OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA Data: 20 de janeiro de 2024 Hora: 10:00
Neste dia realiza-se a sessão de observação do sol perto do estacionamento na parte traseira do Mercado Municipal em Tavira pelas 10:00. A sessão é gratuita. Participe!
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 16/01: 16.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1969, a Soyuz 4 e a Soyuz 5 levam a cabo o primeiro acoplamento de naves em órbita, a primeira transferência de tripulação de um veículo para outro, e a única vez que tal transferência envolveu um passeio espacial.
Em 2003 a nave Columbia arrancava para a missão STS-107, que seria a sua última.
O Columbia acabaria por desintegrar-se 16 dias depois, durante a sua reentrada na atmosfera da Terra. HOJE, NO COSMOS:
Cisne, com Deneb no seu topo, está quase na vertical a oeste-noroeste logo após o anoitecer. Cerca de uma hora depois está "apoiada" no horizonte. Quão direita está depende da latitude do observador.
DIA 17/01: 17.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 2003, um foguetão Delta II transportando um satélite GP IIR-1 explode 13 segundos depois do lançamento deixando 250 toneladas de resíduos queimados na plataforma de lançamento.
Em 2016, floresce a primeira flor a bordo da Estação Espacial Internacional. HOJE, NO COSMOS:
Sirius, a estrela mais brilhante de Cão Maior, nasce a este-sudeste ao final do lusco-fusco. Procyon - dois punhos e meio à distância do braço esticado para a sua esquerda - precede-a. "Procyon" é Grego antigo para "antes do cão".
DIA 18/01: 18.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1896, H. L. Smith apresenta a primeira máquina capaz de gerar raios-X.
Em 1916, um meteorito condrito com 611 gramas atinge uma casa perto de Baxter em Stone County, no estado norte-americano do Missouri.
Em 2000, o meteorito do Lago Tagish colide com a Terra.
No mesmo ano, a NASA termina as tentativas de comunicar com a Mars Polar Lander. Foi perdida no dia 3 de dezembro de 1999, durante a fase de aterragem da missão. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 03:53.
A Lua brilha alta a sul ao início da noite, perto de Júpiter. Estes dois astros são atualmente os mais brilhantes do céu noturno.
WASP-69b: novas imagens revelam que a cauda deste exoplaneta, semelhante à de um cometa, é surpreendentemente longa
Impressão de artista do exoplaneta WASP-69b em órbita da sua estrela hospedeira.
Crédito: Observatório W. M. Keck/Adam Makarenko
Novos dados do Observatório W. M. Keck, em Maunakea, no Hawaii, confirmam que o exoplaneta WASP-69b, conhecido pela sua atmosfera em fuga, está a formar uma cauda semelhante à de um cometa que é ainda mais longa do que a observada anteriormente.
De nome WASP-69b, os cientistas estudaram no passado este planeta do tamanho de Júpiter, concentrando-se na sua atmosfera em fuga e observando apenas um pequeno rasto de hélio gasoso. Mas durante uma conferência de imprensa do 243.º Encontro da Sociedade Astronómica Americana, uma equipa de investigadores liderada pela UCLA (University of California, Los Angeles) anunciou que novos dados do Observatório Keck revelam que a cauda tem pelo menos 560.000 quilómetros de comprimento.
"Observações anteriores sugeriam que WASP-69b tinha uma cauda modesta, ou que não tinha cauda nenhuma", diz Dakotah Tyler, doutorando em astrofísica na UCLA e primeiro autor do estudo. "No entanto, conseguimos mostrar definitivamente que a cauda de hélio deste planeta estende-se pelo menos sete vezes o raio do próprio planeta gigante".
O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.
Localizado a 160 anos-luz da Terra, WASP-69b está tão próximo do seu sol que um ano neste mundo alienígena dura apenas 3,9 dias terrestres. A sua proximidade sujeita o planeta à radiação extrema da sua estrela hospedeira, provocando a combustão da atmosfera do gigante gasoso.
A equipa observou este fenómeno utilizando o instrumento NIRSPEC (Near-Infrared Spectrograph) do Observatório Keck para captar imagens nítidas de WASP-69b, que revelaram a sequência de eventos que mostram a sua cauda a esticar-se à medida que o planeta liberta a sua atmosfera.
