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  Astroboletim #2159  
  15/11 a 18/11/2024  
     
 
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NOITES ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve irá realizar, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, uma observação da Lua. A sesssão astronómica é gratuita. Participe!
Data: 15 de novembro de 2024
Hora: 18:00 - 20:00
Local: Jardim Manuel Bivar/Marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 289 890 920
969 523 661 | info@ccvalg.pt

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OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
O Centro Ciência Viva de Tavira irá realizar, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve, uma observação do Sol. A sesssão de observação é gratuita. Participe!
Data: 29 de novembro de 2024
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Ponte Romana em Tavira
Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 15/11: 320.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1738, nascia William Herschel.
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Foi o primeiro astrónomo a fazer observações sistemáticas do espaço para além do nosso Sistema Solar.
Descobriu Úrano (1781), o movimento do Sol na Via Láctea (1785), a companheira do binário de Castor (1804, e de acordo com as leis de Kepler) e a radiação infravermelha. Herschel também descobriu muitos enxamesnebulosas
galáxias enquanto observava o céu noturno e compilou catálogos cujos dados básicos são ainda hoje utilizados.
Em 1966, a Gemini 12 regressa à Terra caindo no Atlântico em segurança.
Em 1988, a União Soviética lança o seu primeiro e último vaivém espacial, o Buran.
Em 1990, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-38.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 21:29. Quanto tempo depois do pôr-do-Sol, a oeste-sudoeste, consegue ver a Lua a subir a este-nordeste?
Assim que a noite caia, procure as delicadas Plêiades poucos graus para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural. Cubra a Lua com o seu dedo para bloquear o seu brilho ofuscante.
Bem para baixo e para a esquerda da Lua, já por volta da hora de jantar, poderá observar a alaranjada Aldebarã e o mais brilhante planeta Júpiter.

 

DIA 16/11: 321.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1852, o astrónomo inglês John Russell Hind descobre o asteroide 22 Kalliope.
Em 1965, lançamento da sonda soviética Venera 3, cujo objetivo era estudar a atmosfera de Vénus. As comunicações falharam mesmo antes da entrada na atmosfera. Colidiu com Vénus.
Em 1973, a NASA lança o Skylab 4 com uma tripulação de 3 astronautas, numa missão com a duração de 84 dias.
Em 1974, a nova superfície do radiotelescópio gigante de 1000 pés em Arecibo, Porto Rico, dedica-se ao envio de uma breve mensagem na direção do enxame globular M13, a uns 25.000 anos-luz de distância. A mensagem chegará a espaço vazio pois o enxame terá, entretanto, mudado de posição.
Em 2022, a NASA lança a missão Artemis 1, o primeiro voo do SLS e o início do programa das futuras missões lunares.
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HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha hoje acima de Júpiter depois do anoitecer. Observe o nosso satélite natural a aproximar-se desse planeta durante toda a noite (da perspetiva do céu do nosso planeta).
A chuva de meteoros das Leónidas deverá atingir, nesta noite de 16 para 17 de novembro, o seu pico. Mas o brilhante luar vai interferir com as observações. Já sem falar que as Leónidas têm sido fracas há já mais ou menos uma década.

 

DIA 17/11: 322.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1970, a União Soviética aterra o Lunokhod 1 em Mare Imbrium, na Lua. É o primeiro robô controlado remotamente a aterrar noutro mundo, transportado pela Luna 17.
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HOJE, NO COSMOS:
Úrano em oposição, pelas 03:00.
Depois das 21 horas, Orionte já subiu completamente acima do horizonte a este. Para cima desta constelação brilha Júpiter e, para a direita ou para cima e para a direita do planeta, a alaranjada Aldebarã. Para cima de Aldebarã estão as Plêiades, do tamanho da ponta de um dedo à distância do braço esticado. Para a esquerda de Aldebarã e das Plêiades brilha Capella.
Para baixo de Orionte, Sirius nasce pouco antes das 22:30.

