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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
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  Astroboletim #2239  
  22/08 a 25/08/2025  
     
 
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Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação noturna do céu na praia do Barril
Local: Praia do Barril
29/08/2025, 21:00
(não requer inscrição)

A Lua sobre a ponte
Local: Ponte romana - Tavira
02/09/2025, 20:00
(não requer inscrição)

Observação solar na praia do Barril
Local: Praia do Barril
05/09/2025, 10:00
(não requer inscrição)

Observação solar na Ilha de Tavira
Local: perto dos restaurantes da ilha da Tavira
12/09/2025, 10:00
(não requer inscrição)

 

Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve

Observação solar em Castro Verde
Local: Entre o Largo da Feira/Mercado e a Rua Morais Sarmento (ER123)
23/08/2025, 09:30 - Inscrição
23/08/2025, 10:00 - Inscrição

Astronomia em Vale do Álamo
Local: Vale do Álamo - Benafim
25/08/2025, 21:00 - Data esgotada - Lista de espera

Astronomia junto ao Castelo de Paderne
Local: Castelo de Paderne
01/09/2025, 21:00 - Data esgotada - Lista de espera

Eclipse lunar na Ilha de Faro
Local: Centro Náutico da Praia de Faro
07/09/2025, 19:45 - Data esgotada - Lista de espera

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

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EFEMÉRIDES

DIA 22/08: 234.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1989 era descoberto, definitivamente, o primeiro anel de Neptuno, graças à Voyager 2.
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HOJE, NO COSMOS:
À medida que o verão avança e Arcturo desce no céu a oeste, a figura do "papagaio-de-papel" de Boieiro inclina-se para a direita (dependendo da latitude do observador). O "papagaio-de-papel" é estreito, está ligeiramente torto e mede 23º de comprimento: cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Arcturo é a ponta inferior do "papagaio", onde a cauda se junta.
A Ursa Maior inclina-se praticamente à mesma altura a noroeste, para a direita de Boieiro.

 

DIA 23/08: 235.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1966, a Lunar Orbiter 1 tira a primeira fotografia da Terra a partir de órbita lunar. 
Em 1993, a sonda Galileu descobre uma lua, mais tarde chamada Dactyl, em torno de 243 Ida, a primeira lua conhecida em torno de um asteroide.
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Em 2023, a missão Chandrayaan-3 inicia a primeira alunagem na história da Índia.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 07:07.
O Grande Quadrado de Pégaso sobe a este, apoiado num canto. As suas estrelas são apenas de segunda e terceira magnitudes. E Saturno encontra-se para baixo e para a sua direita.
A partir do canto esquerdo do Quadrado estende-se, para a esquerda e também um pouco para baixo, a espinha dorsal da constelação de Andrómeda: três estrelas numa linha ligeiramente curva (incluindo o canto) com um brilho equivalente ao das estrelas do Quadrado.

 

DIA 24/08: 236.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1493 Cristovão Colombo partia pela segunda vez para o Novo  Mundo.
Em 1966, a Luna 11 era lançada de uma plataforma em órbita da Terra.
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Esta missão soviética tinha como objetivo estudar a composição química e anomalias gravitacionais da Lua
Em 2006, a União Astronómica Internacional (UAI) redefine o termo "planeta", e Plutão é a partir daí considerado um planeta anão.
Em 2016, Proxima Centauri b, o exoplaneta mais próximo do Sistema Solar, é descoberto pelo ESO.
Em 2017, a agência espacial de Taiwan lança com sucesso o satélite de observação Formosat-5 para o espaço.
HOJE, NO COSMOS:
A Ursa Menor inclina-se para a esquerda a norte. Como sempre, está orientada mais de 90º no sentido oposto ao dos ponteiros do relógios em comparação com Pégaso e Andrómeda. Como que a "despejar" o conteúdo da sua "frigideira".