"O sistema WASP-69b é uma joia porque somos capazes de estudar a sua perda de massa atmosférica em tempo real", diz o coautor Erik Petigura, professor associado de astronomia e astrofísica na UCLA. "Isto constitui uma rara oportunidade para compreender a física crítica que molda milhares de outros planetas".
"O que verdadeiramente distinguiu o Keck nas nossas observações foi a grande área de recolha do seu espelho, que nos permitiu detetar muito mais luz estelar. Isto, em combinação com as capacidades de alta resolução do instrumento NIRSPEC, deu-nos uma sensibilidade extremamente elevada da estrutura de velocidade e da absorção total da atmosfera em fuga, que os fortes ventos estelares esculpiram numa longa e fina cauda," diz Tyler.
Embora WASP-69b tenha apenas cerca de 30% da massa de Júpiter, é 10% maior devido ao calor extremo da sua estrela hospedeira, que faz com que a sua atmosfera se expanda antes de se libertar. A atmosfera que escapa produz então vento que interage violentamente com o vento da estrela hospedeira do planeta, formando a cauda de hélio de WASP-69b.
"Estas caudas, semelhantes às dos cometas, são muito valiosas porque formam-se quando a atmosfera planetária em fuga choca com o vento estelar, o que faz com que o gás seja arrastado para trás. A observação de uma cauda tão extensa permite-nos estudar estas interações em grande detalhe", diz Petigura.
O estudo direto da perda de massa atmosférica é fundamental para compreender exatamente como os planetas da nossa Galáxia evoluem ao longo do tempo juntamente com as suas estrelas.
WASP-69b está a perder cerca de 1 massa terrestre por cada mil milhões de anos, mas com uma massa total quase 90 vezes superior à da Terra, o planeta não corre o risco de perder toda a sua atmosfera durante a sua vida.
"A resiliência deste planeta num ambiente tão extremo e hostil permite-nos estudar o processo de perda de massa atmosférica, o que nos ajuda a compreender como as estrelas podem provocar a evolução dos seus planetas. Mas também serve como um poderoso lembrete para todos nós", diz Tyler. "A perspetiva é tudo. Apesar da multiplicidade de desafios que podemos enfrentar, como WASP-69b, temos o que é preciso para continuar".
Webb descobre uma "cauda de gato" poeirenta no sistema Beta Pictoris
Esta imagem obtida pelo instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb mostra o sistema estelar Beta Pictoris. Um disco de detritos poeirentos criados por colisões entre planetesimais (laranja) domina a vista. Um disco secundário mais quente (ciano) está inclinado cerca de 5 graus em relação ao disco primário. A característica curva à direita, que a equipa científica apelidou de "cauda de gato", nunca tinha sido vista antes. Foi usado um coronógrafo (círculo preto e dois pequenos discos) para bloquear a luz da estrela central, cuja localização está marcada com uma estrela branca. Nesta imagem, a luz a 15,5 micrómetros é colorida a ciano e a 23 micrómetros é cor de laranja (filtros F1550C e F2300C, respetivamente).
Crédito:
NASA, ESA, CSA, STScI, C. Stark e K. Lawson (Centro de Voo Espacial Goddard da NASA), J. Kammerer (ESO), e M. Perrin (STScI)
Beta Pictoris, um jovem sistema planetário situado a apenas 63 anos-luz de distância, continua a intrigar os cientistas mesmo após décadas de estudo aprofundado. Possui o primeiro disco de poeira fotografado em torno de outra estrela - um disco de detritos produzido por colisões entre asteroides, cometas e planetesimais. Observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA revelaram um segundo disco de detritos neste sistema, inclinado em relação ao disco mencionado anteriormente. Agora, uma equipa de astrónomos utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA para obter imagens do sistema Beta Pictoris (Beta Pic) e descobriu uma nova estrutura nunca antes vista.