 

DIA 18/11: 323.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1923, nascia Alan Shepard, o primeiro americano no espaço.
Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).
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Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de dezembro de 1993. A partir de janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de testes. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Em 2013, é lançada a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN Mission) em direção a Marte.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua continua a sua viagem pelo céu da Terra e passou de Touro para Gémeos. As duas estrelas brilhantes para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural são Castor e Pollux.

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Observatório Swift estuda buracos negros monstruosos que dilaceram uma nuvem de gás
 
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Um par de buracos negros monstruosos rodopiam numa nuvem de gás nesta ilustração artística de AT 2021hdr, um surto recorrente estudado pelo Observatório Neil Gehrels Swift da NASA e pelo ZTF (Zwicky Transient Facility) do Observatório Palomar.
Crédito: NASA/Aurore Simonnet (Universidade Estatal de Sonoma)
 

Cientistas, recorrendo a observações do Observatório Neil Gehrels Swift da NASA descobriram, pela primeira vez, o sinal de um par de buracos negros monstruosos a perturbar uma nuvem de gás no centro de uma galáxia.

"Trata-se de um acontecimento muito estranho, chamado AT 2021hdr, que se repete de poucos em poucos meses", disse Lorena Hernández-García, astrofísica do MAS (Instituto Milenio de Astrofisica), do TITANS (Millennium Nucleus on Transversal Research and Technology to explore Supermassive Black Holes) e da Universidade de Valparaíso, no Chile. "Pensamos que uma nuvem de gás envolveu os buracos negros. À medida que se orbitam um ao outro, os buracos negros interagem com a nuvem, perturbando e consumindo o seu gás. Isto produz um padrão de oscilação na luz do sistema".

Um artigo científico sobre AT 2021hdr, liderado por Hernández-García, foi publicado no passado dia 13 de novembro na revista Astronomy & Astrophysics.

A dupla de buracos negros encontra-se no centro de uma galáxia chamada 2MASX J21240027+3409114, situada a mil milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação setentrional de Cisne. O par está separado por cerca de 26 mil milhões de quilómetros, suficientemente perto para que a luz demore apenas um dia a viajar entre eles. Em conjunto, contêm 40 milhões de vezes a massa do Sol.

Os cientistas estimam que os buracos negros completam uma órbita a cada 130 dias e que irão colidir e fundir-se dentro de aproximadamente 70.000 anos.

AT 2021hdr foi detetado pela primeira vez em março de 2021 pelo ZTF (Zwicky Transient Facility), liderado pelo Caltech, no Observatório de Palomar, no estado norte-americano da Califórnia. Foi assinalado como uma fonte potencialmente interessante pelo ALeRCE (Automatic Learning for the Rapid Classification of Events). Esta equipa multidisciplinar combina ferramentas de inteligência artificial com conhecimentos humanos para comunicar eventos no céu noturno à comunidade astronómica, utilizando as montanhas de dados recolhidos por programas de pesquisa como o ZTF.

"Embora inicialmente se pensasse que esta erupção era uma supernova, os surtos de 2022 fizeram-nos pensar noutras explicações", disse a coautora Alejandra Muñoz-Arancibia, membro da equipa ALeRCE e astrofísica do MAS e do Centro de Modelação Matemática da Universidade do Chile. "Cada evento subsequente ajudou-nos a refinar o nosso modelo do que se está a passar no sistema".

Desde a primeira erupção que o ZTF tem detetado surtos a cada 60 a 90 dias.

Hernández-García e a sua equipa têm observado a fonte AT 2021hdr com o Swift desde novembro de 2022. O Swift ajudou-as a determinar que o binário produz oscilações no ultravioleta e em raios X nas mesmas escalas de tempo em que o ZTF as vê na gama do visível.

Os investigadores realizaram uma eliminação de diferentes modelos para explicar o que viram nos dados.