 

DIA 25/08: 237.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1609, Galileu Galilei demonstra o seu primeiro telescópio aos legisladores de Veneza.
Em 1864 nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que propôs a primeira determinação da velocidade da luz.
Em 1981, flyby da Voyager 2 por Saturno.
Em 1989, flyby da Voyager 2 por Neptuno
Em 2000, a revista Science anuncia descobertas a partir de dados do magnetómetro da sonda Galileu que fornecem, à data, as mais sólidas provas da existência de um oceano de água líquida salgada por baixo da superfície de uma das luas de JúpiterEuropa.
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No mesmo ano, o Telescópio Espacial Hubble faz um censo de anãs castanhas galácticas. A câmara NICMOS do Hubble revela a baixa energia das anãs castanhas, estrelas que não têm massa suficiente para começar a fusão nuclear.
Em 2003, lançamento do Telescópio Espacial Spitzer.
Em 2012, a sonda Voyager 1 torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a entrar no espaço interestelar.
HOJE, NO COSMOS:
Um sinal da chegada do outono - Cassiopeia está alta a nordeste, o seu "W" inclinado para cima. E, por baixo, Perseu. A parte mais alta da constelação de Perseu inclui o Duplo Enxame. Para o encontrar, olhe para baixo das duas estrelas mais baixas do "W" de Cassiopeia, a 1,5 vezes a distância entre as duas. Está à procura do que parece ser uma pequena mancha. Os binóculos ajudam a detetar o Duplo Enxame, mesmo através de alguma poluição luminosa. Através de um telescópio são gloriosos: uma distante "cidade gémea" de estrelas.

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Telescópio Webb descobre uma nova lua em torno de Úrano
 
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Esta imagem mostra a lua, designada S/2025 U1, bem como 13 das outras 28 luas conhecidas que orbitam o planeta (a pequena lua Cordélia orbita mesmo no interior do anel mais exterior, mas não é visível nestas imagens devido ao brilho dos anéis). Devido às diferenças drásticas nos níveis de brilho, a imagem é uma composição de três tratamentos diferentes dos dados, permitindo ao observador ver detalhes da atmosfera planetária, dos anéis circundantes e das luas em órbita.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STSCI, M. El Moutamid (SwRI), M. Hedman (Universidade de Idaho)
 

Utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA, uma equipa liderada pelo SwRI (Southwest Research Institute) identificou uma lua anteriormente desconhecida em órbita de Úrano, elevando a família de satélites conhecidos do planeta para 29. A deteção foi feita durante uma observação do Webb a 2 de fevereiro de 2025.

"Este objeto foi detetado numa série de 10 imagens de longa exposição com 40 minutos cada obtidas pelo instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera)", disse Maryame El Moutamid, cientista principal da Divisão de Ciência e Exploração do Sistema Solar do SwRI, com sede em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "É uma lua pequena, mas uma descoberta significativa, que é algo que nem a nave espacial Voyager 2 da NASA viu durante o seu 'flyby' há quase 40 anos".

Estima-se que a lua recém-descoberta tenha apenas 10 quilómetros de diâmetro, assumindo que tem uma refletividade (albedo) semelhante à dos outros pequenos satélites de Úrano. Este tamanho minúsculo tornou-a provavelmente invisível à Voyager 2 e a outros telescópios.

"Nenhum outro planeta tem tantas pequenas luas interiores como Úrano, e as suas complexas inter-relações com os anéis sugerem uma história caótica que dilui a fronteira entre um sistema de anéis e um sistema de luas", disse Matthew Tiscareno do Instituto SETI em Mountain View, Califórnia, membro da equipa de investigação. "Além disso, a lua nova é mais pequena e muito mais ténue do que a mais pequena das luas interiores anteriormente conhecidas, o que torna provável que ainda haja mais complexidade por descobrir".

 
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A localização aproximada de S/2025 U 1, a amarelo, a possível nova lua de Úrano. Orbita entre os satélites Bianca e Ofélia. Se tiver um albedo comparável ao de outras luas próximas, o objeto tem provavelmente cerca de 10 quilómetros de diâmetro, de longe a lua mais pequena do sistema de Úrano até à data. As elipses sólidas indicam anéis, enquanto as linhas a tracejado mostram as órbitas de muitas das luas interiores.
Crédito: SwRI
 

A nova lua é o 14.º membro do intrincado sistema de pequenas luas que orbitam mais perto do que as maiores luas Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon (todas as luas de Úrano têm nomes de personagens de Shakespeare e Alexander Pope).

"Está localizada a cerca de 56.000 quilómetros do centro de Úrano, orbitando o plano equatorial do planeta entre as órbitas de Ofélia (que está fora do sistema de anéis principal de Úrano) e Bianca", disse El Moutamid. "A sua órbita quase circular sugere que pode ter sido formada perto da sua posição atual".