A equipa, liderada por Isabel Rebollido do Centro de Astrobiologia em Espanha, utilizou os instrumentos NIRCam (Near-Infrared Camera) e MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb para investigar a composição dos dois discos de detritos de Beta Pic. Os resultados excederam as suas expetativas, revelando um "ramo" de poeira fortemente inclinado, com o aspeto de uma cauda de gato, que se estende da parte sudoeste do disco de detritos secundário.
"Beta Pictoris é o disco de detritos que tem tudo: tem uma estrela muito brilhante e próxima, que podemos estudar muito bem, e um ambiente circunstelar complexo com um disco multicomponente, exocometas e dois exoplanetas fotografados," disse Rebollido, autora principal do estudo. "Apesar da existência de anteriores observações terrestres, nesta gama de comprimentos de onda, não tinham a sensibilidade e a resolução espacial que temos agora com o Telescópio Espacial Webb, pelo que não detetaram esta característica."
O retrato de uma estrela, melhorado com o Webb
Mesmo com o Webb, foi crucial observar Beta Pic na gama correta de comprimentos de onda - neste caso, o infravermelho médio - para assim detetar a "cauda de gato", uma vez que esta só apareceu nos dados do MIRI. Os dados no infravermelho médio, obtidos pelo Webb, também revelaram diferenças de temperatura entre os dois discos de Beta Pic, o que provavelmente se deve a diferenças de composição.
"Não esperávamos que o Webb revelasse que existem dois tipos diferentes de material à volta de Beta Pic, mas o MIRI mostrou-nos claramente que o material do disco secundário e da 'cauda de gato' é mais quente do que o do disco principal," disse Christopher Stark, coautor do estudo no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. "A poeira que forma o disco e a cauda deve ser muito escura, por isso não a vemos facilmente nos comprimentos de onda visíveis - mas, no infravermelho médio, brilha."
Para explicar a temperatura mais quente, a equipa deduziu que a poeira pode ser um "material orgânico refratário" altamente poroso, semelhante à matéria encontrada nas superfícies dos cometas e asteroides do nosso Sistema Solar. Por exemplo, uma análise preliminar do material recolhido do asteroide Bennu pela missão OSIRIS-REx da NASA revelou que era muito escuro e rico em carbono, bastante semelhante ao que o MIRI detetou em Beta Pic.
Esta imagem obtida pelo instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb mostra o sistema estelar Beta Pictoris. Um disco de detritos poeirentos criados por colisões entre planetesimais (laranja) domina a vista e é rotulado como "main disk plane". Enquanto um disco secundário mais quente (ciano), que está inclinado cerca de 5 graus em relação ao disco primário, já era conhecido, o Webb mostrou a sua verdadeira extensão em baixo e à esquerda. O Webb também detetou uma característica nunca antes vista, designada por "cauda de gato". Foi usado um coronógrafo (círculo preto e dois pequenos discos) para bloquear a luz da estrela central, cuja localização está marcada com uma estrela branca. Uma barra de escala mostra que os discos de Beta Pic se estendem por centenas de unidades astronómicas (UA), sendo que 1 UA é a distância média Terra-Sol (no nosso Sistema Solar, Neptuno orbita a 30 UA do Sol). Nesta imagem, a luz a 15,5 micrómetros é colorida a ciano e a 23 micrómetros é cor de laranja (filtros F1550C e F2300C, respetivamente).
Crédito:
NASA, ESA, CSA, STScI, C. Stark e K. Lawson (Centro de Voo Espacial Goddard da NASA), J. Kammerer (ESO), e M. Perrin (STScI)
A "cauda de gato" merece estudos futuros
No entanto, uma grande questão permanece em aberto: o que poderia explicar a forma da cauda de gato, uma característica curvada única, diferente da que se vê em discos à volta de outras estrelas?
Rebollido e a sua equipa modelaram vários cenários na tentativa de emular a "cauda de gato" e desvendar as suas origens. Embora sejam necessários mais estudos e testes, a equipa apresenta uma forte hipótese de que a "cauda de gato" é o resultado de um evento de produção de poeira que ocorreu há apenas cem anos.
"Algo acontece - como uma colisão - e é produzida muita poeira", partilhou Marshall Perrin, coautor do estudo no STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, Maryland. "Ao início, a poeira segue na mesma direção orbital da sua fonte, mas depois começa a espalhar-se. A luz da estrela empurra mais rapidamente as partículas de poeira mais pequenas e 'fofas' para longe da estrela, enquanto os grãos maiores não se movem tanto, criando uma longa gavinha de poeira."