Inicialmente, pensaram que o sinal podia ser o subproduto da atividade normal no centro galáctico. Depois consideraram a hipótese de um evento de perturbação de marés - a destruição de uma estrela que se aproximou demasiado de um dos buracos negros - poder ser a causa.

Por fim, decidiram-se por outra possibilidade, a perturbação de maré de uma nuvem de gás, maior do que o próprio binário. Quando a nuvem encontrou os buracos negros, a gravidade rasgou-a, formando filamentos à volta do par e a fricção começou a aquecê-la. O gás tornou-se particularmente denso e quente perto dos buracos negros. À medida que o binário orbita, a complexa interação de forças ejeta parte do gás do sistema em cada rotação. Estas interações produzem a luz flutuante que o Swift e o ZTF observam.

Hernández-García e a sua equipa planeiam continuar as observações de AT 2021hdr para compreender melhor o sistema e melhorar os seus modelos. Também estão interessados em estudar a sua galáxia de origem, que está atualmente a fundir-se com outra galáxia próxima - um acontecimento relatado pela primeira vez no seu artigo científico.

"À medida que o Swift se aproxima do seu 20.º aniversário, é incrível ver toda a nova ciência que ainda está a ajudar a comunidade a realizar", disse S. Bradley Cenko, investigador principal do Swift no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. "Ainda há muito para nos ensinar sobre o nosso cosmos em constante mudança".

// NASA (comunicado de imprensa)
// MAS (comunicado de imprensa)
// Universidade Diego Portales (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Simulação de uma nuvem de gás a encontrar dois buracos negros supermassivos (MAS via YouTube)

 


Quer saber mais?

AT 2021hdr:
Transient Name Server
WISeREP

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia
Buraco negro supermassivo (Wikipedia)

Observatório Neil Gehrels Swift:
NASA
Wikipedia

ZTF (Zwicky Transient Facility):
Caltech
ipac
Wikipedia

 
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Uma nova análise de dados antigos da Voyager 2 resolveu vários mistérios de Úrano
 
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A Voyager 2 da NASA obteve esta imagem de Úrano ao passar pelo gigante gelado em 1986. Uma nova investigação, utilizando dados da missão, mostra que ocorreu um evento de clima espacial durante o "flyby", levando a um mistério acerca da magnetosfera do planeta que foi agora resolvido.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Quando a nave espacial Voyager 2 da NASA passou por Úrano em 1986, proporcionou aos cientistas a primeira - e até agora a única - visão de perto deste estranho planeta exterior que gira de lado. Juntamente com a descoberta de novas luas e anéis, novos e desconcertantes mistérios confrontaram os cientistas. As partículas energizadas em torno do planeta desafiaram a sua compreensão de como os campos magnéticos funcionam para reter a radiação das partículas, e Úrano ganhou a reputação de ser atípico no nosso Sistema Solar.

Agora, uma nova investigação que analisou os dados recolhidos durante o "flyby", há 38 anos, descobriu que a origem desse mistério em particular é uma coincidência cósmica: acontece que nos dias imediatamente anteriores à passagem da Voyager 2, o planeta tinha sido afetado por um tipo invulgar de clima espacial que "esborrachou" o campo magnético do planeta, comprimindo dramaticamente a magnetosfera de Úrano.

"Se a Voyager 2 tivesse chegado apenas alguns dias antes, teria observado uma magnetosfera completamente diferente em Úrano", disse Jamie Jasinski do JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia e autor principal do novo trabalho publicado na revista Nature Astronomy. "A nave espacial viu Úrano em condições que só ocorrem cerca de 4% do tempo".