O nome da lua recém-descoberta terá de ser aprovado pela União Astronómica Internacional, a principal autoridade na atribuição de nomes e designações oficiais dos objetos astronómicos.

"Através deste e de outros programas, o Webb está a proporcionar um novo olhar sobre o Sistema Solar exterior. Esta descoberta faz parte do programa GO (General Observers) do Webb, que permite a cientistas de todo o mundo propor investigações utilizando os instrumentos de ponta do telescópio. A alta resolução do instrumento NIRCam e a sua sensibilidade ao infravermelho tornam-no especialmente apto a detetar objetos ténues e distantes que estavam fora do alcance dos observatórios anteriores", disse El Moutamid. "Olhando para o futuro, a descoberta desta lua sublinha como a astronomia moderna continua a construir sobre o legado de missões como a Voyager 2, que passou por Úrano no dia 24 de janeiro de 1986 e deu à humanidade o seu primeiro olhar de perto deste mundo misterioso. Agora, quase quatro décadas depois, o Telescópio Espacial James Webb está a empurrar essa fronteira ainda mais longe".

Nota: este texto realça ciência em curso, que ainda não passou pelo processo de revisão por pares.

// NASA (comunicado de imprensa)
// SwRI (comunicado de imprensa)
// Telescópio Webb descobre nova lua em torno de Úrano (JWST via YouTube)

 


Quer saber mais?

Úrano:
CCVAlg - Astronomia
NASA
The Nine Planets
Wikipedia
Luas de Úrano (Wikipedia)

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

Voyager 2:
NASA
The Sky Live
Wikipedia

 
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Raro sistema quádrulo pode desvendar o mistério das anãs castanhas
 
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Uma impressão de artista do sistema UPM J1040-3551 contra o pano de fundo da Via Láctea, tal como observado pelo Gaia. À esquerda, UPM J1040-3551 Aa e Ab aparece como um distante ponto laranja brilhante, com uma inserção revelando estas duas estrelas do tipo M em órbita. À direita, em primeiro plano, um par de anãs castanhas frias - UPM J1040-3551 Ba e Bb - orbitam-se mutuamente ao longo de um período de décadas, enquanto coletivamente orbitam UPM J1040-3551 Aab numa vasta órbita que demora mais de 100.000 anos a completar.
Crédito: Jiaxin Zhong/Zenghua Zhang
 

De acordo com os astrónomos, a excitante descoberta de um sistema estelar quádruplo extremamente raro poderá fazer avançar significativamente a nossa compreensão das anãs castanhas.

Estes objetos misteriosos são demasiado grandes para serem considerados planetas, mas também demasiado pequenos para serem estrelas, porque não têm massa suficiente para continuar a fundir átomos e para se transformarem em sóis de pleno direito.

Numa nova descoberta publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os astrónomos identificaram um sistema estelar quádruplo hierárquico extremamente raro, constituído por um par de anãs castanhas frias em órbita de um par de jovens estrelas anãs vermelhas, localizado a 82 anos-luz da Terra, na direção da constelação austral da Máquina Pneumática.

O sistema, denominado UPM J1040-3551 AabBab, foi identificado por uma equipa de investigação internacional liderada pelo professor Zenghua Zhang, da Universidade de Nanjing, China.

Os investigadores fizeram a sua descoberta utilizando a velocidade angular medida pelo Gaia da ESA e pelo WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, seguida de observações e análises espetroscópicas exaustivas.

Isto porque este largo par binário precisa de mais de 100.000 anos para completar uma órbita à volta um do outro, pelo que o seu movimento orbital não pode ser visto em termos de anos. Por isso, os investigadores tiveram de analisar como se movem na mesma direção e com a mesma velocidade angular.

Neste sistema, Aab refere-se ao par estelar mais brilhante Aa e Ab, enquanto Bab se refere ao par subestelar mais fraco Ba e Bb.

"O que torna esta descoberta particularmente excitante é a natureza hierárquica do sistema, que é necessária para que a sua órbita se mantenha estável durante um longo período de tempo", disse o professor Zhang.

"Estes dois pares de objetos estão a orbitar-se um ao outro separadamente durante períodos de décadas, enquanto os pares estão também a orbitar um centro de massa comum com um período de mais de 100.000 anos".