"A característica em forma de cauda de gato é muito invulgar, de modo que foi difícil a reprodução da curvatura com um modelo dinâmico", explicou Stark. "O nosso modelo requer poeira que pode ser empurrada para fora do sistema muito rapidamente, o que sugere novamente que é feita de material orgânico refratário."
O modelo preferido da equipa explica o ângulo acentuado da cauda em relação ao disco como uma simples ilusão de ótica. A nossa perspetiva, combinada com a forma curva da cauda, cria o seu ângulo observado quando, de facto, o arco de material apenas se afasta do disco com uma inclinação de cinco graus. Tendo em conta o brilho da cauda, a equipa estima que a quantidade de poeira no interior da "cauda de gato" é equivalente à de um grande asteroide da nossa cintura principal, espalhada por 16 mil milhões de quilómetros.
Um recente evento de produção de poeira, no interior dos discos de detritos de Beta Pictoris, também poderia explicar uma extensão assimétrica recentemente observada do disco interno inclinado, como visto nos dados do MIRI e observado apenas no lado oposto da cauda. A recente produção de poeira por colisão também poderia explicar uma característica previamente detetada pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) em 2014: um aglomerado de monóxido de carbono (CO) localizado perto da "cauda de gato". Uma vez que a radiação da estrela deve decompor o CO em cerca de cem anos, esta concentração de gás ainda presente pode ser uma evidência persistente do mesmo evento.
"A nossa investigação sugere que o sistema Beta Pic pode ser ainda mais ativo e caótico do que pensávamos anteriormente," disse Stark. "O Telescópio Webb continua a surpreender-nos, mesmo quando olha para os objetos mais bem estudados. Temos uma janela completamente nova para estes sistemas planetários".
Estes resultados foram apresentados numa conferência de imprensa do 243.º encontro da Sociedade Astronómica Americana em Nova Orleães, Louisiana.
As estrelas antigas podem ser os melhores sítios para procurar vida
Ilustração do sistema 51 Pegasi e do seu campo magnético medido. A "travagem magnética fraca" detetada em 51 Peg representa uma mudança relativamente súbita que torna o ambiente magnético mais estável. O estudo atual sugere que o Sol já fez esta transição, apoiando o desenvolvimento de vida mais complexa.
Crédito: Instituto Leibniz de Astrofísica em Potsdam/J. Fohlmeister
Os cientistas supuseram, em tempos, que as estrelas aplicavam um eterno "travão" magnético, provocando um abrandamento interminável na sua rotação. Com novas observações e métodos sofisticados, espreitaram agora os segredos magnéticos de uma estrela e descobriram que não é o que esperavam. Os locais cósmicos críticos para encontrar vizinhos extraterrestres podem situar-se em torno de estrelas que estão a entrar na sua crise da meia-idade e mais além. Este estudo inovador, que lança luz sobre fenómenos magnéticos e ambientes habitáveis, foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
Em 1995, os astrónomos suíços Michael Mayor e Didier Queloz anunciaram a primeira descoberta de um planeta para lá do nosso Sistema Solar, em órbita de uma distante estrela semelhante ao Sol conhecida como 51 Pegasi. Desde então, foram encontrados mais de 5500 exoplanetas em órbita de outras estrelas da nossa Galáxia e, em 2019, os dois cientistas partilharam o Prémio Nobel da Física pelo seu trabalho pioneiro. Na semana passada, uma equipa internacional de astrónomos publicou novas observações de 51 Pegasi, sugerindo que o atual ambiente magnético em torno da estrela pode ser particularmente favorável ao desenvolvimento de vida complexa.
Estrelas como o Sol nascem a girar depressa, o que cria um forte campo magnético que pode entrar em erupção de forma violenta, bombardeando os seus sistemas planetários com partículas carregadas e radiação nociva. Ao longo de milhares de milhões de anos, a rotação da estrela abranda gradualmente à medida que o seu campo magnético é arrastado por um vento que flui a partir da sua superfície, um processo conhecido como travagem magnética. A rotação mais lenta produz um campo magnético mais fraco e ambas as propriedades continuam a diminuir em conjunto, alimentando-se uma à outra. Até há pouco tempo, os astrónomos assumiam que a travagem magnética continuava indefinidamente, mas novas observações começaram a desafiar esta suposição.