 
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O primeiro painel deste conceito artístico mostra como a magnetosfera - a bolha protetora - de Úrano se comportava antes da passagem da Voyager 2 da NASA. O segundo painel mostra que um tipo invulgar de clima espacial estava a ocorrer durante o "flyby" de 1986, dando aos cientistas uma visão distorcida da magnetosfera do planeta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

As magnetosferas funcionam como bolhas protetoras à volta dos planetas (incluindo a Terra) com núcleos magnéticos e campos magnéticos, protegendo-os dos jatos de gás ionizado - ou plasma - que saem do Sol no vento solar. Aprender mais sobre o funcionamento das magnetosferas é importante para compreender o nosso próprio planeta, bem como os que se encontram em cantos raramente visitados do nosso Sistema Solar e mais além.

É por isso que os cientistas estavam ansiosos por estudar a magnetosfera de Úrano e o que viram nos dados da Voyager 2, em 1986, deixou-os perplexos. Dentro da magnetosfera do planeta havia cinturas de radiação de eletrões com uma intensidade que só perdia o "primeiro lugar" para as manifestamente brutais cinturas de radiação de Júpiter. Mas aparentemente não havia nenhuma fonte de partículas energizadas para alimentar essas cinturas ativas; na verdade, o resto da magnetosfera de Úrano era quase desprovida de plasma.

A ausência de plasma também intrigou os cientistas, porque sabiam que as cinco maiores luas uranianas, na bolha magnética, deveriam ter produzido iões de água, como fazem as luas geladas à volta de outros planetas exteriores. Concluíram que as luas deviam ser inertes, sem qualquer atividade em curso.

Resolvendo o mistério

Então, porque é que não se observou plasma e o que é que estava a acontecer para reforçar as cinturas de radiação? A nova análise de dados aponta para o vento solar. Quando o plasma do Sol bateu e comprimiu a magnetosfera, provavelmente expulsou o plasma do sistema. Este evento de clima espacial também teria intensificado brevemente a dinâmica da magnetosfera, que teria alimentado as cinturas, injetando eletrões nelas.

Estas descobertas podem ser uma boa notícia para as cinco maiores luas de Úrano: algumas delas podem, afinal, ser geologicamente ativas. Com uma explicação para o plasma temporariamente em falta, os investigadores dizem que é plausível que as luas possam ter sempre estado a lançar iões para a bolha circundante.

Os cientistas planetários estão a concentrar-se em reforçar os seus conhecimentos sobre o misterioso sistema de Úrano, que o Levantamento Decadal de Ciência Planetária e Astrobiologia de 2023, das Academias Nacionais dos EUA, priorizou como alvo de uma futura missão da NASA.

Linda Spilker, do JPL, estava entre os cientistas da missão Voyager 2 colados às imagens e outros dados transmitidos durante o "flyby" por Úrano em 1986. Ela recorda a antecipação e a excitação do evento, que mudou a forma como os cientistas imaginavam o sistema uraniano.

"A passagem esteve repleta de surpresas e estávamos à procura de uma explicação para o seu comportamento invulgar. A magnetosfera que a Voyager 2 mediu foi apenas um instantâneo no tempo", disse Spilker, que regressou à icónica missão para liderar a sua equipa científica como cientista de projeto. "Este novo trabalho explica algumas das aparentes contradições e vai mudar, mais uma vez, a nossa visão de Úrano".

A Voyager 2, agora no espaço interestelar, está quase a 21 mil milhões de quilómetros da Terra.

// NASA (comunicado de imprensa)
// UCL (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
Science
SPACE.com
Space Daily
COSMOS
ScienceAlert
BBC Sky at Night
ScienceNews
PHYSORG
Newsweek
Reuters
BBC
CNN
Gizmodo

Úrano:
CCVAlg - Astronomia
NASA
The Nine Planets
Wikipedia
Magnetosfera de Úrano (Wikipedia)

Clima espacial:
Wikipedia

Voyager 2:
NASA
The Sky Live
Wikipedia

 
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As equações de Einstein e uma ligeira discrepância com dados do DES
 
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O enxame de galáxias Abell 2390, observado pelo satélite Euclid.
Crédito: ESA/Euclid/Consórcio Euclid/NASA; processamento de imagem - J.-C. Cuillandre (CEA Paris-Saclay), G. Anselmi
 