Os dois pares estão separados por 1,656 unidades astronómicas (UA), em que 1 UA é igual à distância Terra-Sol. O par mais brilhante, UPM J1040-3551 Aab, é constituído por duas estrelas anãs vermelhas de massa quase igual, que parecem cor de laranja quando observadas em comprimentos de onda visíveis.

Com uma magnitude visual de 14,6, este par é aproximadamente 100.000 vezes mais fraco do que a Estrela Polar em comprimentos de onda óticos. De facto, nenhuma estrela anã vermelha é suficientemente brilhante para ser vista a olho nu - nem mesmo Proxima Centauri, a nossa vizinha estelar mais próxima, a 4,2 anos-luz de distância. Para tornar UPM J1040-3551 Aab visível sem ajuda ótica, este par binário teria de ser colocado a uma distância de 1,5 anos-luz da Terra, o que o colocaria mais perto do que qualquer outra estrela da nossa atual vizinhança cósmica.

O par mais fraco, UPM J1040-3551 Bab, é composto por duas anãs castanhas muito mais frias que não emitem praticamente nenhuma luz visível e aparecem cerca de 1000 vezes mais fracas do que o par Aab quando observadas nos comprimentos de onda do infravermelho próximo, onde são mais facilmente detetadas.

A natureza binária e íntima de UPM J1040-3551 Aab foi inicialmente suspeitada devido ao seu fotocentro oscilante durante as observações do Gaia e confirmada pelo seu brilho invulgar - cerca de 0,7 magnitudes mais brilhante do que uma única estrela com a mesma temperatura à mesma distância, uma vez que a luz combinada do par de massas quase iguais duplica efetivamente a emissão.

Da mesma forma, UPM J1040-3551 Bab foi identificado como outro binário próximo através das suas medições infravermelhas anormalmente brilhantes em comparação com as anãs castanhas típicas do seu tipo espetral. A análise do ajuste espetral apoiou fortemente esta conclusão, com os modelos binários a fornecerem uma correspondência significativamente melhor do que os modelos de um único objeto.

O Dr. Felipe Navarete, do Laboratório Nacional de Astrofísica do Brasil, liderou as observações espetroscópicas críticas que ajudaram a caracterizar os componentes do sistema.

Usando o espetrógrafo Goodman no Telescópio SOAR (Southern Astrophysical Research) no Observatório Interamericano de Cerro Tololo no Chile, um programa do NOIRLab da NSF, o Dr. Navarete obteve espetros óticos do par mais brilhante, enquanto também capturava espetros no infravermelho próximo do par mais fraco com o instrumento TripleSpec do SOAR.

"Estas observações foram um desafio devido à fraca luminosidade das anãs castanhas", disse o Dr. Navarete, "mas as capacidades do SOAR permitiram-nos recolher os dados espetroscópicos cruciais necessários para compreender a natureza destes objetos".

A sua análise revelou que ambos os componentes do par mais brilhante são anãs vermelhas do tipo M, com temperaturas de aproximadamente 3200 K (cerca de 2900° C) e massas de cerca de 17 por cento da do Sol.

O par mais fraco são objetos mais exóticos: duas anãs castanhas do tipo T com temperaturas de 820 K (550° C) e 690 K (420° C), respetivamente.

As anãs castanhas são objetos pequenos e densos de baixa massa, sendo que as deste sistema têm tamanhos semelhantes ao planeta Júpiter, mas massas estimadas em 10-30 vezes superiores. De facto, no limite inferior deste intervalo, estes objetos poderiam ser considerados objetos de "massa planetária".

"Este é o primeiro sistema quádruplo alguma vez descoberto com um par de anãs castanhas do tipo T a orbitar duas estrelas", disse a Dra. MariCruz Gálvez-Ortiz do Centro de Astrobiologia em Espanha, coautora do artigo científico.

"A descoberta proporciona um laboratório cósmico único para estudar estes objetos misteriosos".

Ao contrário das estrelas, as anãs castanhas arrefecem continuamente ao longo da sua vida, o que altera as suas propriedades observáveis, como a temperatura, a luminosidade e as características espetrais.

Este processo de arrefecimento cria um desafio fundamental na investigação das anãs castanhas, conhecido como o "problema da degenerescência idade-massa".

Uma anã castanha isolada com uma determinada temperatura pode ser um objeto mais jovem e menos massivo ou um objeto mais velho e mais massivo - os astrónomos não conseguem distinguir entre estas possibilidades sem informação adicional.