"Estamos a reescrever os manuais sobre a forma como a rotação e o magnetismo em estrelas mais antigas como o Sol mudam para lá da sua meia-idade", diz o líder da equipa Travis Metcalfe, investigador da WDRC (White Dwarf Research Corporation) em Golden, no estado norte-americano do Colorado. "Os nossos resultados têm consequências importantes para as estrelas com sistemas planetários e para as suas perspetivas de desenvolvimento de civilizações avançadas." Klaus Strassmeier, diretor do Instituto Leibniz de Astrofísica em Potsdam, Alemanha, coautor do estudo, acrescenta: "isto deve-se ao facto da travagem magnética enfraquecida também 'estrangular' o vento estelar e tornar menos prováveis devastadores eventos eruptivos".
A equipa de astrónomos dos EUA e da Europa combinou observações de 51 Pegasi feitas pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA com medições de ponta do seu campo magnético feitas pelo LBT (Large Binocular Telescope) no estado norte-americano do Arizona, utilizando o instrumento PEPSI (Potsdam Echelle Polarimetric and Spectroscopic Instrument). Embora o exoplaneta que orbita 51 Pegasi não passe em frente da sua estrela-mãe, da perspetiva da Terra, a própria estrela mostra variações subtis de brilho nas observações do TESS, que podem ser usadas para medir o raio, a massa e a idade - uma técnica conhecida como asterossismologia. Entretanto, o campo magnético da estrela imprime uma pequena quantidade de polarização na luz estelar, permitindo ao PEPSI do LBT criar um mapa magnético da superfície da estrela à medida que esta gira - uma técnica conhecida como Imagiologia Zeeman-Doppler. Em conjunto, estas medições permitiram à equipa avaliar o atual ambiente magnético em torno da estrela.
Observações anteriores do telescópio espacial Kepler da NASA já sugeriam que a travagem magnética poderia diminuir substancialmente para lá da idade do Sol, cortando a estreita relação entre rotação e magnetismo nas estrelas mais velhas. No entanto, as evidências desta mudança eram indiretas, baseando-se em medições da rotação de estrelas com uma vasta gama de idades. Era evidente que a rotação deixava de abrandar algures perto da idade do Sol (4,5 mil milhões de anos), e que o enfraquecimento da travagem magnética nas estrelas mais velhas podia reproduzir este comportamento. No entanto, apenas medições diretas do campo magnético de uma estrela podem estabelecer as causas subjacentes, e os alvos observados pelo Kepler eram demasiado ténues para observações do LBT. A missão TESS começou a recolher medições em 2018 - semelhantes às observações do Kepler, mas para as estrelas mais próximas e mais brilhantes do céu, incluindo 51 Pegasi.
Ao longo dos últimos anos, a equipa começou a usar o PEPSI do LBT para medir os campos magnéticos de vários alvos do TESS, construindo gradualmente uma nova compreensão de como o magnetismo muda em estrelas como o Sol à medida que envelhecem. As observações revelaram que a travagem magnética muda subitamente em estrelas ligeiramente mais jovens do que o Sol, tornando-se mais de 10 vezes mais fraca nesse ponto e diminuindo ainda mais à medida que continuam a envelhecer. A equipa atribuiu estas alterações a uma mudança inesperada na força e na complexidade do campo magnético, e à influência dessa mudança no vento estelar. As propriedades recentemente medidas de 51 Pegasi mostram que - tal como o nosso Sol - já passou por esta transição para uma travagem magnética enfraquecida.
"É muito gratificante que o LBT e o PEPSI tenham sido capazes de revelar uma nova perspetiva sobre este sistema planetário que desempenhou um papel tão importante na astronomia exoplanetária", diz Klaus Strassmeier, investigador principal do espetrógrafo PEPSI. "Esta investigação é um importante passo em frente na procura por vida na nossa Galáxia."