Porque é que a expansão do nosso Universo está a acelerar? Vinte e cinco anos após a sua descoberta, este fenómeno continua a ser um dos maiores mistérios científicos. Para o resolver, é necessário testar as leis fundamentais da física, incluindo a relatividade geral de Albert Einstein. Uma equipa das universidades de Genebra (UNIGE) e de Toulouse III - Paul Sabatier comparou as previsões de Einstein com os dados do DES (Dark Energy Survey). Os cientistas descobriram uma ligeira discrepância que varia consoante os diferentes períodos da história cósmica. Estes resultados, publicados na revista Nature Communications, põem em causa a validade das teorias de Einstein para explicar os fenómenos que ocorrem para além do nosso Sistema Solar a uma escala universal.

Segundo a teoria de Albert Einstein, o Universo é deformado pela matéria como uma grande folha flexível. Estas deformações, causadas pela gravidade dos corpos celestes, são designadas por "poços gravitacionais". Quando a luz passa por esta estrutura irregular, a sua trajetória é curvada por estes poços, à semelhança do efeito de uma lente de vidro. No entanto, neste caso, é a gravidade, e não o vidro, que curva a luz. Este fenómeno é conhecido como "lente gravitacional".

A sua observação permite conhecer os componentes, a história e a expansão do Universo. A sua primeira medição, efetuada durante um eclipse solar em 1919, confirmou a teoria de Einstein, que previa uma deflexão da luz duas vezes maior do que a prevista por Isaac Newton. Esta diferença resulta da introdução, por Einstein, de um novo elemento fundamental: a deformação do tempo, para além da deformação do espaço, para obter a curvatura exata da luz.

Teoria vs. Dados

Serão estas equações ainda válidas no limite do Universo? Esta questão está a ser explorada por muitos cientistas que procuram quantificar a densidade da matéria no cosmos e compreender a aceleração da sua expansão. Utilizando dados do DES (Dark Energy Survey) - um projeto que mapeia as formas de centenas de milhões de galáxias - uma equipa das universidades de Genebra (UNIGE) e de Toulouse III - Paul Sabatier está a fornecer novas informações.

"Até agora, os dados do Dark Energy Survey têm sido utilizados para medir a distribuição da matéria no Universo. No nosso estudo, utilizámos estes dados para medir diretamente a distorção do tempo e do espaço, o que nos permite comparar os nossos resultados com as previsões de Einstein", afirma Camille Bonvin, professora associada do Departamento de Física Teórica da Faculdade de Ciências da UNIGE, que liderou a investigação.

Uma ligeira discrepância

Os dados do DES permitem aos cientistas olhar para as profundezas do espaço e, por conseguinte, para o passado. A equipa franco-suíça analisou 100 milhões de galáxias em quatro momentos diferentes da história do Universo: há 3,5, 5, 6 e 7 mil milhões de anos atrás. Estas medições revelaram como os poços gravitacionais evoluíram ao longo do tempo, cobrindo mais de metade da história do cosmos.

"Descobrimos que no passado distante - há 6 e 7 mil milhões de anos - a profundidade dos poços está bem alinhada com as previsões de Einstein. No entanto, mais perto de hoje, há 3,5 e 5 mil milhões de anos, são ligeiramente mais 'rasos' do que o previsto por Einstein", revela Isaac Tutusaus, astrónomo assistente no IRAP/OMP (Institut de Recherche en Astrophysique et Planétologie/Observatoire Midi-Pyrénées) da Universidade de Toulouse III - Paul Sabatier e principal autor do estudo.

É também durante este período, mais próximo do atual, que a expansão do Universo começou a acelerar. Por conseguinte, a resposta a dois fenómenos - a aceleração do Universo e o crescimento mais lento dos poços gravitacionais - pode ser a mesma: a gravidade pode funcionar sob leis físicas diferentes, a grandes escalas, das previstas por Einstein.