"As anãs castanhas com grandes companheiras estelares, cujas idades podem ser determinadas de forma independente, são de valor inestimável para quebrar esta degenerescência como referências de idade", explicou o professor Hugh Jones, da Universidade de Hertfordshire, coautor do artigo científico.

"UPM J1040-3551 é particularmente valioso porque a emissão H-alfa do par mais brilhante indica que o sistema é relativamente jovem, entre 300 milhões e 2 mil milhões de anos".

A equipa pensa que o par de anãs castanhas (UPM J1040-3551 Bab) pode, potencialmente, ser resolvido no futuro com técnicas de imagem de alta resolução, permitindo medições precisas do seu movimento orbital e massas dinâmicas.

"Este sistema oferece um duplo benefício para a ciência das anãs castanhas", disse o professor Adam Burgasser, da Universidade da Califórnia em San Diego.

"Pode servir como referência de idade para calibrar modelos de atmosfera de baixa temperatura, e como referência de massa para testar modelos evolutivos se conseguirmos resolver o binário das anãs castanhas e seguir a sua órbita".

A descoberta do sistema UPM J1040-3551 representa um avanço significativo na compreensão destes objetos elusivos e dos diversos percursos de formação de sistemas estelares na vizinhança do Sol.

// Real Sociedade Astronómica (comunicado de imprensa)
// Centro de Astrobiologia em Espanha (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


Quer saber mais?

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Anãs castanhas:
Wikipedia
Andy Lloyd's Dark Star Theory

Gaia:
ESA
Página da ESA para a comunidade científica
Arquivo de dados do Gaia (ESA)
Wikipedia

WISE (ou NEOWISE):
NASA
ipac
Wikipedia

Telescópio SOAR (Southern Astrophysical Research):
NOIRLab
Wikipedia

 
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Ceres pode ter tido uma fonte de energia para alimentar a habitabilidade
 
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O planeta anão Ceres é visto nesta representação a cores melhoradas que utiliza imagens da missão Dawn da NASA. Novos modelos térmicos e químicos, baseados nos dados da missão, indicam que Ceres pode ter tido, há muito tempo, condições adequadas à vida.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
 

Uma nova investigação da NASA descobriu que Ceres poderá ter tido uma fonte duradoura de energia química: os tipos certos de moléculas necessárias para alimentar alguns metabolismos microbianos. Embora não existam evidências de que alguma vez tenham existido micro-organismos em Ceres, a descoberta apoia as teorias de que este intrigante planeta anão, que é o maior corpo da cintura principal de asteroides entre Marte e Júpiter, pode ter tido, em tempos, condições adequadas para suportar formas de vida unicelulares.

Os dados científicos da missão Dawn da NASA, que terminou em 2018, mostraram anteriormente que as regiões brilhantes e refletivas da superfície de Ceres são maioritariamente feitas de sais deixados pelo líquido que se infiltrou do subsolo. Análises posteriores em 2020 descobriram que a fonte deste líquido era um enorme reservatório de salmoura, ou água salgada, abaixo da superfície. Noutra investigação, a missão Dawn também revelou evidências de que Ceres tem material orgânico sob a forma de moléculas de carbono - essencial, embora não suficiente só por si, para suportar células microbianas.

A presença de água e de moléculas de carbono são duas peças fundamentais do puzzle da habitabilidade de Ceres. As novas descobertas oferecem a terceira: uma fonte duradoura de energia química no passado antigo de Ceres que poderia ter possibilitado a sobrevivência de micro-organismos. Este resultado não significa que Ceres tenha tido vida, mas sim que provavelmente havia "comida" disponível caso alguma vez tivesse surgido vida em Ceres.

No estudo, publicado a 20 de agosto na revista Science Advances, os autores construíram modelos térmicos e químicos que imitam a temperatura e a composição do interior de Ceres ao longo do tempo. Descobriram que, há cerca de 2,5 mil milhões de anos, o oceano subsuperficial de Ceres pode ter tido um fornecimento constante de água quente contendo gases dissolvidos que subiam das rochas metamorfoseadas do núcleo rochoso. O calor provinha da decomposição de elementos radioativos no interior rochoso do planeta anão, que ocorreu quando Ceres era jovem - um processo interno que se pensa ser comum no nosso Sistema solar.