No nosso próprio Sistema Solar, a transição da vida dos oceanos para a terra ocorreu há várias centenas de milhões de anos, coincidindo com a altura em que a travagem magnética começou a ficar mais fraca no Sol. As estrelas jovens bombardeiam os seus planetas com radiação e partículas carregadas que são hostis ao desenvolvimento de vida complexa, mas as estrelas mais velhas parecem proporcionar um ambiente mais estável. De acordo com Travis Metcalfe, as descobertas da equipa sugerem que os melhores locais para procurar vida para lá do nosso Sistema Solar podem estar em torno de estrelas de meia-idade ou mais velhas.
Astrónomos encontram "faísca" de nascimento estelar ao longo de milhares de milhões de anos (via Chandra/Harvard)
Os astrónomos concluíram o maior e mais detalhado estudo sobre o que desencadeia a formação de estrelas nas maiores galáxias do Universo, utilizando o Observatório de raios X Chandra da NASA e outros telescópios. Ficaram surpreendidos ao descobrir que as condições para o nascimento estelar nestas galáxias excecionalmente massivas não se alteraram nos últimos dez mil milhões de anos. Ler fonte
Planeta do tamanho da Terra tem um "hemisfério de lava" (via NASA)
Num sistema com dois planetas conhecidos, os astrónomos detetaram algo de novo: um pequeno objeto a transitar pela estrela do tamanho do Sol. Este acabou por ser outro planeta: extra quente e do tamanho da Terra. O planeta recentemente descoberto, de nome HD 63433 d, sofre bloqueio de marés, o que significa que tem um lado sempre virado para a sua estrela e um lado que está constantemente na escuridão. Este exoplaneta, ou planeta para lá do nosso Sistema Solar, orbita em torno da estrela HD 63433 (TOI 1726) no sistema planetário HD 63433. Este mundo escaldante é o mais pequeno exoplaneta confirmado com menos de 500 milhões de anos. É também o planeta mais próximo da Terra descoberto com esta idade, com cerca de 400 milhões de anos. Ler fonte
Segredos de um Saturno quente e da sua estrela "manchada" (via Universidade McGill)
Os exoplanetas, planetas situados para lá do nosso Sistema Solar, cativam tanto os cientistas como o público, com a promessa de revelarem diversos sistemas planetários e mundos potencialmente habitáveis. Apesar de não se assemelharem muito à nossa Terra, os gigantes gasosos encontrados muito perto das suas estrelas provaram ser alvos de teste ideais para telescópios como o Telescópio Espacial James Webb, com o intuito de aperfeiçoar os métodos dos astrónomos em compreender os exoplanetas. Um desses planetas é HAT-P-18 b, do tipo "Saturno quente" localizado a mais de 500 anos-luz de distância, com uma massa semelhante à de Saturno mas com um tamanho mais próximo do de Júpiter. Este facto dá ao exoplaneta uma atmosfera inchada que é especialmente ideal para análise. Ler fonte
Álbum de fotografias A Luz, a Escuridão e a Poeira
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Gábor Galambos
Esta paisagem colorida estende-se por cerca de três Luas Cheias, através de campos estelares ricos em nebulosas, ao longo do plano da nossa Galáxia, a Via Láctea, em direção à real constelação norte de Cefeu. Perto da orla da enorme nuvem molecular da região, a cerca de 2400 anos-luz de distância, a brilhante região de emissão avermelhada Sharpless (Sh)2-155 encontra-se no centro da imagem, também conhecida como a Nebulosa da Caverna. Cerca de 10 anos-luz das paredes brilhantes de gás da caverna cósmica são ionizadas pela luz ultravioleta das jovens estrelas quentes que a rodeiam. Nebulosas de reflexão azuladas e poeirentas, como vdB 155 à esquerda, e densas nuvens de poeira obscurante, também abundam na tela interestelar. As explorações astronómicas revelaram outros sinais dramáticos de formação estelar, incluindo a brilhante mancha avermelhada de Herbig-Haro (HH) 168. Na parte superior esquerda da imagem, a emissão do objeto Herbig-Haro é criada por jatos energéticos de uma estrela recém-nascida.
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