Desafiando Einstein?

"Os nossos resultados mostram que as previsões de Einstein têm uma incompatibilidade de 3 sigma com as medições. Na linguagem da física, um tal limiar de incompatibilidade desperta o nosso interesse e exige mais investigações. Mas esta incompatibilidade não é suficientemente grande, nesta fase, para invalidar a teoria de Einstein. Para isso, seria necessário atingir um limiar de 5 sigma. Por isso, é essencial ter medições mais precisas para confirmar ou refutar estes primeiros resultados e descobrir se esta teoria continua a ser válida no nosso Universo, a distâncias muito grandes", sublinha Nastassia Grimm, investigadora de pós-doutoramento no Departamento de Física Teórica da UNIGE e coautora do estudo.

A equipa prepara-se para analisar novos dados do telescópio espacial Euclid, lançado há um ano. Como o Euclid observa o Universo a partir do espaço, as suas medições de lentes gravitacionais serão significativamente mais precisas. Além disso, espera-se que observe cerca de 1,5 mil milhões de galáxias durante os seis anos da sua missão. Isto permitirá medições mais exatas das distorções do espaço-tempo, permitindo-nos olhar mais para trás no tempo e, em última análise, testar as equações de Einstein.

// Universidade de Genebra (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Communications)

 


Quer saber mais?

Teoria da Relatividade Geral:
Wikipedia
Introdução à Relatividade Geral (Wikipedia)

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Determinando a constante de Hubble (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
"Escada" de distâncias cósmicas (Wikipedia)

3 sigma? 5 sigma?
CERN

DES (Dark Energy Survey):
Página principal
Wikipedia

Euclid:
ESA
Wikipedia
X/Twitter

 
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Também em destaque
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exemplo   Mistérios JuMBO escondidos na Nebulosa de Orionte (via Universidade de Sheffield)
No interior profundo da Nebulosa de Orionte, os investigadores estão um passo mais perto de compreender como os JuMBOs (Jupiter-mass binary objects) se formam - um mistério de longa data da astrofísica. Ler fonte
     
  Equipa propõe novos rácios de composição solar que podem reconciliar questões de longa data (via SwRI)
Uma equipa liderada pelo SwRI (Southwest Research Institute) combinou dados de composição de corpos primitivos, como objetos da Cintura de Kuiper, asteroides e cometas, com novos conjuntos de dados solares para desenvolver uma composição solar revista que, pela primeira vez, reconcilia as medições da espetroscopia e da helioseismologia. Ler fonte
     
  A teoria de formação galáctica dos astrónomos poderá ter de ser alterada (via CWRU)
O modelo padrão de como as galáxias se formaram no início do Universo previa que o Telescópio Espacial James Webb veria sinais fracos de galáxias pequenas e primitivas. Mas os dados não estão a confirmar a hipótese popular de que a matéria escura invisível ajudou as primeiras estrelas e galáxias a aglomerarem-se. Ler fonte
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Álbum de fotografias
Cometa Tsuchinshan-ATLAS

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Paulo Rubens
 
Através do vasto espaço profundo, o cometa Suchinshan-ATLAS (C/2023 A3) viajou na sua enigmática jornada para perto do Sol. Esta rara "bola de neve suja", descoberta em janeiro de 2023, impressionou tanto astrónomos amadores como profissionais ao ter apresentado uma linda cauda e uma cabeleira brilhante. Atingiu o seu brilho máximo em meados de outubro de 2024, proporcionando uma oportunidade única para observação. A imagem em destaque foi obtida no passado dia 17 de outubro pelo astrofotógrafo Paulo Rubens, a partir de Tavira, Portugal, recorrendo a um pequeno telescópio "inteligente" DWARF II. A imagem mostra também a anti-cauda do cometa. Atualmente, o Suchinshan-ATLAS diminuiu consideravelmente de brilho e está a deslocar-se para o Sistema Solar exterior, provavelmente para nunca mais regressar.
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