 
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Esta ilustração mostra o interior do planeta anão Ceres, incluindo a transferência de água e gases do núcleo rochoso para um reservatório de água salgada. O dióxido de carbono e o metano estão entre as moléculas que transportam energia química sob a superfície de Ceres.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Na Terra, quando a água quente das profundezas do subsolo se mistura com o oceano, o resultado é frequentemente um buffet para os micróbios - um festim de energia química. Por isso, poderia ter grandes implicações se pudéssemos determinar se o oceano de Ceres teve um fluxo de fluido hidrotermal no passado", disse Sam Courville, autor principal do estudo. Atualmente na Universidade do Estado do Arizona, em Tempe, liderou a investigação enquanto trabalhava como estagiário no JPL da NASA, no sul da Califórnia, que também geriu a missão Dawn.

Apanhando calafrios

É pouco provável que o Ceres que conhecemos atualmente seja habitável. É mais frio, com mais gelo e menos água do que no passado. Atualmente, o calor do decaimento radioativo em Ceres é insuficiente para evitar que a água congele e o líquido que resta tornou-se uma salmoura concentrada.

O período em que Ceres teria sido mais provavelmente habitável foi entre 0,5 mil milhões e 2 mil milhões de anos após a sua formação (ou seja, há cerca de 2,5 mil milhões a 4 mil milhões de anos atrás), quando o seu núcleo rochoso atingiu a temperatura máxima. Seria nessa altura que os fluidos quentes teriam sido introduzidos na água subterrânea de Ceres.

O planeta anão também não tem o benefício do atual aquecimento interno gerado pelo empurrar e puxar da órbita de um grande planeta, como acontece com a lua Encélado de Saturno e a lua Europa de Júpiter. Por isso, o maior potencial de energia de Ceres para alimentar a habitabilidade está no passado.

Este resultado também tem implicações para objetos ricos em água em todo o Sistema Solar exterior. Muitas das outras luas geladas e planetas anões com dimensões semelhantes às de Ceres (cerca de 940 quilómetros de diâmetro) e que não têm um aquecimento interno significativo graças à atração gravitacional dos planetas, podem também ter tido um período de habitabilidade no passado.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

 


Quer saber mais?

Ceres:
Wikipedia

Sonda Dawn:
NASA
"Toolkit" da missão (NASA)
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Duplo zoom acidental revela ondas milimétricas em torno de buraco negro supermassivo (via NOVA)
Uma equipa internacional de astrónomos liderada por Matus Rybak (Universidade de Leiden, Países Baixos) provou, graças a um duplo zoom acidental, que a radiação milimétrica é gerada perto do núcleo de um buraco negro supermassivo. As suas descobertas foram aceites para publicação na revista Astronomy & Astrophysics. Ler fonte
     
  A primeira supernova do seu género revela o funcionamento interno de uma estrela moribunda (via Universidade Northwestern)
Uma equipa internacional de cientistas detetou um tipo de explosão estelar, ou supernova, nunca antes vista, que é rica em silício, enxofre e árgon. Quando estrelas massivas explodem, os astrofísicos encontram normalmente fortes assinaturas de elementos leves, como o hidrogénio e o hélio. Mas a supernova recém-descoberta, designada SN 2021yfj, apresentou uma assinatura química surpreendentemente diferente. Ler fonte
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Álbum de fotografias
Galáxias Gigantes em Pavão

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Adam Block
 
Com mais de 500.000 anos-luz de diâmetro, NGC 6872 (em baixo à esquerda) é uma galáxia espiral barrada verdadeiramente enorme. Com pelo menos 5 vezes o tamanho da nossa grande Via Láctea, NGC 6872 é a maior galáxia espiral conhecida. A cerca de 200 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação austral do Pavão, o aspeto dos braços espirais esticados desta galáxia gigante sugere as asas de um pássaro gigante. Por isso, a sua alcunha popular é a galáxia do Condor. Revestidos com jovens enxames estelares azuis e regiões de formação estelar, os braços espirais esticados e distorcidos devem-se às interações gravitacionais passadas de NGC 6872 com a galáxia mais pequena IC 4970, visível aqui por baixo do núcleo da galáxia espiral gigante. Outros membros do grupo de galáxias de Pavão estão espalhados por este magnífico retrato de grupo de galáxias, com a galáxia elíptica gigante e dominante, NGC 6876, acima e à direita da galáxia do Condor.
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