleculares densas, dentro das quais se desenvolvem núcleos ainda mais densos que formam estrelas. Este processo está em funcionamento mesmo na periferia das galáxias, mas a conversão deste gás atómico em nuvens moleculares não era evidente, por razões que ainda não foram determinadas.
Amanda Lee, da equipa de investigação de Koda enquanto tirava a sua licenciatura, processou os dados do GBT e do VLA. Foi assim que descobriu o reservatório de gás atómico na extremidade da galáxia. "Ainda não compreendemos porque é que este gás atómico não se transforma eficazmente em nuvens moleculares densas e forma estrelas." Como acontece frequentemente em astronomia, a procura de respostas para um mistério pode levar a outro. "É por isso que a investigação em astronomia é excitante", acrescenta Lee, que está agora a tirar um doutoramento em astronomia na Universidade de Massachusetts Amherst.
Thilker acrescentou: "Estou entusiasmado por ver esta nova oportunidade ser aproveitada de forma mais alargada no ambiente do disco exterior, a fim de obter uma visão mais profunda dos processos físicos fundamentais do crescimento de 'dentro para fora' das galáxias que ainda se verifica na atual época cósmica".
"Quando comecei, não sabia que papel o meu trabalho iria desempenhar. Foi muito emocionante ver que contribuía para o panorama geral da formação estelar", disse Lee.
Buracos negros inesperadamente massivos dominam galáxias pequenas no Universo distante (via Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian)
Os astrónomos descobriram que os buracos negros supermassivos nos centros das primeiras galáxias são muito mais massivos do que se esperava. Estes buracos negros surpreendentemente pesados fornecem novas perspetivas sobre as origens de todos os buracos negros supermassivos, bem como sobre as primeiras fases da vida das galáxias que os acolhem. Ler fonte
Telescópios perseguem "monstro verde" nos detritos de uma estrela (via Chandra/Harvard)
Ao reunir dados de dois telescópios da NASA, os astrónomos podem ter resolvido um mistério em torno de uma estrutura bizarra encontrada no campo de detritos de uma estrela que explodiu. O seu trabalho revelou novos pormenores sobre os remanescentes da estrela e sobre a própria explosão. Este estudo do conhecido remanescente de supernova Cassiopeia A (Cas A) utiliza dados do Observatório de Raios-X Chandra e do Telescópio Espacial James Webb e inclui a primeira imagem de Cas A combinando dados de ambos os telescópios. Ler fonte
Química cósmica revela dança estelar: ALMA descobre segredos orbitais ocultos (via Universidade Monash)
Uma equipa internacional de cientistas, munida do poderoso telescópio ALMA no Chile, desvendou os mistérios cósmicos que rodeiam uma estrela moribunda, revelando uma intrincada dança celestial esculpida por uma química invulgar. O estudo inovador, publicado na revista Nature Astronomy, lança luz sobre a órbita de uma estrela gigante vermelha fria, que liberta as suas camadas exteriores num dramático vento estelar durante o crepúsculo da sua existência. Ler fonte
Vénus também tem fases. Tal como a nossa Lua, Vénus pode aparecer como um disco circular completo, um fino crescente ou qualquer coisa entre estas duas fases. Vénus, frequentemente o objeto mais brilhante no céu após o pôr do Sol ou antes do nascer do Sol, parece tão pequeno, no entanto, para se observar claramente a fase atual normalmente são necessários uns binóculos ou até um pequeno telescópio. A sequência temporal em destaque foi captada ao longo de seis meses em 2015 a partir de Surgères, Charente-Maritime, França, e mostra não só como Vénus muda de fase, mas também de tamanho angular. Quando Vénus está do outro lado do Sol, em relação à posição da Terra, aparece angularmente mais pequeno e mais perto da fase completa, ao passo que quando Vénus e a Terra estão do mesmo lado do Sol, Vénus aparece maior, mas como um crescente. Este mês, Vénus nasce antes do amanhecer em fase crescente gibosa.
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